Esteve olhando o dicionário?
—Procurei a palavra «fraude». Desejava comprovar se não tinha me equivocado e se estava exagerando, quando pensei que o que estávamos fazendo era ilegal.
—Não teve sorte?
—Somos seres perversos da cabeça aos pés.
—Mesmo assim penso que para ser considerado ilegal, tem que estar motivado pelo desejo de fazer mal a outras pessoas, e nós estamos fazendo o contrário.
—Você acredita? Eu não estou tão certa — disse negando com a cabeça.
—Tem o costume de mudar de assunto cada vez que te faço uma pergunta difícil.
—Como a de que se deve esta surpresa?
—Isso.
—Bem doutor, vou ter que confessar algo.
—Assim está bom — pegou a garrafa de vinho e serviu um pouco a Sky—. Talvez precise beber.
—Obrigado — bebeu um pouco de vinho—. Suponho que esta é minha forma de te pedir perdão por haver te subestimado.
—Já falamos nisto. Não guardo nenhum rancor.
—Mas eu sim, guardo rancor de mim mesma por ter pensado isso de você. Pensei que só se dedicava à cirurgia estética.
Comeu um pouco mais de frango.
—Reconheço que decidi me especializar na cirurgia plástica porque queria ganhar dinheiro. Eu sempre fui pobre. No campo da cirurgia estética podemos ganhar muito dinheiro. Hoje em dia a beleza está supervalorizada e as pessoas estão muito dispostas a gastar para conseguir um corpo perfeito. Mas a cirurgia plástica não se reduz a isso, há muitos casos de acidentes muito graves onde uma reconstrução é necessária.
—Nunca me ocorreu pensar nisso.
—Bem, isso quer dizer que nunca viveu uma tragédia assim.
De repente, Dom sentiu uma necessidade de protegê-la, não desejava que nada de ruim acontecesse com ela. Quando sua farsa terminasse, ela voltaria para Black Arrow. Não gostou da idéia de não poder vê-la, de não saber se estava bem. Mas isso não tinha nenhum sentido.
—Desde quando é especialista em queimaduras? Fez um esforço para recordar e a olhou fixamente.
—Conheci uma menina pequena na sala de emergências, tinha quatro ou cinco anos. Os bombeiros a tinham resgatado de um incêndio. Tinha queimaduras na maior parte do corpo — Penteou o cabelo com a mão—. Deus, essa menina era uma lutadora. Nunca se queixava. Quis ajudá-la com toda minha alma.
—E o que aconteceu? —segurou sua mão. Dom sentiu seu calor, sua proximidade, e o reconfortou. Apertou a mão com força e a olhou.
—Morreu. As queimaduras infeccionaram e terminou perdendo a luta — suspirou enquanto recordava a frustração, a desilusão, a raiva que havia sentido—. Nunca mais quero voltar a me sentir tão inútil, assim vou a seminários, estudo as novas técnicas de cura, leio as revistas de medicina e tento estar informado.
Apertou-lhe a mão.
—Não pode salvar todo o mundo.
—Certo, mas saber isso não ajuda muito quando morre uma criança. Assim tento que não voltar a passar por isto.
—Trata muitas crianças em seu consultório?
—Algumas. Uma vez por semana trabalho em um hospital público e ajudo no que posso. Algumas organizações trazem aqui as crianças do terceiro mundo para curá-las — Dom recordou alguns rostos daquelas crianças e negou com a cabeça—. Faço o que posso para reconstruir suas feições e que para voltem a ter um aspecto normal. Algumas pessoas pensam que é um milagre, mas o milagre seria que não houvesse sofrimento no mundo.
—Não sabia de nada — Sky estava comovida e não afastou a mão—. Está claro que seu trabalho não se reduz a tratar queimaduras.
Ele assentiu. Gostava de tê-la perto e desejou que nunca partisse.
—Felizmente esses casos não ocorrem com freqüência, mas quando necessitam de mim na sala de emergências, fecho meu consultório e faço o acompanhamento do paciente até que ele se estabilize. Então atraso a entrevista com a adolescente com um nariz grande, mas depois a trato porque embora não seja uma emergência, sua auto-estima é importante.
Ela assentiu.
—Quando falei com Kate e sua mãe me dei conta disso.
—Sim. A cirurgia plástica pode ajudar muito às crianças e aos adolescentes. Em lugar de sentir-se discriminada, diferente, Kate poderá ter uma adolescência feliz. Na sua idade as relações com seus amigos são muito importantes e a aceitação social será determinante em seu caráter. Terá confiança suficiente em si mesma para tomar suas próprias decisões sem medo de ser rejeitada.
Sky parecia sentir-se muito culpada.
—Subestimei-o tanto. Sinto muito. Preciso me desculpar uma vez mais.
—Desculpas aceitas. Podemos deixar o assunto? —nunca tinha falado daquilo com ninguém, nem sequer com sua mãe, e queria falar de outra coisa.
—Suponho que me custa deixar o assunto porque eu senti o mesmo.
—O que aconteceu contigo? —Dom se perguntou como poderia alguém subestimar uma mulher tão interessante, tão bela como Sky—. Suponho que a pergunta que deveria fazer seria quem.
Ela suspirou.
—Minha família. Parte disso se deve ao fato de que são muito protetores comigo, mas também sinto que o problema está em que não me entendem.
—Não é isso do que se queixam todos os adolescentes?
—Você acredita? Eu não gostaria de voltar a viver minha adolescência, nem que pudesse. A única diferença é que agora pouco importa se não me entendem. São coisas que aprendemos quando amadurecemos.
—Você não sabe o que é ser madura, eu poderia te ensinar.
—Você não é velho, pelo menos não para mim. Embora tenha de dizer que Kate falou que é bastante bonito para sua idade.
—Obrigado, agora me sinto muito melhor.
Ela riu, mas em seguida sua expressão mudou e a tristeza invadiu seu olhar.
—Provavelmente sabe que meu pai e meus irmãos trabalham para o governo. Minha mãe é professora aposentada. Tendo isso conta como acredita que reagiram quando eu comecei a me dedicar a desenhar jóias?
Ele encolheu ombros.
—Suponho que a idéia não entusiasmou a eles.
—Acertou, embora eu já estivesse convencida de que tinha que tomar minhas próprias decisões e que não era filha do encanador.
—Sim, todos os desenhistas de jóias são filhos de trabalhadores do governo. Ela sorriu.
—Você sozinho está vendo o lado científico do tema. Para mim era algo muito mais emocional.
—Não entendo.
—Eu não me encaixava, e na realidade continuo sem me encaixar — soltou sua mão.
Ele sentiu vontade de dizer que se encaixaria na sua vida. O que tinha sentido ao chegar em casa se confirmava. Mas não podia dizer aquilo, porque ela pensaria que estava louco.
—Sim, percebi isso quando te vi nos tribunais com seus irmãos e seu primo.
—Mas você nunca esteve em uma reunião familiar. Ali todos falam do que estamos fazendo. Bom, alguém sempre me pergunta como vai o negócio. Logo voltam para o assunto principal, aos problemas de ser agente da lei.
—Eles lhe querem bem, Sky, vi isto em seus olhos.
—Sei, e eu também os quero.
—Dê-me um exemplo de algum outro momento, em que sentiu que não se encaixava, onde não podia fazer nada para mudar a situação.
—Desejaria que fosse assim, mas há outro exemplo. Não respondia às expectativas do meu noivo.
Dom ficou estupefato. Não sabia o que responder. Tinha estado noiva? Nunca tinha parado para pensar se Sky tinha estado noiva ou por que não estava casada.
—E quais eram suas expectativas? —conseguiu perguntar.
—É um contador e criou sua própria empresa. Disse que apenas um negócio nos bastava. Ele esperava que eu tivesse muitos filhos e me dedicasse a cuidar deles.
—E você não queria renunciar a seu trabalho?
—Estava disposta a negociar. Teríamos chegado a um acordo.
—Então, qual foi o problema?
—O problema surgiu quando me pediu que não dissesse a seus pais que parte de minha família era comanche. Ele se preocupava que soubessem.
Aquela história explicava algo que tinha lhe intrigado, o comentário que ela tinha feito ao chegar a sua casa sobre não invadir o espaço do outro. Tinham feito muito dano a ela e precisava sentir-se segura, precisava sentir que não ia voltar a passar por isso de novo. Ele a entendeu perfeitamente.
Dom tomou ar.
—E o que fez?
—Rompi o compromisso — olhou-o cheia de dor—. Quando penso nisso me dou conta de que ele era um descarado, mas levei muito tempo para perceber. Passei muito mal até que consegui superar. A conclusão que tirei, foi que não me encaixava em seu mundo.
—Tenho que te dar a razão em alguma coisa.
—No que? —perguntou-lhe com o cenho franzido.
—Que esse homem é um descarado. Quer que o procure e dê um castigo? Ela riu.
—Obrigado por se oferecer, mas não quero que faça mal com suas mãos. São muito valiosas.
— E as tuas também, é uma artista.
—Mas você salva vistas, não é comparável.
—Acaso todas as profissões são iguais? Cada trabalho tem seu valor, se todo mundo fosse médico...
—O que?
—Em primeiro lugar morreríamos de fome.
Ela riu.
—Tem razão, além do que não teríamos tempo para nada mais.
—Não discuto isso, qualquer mulher que queira se casar com um médico deveria ser examinada da cabeça.
—Por quê? —disse enquanto apoiava a cabeça sobre a mão.
—Tem que saber onde está se colocando. Sabe a quantidade de médicos que estão divorciados?
—Não.
—Eu tampouco, mas estou certo de que a maioria está. É um trabalho que exige muito. Não temos muito tempo livre e isso é duro de levar.
—Sem dúvida alguma.
—Essa é a razão pela qual a mulher que saia com um médico deve ter vida própria. Tem que ser uma pessoa sociável, com facilidade para fazer amigos. É necessário que não necessite de seu noivo, que seja independente. Assim, ele pode fazer seu trabalho em paz.
—Suas palavras são muito duras, não me admira que tenha demorado tanto em encontrar alguém.
—Shelby era a mulher ideal, teria sido a esposa perfeita.
—Sinto que não tenha funcionado, Dom.
Ele esperou que aparecesse a tristeza, a dor, mas não apareceu. Não precisava de consolo. Olhou para Sky, era tão encantadora, tão frágil. Era doce, divertida e lutadora e... Deus!
Aquela mulher encantadora, inteligente e teimosa não lhe permitia pensar em nada mais que não fosse ela. E estava se convertendo em um costume! De repente se deu conta de uma coisa que o impactou profundamente.
Não sentia falta de Shelby, desde que tinha conhecido Sky Colton. E o que supunha que tinha que fazer a respeito?
Estava claro que não sabia nada sobre o amor.
E pior ainda, tampouco sabia o que tinha Sky que provocava todas aquelas incríveis sensações. Se tivesse uma resposta para suas perguntas, também teria uma solução.
E necessitava uma solução porque não queria magoá-la uma vez mais. Desgraçadamente, aquele perigo era cada vez mais próximo, já que sua família não demoraria a chegar a sua casa e teria que compartilhar a cama com Sky.
Como ia poder controlar aquela forte atração, aquela fascinação que sentia estando no mesmo quarto?
Capítulo 7
SKY sentiu umas náuseas repentinas. Aquele era o grande dia. Daquele momento em diante, não poderia parar de fingir.
Dom tinha ido apanhar sua mãe e sua avó no aeroporto e Sky estava terminando de transportar todas suas coisas ao dormitório principal. Seu armário estava meio vazio e aquilo a entristeceu. A culpa voltava uma vez mais.
Dom tinha perdido a mulher ideal por sua culpa e estava fazendo o que podia para lhe recompensar por isso. Até compartilharia a cama com ele.
Tinha organizado tudo como se fossem um casal formal. Ela também tinha sido um casal formal fazia tempo e sabia que não devia voltar a cometer aquele engano, e menos ainda com um homem que pensava que o matrimônio era uma fusão entre duas empresas.
E então, por que cada vez que pensava as pernas tremiam? Devia estar ficando um pouco louca, disse a si mesma enquanto saía do banho. Superaria.
Ou possivelmente não, pensou olhando a cama. Era uma cama maravilhosa e suficientemente grande para que duas pessoas pudessem dormir sem se tocar. A idéia de seus corpos se roçando, a fez tremer de novo.
Desejava Dom.
Sky estava há muito tempo sem se relacionar com um homem, até aquele dia em que Dom a tinha beijado. Estava muito tempo sem beijar ninguém, aquela era a explicação e dali procedia seu desejo, sua atração por ele. O primeiro passo para resolver um problema era identificá-lo.
Mas, a quem pretendia enganar? Era um plano absurdo, amantes falsos de dia e estranhos de noite. Não ia funcionar. Como podia ter concordado? A culpa era uma arma muito poderosa, e mais se um doutor como Dominic Rodríguez a utilizava.
Tinha estado duas semanas vivendo em sua casa. Estava mais aclimatada ao seu redor que podia, tendo em conta a atração que sentia por um homem que acabava de sofrer um desengano amoroso. Até o momento tinha controlado seus sentimentos, mas poderia fazer isso dormindo na mesma cama que ele?
Não havia forma de escapar ainda, a não ser que quisesse estragar seu meticuloso plano. Sky sabia que tinha que fazer com que funcionasse, embora não soubesse muito bem como fazer.
Teria que agir como uma mulher apaixonada quando a família de Dom estivesse ali. Não ia ser uma tarefa fácil.
De repente ouviu o barulho do carro que entrava na garagem e as portas que se fechavam. Ficou nervosa.
—Que comece o espetáculo — disse a si mesma.
Desceu as escadas e abriu a porta tentando controlar seus nervos. Duas mulheres estavam se aproximando. A primeira tinha o cabelo branco e parecia uma pessoa muito frágil. A segunda era magra, parecia estar em forma e tinha o cabelo negro com algumas mechas brancas. Ambas eram de baixa estatura, mais baixas que ela. Atrás estava Dom, que levava as malas.
—Mamãe, avozinha, esta é minha futura esposa.
—Olá — disse Sky do alpendre. Tinha pensado em utilizar seu próprio nome, embora Dom não soubesse. Assim seria mais difícil equivocar-se—. É um prazer conhecê-las. Por favor, me chamem Sky. Dom me chama assim carinhosamente.
Ele parou atrás das duas mulheres e levantou a sobrancelha surpreso.
—Sky, esta é Isabel Castelo, minha avó.
—Encantada em conhecê-la disse estendendo a mão.
—Pode me chamar de senhora Castelo — sua voz era dura como o aço e falava muito bem o inglês. A mulher de olhos azuis a olhou intrigada antes de lhe dar a mão—. Por que se chama Sky?
—Por nada — disse Dom enquanto deixava as malas no chão e a segurava pelos ombros—. E esta é Vitória Rodríguez, minha mãe.
—Dom me falou muito de você — disse estendendo mais uma vez mão—. Alegra-me poder conhecê-la finalmente.
—A mim também. Por favor, me chame Vitória. Estou desejando que comece a me chamar de mamãe — seu sotaque era quase incompreensível, mas dava um toque encantador a suas palavras. Deu-lhe a mão—. Mas, por que se chama Sky?
—Diz que meus olhos são como as nuvens acinzentadas de uma tormenta. Que não se sabe se terminam se convertendo em uma chuva suave ou em um furacão tempestuoso Encolheu os ombros ao ver a surpresa das duas mulheres—. Quem teria imaginado que por trás dessa fachada intimidante e séria se escondia um poeta?
—Eu não intimido ninguém — replicou Dom.
—Algumas pessoas o chamam o doutor coração de ferro — disse Sky.
—Não sorri muito, é certo, mas agora que tem você, mudará — Vitória olhou seu filho com carinho—. É um homem de muitas surpresas.
—Sim, é — disse Sky com sinceridade.
—Por favor, passem — Sky se afastou para as deixar passar—. Sejam bem vindas.
Dom esperou que as duas mulheres entrassem na casa para aproximar-se dela. Estreitou-a nos seus braços e deu um beijo muito íntimo. Depois levantou a cabeça.
—Senti falta de você querida.
Apesar do intenso calor que sentiu por todo o corpo, deu-se conta de que seu olhar ameaçador estava avisando que não o chamasse «amorzinho».
—A espera é eterna, meu amor. Deus! Isso não tinha sido nada, nem um pouco difícil de dizer. Sky se soltou, mas ele a segurou pela cintura. Entraram agarrados em casa e ela sentiu que seu corpo estava em chamas. Olhou as duas mulheres.
—Espero que tenham fome.
—A comida dos aviões — disse a senhora Castelo com desaprovação.
—Bem. Preparei quiche e salada.
—Isso soa muito bem — disse Vitória.
—Pensei que não cozinhava — disse a avó. O pulso de Sky se acelerou. Acaso a avó de Dom conhecia Shelby? Sabia que ia ser duro e olhou para Dom em busca de ajuda. Ele encolheu ligeiramente os ombros, e ela soube que não ia obter nenhuma ajuda por parte do senhor «não se preocupe, será fácil».
Por que havia dito aquilo? Poderia ter dito que era comida congelada. Acaso tinha feito para impressioná-las? Se fosse verdade que ela era a noiva de Dom, então teria sentido, mas como não era assim... Não podia haver outra explicação, estava se convertendo em uma perita mentirosa. Na realidade, era melhor pensar naquilo, já que de outra maneira, significaria que tinha posto esperanças em uma relação que era uma farsa.
Sky ficou pensando em algo que servisse como desculpa.
—Nunca cozinhei muito, mas uma mulher deve cuidar de seu marido, assim estou aprendendo um pouco.
—Entendo... —limitou-se a dizer a avó.
—Permitem que guarde os casacos — Sky afastou-se de Dom e estendeu os braços.
Depois de pendurar as duas jaquetas, os quatro se dirigiram à cozinha.
—Querem beber algo? Chá frio? Chá quente? Café?
—Chá quente — responderam ambas.
—Eu servirei — disse Vitória enquanto se aproximava de um armário da cozinha—. Eu não sou uma convidada. Vim muitas vezes a esta casa. Até ajudei meu filho a decorar a casa. Além disso, estou acostumada a me ocupar dos outros.
—Bom eu... —começou a dizer Sky.
—Sky está acostumada cuidar dela sozinha. Não é verdade? —interrompeu Dom.
—Sim.
—Sério? —perguntou Vitória enquanto enchia a chaleira elétrica com água—. Eu supus que estaria acostumada a que lhe servissem tudo. Dom me contou que seu pai ganhou muito dinheiro com o petróleo. Não tem muitos empregados em casa?
—Sim, têm muitos — certamente teria, mas ela não sabia nada. Como tinha se metido em semelhante confusão? Olhou Dom.
—-Tem que me deixar fazer, eu gosto — disse Vitória enquanto seguia com os preparativos do chá.
-Eu gosto de me manter ocupada.
—Ocupada? —disse a senhora Castelo em tom de desaprovação—. Fazendo o que?
Sky perguntou-se de onde vinha aquela hostilidade, parecia que não a aprovava. Não, o que parecia era não gostar de Shelby, corrigiu-se. Sky decidiu dizer a verdade para evitar futuros problemas.
—Desenho jóias.
—Ah sim? Eu acreditei que meu neto se apaixonaria por alguém que tivesse a mesma profissão que ele. Uma doutora, ou possivelmente uma enfermeira.
Dom se aproximou de sua avó e a segurou pelos ombros com carinho.
—Avozinha, devia ver os anéis que Sky desenhou para nosso casamento. São maravilhosos — olhou para Sky ligeiramente divertido. Parecia que queria participar do jogo de verdade—. Não deveria julgar ninguém até estar segura de conhecê-la bem.
—Não importa — disse Sky—. Meu pai tampouco gosta de minha profissão.
Vitória olhou para sua mãe.
—Dom tem razão mamãe. Se Sky gosta de desenhar jóias, ninguém deve questioná-la-Tocou o lábio—. E agora que me lembro, quero ver o anel de compromisso que meu filho te deu—Tomou a mão de Sky e observou que não levava nenhum anel—Dominic?
—Não tem tempo para ir às compras. Sempre está muito ocupado — Sky defendeu Dom, sem saber muito bem por que. Possivelmente porque ele acabava de ajudá-la—. Não necessito de um anel de compromisso.
—Isso é sensato — disse a avó de Dom.
—É obvio que precisa — protestou Vitória—. Queria que Dom fizesse tudo como é devido, seguindo a tradição. Sei que sempre está muito ocupado, mas tem que aproveitar um pouco a vida.
—Desde que Sky vive comigo aproveito muito. O anel é insignificante comparado com a alegria que trouxe para minha vida.
Sky ficou olhando-o. Parecia tão sincero... Embora ela soubesse que tido aquilo era uma farsa, acreditou em cada palavra. Durante uns instantes desejou que não estivessem fingindo, que estivessem apaixonados de verdade.
A água ferveu e Vitória serviu o chá.
—Falando da tradição, mostrem-me o anúncio que colocaram no jornal.
Dom tossiu.
—Não anunciamos mamãe. Pretendemos que ninguém saiba. Sky é uma mulher conhecida e as revistas não a deixariam em paz.
—Mas é o costume, faremos uma foto amanhã e colocaremos no jornal. Ninguém dará conta, e assim terão uma lembrança para seu álbum de fotos.
—Parece-me uma boa idéia — disse Sky.
—Alegro-me que goste querida. Bem, agora conte como é seu vestido de noiva. Eu adoraria vê-lo, mas acredito que não está aqui. Ansioso como está meu filho, seria um perigo.
—Sempre quis usar um vestido largo para que pareça que tenho os quadris estreitos. Eu adoraria que fosse curto e de alças — Sky olhou Dom e notou um olhar tão intenso que seu coração parou durante um segundo. Parecia que esteve imaginando o vestido e que a imagem o agradava.
—De alças? —interveio a senhora Castelo—. Assim mostraria seus novos seios.
—Não entendo — disse Sky sobressaltada.
—Sim, assim é como conheceu meu neto. Ele fez... Como se diz?
—Aumentou os seios — disse Dom.
—Isso. Um vestido de alças é o melhor para mostrar o bom cirurgião que é — a avó olhou os seios de Sky—. Pensei que seriam maiores, como os de Anna Nicole Smith ou Pamella Anderson.
A operação de Shelby já não era um segredo, mas como podia a anciã saber tudo aquilo? Olhou Dom em busca de uma explicação, mas ele voltou a encolher os ombros.
—Sky é perfeita.
—Eu estou de acordo. Meu filho é um grande médico.
—Sim, é o melhor — disse a senhora Castelo.
—Por que não mudamos de assunto? —sugeriu Dom.
—Estávamos falando de seu vestido — Vitória juntou as mãos—. Isso é muito bom, quando vai nos levar à loja para vê-lo?
Sky ficou pensativa. As coisas iam de mal a pior, ela não tinha vestido de noiva, o que podia fazer?
Começou a pensar. O melhor era dizer a verdade, mas até o momento não tinha ido muito bem.
—Querem vê-lo? Sinto muito, pensei que me perguntavam que vestido queria. Ainda não o comprei.
—Mas Sky... —protestou Vitória—. O casamento ocorrerá assim que voltemos do cruzeiro. Não falta muito tempo.
—Sei o que quero. Não demorarei para encontrar — limitou-se a dizer.
Os olhos de Vitória se iluminaram de repente.
—Tenho uma idéia. Compraremos esta semana. Como vai se converter na filha que nunca tive, tem que me permitir ajudar. Você me faria muito feliz.
Sky olhou Dom e ele assentiu com a cabeça levemente. Se não conseguia evitar ir às compras com a mãe, teria que recordar de pedir o cartão de crédito a Dom.
—De acordo. Será divertido — respondeu Sky. Sky decidiu que era hora de falar de algo superficial. Por exemplo, de decoração. Olhou para a mãe de Dom.
—Eu adoro a decoração da casa, Vitória. O que mais eu gosto é da mesa da entrada e a cama de... Quero dizer de nosso dormitório.
—Pensei que queria redecorar a casa — disse a senhora Castelo—. Disse que queria se desfazer dos móveis antigos e pôr algo mais moderno. Acredito que disse que não gostava das antiguidades.
Dom olhou sua avó intrigado.
—Avozinha, como sabe tudo isso? É a primeira vez que vê Sky. Acaso tem telepatia? A avó riu um pouco.
— Não, a não ser que esse computador que me deu de presente dê esses poderes. Shelby, perdão, Sky e eu estivemos nos escrevendo pela Internet. Mas faz muito que não escreve, por quê?
—Suponho que não tive tempo — respondeu Sky, o que outra coisa podia dizer?
A senhora Castelo ficou olhando-a fixamente.
—Tenho que dizer que não esperava que fosse assim, o que nos mostra que não convém julgar as pessoas até conhecê-la em pessoa.
Sky olhou Dom. Ele voltou encolher os ombros. Desejava dizer-lhe um par de coisas, estava impaciente por fazer isso. Desgraçadamente, teria que esperar pela noite, quando estivessem sozinhos, no mesmo quarto...
Dom se sentou em um extremo da cama e esperou impaciente que Sky saísse do banheiro. Passou todo o dia lançando olhadas de ódio. Sabia que Sky iria querer dizer um par de coisas e ele estava desejando que fizesse, embora não sabia muito bem por que. Finalmente a luz do banheiro se apagou e ela saiu.
Levava um pijama de inverno rosa. O tecido grudava no seu corpo, marcando suas curvas. Estava muito vestida, mas era a imagem mais atraente que tinha visto em muito tempo. Se aquele olhar ardente fosse fruto da paixão e não da fúria.
Sky colocou as mãos na cintura.
—Foi um desastre, sabe quantas gafes cometi? Três? Quatro? Quarenta? —suspirou—. Você ocultou coisas muito importantes, fez porque pensou que eu não aceitaria participar de seu amalucado plano?
—Teria negado?
—Não sei.
—Quer deixá-lo? —perguntou enquanto desejava com todas suas forças que ela respondesse que não. Ela negou com a cabeça.
—Quer saber por quê? Porque agora que conheço sua família, simpatizo com elas. Sua mãe quer uma filha, quer escolher o vestido de noiva comigo. É tão doce.
—E minha avó?
—É muito sincera, sempre diz o que pensa. Não confia em mim, é muito esperta.
—Acredita que é Shelby. Sky cruzou os braços.
—Não sei se está convencida, mas é divertida. Agora não posso voltar atrás. Como poderia fazer algo assim?
—Sky, por que aceitou fazer?
Sky se sentou no extremo oposto da cama, a mais afastada dele possível.
—Para me redimir de meus pecados e por culpa suponho. E toda a culpa não vem pelo que disse a Shelby. Continuo pensando o mesmo respeito desse tema.
—A que outra culpa ou redenção se refere?
—Já contei isso, eu também estive noiva.
Ele assentiu.
—Com o descarado.
—Isso. Rompi o compromisso, mas não te contei que o fiz em um jantar familiar uma noite antes de nos casarmos. Não foi no altar, mas quase. Seus pais tinham viajado de longe para assistir à cerimônia. Momentos antes de conhecê-los disse que não falasse de minhas origens
—Eu também estou te pedindo que não conte algo a elas.
—Mas é diferente. Agora estou fingindo ser outra pessoa, ele não podia me aceitar como era.
—Tendo em conta o que te disse, não tinha outra opção.
—Mas o fiz no pior momento.
—Não, ele é o que não deveria ter pedido algo assim em um momento como aquele. Como podia seguir com o casamento depois do que te disse?
—Sei, mas já tínhamos gasto muito dinheiro. O expus ao ridículo diante de seus familiares e amigos. Não pude evitar. Talvez em meu subconsciente pensei que se ajudasse você, poderia me sentir menos culpada.
—Não deve nada a ele.
—Ou possivelmente esta farsa ensine a não voltar a dar conselhos sem que me peçam isso.
— De acordo — disse Dom embora já não pensasse o mesmo a respeito daquele assunto.
—De acordo — repetiu Sky com um suspiro—. Mas temos arranjos mais importantes que falar. Como por exemplo, ao avaliar a situação, o que vamos fazer?
«O que qualquer homem e mulher que se sentem atraídos fazem», pensou Dom. Olhou-a fixamente e o forte desejo que sentiu o calor de seu corpo, desatou-se de forma incontrolada.
—O que vamos fazer respeito de que?
—Vamos Dom, você viu. Pisei na bola tantas vezes, que nem lembro mais. Se sua família não pensar que sou uma fraude, pensarão que Shelby foi abduzida pelos extraterrestres. Por que não me disse que sua avó tinha estado escrevendo com Shelby?
—Porque não sabia.
—Embora machuque ouvir, o que você e Shelby tinham era um problema de comunicação.
—Obrigado pelo diagnóstico.
—Organizamos um grande alvoroço — levantou-se da cama e começou a andar pelo quarto—. Agora sua avó pensa que meus seios são falsos e tudo é tua culpa.
—Eu a operei.
—Não me referia a isso. Deveria saber que ela estava informada, se eu soubesse, poderia ter colocado lenços no... —deteve-se—. Não importa. O que quero dizer é que fiz papel ridículo. Sua avó pensa que sou uma mulher frívola e superficial e que não te mereço.
—Não. Ela pensa que Shelby Parker não me convém. Não sabe nada sobre ti.
—Sim, é obvio que sabe. Sabe que desenho jóias, eu gosto das casas decoradas no estilo Jornada nas Estrelas e que sou uma tola que não sabe nem fritar um ovo.
Dom a olhou e notou o movimento de seu peito ao respirar. Por acaso estava tão nervosa como ele? Colocou-se em uma quina da cama e notou como os olhos dela aumentavam.
—Disse que a comida estava boa.
—E o que podia dizer depois de repetir? Mas está mudando de assunto, como pode não saber que sua avó e Shelby contavam tudo uma à outra?
Era uma boa pergunta que o surpreendia igual ao fato de que não sentia falta de Shelby. Possivelmente era daquele tipo de homens que passava de uma mulher a outra sem dificuldade, porque não sabia o que era o amor. Tinha passado muito tempo com Shelby, tinha pedido que se casasse com ele. Ela o tinha abandonado e ele não sentia falta dela graças a Sky. Não sabia nada sobre mulheres.
—Não tenho nada que alegar, Sky. Só posso te dizer que eu tampouco sabia a maioria das coisas que disse a minha avó.
—Mas sabia que Shelby queria trocar toda a decoração da casa?
—Sim — se alegrava em saber que Sky gostava da decoração. Embora não tivesse relevância, já que em uma semana, ela voltaria para Black Arrow para continuar com sua vida. Não gostou da idéia.
—Poderia ter dito isso.
—Sinto muito. Não percebi. -Ela o olhou exasperada.
—É tão calmo, acaso nada afeta você?
—Sou médico, estou preparado para enfrentar emergências. Nada me afeta.
Exceto ela, pensou Dom. A idéia de que partisse afetava muito. Só em vê-la ali com o pijama rosa o afetava ainda mais. Seu pulso se acelerava cada vez que a via. Seu rosto estava desprovido de maquiagem e parecia suave como uma porcelana, usava o cabelo preso em um coque. Tinha um aspecto descuidado, mas adorável.
Estava tranqüilo? Nunca. Sentia vontade de apertá-la entre seus braços e deixar que a casa ardesse. Mas não devia fazer algo assim. Sabia muito sobre ela, e começava a lhe afetar muito. Tinha que encontrar uma forma de dormir com ela e controlar seu desejo de tocá-la.
As mãos tremiam.
—Escute Sky, precisamos descansar um pouco. Em que lado da cama quer dormir?
Ela o olhou como se ele houvesse dito algo imundo.
—Não... Não sei. Estou acostumada a ter a cama para mim sozinha.
—Que tal se eu fico à esquerda, do lado do telefone? Possivelmente se me chamarem, caso acontecer alguma emergência. Podem chamar em qualquer momento, dia ou noite.
—De acordo — Olhou para ele e tomou ar—. Vai dormir só com isso?
O olhou a calça curta que levava.
—Sim, é mais do que estou acostumado a usar.
Ela assentiu.
—Bom você se importaria de por uma camiseta? Dom sorriu.
—De acordo.
—Se importaria de não sorrir enquanto faz isso?
—Farei o possível.
Colocou uma camiseta. Quando terminou de vesti-la, ela estava no seu lado da cama coberta até o queixo. Ele se dirigiu ao outro extremo da cama e se deitou nela. Depois apagou a luz. Dom pôde sentir sua tensão, assim como seu doce aroma e seu calor.
—Sky?
—O que foi?
—Obrigado.
—Obrigado por quê?
—Por não me abandonar nisto.
—Prometi isso. Ele tomou ar.
—Alegra-me que esteja aqui.
—É o mínimo que podia fazer.
—Queria dizer algo mais.
—O que? —perguntou-lhe divertida.
—Se durante a noite me achar irresistível, há algo que quero que faça.
—O que?
—Deixe-se levar pela emoção.
Ele sentiu o assombro de Sky, depois ela riu. A cama se movia com sua risada e era tão contagiosa que ele começou a rir também. Riram muito durante um momento. Ele a olhou e viu como secava as lágrimas.
Depois, ela tomou ar.
—Obrigado, precisava escutar você dizer isso.
—Não tem do que.
—Para que saiba, agora que te conheço, não acredito que tenha o coração de pedra. E quem disser o contrário, terá que se entender comigo.
—Obrigado — ele também precisava escutar aquilo.
—Boa noite — disse ela enquanto girava o corpo e lhe dava as costas.
—Durma bem — disse ele enquanto virava também.
Como se apartá-la de sua cabeça fosse tão fácil. Havia dito aquilo para fazer que relaxasse que não estivesse tão tensa, mas quando terminou de dizer deu-se conta de que estava enganando a si mesmo. Ele também precisava tranqüilizar-se.
Sua mãe havia dito que era uma pessoa impetuosa, impaciente. Ela o conhecia bem. Precipitou-se em sua relação com Shelby, o doutor coração de pedra não sabia nada sobre o amor. Os homens inteligentes não cometiam o mesmo engano duas vezes, e se supunha que ele era muito preparado. Não faria nada com Sky Colton.
Que estivesse em sua cama não queria dizer que tinha que dar rédea solta à atração que sentia por ela. Uma atração incrível...
Capítulo 8
SKY estava sozinha na cozinha lavando os pratos do café da manhã para colocá-los na máquina de lavar pratos. Estava cansada. Estavam há dois dias beijando-se, acariciando-se e fazendo tudo o possível para convencer às duas mulheres de que estavam apaixonados. Depois de dois dias dessa maneira, compartilhar a cama com ele era uma tortura, um incrível exercício de autocontrole.
Se as circunstâncias não fossem tão patéticas, ela riu. Possivelmente se sentia um pouco decepcionada porque tinha pensado que ele ia se deixar levar. Mas não tinha feito isso. Estava claro que ela não era irresistível, pois Dom tinha adormecido rapidamente, e não se movia durante toda a noite. Cheirar sua fragrância masculina, sentir sua respiração, ver a sombra de seu peito largo e musculoso... Mas não era apenas seu aspecto, quanto mais conhecia doutor Dominic Rodríguez mais gostava, mais o respeitava.
Não pode pensar em ninguém capaz de fazer algo tão complicado por sua mãe. Sua generosidade, sem levar em conta sua atração, sua sensualidade, eram cada vez mais difíceis de ignorar. De fato, suspeitava que não faltasse muito para que ficasse impossível.
Sky olhou por cima do ombro, alguém estava atrás dela. Dom a agarrou pela cintura e apertou seu peito contra as costas dela. Que Deus a ajudasse. Tinha estado toda a noite desejando que a abraçasse e agradeceu que fizesse nesse momento. Sentiu como seu corpo se esquentava e ficava em tensão.
—Temos que atuar como se estivéssemos apaixonados, recorda? —sussurrou-lhe ao ouvido.
—Não é fácil de esquecer respondeu ela no mesmo tom.
Dom a estreitou com força e se inclinou até que ela sentiu sua respiração no pescoço. Os calafrios percorreram todo seu corpo. Tomou ar e em lugar de afastar-se, girou seu pescoço para lhe facilitar as coisas. Quando a tocava não podia resistir, não queria nem pensar o que teria ocorrido se houvesse feito assim na cama.
Não havia nenhuma dúvida, precisava descansar do doutor maravilhoso. Ainda bem que era segunda-feira e teria que ir trabalhar.
As mãos dele ascenderam lentamente da cintura à parte inferior de seus seios e a acariciaram com doçura. Podia sentir seu calor inclusive através do pulôver. Era a sensação mais erótica que tinha vivido. Seu pulso se acelerou.
Dom sabia perfeitamente como acariciá-la.
—É... É melhor que paremos — sussurrou enquanto ele percorria suas bochechas—. Estamos sozinhos. Sua mãe e sua avó estão lá em cima.
—Voltarão em seguida — ele disse com a respiração entrecortada—. Estou certo.
—Tem razão. Temos que fazer que isto pareça real... —ele acabava de encontrar o lugar de seu pescoço que mais a excitava.
—Você gosta? —perguntou ele.
—Está bom.
—Se só estiver bom, suponho que preciso praticar um pouco mais.
—Sim, praticar ajuda a aperfeiçoar-se.
—Perfeita — suas mãos se moviam lentamente por debaixo dos seios dela. Sua respiração era irregular—. Você é perfeita.
—Mentiroso.
Mas não podia negar que queria de verdade, mas que estavam apenas atuando, embora não pudesse parar. Ainda não. Gostava tanto... Necessitava mais, apenas um pouco mais...
—Outra vez assim?
Era a avó, mas disse divertida, como se não a incomodasse.
—Mamãe, o amor não é maravilhoso?
—É obvio que é. Vitória. Sou velha, mas não para recordar como era tudo com o seu pai.
Dom se afastou e ela sentiu como seu corpo se queixava, girou o corpo e viu as duas mulheres na porta. Enquanto fazia isso, o braço dele a agarrou pela cintura e a aproximou para ele, como se ele também sentisse falta do contato.
— Dominic — disse sua mãe—, por acaso vai ao trabalho vestido com jeans e camiseta? Sei que eu não te ensinei a ir assim ao trabalho.
Sky o olhou, nem se surpreendeu não ter dado conta disso. Usava jeans e uma camiseta azul marinho. Estava explosivo, mas não era o tipo de roupa que um médico ia ao trabalho.
—Sua mãe tem razão, não tinha me dado conta.
—Estava distraída — disse a avó.
—Deixe-me adivinhar, sua roupa está na tinturaria?
Ele negou com a cabeça.
—Tirei o dia de folga.
—E suas consultas?
—Disse a Grace que não queria ver muitos pacientes esta semana. Acabo de chamá-la para que cancelasse as consultas de hoje. Podem me chamar e a não ser que surja uma emergência, sou todo teu.
Dela? Uma sensação de imensa alegria invadiu o seu corpo, não pôde conter-se.
—Isso... é —começou a dizer Sky—. Mas, por quê?
—Porque queria ficar contigo.
Era algo incrível, sobretudo vindo do mesmo homem que não tinha tido tempo para comprar um anel de compromisso. «Tome cuidado», disse-se a si mesmo, ele não faz isso por você. Tudo era uma farsa, fazia por sua mãe.
Sky o olhou.
—Não sei o que dizer.
—Ficaria bem um: «Querido, é uma notícia estupenda» — sugeriu ele.
—Querido, é uma notícia estupenda. Mas tínhamos pensado em ir comprar o vestido de noiva. Certamente você não queria...
—Eu adoraria ir com vocês.
Vitória o olhou com reprovação.
—Não pode ver o vestido.
Ele encolheu os ombros.
—Vou me limitar a acompanhar vocês, serei seu chofer.
Sky tomou ar.
—Bom, nunca teria imaginado que este homem gostaria de ir às compras. Está acima da média.
—É uma mulher afortunada, Sky — disse Vitória.
—Eu sei.
E se tudo fosse bem, sua sorte não terminaria até que o plano fosse concluído.
Horas depois, Sky entrou na sala de espera do hospital com uma bandeja cheia de sanduíches, cafés e refrescos. Tinham chamado Dom para atender uma urgência. Um bombeiro tinha ficado ferido em um incêndio provocado por um escapamento de gás. Sky e as duas mulheres tinham ido com ele para economizar tempo. Tinham decidido que se demorasse muito, tomariam um táxi para casa. Mas quando tinham chegado ao hospital, a mulher e os dois filhos do paciente estavam ali, Sky ficou comovida.
Quando Sky notou o que a espera estava provocando na pobre mulher do bombeiro, decidiu ir à cafeteria para levar algo a ela e a seus filhos. Era a única coisa que tinha ocorrido para ajudar, e queria fazer algo desesperadamente.
A sala de espera era grande, tinha mesas, sofás, cadeiras e uma televisão que se ouvia ao fundo.
—Porei isto na mesa — disse enquanto colocava a bandeja sobre uma mesa diante do filho menor do bombeiro, que estava brincando com um carro. -Trouxe sanduíches.
—Eu só gosto dos de creme de amendoim e geléia — disse o menino de quatro anos, que se chamava Jack.
—Então está com sorte, amigo. Tenho um especialmente para ti. Você gosta de geléia de amora? —perguntou a ele.
Ele assentiu com a cabeça.
—Posso beber um refresco?
—Sem cafeína — disse sua mãe. Cathy Martín era um pouco mais velha que Sky, mas não muito. Tinha o cabelo loiro e os olhos azuis. Estava a sua filha de nove meses, Emily, nos braços—. Tampouco eu gosto que tome muito açúcar. Fica muito nervoso — explicou.
—Há leite — disse Sky.
—Obrigado — colocou a menina sobre o quadril e se dispôs a ajudar seu filho a abrir a caixa de leite. Vitória Rodríguez se aproximou.
—Se quiser, posso segurar a menina.
Cathy olhou a menina.
—Não sei se vai querer ir com você, mas se quiser tentar...
—Eu adoraria — a mãe de Dom estendeu seus braços e a menina foi com ela sem duvidar—. Tenho que praticar.
—Por quê? —perguntou Cathy enquanto ajudava seu filho.
—Meu filho, o doutor Rodríguez, e Sky vão casar dentro de pouco tempo. Colocamos um anúncio no periódico esta manhã — disse muito orgulhosa.
Cathy olhou para Sky.
—Parabéns.
—Obrigado — respondeu Sky sentindo-se muito culpada.
Vitória passeou um pouco com a menina nos braços.
—Espero ter um neto logo, faz muito tempo que não tenho um bebê em meus braços. Assim, está me fazendo um favor, pois tenho que saber se me esqueci como fazer isso.
Sky olhou a mulher com o menino.
—Faz perfeitamente.
—Estou impaciente para ser avó.
—E eu bisavó — disse a senhora Castelo—. Eu adoraria conhecer meu bisneto antes de morrer.
De repente, Cathy se levantou nervosa.
—Por que demoram tanto? O médico esteve com o Johnny por muito tempo, parece que se passaram horas. Não posso esperar mais.
Sky a segurou pelo braço e a afastou do menino que estava comendo o sanduíche.
—Não vou mentir dizendo a você que sei o que acontece e que tudo vai bem, teremos que esperar para saber. Mas posso sim te dizer que Dom, o doutor Rodríguez, é muito bom em seu trabalho.
—É especialista em queimaduras?
Sky assentiu com a cabeça.
—Na realidade é cirurgião plástico...
—Os seios de Sky são sua obra — disse a senhora Castelo.
Cathy olhou seus seios automaticamente.
—Imaginava que fossem maiores.
Cathy sorriu.
—Sim.
—Muita gente diz isso a mim.
—Suponho que sim.
—Dom é um cirurgião plástico especialista em queimaduras — seguiu dizendo Sky.
A senhora Castelo se aproximou e a olhou cética.
—Pensei que você não gostava dos hospitais.
—Não gosto muito.
—Eu tampouco — disse Cathy.
—Mas você me disse que não queria ter nada a ver com o trabalho de Dom, porque os hospitais dão medo. Que não podia suportar ver gente sofrendo, e que quando via sangue ficava deprimida. Além disso, disse que não entendia como ele era capaz de trabalhar nisto.
—É certo — disse sentindo-se encurralada mais uma vez—. Mas já que viemos com ele, tenho que fazer algo, embora seja insignificante.
Cathy a olhou preocupada.
—Não é insignificante.
—Alegra-me saber disso — apontou a bandeja cheia de sanduíches—. Tem fome? Trouxe sanduíches de presunto e queijo, de peito de frango, de peru com maionese. Não sabia o que você gostava.
—Obrigado, mas não posso comer nada.
Sky não a culpava. Se Dom... Se alguém a quem queria estivesse na mesma situação que Johnny, ela não poderia estar nem com a metade da tranqüilidade que aquela mulher aparentava.
As portas atrás delas se abriram e apareceu Dom.
Cathy correu para ele.
—Doutor, como está Johnny?
—Está grave, senhora Martín. Sofreu queimaduras em quase metade de seu corpo.
—Meu Deus! —disse tampando a boca com as mãos.
Sky se aproximou dela sem dizer nada e a segurou pelos ombros.
Dom a olhou e depois olhou a Cathy.
—Tem queimaduras de terceiro grau nas mãos, os braços e no rosto. Levamos para a sala de cirurgia.
—A sala de cirurgia? —perguntou a mulher de Johnny.
—Era imprescindível desinfetar as feridas para que não se infectassem. É um procedimento muito doloroso e é melhor fazê-lo com anestesia e em um ambiente estéril — tomou ar—. O perigo mais iminente é uma infecção. Assim enfaixamos as feridas para evitar isso. Usamos pele sintética em algumas queimaduras, e pomada nas ataduras menos sérias.
—Ficará bem?
—Bom, pelo menos foi atendido com rapidez. É um homem jovem e goza de boa saúde. Esses fatores estão a seu favor.
Jack se aproximou deles e segurou a mão de sua mãe.
—Você vai curar meu papai?
Dom se ajoelhou e se aproximou do pequeno.
—Farei todo o possível.
—Você deu uma injeção?
—Sim.
—As injeções doem muito. Eu não gosto das injeções.
—Eu dei uma injeção a seu pai para que não doesse tanto — limitou-se a dizer Dom.
—Eu também me queimei uma vez — disse o menino—. No quatro de julho, toquei uma vela embora papai me dissesse que não fizesse. Chorei muito, saiu uma bolha.
Dom assentiu com a cabeça.
—As queimaduras doem muito, mas a injeção acalmou a dor de seu pai. O menino abraçou Dom.
—Alegra-me que tenha dado uma injeção.
—É obvio, companheiro — acariciou as costas do pequeno.
—Posso ver meu marido?
—Pode entrar sozinha, só uns minutos — disse Dom enquanto se levantava. Sky apertou o seu braço.
—Cuidaremos dos meninos. Vitória se ocupará da pequena e a senhora Castelo e eu...
—Meu nome é Isabel — disse a avó que estava junto a ela.
Sky sentiu uma repentina felicidade e de repente uma lágrima se deslizou por sua bochecha. Estava emocionada.
—Obrigado, Isabel — conseguiu dizer. Logo olhou para Cathy—. Vamos nos ocupar de Jack.
—Tem certeza?
Sky assentiu com a cabeça.
—Fique o tempo que necessitar.
—Senhora Martín, antes de entrar quero explicar o que vai encontrar. Seu marido está sedado para que possa descansar. Está conectado a um respirador para que possa respirar enquanto se recupera da fumaça que entrou em seus pulmões. Os tubos, as máquinas, tudo dá muito medo, mas estão ali para ajudá-lo. Não se assuste. Fale com ele. Estou convencido de que até sedados, os pacientes sabem quando as pessoas que os querem estão perto.
Cathy assentiu.
—Obrigado por tudo, doutor.
—Não há de que. Pergunte no balcão como chegar à unidade de queimados.
Cathy assentiu e correu para a porta. Sky olhou Dom, tinha visto atender Johnny quando chegou ao hospital. As enfermeiras tinham atuado com rapidez seguindo suas ordens. Todo o pessoal do hospital o tratava com medo e respeito. Mas ele parecia estar muito longe deles. O doutor coração de pedra. Seu comportamento era muito profissional e ao mesmo tempo muito reservado. Era uma pessoa muito diferente da que ela conhecia, muito diferente da pessoa com quem dormia.
Sky se aproximou dele e ficou nas pontas dos pés para abraçá-lo pelo pescoço.
—É parte da atuação? —disse com um pouco de ressentimento. Mas antes que ela pudesse responder, ele a abraçou também. Logo emitiu um suave gemido e a estreitou com força contra seu corpo.
—Não. Simplesmente me pareceu que necessitava de um abraço.
Ele respondeu com um suspiro e apoiou sua bochecha na cabeça dela. Estava esgotado, dava tudo por seus pacientes, todos seus conhecimentos, sua habilidade para salvar vidas. Mas às vezes não era o bastante. Recordou a história da menina, tinha sido duro para ele, Sky sabia. Quem o tinha ajudado a superar? Quem tinha devotado seu ombro para consolá-lo?
Tinha estado a ponto de ter Shelby, mas quanto mais sabia Sky sobre Shelby, mais se alegrava de que não tivesse funcionado. Ele a soltou um pouco e a olhou fixamente.
—Alegra-me que tenha ficado.
—A mim também — Sky olhou para Vitória que estava cantando para a menina—. Sua mãe quer ser avó.
—Isso não é nada novo — disse com um sorriso. Ela sorriu também, contente de ver que não tinha perdido o senso de humor.
—Se as coisas não fossem como são tudo seria muito mais complicado. Deveria estar contente de que esteja fingindo ser sua noiva e não sua mulher.
—Deveria estar — disse ele. Depois seus olhos escureceram—. Você gosta de crianças?
—Sim. E você?
—Muito. Tenho que ir ver meu paciente. Não tem por que esperar.
—Sei. Quando a senhora Martín voltar, levarei a sua mãe e a sua avó para casa. Eu acredito que voltarei para ver se posso ajudar em algo.
—De acordo, verei você assim que puder.
Tinha um olhar selvagem, como se não quisesse se afastar dela, como se Sky estivesse dando forças para seguir. Depois se inclinou e deu um suave beijo nos lábios, para devolver parte daquela força roubada.
Quando se foi, pareceu que Dom caminhava mais tranqüilo. A idéia de haver reconfortado um pouco a fez sentir-se muito bem.
Em seguida se deu conta de que estava brincando com fogo, ele tinha brincado sobre a idéia de que ela o achasse irresistível. A Sky já não parecia engraçado. Ele havia dito que se deixasse levar. Só Deus sabia o quanto que desejava fazer, mas não podia. Ele acabava de sofrer um desengano amoroso e ela não era a garota com a qual a mãe de Dom tinha sonhado a que Dom pensava que era perfeita para ele. Custasse o que custasse, tinha que encontrar a maneira de terminar sua parte do trato.
E devia tentar para que seu coração não ficasse partido no processo.
Capítulo 9
— SENHORAS e senhores — Dom fez um ruído com sua taça para conseguir a atenção dos convidados. Todos os convidados tinham chegado e era hora na qual a festa de noivado começava—. Tenho que dizer algo.
Estava de pé, atrás da mesa que dominava a sala. Olhou Sky, que estava sentada ao seu lado, e não pode respirar durante uns segundos. Estava tão bonita que custava respirar. Vestia um vestido negro e singelo de manga larga, com o pescoço aberto e que chegava até os joelhos. O vestido favorecia seu corpo de tal forma, que Dom pensou que ter um aspecto como aquele devia ser ilegal. Suas mãos ansiavam acariciar aquelas suaves curvas.
Estava claro que custava muito controlar suas emoções, mas era hora de fazer isso. Estavam na festa de noivado, o momento para o qual tanto tinham trabalhado.
Dom tinha reservado um salão em um dos restaurantes mais sofisticados de Houston e Sky se encarregou de tudo o resto. Ela tinha escolhido o cardápio, a organização das mesas, as flores e as velas que decorariam as mesas circulares e a música.
Como faltavam os convidados de Shelby, a festa tinha muito menos pessoas do que havia sido esperado. Os convidados olhavam fixamente para a mesa retangular onde eles estavam Dom pôde distinguir Grace e seu noivo Rob. Havia médicos, enfermeiras e outros membros do pessoal do hospital. Sua mãe e sua avó estavam sentadas junto a eles.
—Suponho que todos terão curiosidade por saber por que reuni vocês hoje — todos assentiram em uníssono. Agarrou Sky pela cintura e a aproximou dele. Tê-la perto o fazia sentir-se bem. Afastou aquela idéia da cabeça—. Tenho que anunciar algo. Esta mulher tão bela, conhecida por seus amigos com o nome de Sky, é mais que uma amiga para mim. Pedi-lhe que se casasse comigo e me alegra muitíssimo dizer que aceitou.
—Deveria nos ter dito que isto era uma festa de noivado! —gritou um dos convidados. Sky pôs a mão no peito de Dom.
—Queríamos que fosse uma surpresa.
—Mas teríamos trazido presentes.
—Não necessitamos de presentes. Para nós dois basta a presença de vocês — disse Sky com um sorriso.
—Não, não basta — disse Vitória aproximando-se deles.
A mãe de Dom abriu a bolsa e tirou algo. Depois o levantou, Dom se deu conta que era um anel.
—O pai de Dom me deu este anel quando se declarou a mim. Já que Dom não teve tempo de comprar um anel de compromisso, quero dar este de presente a Sky.
Dom notou como Sky ficava paralisada. Depois a olhou.
—Faz alguma coisa! —sussurrou-lhe—. Não posso aceitar o anel, é de sua mãe. Vitória franziu o cenho.
—Sky, algo não vai bem?
—Não. Eu só... Deus!
—Nos surpreendeu mamãe. Acredito que minha noiva ficou sem palavras pela primeira vez desde que a conheço — depois do comentário todos riram.
A mãe de Dom o olhou incrédula.
—Sem palavras, bom, mas bem parece que Sky está a ponto de chorar.
Dom a olhou. Era certo, tinha lágrimas nos olhos. Já tinha visto Sky zangada, incomodada, carinhosa, preocupada, zombadora e ansiosa, mas nunca a tinha visto a ponto de chorar. Não gostava, não sabia como acalmá-la. Possivelmente quem tinha chamado doutor coração de pedra tivesse razão. Sentiu uma dor aguda no peito, como se fosse partir em dois.
—Só está feliz — limitou-se a dizer. Sua mãe estendeu o anel e Dom pôde ver que era uma esmeralda, a cor preferida de Sky.
—Fique. Disse Vitória.
—Não — Sky negou com a cabeça—. Não posso aceitá-lo.
—Por que não? Eu quero dar isso a você. Ela o olhou com um olhar sombrio.
—É muito. Seu marido deu de presente e deveria ficar como demonstração de seu amor por você. Eu não necessito de um anel.
A mulher a olhou com carinho.
—Não necessito disso para recordar seu amor, levo seu amor aqui dentro — disse enquanto tocava o coração com a mão—. Quero que a mulher que vai se casar com meu filho tenha algo que simbolize o amor de seus pais.
Dom tomou a mão de Sky e o colocou na mão esquerda.
—Fica perfeito.
Ela o olhou com um olhar sombrio.
—Que surpresa, não?
Dom levantou sua taça cheia de champanhe e deu a Sky a dela. Depois olhou os seus convidados.
—Todo mundo deveria ter uma taça de champanhe. Eu gostaria de fazer um brinde. Para Sky, minha noiva, meu apoio, meu tudo.
Os convidados se levantaram com suas taças.
—Para Sky e Dominic — disseram em uníssono e depois brindaram e beberam.
Dom brindou com Sky, com sua mãe e com sua avó. Depois de beber, voltou a dirigir-se aos convidados.
—Obrigado por comparecerem. Não demorarão em servir a comida. Depois haverá música e baile. E já sabem que não agüento as pessoas aborrecidas, assim quero que todo mundo dance. Sky e eu queremos que desfrutem desta festa.
Depois daquelas palavras, um tumulto rodeou Dom para dar os parabéns e saudá-lo. Um momento depois, Dom se deu conta de que Sky se sentou em uma mesa afastada.
—O que aconteceu? —disse ele sentando-se a seu lado e de costas para os outros.
—Como pode me perguntar algo assim? Deveria saber — estendeu a mão e ficou olhando o anel—. Eu me sinto como uma delinqüente.
—Quer que eu te faça uma confidência?
Instante depois levantou o olhar e o olhou.
Qual?
—Eu me sinto igual.
—É muito amável, mas, isso não adianta. Quando concordei em te ajudar, nunca imaginei que passaria por algo assim. Apaixonei-me por... —deteve-se e seus olhos se fizeram maiores. Depois afastou o olhar.
—Sim?
—Apaixonei-me por sua família. São maravilhosas, embora eu adorasse que Isabel não contasse a todo mundo que você operou os meus seios.
—Falarei com ela.
—Para que? Amanhã irão viajar no cruzeiro, e você ficará livre.
E ela retornaria a sua casa e não voltaria a vê-la. Seu coração de pedra começou a se rachar.
—Sim — Dom segurou-lhe a mão, para tentar tranqüilizá-la. Levantou sua mão para ver o anel que sua mãe tinha presenteado Sky, que por alguma razão parecia ter sido feito para ela.
—É muito mais difícil do que tinha imaginado. Tenho que te dizer que me alegra que esta farsa esteja a ponto de terminar. Amanhã a estas horas eu já estarei de volta a Black Arrow e você...
—Estarei pensando como dizer a minha mãe quando voltar da viagem que não vai haver casamento — olhou por cima do ombro e viu as duas mulheres falando com Grace e Rob—. Nunca a vi tão feliz. Não quero nem pensar como vai ficar quando disser a verdade.
—Não haverá netos — disse um pouco triste.
—Você fica com pena? Ela sorriu um pouco.
—Teríamos tido uns meninos lindos se isto não fosse uma farsa.
—Sim, se não fosse uma farsa.
Dom estava custando muito distinguir o que era farsa, já que o que sentia era tão forte que parecia muito real. Apesar de ser um homem instruído não encontrava nenhuma explicação.
Desgraçadamente, sua formação como médico não o ajudava muito com as relações pessoais. Não encontrava nada que pudesse explicar por que o que sentia por Sky Colton não desaparecia.
De repente, Dom notou que alguém o tocava no ombro. Levantou a cabeça.
—Olá, avozinha. Isabel sorriu.
—Deveria ter vergonha Dominic. Por que se escondem em um canto e têm essas caras tão sérias?
—Só estamos descansando um pouco — interveio Sky—. Precisamos estar em forma para quando começar o baile.
—Por acaso está triste porque seus pais não puderam assistir?
—Um pouco, suponho. Não escolheram um bom momento para fazer uma viagem de negócios e o fato de que seus amigos viverem tão longe era o que tinham contado para explicar que só os amigos e os familiares de Dom estariam na festa.
Isabel a olhou com ternura.
—Suponho que também será porque estão apaixonados e querem estar sozinhos.
—É certo — disse Sky, enquanto começava a levantar-se—. Mas tem razão, deveríamos voltar aos nossos convidados.
—Espera um momento — disse a anciã enquanto a segurava pelo ombro—. Antes que vá mover o esqueleto, ou como quer que vocês jovens chamem, queria te dizer algo.
—Prossiga —disse Sky enquanto olhava para Dom muito séria.
—Quando Dominic me disse que ia se casar com a filha de um magnata do petróleo muito rico, Vitória ficou entusiasmada, porque foi como as encantadoras mulheres para as quais tinha trabalhado e estava contente de que pela primeira vez seu filho tinha levado em conta. Mas eu não estava tão segura de que fosse a pessoa indicada para ele, sobretudo depois de ler os e-mails que me mandava. Pensei que não lhe convinha.
—Sinto que... — Isabel a deteve.
—Estava muito equivocada.
— Fala sério? —Sky olhou Dom. Seu olhar era uma mescla de tristeza e culpabilidade.
—Desde que te conheço, dei-me conta de que não é o que eu pensava e te vejo como uma mulher muito bela que cuida do resto. Dominic foi muito abençoado contigo.
—O que quer dizer? —perguntou com curiosidade.
—Faz brincadeiras, zombarias, sorri... É feliz. Você o olha da mesma forma que o pai dele olhava a sua mãe quando saíam juntos.
—E como é isso?
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