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Wednesday, February 16, 2011

Teresa Southwick - [The Coltons 17] - Sky Full of Promise p.03

—Como se ela fosse responsável pelo nascer da lua e do sol e pelo brilho das estrelas-Ela riu—. Não me admira que te chame Sky. Estou encantada de reconhecer que estava equivocada. Vitória e eu iremos para o cruzeiro amanhã, sabendo que o deixamos em boas mãos e, sobretudo, que alguém o ama de verdade.
—Alegra-me saber que irão tranqüilas. A avó beijou-lhe a bochecha.
—E agora, Vitória e eu temos uma surpresa para vocês. Olhem — a avó apontou uma parede da sala.
Um menino estava descobrindo algo, era uma foto enorme de ambos.
Sky viu e logo olhou para Dom.
—Essa é a foto que publicamos no jornal. A avó sorriu.
—Pedimos que a ampliassem, vamos dizer a todos os convidados que a assinem. Depois a emolduraremos para que recordem deste dia — a anciã olhou a foto e logo a Sky—. Vê a forma como olha meu neto, é um olhar cheio de amor. Quando se deu conta de que queria viver o resto de sua vida com ele?
—Isto é muito — as bochechas do Sky estavam cheias de lágrimas. Levantou-se, abraçou Isabel, desculpou-se e saiu correndo da sala.
—Disse algo mau? —perguntou Isabel a Dom.
—Não, avozinha, é que é...
—Muito feliz?
Dom estava certo que não se devia àquilo.
—Preciso ir a...
—Sim, vai — disse a avó.
Sky atravessou o restaurante correndo até que saiu fora e o frio daquele mês de janeiro a paralisou. Estava no estacionamento traseiro e havia pouca luz. Afastou-se da porta respirando lentamente. Tudo estava muito escuro e cheio de carros, já que era sábado de noite. Também havia muitas sombras.
Como podia ter mentido àquelas duas mulheres tão encantadoras? Que Dom tivesse proposto, que ele pensasse que havia uma boa razão para fazer isso não era suficiente. A decisão tinha sido dela, e as conseqüências também.
Tinha mentido!
Tinha fingido ser a mulher perfeita. Tinham-na aceito. Queriam-na como se fosse parte da família. Acreditavam que ela e Dom estavam apaixonados. Só tinham parte de razão.
«Quando soube que o amava?», repetiu para si mesma as palavras da Isabel, «neste momento».
—Olhe quem temos aqui. Sky deu a volta para ver de onde vinha aquela voz. Debaixo da entrada havia uma luz tênue, mas a voz procedia de mais à frente. Só pôde ver o contorno de um homem e a luz de um cigarro.
—Quem está aí? —perguntou muito assustada.
—Um velho amigo da família — A luz do charuto caiu ao chão e o homem o apagou com o pé.
As pernas de Sky ficaram paralisadas, enquanto aquele homem se aproximava da luz e dela. Fez um esforço por distinguir quem era. Tinha um aspecto normal, não era nem alto nem baixo, e sua roupa não destacava. Tinha o cabelo castanho e não pode distinguir a cor de seus olhos, mas pareciam escuros. Parecia-lhe familiar. Acreditava ter visto antes, mas onde?
—Conhece minha família?
—Olha só, Sky Colton em pessoa.
Seu tom deixava ver tanto ódio, que de repente o reconheceu e ficou gelada.
—Kenny Randolph.

Capítulo 10

Sky retrocedeu. Deus santo. Tinha estado tão distraída pensando em seus sentimentos em torno de Dom que se esqueceu de Kenny Randolph. Tinha que voltar para restaurante ao encontro com Dom. Mas Kenny estava entre ela e a porta e a agarrou antes que pudesse fazer nada. O sorriso de satisfação na cara de Kenny a assustou.
—Que casualidade te encontrar aqui — disse ele.
Depois Kenny sorriu.
Aquela cara amistosa a assustou ainda mais. Aquele homem tinha feito mal a sua prima Willow para fazer com que os Colton de Oklahoma não recebessem a herança que lhes correspondia. Sua família tinha vivido com medo por muito tempo, era hora de deter aquele medo, de deter Kenny. Mas como? Sky estava sozinha, a não ser que alguém na festa sentisse falta dela...
—Que coincidência, Kenny Randolph — não mostrar medo era uma forma de se defender embora custasse muito a Sky manter um tom tranqüilo—, O que está fazendo em Houston?
—Precisava desaparecer por um tempo. Dallas está muito perto de Black Arrow para estar tranqüilo. Sabia que Houston é a quarta maior cidade dos Estados Unidos?
—Agradeço a aula de geografia, mas a aproveitaria mais se me soltasse — tentou separar-se dele.
—Não acredito que seja uma boa idéia — disse enquanto apertava mais forte o seu pulso—. É a pessoa que andava procurando.
—Como soube que estava aqui?
—Por sua mãe.
—Ela não te diria nada — disse tentando soltar-se de novo, mas Kenny a apertou com tanta força que Sky sentiu que ia partir o osso.
—Não me reconheceu. Fiz como se fosse um amigo teu também desenhista e disse que precisava entrar em contato contigo. Ajudou-me muito, ela me disse que poderia te localizar através do doutor. Não foi difícil averiguar onde vivia. Estive te seguindo, esperando o momento adequado para agir.
—O que é que você quer?
—O mesmo de sempre, dinheiro.
—Vá trabalhar.
—Trabalhei para Graham Colton até que ficou nervoso, ele me tratou muito mal. Trabalhei muito duro e olhe como terminei, sua família me deve isso. E eu vou cobrar de uma forma ou de outra.
—Não devemos nada a você, maldito descarado, do que está falando?
—Da herança que Graham pensou que devia ser dele. Agora o dinheiro que sua família está disposta a me dar isso como resgate.
Estava planejando seqüestrá-la! De repente pensou em Dom e no amor que sentia por ele, o amor que acabava de descobrir. A idéia de não poder vê-lo a indignou. A frustração e o medo se mesclavam dentro dela enquanto tentava combater o pânico. Precisava fazer algo. Não podia deixar que ele saísse bem dessa, não sem lutar primeiro.
—Se for esperto, deixará que eu parta. Minha família não te pagará nem um centavo e não descansarão até que esteja atrás das grades.
—Estou disposto a me arriscar.
—Então não é muito esperto.
De repente, Sky ouviu a porta e desejou que fosse alguém que a pudesse ajudar.
Kenny atirou-se em cima dela e a apoiou contra seu peito.
—É como o resto dos Colton. Altiva e orgulhosa. Deixe-me dizer uma coisa, Sky Colton, você...
—Solte-a!
—Dom! —suas pernas tremeram aliviadas.
—Isto é um assunto entre nós dois — disse Kenny enquanto a girava para apoiá-la contra seu peito.
Arrastou-a do edifício para o estacionamento. A única coisa que manteve Sky em pé foi ver Dom junto à porta, sua visão lhe deu força.
—Solte-a! —repetiu Dom com uma voz tão dura como o aço. Seus olhos estavam cheios de raiva, a determinação endurecia suas feições—. Chame a polícia — disse a alguém por cima do ombro. Sky não pôde ver quem era.
A porta do restaurante se fechou. Kenny voltou a arrastá-a para mais longe de Dom. O descarado devia ter um carro perto e estava tentando chegar até ele. Tentou detê-lo cravando seus saltos no chão. Mas o asfalto era muito duro e os sapatos não eram de muita ajuda.
—Não tente me zangar — disse Kenny—. Se souber o que te convém, virá comigo.
—Nem sonhe.
Ele puxou seu braço para baixo e Sky chiou de dor.
—Sky! —gritou Dom. Parecia furioso e preocupado—. Solte-a canalha. Se fizer mal a ela, eu...
Enquanto seguiam retrocedendo golpeou o pé com uma pedra e torceu o tornozelo. A dor a fez gritar e tropeçou. Aquele repentino movimento fez com que Kenny a soltasse enquanto ela caía. Sentiu uma imensa dor no tornozelo e na parte inferior da perna. De repente, Dom estava ali. Agarrou Kenny pela camisa e o separou dela. Quando estavam longe se preparou para golpeá-lo.
—Não, Dom. Sua mão. Não!
No momento em que acabou de gritar, pôde ver como o punho de Dom se arremeteu contra a cara de Kenny. O outro devolveu o golpe e acertou em sua bochecha. Dom voltou a golpear duas vezes até que Kenny caiu no chão com um grunhido.
Quando Dom se ajoelhou junto a ela, puderam ouvir o ruído das sirenes.
—Está bem? —segurou-a com força e a levantou do chão.
—Estou bem — respondeu Sky, mas ao apoiar o pé gritou.
—Mentirosa — disse enquanto a segurava pela cintura para ajudá-la a andar. Depois estirou os dedos de sua mão direita como se doessem.
—Deus! —agarrou a mão dele e a olhou atentamente—. Quebrou algo?
—Não, não se preocupe.
—Sabe que você também é um mentiroso? — além disso, como podia deixar de preocupar-se como o amava.
Mas depois do que tinha passado aquela noite, certamente ele se alegraria muito de vê-la sair de sua vida. Sky começou a tiritar de frio e de medo. Dom a soltou para tirar o paletó e por sobre ela. Sky o abotoou e pôde sentir todo seu calor e aroma. Aquilo a fazia desejar estar entre seus braços.
Um instante depois, um grupo de carros da polícia com as luzes acesas e as sirenes entrou no estacionamento. Vários agentes os rodearam até que conseguiram explicar o que tinha acontecido.
Sky pediu-lhes que entrassem em contato com seu primo Bram Colton e eles disseram que seu primo já estava de caminho. As pessoas do restaurante começaram a sair para averiguar o que tinha acontecido, mas um policial entrou para manter os curiosos dentro. Possivelmente as coisas não tivessem saído tão mal como ela pensava, era possível que ninguém da festa se inteirasse do acontecido.
—Senhorita Colton — um policial se aproximou dela—. Nós gostaríamos que nos acompanhasse à delegacia de polícia para esperar o xerife Colton ali.
—Tenho que fazer isso?
—O xerife me pediu que a mantivéssemos sob amparo policial até que chegasse.
—Mas não é necessário, não?
—Se você fosse de minha família, eu faria o mesmo.
—De acordo — Sky olhou Dom e depois ao policial—. Oficial, este é o doutor Dominic Rodríguez, ele golpeou o criminoso e necessita que examinem sua mão.
—Estou bem — disse Dom—. Além disso, eu vou contigo.
—E quem vai ficar com sua mãe e sua avó?
—Vou cuidar para que as levem para casa.
O oficial o olhou.
—Levaremos a senhorita Colton à delegacia de polícia, pode encontrar-se com ela ali.
Dom franziu o cenho e a olhou duvidando por um momento.
—Não vou te perder de vista nem um segundo. Direi a Grace e a Rob que as levem para casa.
—De acordo — olhou-o com doçura, mas não por muito tempo. Dom era um homem que levava as suas responsabilidades muito a sério, aquela era a razão de seu comportamento. Dirigiu-se ao restaurante e parou para ver como liam para Kenny os seus direitos. Deu a volta.
—Voltarei em seguida — disse a Sky.
—E a festa? —perguntou-lhe. Sentia-se tão longe dele.
—A festa pode seguir... Mas sem nós.

Dom olhou Sky, que estava sentada do outro lado da mesa. Os policiais tinham levado os dois a uma sala, que provavelmente usavam para interrogar os suspeitos. A mesa era de metal, as cadeiras de plástico. A cafeteira estava acesa e emitia ruídos estranhos.
Felizmente ficaram pouco tempo ali, embora Sky continuasse vestindo o paletó de Dom. Tinha um aspecto tão juvenil, tão frágil, e ele estava ansioso por levá-la para casa. O desejo de protegê-la já era algo familiar para ele. A primeira vez que o sentiu foi no tribunal de Black Arrow. O desejo de cuidar dela era intenso ao ver aquele rosto pálido, o medo que permanecia em seus olhos. De repente sentiu uma imensa raiva e quis voltar a golpear aquele canalha, sem se importar o que acontecesse com sua mão.
Ainda bem que tinha ido a sua busca. Não queria nem pensar o que teria acontecido se não a tivesse seguido. Por que tinha saído do restaurante?
—Sky, eu...
A porta se abriu e ela olhou para o homem que estava na porta.
—Bram! —levantou-se.
—Sky.
Coxeou até chegar a ele. Ele a estreitou entre seus braços e a abraçou com força. Comparada com aquele homem, Sky parecia ainda mais frágil, menor.
—Alegra-me tanto que esteja aqui — disse enquanto apoiava a cabeça contra seu peito.
—Está bem? —Bram a agarrou pelos ombros e se separou dela para examiná-la bem. Ao ver a roupa rasgada, a ferida do joelho e o inchaço do tornozelo, franziu o cenho. Ao girar a mão do Sky e ver o hematoma de seu pulso, seu olhar escureceu—. Esse filho da...
—Estou bem, sério. E tudo graças a Dom — disse olhando por cima do ombro.
Dom rodeou a mesa, aproximou-se dele e estendeu a mão.
—Xerife.
—George White Bear estava certo mais uma vez. O perigo se esconde na cidade — Bram o olhou—. Como pôde deixar que esse canalha a tocasse?
—Se pudesse mudar o que aconteceu, eu faria — disse Dom arrependido.
Sky agarrou Bram pelo braço.
—Bram, eu é que sai do restaurante... Quero dizer, saí para tomar ar e Kenny estava ali. Não é culpa de Dom.
—É sim—disse Dom—. Se tivesse ficado em Black Arrow como sugeriu seu irmão Jesse, teria estado a salvo. Eu sou responsável por colocá-la em perigo, eu a convenci para que viesse a Houston.
—Por quê? —perguntou-lhe Bram muito intrigado.
—Não tem importância — Sky olhou Dom e depois a seu primo—. Estou bem, mas você dois parecem a ponto de iniciar uma briga, que tal se deixarmos que o nível de hormônios masculinos baixe um pouco?
—E por que deveria fazer isso? —Bram penteou o cabelo um pouco com a mão.
Ela o olhou intrigada.
—Não está com o uniforme.
—Tinha pressa.
—Isso me recorda algo — disse ela—. Por que está aqui?
—Graham Colton chamou a polícia de Houston e disse que Kenny andava por aqui. Depois me chamou e eu contei ao resto da família. Então sua mãe recordou uma chamada de um homem que dizia ser um companheiro joalheiro...
—Kenny me contou isso. Sabe do dinheiro da herança. Pensava me seqüestrar para consegui-lo.
—Sim. Chamamos seu celular, mas não respondia. A polícia de Houston mandou uma patrulha à casa do doutor, mas ali não havia ninguém — sua expressão ficava cada vez mais sombria.
Dom sabia como se sentia. Se não tivesse chegado a tempo, as conseqüências teriam sido inimagináveis. Não podia suportar a idéia de vê-la em perigo.
Sky olhou seu primo fixamente.
—Que mais aconteceu, Bram?
—Não acha que uma tentativa de seqüestro já é o bastante?
—Não quis dizer isso. Quis dizer o que acontece contigo.
Bram se moveu incômodo e depois a olhou com as mãos na cintura.
—Eu não gosto de estar longe de Jenna.
—É sua mulher — explicou Sky.
—A enfermeira que me falou — disse Dom.
—Sim, surpreende-me que se lembre — Sky sorriu para ele e assinalou olhando para Bram—. Este homem não é apenas uma cara bonita.
—Se você diz — Bram o olhou, mas sua expressão não mudou.
— Por que você não gosta de estar longe de Jenna? Além de adorá-la, é claro.
Dom invejou o outro homem por ter a alguém especial que o esperava em casa, Sky tinha mostrado o que aquilo significava.
—Como sabe que há outra razão? —perguntou Bram.
Ela inclinou a cabeça e o olhou.
—Vamos primo, sou eu. Algo está acontecendo, posso ler em seus olhos, do que se trata?
—Jenna está grávida.
—Um filho? —os olhos de Sky ficaram muito abertos, abriu a boca e deu uma palmada. Depois se jogou sobre seu primo. Isso é maravilhoso! Parabéns.
—Obrigado — murmurou Bram.
Quando ele a colocou no chão, ela se queixou.
—Tem que se sentar — ordenou Dom—. E manter o tornozelo levantado.
Dom a segurou pelo braço, enquanto ela saltava para uma das cadeiras e se sentava. Depois tomou a perna e a colocou em cima de outra cadeira.
Bram franziu o cenho.
—Esse cretino vai pagar caro. Além de ser um ex-sentenciado, temos muitos crimes para acusá-lo. Vamos julgá-lo por tudo o que tem feito.
—Alegra-me muito saber isso, mas preferiria falar de outro assunto — disse Sky—. Por exemplo, sobre crianças.
Dom voltou a sentir inveja. Bram tinha alguém que o esperava em casa e logo teria outra pessoazinha. Um filho, o fruto do seu amor. E o que ele sabia de algo assim? Acaso sabia algo do amor?
Como sabia um homem se tinha encontrado a mulher adequada? Como Bram tinha dado conta de que sua mulher era a pessoa com a qual queria passar o resto de sua vida?
—O que tem os filhos?
—Como se sente agora que sabe que vai ser pai? —perguntou-lhe sorridente.
Dom sabia como ele próprio sentisse imensamente feliz.
Bram tomou ar.
—Como me sinto? É difícil de explicar. Ela riu.
— Está emocionado? Sobressaltado? Preocupado?
—De tudo um pouco. Ser pai é algo sério, pergunto-me se poderei fazer isso. Como saberei se dói algo, se tem fome?
—Saberá — disse Dom. Bram olhou Dom.
—O que pode saber um cirurgião plástico sobre filhos?
—Fiz um pouco de tudo. Ajudei em vários partos.
—Sério? —disse Bram visivelmente impressionado—. E tudo bem?
—Senti muito medo.
—Obrigado, isso me tranqüiliza muito.
—Tudo irá bem — disse Sky—, Os filhos são o melhor, que tal está Jenna?
—Um pouco deprimida e muito sensível. Não come muito e chora quando ouve canções no rádio — disse com um suspiro—. Oxalá pudesse ajudá-la.
—Já faz, apenas limite-se a ser você mesmo — disse Sky.
—Você é uma mulher muito especial — disse Bram—. George sempre me falou que prometia muito.
—Nunca me disse isto. Bram encolheu os ombros.
—Já sabe como é, mas isso não significa que não esteja certo. Se Kenny tivesse feito mal a você, juro que o teria procurado sem descanso.
Dom entendia Bram, ver Sky em perigo o tinha assustado muito. Seu coração parava ao pensar no que teria podido acontecer se Kenny a tivesse levado.
—Estou a salvo, e tudo graças a Dom — disse ela—. O mínimo que posso fazer é agradecer.
—Há alguma razão pela qual o esteja defendendo?
Dom tinha perguntado o mesmo. Ela o olhou, mas antes que ele pudesse interpretar o olhar, virou-se.
—Além do fato que salvou a minha vida?
—Suspirou e olhou para seu primo—. Já terminamos? Eu gostaria de sair daqui. Bram assentiu.
—Pode partir, eu a levarei para Black Arrow.
—Não, ainda não posso voltar. Tenho que terminar algo aqui.
Sky olhou Dom e ele soube que se referia a terminar de cumprir sua promessa.

—Quero examinar esse joelho e esse tornozelo agora. — Dom esperava junto aos remédios que tinha tirado de seu armário. Os anti-sépticos, a pomada antibiótica e as ataduras estavam em cima da prateleira da cozinha. Tinha acendido apenas algumas lâmpadas da cozinha, para não incomodar sua mãe e sua avó, que dormiam no andar superior.
Sky coxeou até a mesa. Tirou o paletó e colocou na cadeira. Depois se aproximou dele.
Ele tirou a gravata e arregaçou a camisa. Parecia sério e ela se perguntou no que estaria pensando. Não tinha falado quase no caminho para a casa.
—Deixarei ver minha ferida se você me deixar ver a tua.
—O minha não é nada.
—Isso é o que sempre dizem os homens, mas eles não são o melhor cirurgião plástico de Houston.
Dom duvidou por um momento e depois mostrou sua mão. Sky a pegou. Os nós dos dedos estavam em carne viva e muito inflamados.
—Oh, Dom —disse preocupada - Dói? Está bem?
—Estou bem.
—Tem certeza? Está quebrado? Como vai fazer as operações?
—Olhe cinco nós. Conte — moveu os dedos para mostrar que todos estavam perfeitos—. Não é grave.
—Necessita de um pouco de gelo.
—De acordo, assim que desinfetar as feridas eu ponho.
—Não preciso que faça o curativo. Sei fazer sozinha. Começou a coxear até a geladeira, mas de repente sentiu como a agarrava pelo braço.
—Quero me assegurar de que suas feridas não se infectem — pegou-a pela cintura e levou-a até a mesa—. Vou te examinar agora mesmo.
—De acordo. Eu primeiro — Sky o segurava pelos ombros para não perder o equilíbrio e não queria soltar-se. Os olhos de Dom se obscureceram e ambos se olharam.
Depois começou a atuar de uma forma muito profissional e distante. Rasgou a meia até o joelho. Seu tato fazia cócegas e esquentava todo seu corpo. Antes que Sky pudesse se recuperar,desinfetou as feridas com álcool.
— Ai! — queixou-se.
—Arde? —perguntou enquanto a olhava atentamente.
Ela assentiu - E está frio.
—Isso é fácil de arrumar.
Colocou as mãos na mesa junto à perna, inclinou-se e soprou a parte úmida. Seu sopro a acalmou, mas também fez com que seu pulso se acelerasse.
—Melhor? —perguntou ele. Ela mordeu o lábio inferior.
—Viverei?
Sky esperava ver um sorriso, mas não houve nada.
—Dom, o que está acontecendo contigo? Você não falou muito desde que saímos do restaurante. É por causa do que ocorreu com Kenny? Sinto pela festa...
—Esqueça da festa.
Ela o olhou estupefata. Nunca tinha falado assim, com tanta gravidade, tão sério.
—Não entendo...
—Poderia ter morrido. Esse cretino jurou vingar-se de sua família, se tivesse acontecido algo... —Sky notou que estava muito tenso.
—É por causa do que disse Bram, não? Você se culpa pelo que aconteceu. Não...
—Se houvesse alguém mais em quem jogar a culpa eu faria. Mas só restei eu.
—Isso é ridículo.
—Acredita? Se tivesse ficado em Black Arrow, teria estado a salvo. Mas eu não podia deixar as coisas como estavam e tive que te convencer para que viesse para Houston.
—Sabia por acaso que Kenny estava aqui?
—É obvio que não.
—Então, como pode ser tua culpa? —olhou-o fixamente—. Foi uma coincidência, e tive sorte de me encontrar aqui. O que teria acontecido se tivesse me encontrado estando sozinha? Ou se tivesse atacado outra pessoa da família? Mas você estava ali.
—Sim — jogou o cabelo para trás—. Estava triste na festa — agarrou-lhe a mão e tocou brandamente o hematoma do pulso. Depois ficou olhando o anel com a esmeralda—. O verde é sua cor preferida.
Ela se soltou.
—Se for falar de culpabilidades imerecidas, eu também tenho algo que dizer. E o que vai acontecer se sua mão não se curar? E se não puder voltar a operar? Como acredita que eu me sentiria?
—Mal? —disse com um meio sorriso.
—Mal? Isso é tudo? —ela negou com a cabeça. De repente todas as luzes da cozinha se acenderam. Vitória estava na porta, com a camisola e as sapatilhas de andar pela casa. Parecia nervosa.
—Dominic? Sky?
—Tudo está bem mamãe. Estamos bem. Volte para a cama, precisa descansar. Amanhã é um grande dia, a viagem...
—Não vou a nenhum lugar. Alguém quer me explicar por que esse homem chamou a sua noiva de Sky Colton?

Capítulo 11

Dom parecia um menino castigado e Sky sentiu vontade de estreitá-lo entre seus braços. —Tudo é minha culpa. Vitória — Sky se explicou enquanto deslizava até o final da mesa disposta a saltar.
Dom estendeu seus braços.
—Não, não salte — ordenou.
—Não vou ter esta conversa daqui de cima, de maneira nenhuma — tentou afastar o braço de Dom, mas não pôde.
Dom a olhou zangado e frustrado como um menino de dois anos, ao qual tinha sido negado algo, mas a pegou pela cintura e a colocou no chão.
—Podem fazer o favor de me explicar que está acontecendo aqui? —perguntou com os braços abertos olhando fixamente Sky.
Ela coxeou até o outro lado da mesa e se dispôs a preparar um chá.
—Vou fazer um pouco de chá, querem?
—Eu adoraria — disse a mãe de Dom enquanto tirava as xícaras do armário—. Da mesma forma, quero saber o que estão jogando. Do que é culpado?
—De tudo — Sky se apoiou contra a prateleira e olhou Vitória—. Não se zangue com Dom.
—Não necessito que nenhuma mulher me defenda — disse ele—. Posso me cuidar sozinho, sou um homem adulto.
Ela não podia negar. Dom era um homem completo, pensou enquanto recordava a forma como a tinha tomado nos braços. Tinha sentido calafrios por todo o corpo ao tocá-lo, ao tê-lo tão perto. Também a tinha curado, era adorável. Olhou-o com atenção, estava sem se barbear e aquilo lhe dava um ar mais feroz àquela expressão de frustração.
Também pôde apreciar que estava nervoso. Comportava-se como quando tinha falado com a mulher do bombeiro. Tinha feito escolhendo cuidadosamente as palavras para que não se preocupasse muito. Era o mesmo olhar e Sky sabia que estava procurando a melhor forma de contar a sua mãe para evitar que se sentisse magoada.
Dom tomou ar.
—Sky não tem nada que ver com isto. Aquela mescla de força e ternura que Dom possuía a enternecia. E, além disso, era uma pessoa muito íntegra, não havia nenhuma dúvida. Era o homem mais incrível que já havia conhecido.
Vitória ficou olhando seu filho, parecia mais confusa do que zangada.
—Tenho tantas perguntas para fazer, que não sei por onde começar. Não é certo, sei por onde começar. Sua mão... Está bem?
—Estou perfeitamente bem - dobrou os dedos para que ela ficasse tranqüila—. Mas mamãe é tarde. Precisa descansar para a viagem de amanhã...
—Não posso ir.
A alma de Sky caiu no chão. Poderiam ter conseguido se Kenny não tivesse aparecido, era culpa dela. O destino estava brincando com eles.
Amava-o, mas quando contassem tudo a sua mãe, não haveria nenhuma opção para que ela e Dom tivessem muito mais que lembranças de tudo aquilo. A única coisa que podia fazer era assegurar-se que a relação de Dom com sua mãe não piorasse.
—Mas, por quê? — perguntou ele—. Não há razões para que não vá.
—Não faça isso, Dominic. Você nunca mentiu. Algo está acontecendo — olhou Sky e depois a seu filho—. Você foi atrás de Sky quando saiu chorando e como eu estava preocupada, segui-te. Não pude ver muito porque estava detrás de você, mas escutei como esse homem a chamava de Sky Colton.
—Isso é tudo? Posso explicar isso.
—Ah sim? Sua avó me disse que acontecia algo estranho aqui no dia em que chegamos. Mas pensei que era imaginação dela, porque não gostou de Shelby.
—Não gostou? —perguntou Dominic muito surpreso.
Vitória negou com a cabeça.
—Não quis dizer isso a você, porque sabia que quando a conhecesse mudaria de opinião. Depois que conheceu Shelby... ou Sky, ou quem quer que seja. Ela não parecia se lembrar do que tinha escrito nos e-mails, mamãe suspeitava que algo não estivesse bem. Mas depois do dia no hospital, não voltou a mencionar o assunto. Só disse que Sky era perfeita para ti.
—Disse isso? —perguntou Dom enquanto olhava Sky.
O pulso do Sky se acelerou.
-Assim é — continuou Victoria—. Esta noite, antes que me dissesse que chamasse a polícia, escutei o que esse homem disse. Você disse a mim que sua noiva usa outros nomes para que não a reconheçam, mas aquele homem a reconheceu e a chamou de Sky Colton. Sky Colton e Shelby Parker são a mesma pessoa? Por que a policia prendeu este homem? Por acaso a persegue? Dominic, você está em perigo?
Por um instante, Sky pensou que possivelmente havia alguma forma de resolver aquela situação, fingindo que Sky Colton era um nome que usava para evitar a imprensa. Mas não podia fazer isso. Aquilo não ajudaria, só faria com que Vitória se preocupasse ainda mais por seu filho. Sky não podia permitir que Vitória pensasse que seu filho estava em perigo, não por um insignificante cruzeiro.
De repente a bule emitiu um assobio. Sky se aproximou e o tirou do fogo, enquanto pensava na forma de explicar tudo. Depois de jogar a água nas xícaras, levou-as até a mesa.
—Acredito que deveríamos nos sentar — sugeriu ela enquanto fazia isso.
—Já era hora de obedecer ao médico — disse Dom. Agarrou sua mãe pelo braço e a convidou a sentar-se. Ele também o fez.
—Esta é a verdade — Sky tomou ar—. Meu nome verdadeiro é Sky Colton. Tenho uma loja de jóias em Black Arrow, Oklahoma. A noiva de Dom ouviu falar de mim e me encarregou do desenho das alianças. Veio várias vezes e a última vez, parecia mudada, diferente. Eu estava ocupada e só ouvi parte do que me dizia, mas aconselhei que deveria comportar-se de acordo com o que sentia, que devia seguir os ditames do coração e não desperdiçar sua vida em algo que não a convencesse.
Apesar de tudo o que tinha passado Sky não se arrependia de ter dado a Shelby aquele conselho. Se Shelby tinha descoberto que não amava Dom, como podia casar-se com ele? Ela tinha vivido uma situação muito parecida. Sky mexeu o chá.
—Parece que Shelby não estava certa de querer se casar com Dom.
—Por que não? —perguntou- Vitória a Sky. Antes que ela pudesse responder olhou para seu filho—. Por que Shelby não tinha um anel de compromisso?
Sky levantou a mão.
—Tenho certeza de que o fato de que Dom não tivesse tempo para comprar os anéis de compromisso, não tinha nada a ver com seus sentimentos. Eu sei que ele amava Shelby. Depois de conhecê-lo melhor e entender como é importante seu trabalho, acredito que compreendo o muito que sentia por ela.
—E eu também — disse sua mãe olhando seu filho—. Mas há algo que não entendo. Por que queria que Sky fingisse ser Shelby?
Dom se penteou com a mão.
—Foi à única coisa que me ocorreu, você nunca teria viajado se soubesse que o casamento não se celebraria. E eu queria que fizesse o cruzeiro. Depois de tudo o que tem feito por mim...
—É meu filho — limitou-se a dizer—. Mas, uma farsa como esta, não é própria de você.
—A idéia foi minha — disse Sky. Sentiu como ele a olhava e se ruborizou, mas se apressou a falar, antes que pudesse interrompê-la—. Dom veio ver-me para pagar a fatura e me contou o que tinha acontecido. Senti-me tão culpada, que me ocorreu que a única coisa a fazer era levar a cabo a festa de noivado, e assim viajar e desfrutar a vida. Depois, ele sozinho tinha que lhes dar a notícia.
—É uma mentirosa, mamãe.
—Sou — disse olhando-o—. E quem melhor para levar a cabo esta farsa? Tive que convencê-lo, mas no final conseguiu ver que tudo se reduzia a fazer algo mal, mas com uma boa finalidade.
—Mente muito mal, Sky nunca quis participar disto, mas eu a convenci.
—Deve ser muito convincente — disse Vitória olhando primeiro a um e depois ao outro—. Quem quer que convencesse o outro a me enganar, pensei que fossem um casal de apaixonados.
Sky sabia por que tinha sido tão singelo. Amava-o. Por alguma razão sentia que sempre o tinha amado, não queria que Dom assumisse sua culpa. O fracasso de sua relação com Shelby tinha sido culpa dela. Não poderia sentir-se também culpado por ter quebrado a boa relação que tinha com sua mãe.
—Se eu não tivesse dado minha opinião, Dom continuaria noivo com Shelby. Era a mulher ideal para ele. Sei que estava muito contente.
—Shelby parecia a mulher perfeita — disse Vitória. Naquele momento, Sky se deu conta do muito que desejava que Vitória pusesse em dúvida aquela afirmação. De repente sentiu uma intensa dor, mas conseguiu recuperar a compostura, não era o momento para falar de sentimentos.
—Vitória, tem que fazer essa viagem, significa muito para Dom — disse olhando-o—. É uma mulher muito afortunada.
—Por que diz isso? —perguntou Vitória.
—Tem um filho, um médico respeitável que se incomoda para fazer algo por ti. Eu tenho cinco irmãos e nenhum deles faria algo assim por minha mãe. Talvez porque todos trabalham nas forças da ordem, é uma tradição dos Colton.
—Todos exceto você.
—Sim — disse olhando-a—. Em todas as famílias há uma ovelha negra. Não é uma tarefa agradável, mas alguém tem que fazê-la.
—E você ajudou a Dom a me enganar.
—Sim.
Sky não podia sorrir apesar do ambiente ter relaxado. Qualquer oportunidade que tivesse tido de fazer com que Dom sentisse algo por ela tinha desaparecido. Como podia ter pensado em convencer alguém de que seria uma boa esposa para Dom? A mãe de Dom se sacrificou muito por seu filho. Ela sabia muito bem o tipo de esposa que desejava para ele. E Sky Colton não se parecia em nada.
Sky se levantou e levou a xícara a pia. Depois se dirigiu à porta, mas antes se deteve junto à mesa.
—Estou muito cansada, além disso, vocês dois têm muitas coisas que falar.
—Não — disse Vitória levantando-se também—. Falaremos pela manhã, devo pensar em tudo isto — beijou seu filho—. Boa noite, filho. Sky.
—Boa noite. Vitória.
Antes que pudesse seguir a mãe de Dom, Sky sentiu como alguém a agarrava pelo braço com firmeza. Olhou para Dom.
—Por favor, me deixe partir.
—Preciso falar contigo. Ela negou com a cabeça.
—Já não temos nada que falar.
—Está equivocada.
—Sim, equivoquei-me ao pensar que poderia fazer isso — suspirou—. É hora de partir, Dom. Esta noite. Agora que sua mãe sabe tudo, não há razão para ficar. Chamarei Bram para que venha me apanhar. Volto para casa.
-Sky...
Ela se soltou.
—Lamento muito tudo o que passou, lamento mais do que jamais poderá imaginar.
Saiu da cozinha desejando que ele a seguisse. Todas as esperanças de um futuro em comum se desvaneceram quando ele não o fez.

A manhã seguinte, Dom acendeu a cafeteira e depois se virou e se apoiou sobre a prateleira. Sentia-se mal, não tinha conseguido conciliar o sonho em toda a noite. Naquele momento sua mãe e sua avó entraram na cozinha.
—Onde está Sky? —perguntou Isabel enquanto se sentava à mesa—. Não é próprio dela deixar que você prepare o café.
Dom cruzou os braços.
— Ela foi embora.
—Ela foi? Aonde? —sua mãe o olhou da porta—. Temos que sair logo para tomar o navio.
—Vocês vão?
—É obvio — disse sua avó—. Vitória está convencida de que sabe enfrentar sua vida.
Ele riu sem vontade. Fazia tempo que era capaz de enfrentar as coisas, mas, naqueles momentos, duvidava muito poder fazer, não sem Sky.
—Aonde foi? —perguntou Vitória—, Voltará logo?
Ele negou com a cabeça.
—Sky voltou para sua casa, em Black Arrow.
—Por que foi? —perguntou sua avó—. Dominic, o que você fez?
—Mamãe não lhe contou? A verdade saiu à luz. A farsa acabou — Penteou-se com a mão e deixou sua frustração e seu aborrecimento à vista, desejando que aquilo o ajudasse a combater a dor—. Voltou para sua vida real, ela não é minha noiva.
—Já sabia. Ele franziu o cenho.
—Sabia? Como? Quando?
-Quase desde o começo — disse sua avó com um sorriso—. Não sabia o que estava se passando, mas sabia que essa mulher não era a mesma que tinha me escrito essa que pensava desfazer-se das antiguidades.
—E por que não disse nada? —perguntou Dom.
—Sou uma mulher velha, não saio muito, a vida é bastante aborrecida. Pareceu ser divertido participar do jogo — a anciã seguiu sorrindo.
Dom sentiu vontade de sorrir apesar da tristeza que o invadia.
—E? —perguntou Dom.
—Tinha razão. Foi muito divertido ver vocês se agarrando, as carícias, os beijos. O amor.
—Só fingíamos estar apaixonados.
—Possivelmente no princípio foi assim, embora tenha minhas dúvidas. Acredito que foi amor à primeira vista. Como o que sentiram seu pai e sua mãe. Talvez pensassem que estavam fingindo, mas estou certa que depois era amor de verdade.
—Mamãe, a que se refere? Sua mãe sorriu.
—Acredito que está bastante claro. Sua avó está dizendo que sabemos que está apaixonado por Sky Colton.
—E isso não é tudo — disse sua avó—. Ela também está apaixonada por você.
—E como sabem? —perguntou às duas mulheres.
—Tudo começou quando me dei conta de que Shelby Parker não era a mulher ideal para você — disse sua avó.
—Sua avó tem razão — Vitória negou com a cabeça—. Temo que seja culpa minha que não soubesse escolher bem. Eu não deixei de dizer a você o quanto desejava que tivesse uma vida melhor que a minha, e se casasse com uma mulher como as que eu conheci em meu trabalho. Estava tentando fazer o que eu dizia e teria sido muito infeliz. Sinto muito. Dominic.
—Você não me obrigou a noivar com Shelby.
—Não, mas por culpa minha a única coisa que viu nela foi como era diferente e sua atarefada vida, o que te ajudaria a mantê-la fora de suas obrigações.
Uma esposa ideal, aquilo era o que tinha pensado.
—Shelby e eu teríamos formado um bonito casal.
—E Sky? —perguntou sua mãe.
—É uma mulher teimosa e com idéias próprias. Sinceramente, acredito que tem como objetivo me enlouquecer me zangar, me emocionar E...
—Fazer sorrir? Fazer sentir-se vivo? Animado? Apaixonado? — disse sua mãe—. Para resumir, é a mulher ideal para ti?
—Como pode me perguntar algo assim? Com Shelby me precipitei e já vê o que aconteceu. Sky conheço há apenas umas semanas.
Vitória apontou para ele com o dedo.
—O tempo não importa. Como sua avó disse o amor à primeira vista é algo muito freqüente em nossa família. No dia em que conheci seu pai, soube que era o amor de minha vida. Meu coração estava convencido de que era o homem para mim. E não encontrei nenhum outro. Eu não podia estar com nenhum outro homem que não fosse seu pai. Casei-me com ele porque meu coração me ditou isso. Nunca deve se casar sem sentir isso. Quando Sky me disse que não tinha tempo para estar com Shelby, soube que não estava apaixonado por ela.
Dom recordou como era sua relação com Shelby antes que o abandonasse. Ela tinha deixado muitas mensagens dizendo que precisavam falar. E por uma ou outra razão, ele sempre a tinha deixado plantada. Às vezes era trabalho, emergências, tudo tinha sido mais importante que ela. Ainda bem que tinha tido juízo suficiente para não casar-se com ele. A verdade era que ela tinha feito um grande favor.
—Sky é a mulher adequada para você — disse sua mãe.
—Como pode estar tão certa?
—Protegeu-a até por tudo em perigo pelo qual você e eu trabalhamos toda nossa vida.
—Quer dizer que está certa porque peguei esse cretino que ia machucá-la? Ela assentiu.
—Podia ter feito muito mal a sua mão. Poderia ter sentenciado sua carreira como cirurgião.
—É tão exagerada como Sky.
—Não — Vitória fechou os olhos e negou com a cabeça— . Era um risco e você não pensou nas conseqüências. Só pensou que ela estava em perigo e que tinha que fazer algo.
—Sim— reconheceu ele.
Era bastante singelo, por que não se deu conta antes? Faria algo, deixaria tudo, trocaria sua vida pela vida de Sky Colton. Estava apaixonado por ela.
—Deve ir buscá-la — disse sua avó—. Convencê-la de que ela também te ama. Ele negou com a cabeça.
—Não acredito que possa convencê-la de nada.
—Tolices — disse a anciã—. Ela te ajudou com esta ridícula farsa para que sua mãe viajasse. Se não te amasse, uma garota inteligente e sincera como ela, teria dito que se virasse e fizesse o plano que quisesse sozinho.
—Vozinha, usa umas palavras... —disse Dom rindo.
—Não ria de sua avó. Dominic. Tem razão, deve procurá-la, não é fácil encontrar o amor de sua vida.
Dom não podia esquecer a cara que Sky tinha quando partiu. Uma das coisas que mais gostava dela era sua alegria de viver, sua ternura. A forma que discutia sobre coisas nas quais realmente acreditava. Temia que ela tivesse pensado que não era a mulher ideal para ele.
—Quando vai vê-la? —perguntou sua avó. Ele se aproximou dela e se inclinou para dar um beijo na sua bochecha.
—Primeiro vou levar você e mamãe para que possam ir ao cruzeiro. Depois pensarei no que vou fazer.
Mas já sabia o que ia fazer. De alguma forma a convenceria de que não só era a mulher ideal, mas sim a única mulher para ele.

Capítulo 12
Sky estava sentada atrás do balcão da joalheria com o bloco de papel de desenho diante dela. Estava acostumada a fazer esboços com idéias novas quando estava na loja, sobretudo se não havia muitos clientes.
Sua vida particular tampouco tinha melhorado. «Muito tranqüila», disse, embora depois do que tinha acontecido com Kenny era um alívio. A lembrança da cidade onde Dom vivia a fez ficar muito triste. Tinham se passado dois dias, desde que tinha abandonado a cidade, e a dor persistia. Mas o tempo curava todas as feridas, embora tivesse o pressentimento de que nunca poderia esquecer Dom. Sentia-se vazia, desolada, porque sabia que o único homem que realmente amava nunca lhe pertenceria.
Sky emitiu um suspiro e começou a escrever seu nome sobre o papel. «Doutor Dominic Rodríguez», leu para si mesma. Depois escreveu o nome que levaria sua esposa.
Mas ela nunca teria aquele nome. Um tremor percorreu-lhe o corpo até alcançar a garganta, os olhos se umedeceram. Naquele momento a porta se abriu e seu primo Bram e seu irmão Grei entraram na loja.
Ambos tinham uma estatura semelhante. Grei era possivelmente um pouco mais alto, mas as feições eram parecidas. Cabelo negro e olhos escuros. Embora seu par não diferisse muito. O xerife vestia o uniforme, entretanto, o irmão de Sky tinha um aspecto muito mais conservador. Usava o cabelo muito curto, um traje azul marinho, uma gravata vermelha e uma camisa branca. Notava-se que era juiz.
—Olá — disse ela tentando controlar suas emoções. Apressou-se em fechar seu bloco de papel de desenho.
—Olá, Sky — Bram se aproximou do balcão e se apoiou nele.
—O que estão fazendo aqui? —de repente imaginou algo horrível—. Tudo vai bem entre mamãe e papai? —perguntou a Grei.
Ele encolheu os ombros.
—Como sempre. Ele está deixando-a louca.
Sky negou com a cabeça.
—Espero que fiquem bem.
—Eu também, mas não viemos por isso.
Ela olhou a seu irmão fixamente.
—Por favor, não me diga que Kenny escapou.
—Não — Bram olhou a Grei—. Vai ser julgado e será feita justiça.
Gray assentiu.
—Isso dêem por certo, sobretudo se eu julgar o caso.
Bram sorriu.
—Apesar de eu gostar que fizesse; mas, se couber a você julgar esse caso, será um conflito de interesses.
—Sim, dói reconhecer, mas teria que negar.
Sky olhou os dois homens.
—Vieram aqui por alguma outra razão? Acaso necessitavam de terreno neutro para ter esta conversa?
Grei arranhou a fronte.
—Tenho que te dar uma má notícia.
Naquele momento, Sky pensou em Dom, não importava que ele não sentisse nada por ela, se acontecesse algo, ela não poderia suportar. Na realidade, se alguma vez acontecesse algo, ninguém diria. Não tinha nada com ele, não tinha direito de saber como estava, embora soubesse que sempre precisaria saber.
—O que aconteceu?
—Chamaram-me da Califórnia — disse Bram—. Joe Colton Jr. sofreu um acidente.
—Oh não — disse tampando a boca—. Nossa família sofreu muito, tanto os Colton da Califórnia como os de Oklahoma. Agora que Kenny está preso, pensei que nada mau nos poderia acontecer — olhou os dois homens—. O que aconteceu?
Grei suspirou.
—Não sabemos muito. Joe está no hospital e o estão examinando.
—Quando souberem algo mais me digam, de acordo?
—Assegurarei de que esteja informada.
—Bem — Sky voltou a olhar os dois homens—. Há algo mais? Um meteorito que vem para a terra? Um desastre natural?
Grei a olhou fixamente um tanto surpreso.
—Está um pouco na defensiva, não?
—Esta mudança de caráter não tem nada a ver com certo doutor de Houston? — perguntou Bram.
Ela riu, pelo menos tentou. Soou mais como um grunhido do que como risada, porque seu coração estava quebrado. Tentar esconder seus sentimentos ia ser difícil diante do seu primo, optou por comportar-se como uma menina.
—Não estou na defensiva.
—De... acordo — ambos os homens se olharam com ceticismo e depois olharam para ela.
Antes de dar-se conta do que estava acontecendo, seu irmão pegou o bloco de papel de desenho e o abriu.
—Olhe, olhe... Bram observe estas iniciais, você é o xerife, de quem acredita que são?
—Devolva-me isso — disse tentando recuperar o bloco de papel, mas Grei se afastou—. Direi a mamãe.
—Ela te defenderá com suas pistolas — Grei olhou-a—. O que acontece irmãzinha? Quer que diga a Bram que dê um castigo em alguém? Faria eu mesmo, mas um juiz não deveria bater para defender sua irmã.
Bram apoiou os cotovelos sobre o balcão e a olhou fixamente.
—É esta pessoa o famoso doutor Dominic Rodríguez? —olhou-a Grei—. Agora que penso, quando estive em Houston, Sky não fazia mais que defendê-lo.
—Deus santo! — queixou-se ela—. Não têm nada mais que fazer que me perseguir? Não têm criminosos que deter?
—Na realidade — disse Bram—, vim para comprar algo para Jenna.
—Acaso é seu aniversário? — perguntou Sky muito aliviada pela mudança de assunto. Ele negou com a cabeça.
—Não, e antes que me pergunte isso, não nos brigamos. Só está muito sensível pela gravidez.
—É adorável — disse a ponto de ficar chorando. A mulher de Bram não parecia ser a única mulher sensível—. Vê algo que você goste?
—Os brincos de prata e turquesa, os que parecem gotas de chuva.
Sky abriu a porta da vitrine e tirou os brincos.
—Tem muito bom gosto. Ficarão muito bem.
Bram olhou os pendentes e logo olhou para ela.
—Sky, estou certo de que te acontece algo. Tem algo que ver com o doutor? Ou com o fato de que seus antepassados fossem comanches?
—Não — ela negou com a cabeça, mas entendeu por que Bram perguntava. O pai de Jenna também se opôs ao casamento por aquela razão—. É porque eu nunca poderia fazer parte de seu mundo.
—Irmãzinha, não se subestime — disse Grei—. Só porque o homem com quem esteve a ponto de se casar é um cretino, não quer dizer que não haja alguém que possa pensar que você é a mulher de sua vida.
—Sim, já...
—Levarei estes — Bram estendeu os brincos—. Seu irmão tem razão, mas se não te basta, vou dizer o que me disse o bisavô George White Bear.
—Não, por favor, não me repita essa tolice de que prometo muito.
—Não brinque — disse seu primo—. É um velho homem muito sábio.
—Sim, estou de acordo, é um homem muito idoso — disse enquanto se olhavam fixamente durante uns segundos. Ela foi primeira em afastar o olhar—. De acordo, o que te disse?
—Disse-me que não utilizasse a desculpa das minhas origens para evitar que me fizessem mal. E tinha razão, tentei não me apaixonar pela Jenna porque tinha medo que me fizessem mal.
—Medo, você? — ela riu enquanto fechava a caixinha de veludo com os brincos.
—É certo, não tenho medo dos delinqüentes, posso detê-los sem problema, mas me apaixonar por Jenna me assustou muito.
Sky colocou a caixinha em uma bolsa deu para ele.
—Cobrarei.
Ele sorriu.
—Não serviria o conselho que acabo de te dar como pagamento?
—Possivelmente se tivesse vindo de ti, sim — não tinha nenhuma intenção de confessar a razão que tinha. Tinha tentado não apaixonar-se por Dom, mas até o medo de viver o rechaço de novo não tinha sido suficiente para deter aquele amor. De repente sentiu uma intensa dor de novo e desejou que partissem para estar sozinha—. Jenna adorará os pendentes. É uma mulher afortunada.
—Eu também acredito — Bram guardou a bolsa no bolso e se dirigiu à porta.
Grei estava apoiado no balcão e sorriu para seu primo.
—Ai! O casalzinho...
—Nota-se que o inveja, Grei.
—Absolutamente, irmãzinha, a única coisa que sinto é alívio. Eu permaneço solteiro e muito contente por estar.
Ela negou com a cabeça.
—Sempre será o lobo solitário, como te chama o avô. Não conhece a expressão, «Não diga nunca: Desta água não beberei».
—Se eu fosse você, antes de dar conselhos faria algo para solucionar minha vida amorosa.
—Não há nada que solucionar — disse Sky sinceramente.
Grei olhou à rua de cima abaixo e logo a voltou a olhar para ela.
—Nunca diga jamais — disse antes de partir.
—Adeus Sky, muito obrigado — disse Bram antes de sair detrás de Grei.
Sky ficou olhando a loja durante uns instantes tentando decidir se estava melhor na defensiva e com companhia ou só e triste. Decidiu que o melhor era manter-se ocupada e começou a limpar os cristais do balcão, primeiro os de dentro e depois os de fora.
De repente, a porta da loja se abriu. Certamente era outro membro da família que vinha atormentá-la.
—Advirto que se tiver vindo para rir de mim...
—Não parece uma destruidora de lares.
Sky ficou gelada e seu pulso se acelerou ao ouvir essa voz tão familiar. Virou-se devagar para confirmar com os olhos o que seus ouvidos e seu coração já sabiam.
Dominic Rodríguez.
Vestia jeans, botas e uma jaqueta de couro. Tinha um aspecto ameaçador. Seus olhos azuis brilhavam com intensidade. O que não entendia era por que continuava com essa idéia de destruidora de lares. Estava claro que Shelby e ele não se amavam e a moça tinha feito um favor ao fugir com o chofer.
As mãos e as pernas de Sky tremeram.
—Não pareço uma destruidora de lares porque não sou.
—Claro que é.
—Se disse por Shelby, tenho que te dizer de uma vez por todas, que está melhor sem ela. Há tantas razões que não sei por onde começar. Tem que esquecer dela.
—Já fiz, mas há outra pessoa da qual não pude esquecer.
—De que... quem? — perguntou- muito nervosa.
—De ti. Se me deixar, você se converterá em uma destruidora de lares.
Ela o olhou com desconfiança.
—Não acredito em você.
—É verdade, Sky. Quando você foi, dava-me conta de muitas coisas. Entre elas que Shelby tentou romper nosso compromisso. Esteve tentando ficar comigo para falar, mas eu sempre a deixava plantada. O trabalho sempre foi mais importante que ela. Às vezes surgiam emergências e era inevitável, mas outras vezes não. Ela fez o correto.
—De acordo — ela o olhou atentamente. Seu cabelo curto e escuro, seu corpo alto e forte, o aroma de sua pele... Tudo nele a deixava louca—. Não entendo por que tem feito uma viagem tão longa para me dizer isto... —De repente se surpreendeu ao dar-se conta do dia que era—. E o seu consultório?
—Fechado.
—Mas seus pacientes...
—Dei-lhes outras consultas.
—As emergências?
—Um companheiro está me substituindo.
—Por quê?
—Porque não há nada mais importante que poder ver você.
—Não entendo, sua mãe e sua avó devem me odiar.
—Elas me disseram que se não viesse te buscar é que eu era um tolo.
—Sério? —ela assentiu—. Mas não convenho a você.
Penteou-se com a mão e a olhou com mais intensidade.
—Escute-me, Sky, eu não sou esse cretino que te fez mal. Não me castigue pelo que ele te fez. Não o utilize para se afastar de mim.
Ela recordou o que seu primo havia dito, teria o bisavô razão? Estaria utilizando aquilo para evitar que voltassem a fazer mal a ela?
Deixou o pano sobre a mesa e meteu as mãos nos bolsos.
—Mas nos conhecemos há tão pouco... Olhe o que aconteceu com Shelby.
—Segundo minha mãe, o amor não entende de tempo, se conhecer a pessoa adequada. Por que saiu correndo em nossa festa de noivado?
—Em primeiro lugar, não era «nossa» festa de noivado, e em segundo lugar, sua avó me perguntou quando soube que estava apaixonada por ti.
—Não respondeu.
—Porque eu...
—Não me ama?
—Não, perdão, quero dizer sim...
—Direi quando eu me dei conta — disse aproximando-se dela—. Dei conta quando vi aquele cretino tentando te fazer mal. A idéia de te perder para sempre me deu muito medo e então soube que te amava.
—Sério? Ama-me? —desejava tanto poder acreditar...
—Sim. Agora você. Por que saiu correndo?
—Odiava-me por mentir para elas, não podia agüentar mais. São tão doces, tão divertidas. Tinha carinho para com elas e odiava ter que mentir.
—Não foi exatamente uma mentira. Minha avó soube quase desde o começo. E quando minha mãe disse que algo assim não era próprio de mim me dava conta de algo.
—Que não é um mentiroso, e o que?
—Eu nunca sou assim, mas tive que fazer. Foi a única maneira que encontrei para que não desaparecesse de minha vida. Não podia ir e não voltar a ver você nunca mais. Disse que tudo era tua culpa para que consentisse em vir comigo a Houston.
—E porque me ocultou que Shelby vivia contigo?
—Não fiz de propósito, tampouco é próprio de mim. Pensei que estava ficando louco, isso era mais fácil que assumir o que realmente estava acontecendo comigo. Estava me apaixonando por ti.
—Mas também pensou que amava Shelby. Por que tenho que acreditar quando me diz que o que sente por mim não é o mesmo?
—Em primeiro lugar, você não fugiu com o chofer.
—Se tivesse um e fosse você...
Tentou não sorrir, mas não pôde evitar. De fato, todos seus intentos por não jogar-se em seus braços tinham fracassado. Amava-o com cada poro de sua pele e embora o acabasse de conhecer, sabia que o amaria para sempre.
—Voltei para Black Arrow porque tenho que me ocupar de meu negócio.
—E não pode fazer em Houston?
— Sim, estava pensando em abrir uma sucursal em uma cidade grande, mas, por quê? O que quer dizer com isso?
Ele apoiou as mãos no balcão bloqueando a passagem.
—Quero passar o resto de minha vida contigo. Faz-me rir, eu adoro voltar para casa e que você esteja ali. Ninguém me zanga tanto como você. Desfruto discutindo contigo, desfruto te beijando, falando contigo. Se existir a mulher perfeita essa é você. É diferente do que senti por Shelby, porque quando partiu eu me senti aliviado e, entretanto, quando você foi, estava desolado, sentia-me sozinho, perdido. Era como se a lua e as estrelas tivessem desaparecido.
—Oh, Dom...
Ele tomou o rosto de Sky entre suas mãos e a olhou fixamente durante uns segundos, como se não pudesse acreditar que estivesse ali. Depois se inclinou e a beijou com ternura, mas suas mãos tremiam.
Quando se afastou, respirava com dificuldade.
—Eu te amo, Sky Colton.
—Eu também te amo, Dominic Rodríguez.
-Prometi que se me ajudasse com a farsa, faria algo por ti. Mas não disse o que.
—Recordo—disse olhando-o—. Mas a farsa não funcionou por minha culpa, assim não me deve nada.
—Nem pensar. Minha mãe e minha avó foram para o cruzeiro faz dois dias.
—Oh Dom, alegra-me saber. Deviam estar tão contentes. Gostaria de me despedir delas. Tomou ar.
—Assim obteremos nosso objetivo. Devo algo a você, é hora de cumprir minha parte, deve haver algo que queira.
—Há—disse enquanto tocava-lhe o peito. Seu pulso estava muito acelerado. Não havia nenhuma dúvida de que aquele homem não merecia o nome de coração de pedra. Era um homem terno e carinhoso—. Case-se comigo.
—Isso não é nenhum favor, é o que mais desejo no mundo.
—Doutor Rodríguez, limite-se a responder com um simples sim ou um sim.
—Sim.
Dom colocou a mão no bolso e tirou algo. Depois tomou sua mão e lhe pôs o anel de esmeralda que ela tinha deixado em Houston.
Depois a olhou fixamente.
—Dediquei toda minha vida a trabalhar para que minha mãe estivesse orgulhosa de mim e conseguir uma vida melhor para ambos. Mas nunca me bastou. Faltavam-me objetivos e tentava ser o melhor, mas sempre me faltava algo. Agora sei que o que me faltava foi você, faltava meu céu.
—Embora esteja um pouco louco, eu te amo, Dom. Eu te amo mais do que nunca amei a ninguém.
—Você é essa parte do coração que me faltava. Faz com que me sinta completo. Enche minha vida de amor e promessas.
—Essa sou eu, Sky, uma mulher cheia de promessas. Apesar de suas brincadeiras, Sky sentiu como os olhos se umedeciam. Dom a estreitou entre seus braços e ela se deu conta de que ali era onde devia estar. Seus tempos de ovelha negra tinham ficado para trás. Nunca voltaria a se sentir diferente. Seu lugar estava ali, entre seus braços.

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