All content in this blog are under copyright and they are here for reference and information only. Administration of this blog does not receiveany material benefits and is not responsible for their content.

Sunday, December 19, 2010

Arlene James - Desperately Seeking Daddy p.10

CAPÍTULO X

Quando Jackson passou na loja de conveniências, no início da tarde, encontrou o sr. Peter Lore no caixa.
— A sra. Hellen Moore não virá trabalhar hoje — o velho senhor informou. — E Jane também não, pois está gripada — acrescentou, aborrecido. — Agora me diga se isto é vida... Tenho duas funcio­nárias de confiança e não posso contar com nenhuma.
— Isso acontece, sr. Lore — Jackson comentou, num tom polido. — Mas aposto que ambas tiveram um bom motivo para faltar.
— Oh, claro que sim. Falei com Jane ao telefone e deu para perceber quanto ela estava mal da gripe. A moça é muito assídua e não costuma mentir. Quanto à sra. Moore, pobrezinha... O senhor viu o escândalo que armaram na cidade, em torno dela?
— Infelizmente sim — Jackson aquiesceu, com um suspiro. — Aliás, o senhor já deve saber que tive certa participação no caso.
— É mesmo? — Peter Lore indagou, surpreso.
— Ora, o senhor não ouviu falar?
— Sim, mas não registrei. — O velho senhor deu de ombros. — Por mim, acho que cada um deve fazer o que quer de sua vida, desde que não prejudique o próximo.
— Concordo plenamente.
— Eu já avisei minha esposa: "não me venha com essa história do sumiço da sra. Moore. O importante é que ela está viva. Quanto às fofocas... Eu dispenso."
Jackson tornou a concordar. Estava começando a simpatizar com aquele homem aparentemente rabugento, mas que no fundo tinha um caráter admirável.
— Essa gente parece que não tem o que fazer... — Peter Lore comentou, enquanto pegava um envelope sob o balcão. — Tudo para eles é motivo de especulação, de fofocas.
— Quem cuida de sua própria vida não tem tempo de bisbilhotar a dos outros — Jackson sentenciou.
— É verdade, sr. Tyler. — Entregando-lhe o envelope, Peter Lore explicou: — Isto é seu.
— Como?
— A moça que trabalha para a sra. Moore... Como é mesmo o nome dela?
— Betthy?
— Exato. Ela veio avisar que a sra. Moore não trabalharia hoje e para deixar-lhe isto.
— Obrigado. — Jackson pegou o envelope, que trazia seu nome escrito numa bela letra, miúda e arredondada. — Tenha uma boa tarde, sr. Lore.
— Desejo-lhe o mesmo, sr. Tyler.
Jackson saiu da loja e entrou no sedan. Acomodou-se no assento e abriu o envelope. Estava curioso.
— Querido e amado Jackson... — leu, em voz alta, com o coração pulsando de emoção e curiosidade.
Querido e amado... Era bom ser tratado assim, com tanto amor! Jackson continuou a ler o bilhete, mas seu semblante feliz foi aos poucos se transformando numa máscara de tristeza:
Estou sozinha em casa. Pedi a Betthy que levasse as crianças para passear, pois precisava desesperadamente de um pouco de solidão, para raciocinar em paz. Agora já cheguei a uma decisão.
Eu e minha mãe tivemos uma longa conversa hoje de manhã, logo depois que você saiu. Apesar de discordarmos em muitos pon­tos, sou obrigada a reconhecer que ela estava certa em tentar abrir meus olhos para... Oh, Jackson, como é difícil dizer o que meu coração ainda se recusa a aceitar.
Mas, como eu dizia, minha mãe colocou-me frente a frente com a dura realidade de nossa relação.
Tal como o resto da cidade, ela já sabia que eu e você está­vamos... Oh, que palavra devo usar para definir o poderoso sen­timento que temos um pelo outro? Dizer que estávamos namorando, ou tendo um caso, me parecem modos tão pobres de expressar quanto nos amamos!
E é em nome deste amor que agora me despeço para sempre de você, Jackson Tyler.
Mamãe me fez ver que não temos a menor chance de sermos felizes no futuro. Afinal, pertencemos a mundo muito diferentes.
Você é um homem brilhante, inteligente, sensível, pertencente a uma classe social bem mais elevada do que a minha.
Quanto a mim, não posso me dar ao luxo de sonhar como Cinderela...
Sei que você deve estar chocado com esta carta, mas tente pensar de maneira lúcida, como aliás você tão bem sabe fazer, em todas as ocasiões... No momento, você está apaixonado por mim e certa­mente aceitará minha situação de mulher divorciada, mãe de três filhos e com muitas complicações.
Mas e depois? O que, exatamente, eu terei para oferecer, Jackson querido? Uma vida sacrificada, três crianças para cuidar, uma mãe e um ex-marido que volta e meia precisam de mim... Você não terá a menor chance de ser feliz a meu lado, entende?
E há também um outro motivo: você é um homem respeitado nesta cidade e precisa zelar por sua reputação. As más línguas já andam falando coisas terríveis sobre seu envolvimento comigo. Aliás, você já deve ter ouvido dizer que venho de uma família pobre e problemática. Meu pai era um alcoólatra e morreu há muitos anos, quando eu era ainda criança. Cresci ouvindo histórias horríveis sobre suas bebedeiras e vendo minha mãe seguir pelo mesmo caminho. Felizmente ela se submeteu a um bom tratamento, há cerca de três anos, e conseguiu deixar o vício. Agora, é apenas uma fumante inveterada, mas... Bem, dos males o menor. Para ser franca, ainda não desisti de fazê-la deixar o cigarro. E quem sabe se ela não acabará conseguindo?
Bem, meu querido, como você vê, tenho uma vida bastante difícil, que você iluminou com sua presença, sua bondade e seu infinito encanto.
Agradeço-lhe de todo o coração por me ensinar a ser feliz como jamais fui antes, por fazer com que eu me sentisse verdadeiramente um indivíduo... Uma mulher completa...
Jamais me esquecerei de você, Jackson. Guardarei no meu co­ração a lembrança dos nossos mais belos momentos, como um pre­cioso tesouro.
Agora, peço-lhe um favor: faça um barquinho de papel com esta carta e solte-o num rio bem bonito. De tudo o que acabo de lhe escrever, quero que você guarde apenas três palavras: eu te amo.
Adeus, Jackson. Trate de ser feliz.
— ... Sem você, Hellen? — ele disse baixinho, tomado por uma profunda angústia. Era como se o chão lhe houvesse fugido sob os pés.
Jackson acionou o motor e manobrou o sedan.
O caminho até o condomínio Fairhaven Mobile Home nunca lhe pareceu tão longo.
Uma chuva forte de verão surpreendeu-o durante o trajeto.
— Droga — ele resmungou, reduzindo a marcha do veículo. Sua vontade era exigir o máximo de velocidade do carro para chegar mais depressa. Entretanto não podia se dar ao luxo de ser inconsequente, arriscando a própria vida e a dos outros.
Lutando para manter o controle, Jackson dirigia com prudência. A pista escorregadia era perigosa e traiçoeira.
E foi com um sentimento de alívio que ele chegou à casa de Hellen.
Ainda chovia torrencialmente quando Jackson desceu do veículo e, passando pelo portão baixo, atravessou o jardim. Bateu à porta duas vezes, indiferente aos pingos fortes da chuva, que empapavam-lhe a camisa de tecido fino e os jeans.
— Você! — Hellen exclamou, ao atender. Seus olhos azuis, cir­cundados por profundas olheiras, arregalaram-se numa expressão de espanto.
— Não vai me deixar entrar?
Ela não respondeu, mas recuou um passo, dando-lhe passagem. Jackson caminhou pelo corredor, até a sala. Hellen fechou a porta e o seguiu. A casa estava silenciosa.
— E as crianças? — ele perguntou, olhando ao redor.
— Mandei-as com Betthy para a casa de minha mãe — Hellen explicou, deixando-se cair sobre uma poltrona. — Sente-se, Jackson.
Ele acomodou-se no sofá. Seus pés estavam encharcados e ha­viam deixado marcas pelo piso, do corredor até a sala.
— Veja só o que fiz... Sujei sua casa.
— Não faz mal — ela respondeu, com um suspiro. — Depois eu limpo.
Um pesado silêncio caiu entre ambos. Hellen foi a primeira a quebrá-lo:
— Você não recebeu minha carta?
— Sim. E é por isso que estou aqui. — Jackson fitou-a com uma expressão ansiosa. — Precisamos conversar.
— De minha parte, não tenho nada mais a dizer.
— Mas eu tenho — ele afirmou, com veemência.
Os olhos de Hellen encheram-se de lágrimas.
— Oh, Jackson, por favor, não vamos discutir. Você ainda não entendeu que...
— Você é que ainda não compreendeu nada, Hellen — ele a interrompeu, com veemência. — Não sei que tipo de absurdos sua mãe colocou em sua cabeça, mas...
— Minha mãe casou-se com um homem de nível social bem mais alto do que o dela — Hellen apartou. — Esse homem veio a ser meu pai, um ano mais tarde. A paixão durou algum tempo. Depois, ao invés de se transformar num profundo sentimento de amor, virou ódio. Os dois passaram a se detestar, mas era tarde para voltarem atrás. Com medo das repercussões sociais, confor­maram-se em viver juntos até o fim... Só que foram terrivelmente infelizes.
— Então está explicado — Jackson concluiu. — Sua mãe tem medo que a história se repita.
— Exato.
— Mas isso é uma loucura, Hellen! — ele exclamou, exasperado. — Seus pais foram infelizes, mas daí a supor que acontecerá o mesmo conosco...
— As coincidências são muitas, Jackson — ela argumentou, com um suspiro. — Meu pai era professor, vinha de uma cidade distante e havia sido um bom atleta, na juventude. Minha mãe era divorciada e muito jovem. A única diferença é que ela não tinha filhos. Eu fui a primeira... E única.
— De fato, a semelhança entre nossa relação e a de seus pais é impressionante, mas ainda assim recuso-me a aceitar o rompi­mento que você propôs.
— Será melhor para você, Jackson.
— Tem certeza?
— Posso apostar que sim...
— Deixe-me entender uma coisa: você está se separando de mim por amor... Certo?
Ela confirmou com um gesto de cabeça.
Num impulso, ele abaixou-se em frente a Hellen e tomou-lhe as mãos entre as suas.
— Não faça isso — ela recomendou. — Seu joelho pode doer...
— Que se dane meu joelho — Jackson retrucou. — É minha felicidade que está em jogo.
— Você acabará encontrando alguém para amar... Você é um homem maravilhoso, Jackson. Há tantas mulheres bonitas e in­teligentes por aí.
— Acontece que eu não estou interessado nelas.
Ignorando-lhe o comentário, ela prosseguiu:
— Você vai achar uma mulher bondosa e bem menos complicada do que eu, que saberá tratá-lo com todo o amor e respeito...
— E quanto a você, Hellen? Vai acabar se transformando numa mulher amargurada e descrente da vida como sua mãe?
— Claro que não! — ela respondeu, chocada.
— Então, dê a você mesma a chance de ser feliz. Se você me ama...
— Com toda minha alma — ela completou. Jackson prosseguiu:
— Se isso é verdade, eu lhe imploro: vamos tentar construir uma vida juntos, Hellen.
— E se você se arrepender mais tarde? — ela indagou, num fio de voz.
— Isso jamais acontecerá. Sou um homem maduro, Hellen, e tenho certeza de meus sentimentos.
— Talvez meu pai também pensasse assim, quando conheceu mamãe.
— E talvez nossa história seja diferente. — A voz de Jackson soava trêmula de emoção. — Pelo amor de Deus, Hellen... Pelo amor do nosso amor... Não me mande embora de sua vida, não me diga adeus.
O som da porta dos fundos se abrindo, seguido por vozes infantis, interrompeu a conversa. Em poucos instantes Cody e Priscilla irrompiam na sala, juntamente com Betthy, que cum­primentou Jackson com um gesto de cabeça e em seguida disse para Hellen:
— Sua mãe mandou convidá-la para jantar lá.
— E nós viemos buscar você, mamãe — Cody afirmou. Em seguida sorriu para Jackson: — Olá, sr. Tyler.
Apesar de infinitamente triste, Jackson sorriu de volta:
— Como vai, Cody?
— Legal. O senhor tomou chuva, não foi?
— Sim, mas eu tinha um bom motivo para fazê-lo.
— O senhor está encharcado.
— Pois é...
— Mas a chuva já passou.
— É mesmo?
— Sim; agora, está bem fininha.
— Oi, sr. Tyler — Priscilla cumprimentou Jackson, com um sorriso que era a um só tempo tímido e alegre.
— Cadê o meu beijo? — ele perguntou, abaixando-se.
Como resposta a menina correu para seus braços e beijou-o afetuosamente. Cody hesitou, mas acabou imitando-a.
Hellen assistiu à cena com uma expressão comovida. Era in­crível como as crianças haviam se afeiçoado a Jackson... E, pen­sando bem, isso não deveria surpreendê-la. Afinal, aquele homem tinha o poder de cativar as pessoas num tempo record.
— Onde está Davy? — ela perguntou a Betthy.
— Ficou com sua mãe. — Betthy hesitou, antes de acrescentar: — Eu... Não sabia que você estava com visitas.
— Na verdade eu não me considero exatamente uma visita — disse Jackson, elevando a voz.
Todos voltaram-se para ele, que num tom muito calmo prosseguiu:
— Sou um candidato. — E dirigiu-se a Cody: — Lembra-se de quando você colocou aquele anúncio na porta da mercearia, pro­curando um marido para sua mãe?
— Sim — o menino aquiesceu, surpreso. — Mas mamãe me disse que...
— Eu sei o que ela disse — Jackson o interrompeu. — Aliás, nós conversamos longamente sobre isso.
— Do que vocês estão falando, hein? — Priscilla perguntou, curiosa.
— Jackson! — Hellen exclamou. — Você não está pretendendo envolver as crianças neste assunto...
— Estou apenas querendo saber o que elas acham da possibi­lidade de nós dois nos casarmos.
— Jackson! — ela repetiu. Mas não conseguiu dizer mais nada, pois Priscilla e Cody comemoraram a ideia com gritos de alegria e uma série de perguntas.
— Hellen, isso é sério? — Betthy indagou, elevando a voz por sobre a das crianças.
— Seriíssimo, garota — Jackson afirmou. — Aliás, eu também gostaria de saber sua opinião.
— Bem, eu acho que esse casamento será muito bom para Hellen, pois está na cara que ela ama o senhor perdidamente. Mas quanto a mim... — Betthy relutou: — O senhor vai me mandar embora?
Jackson sorriu, mas não disse nada.
Ela continuou:
— Lembra-se de que eu o deixei entrar aqui sem nem sequer perguntar quem o senhor era? Isso aconteceu na manhã em que nos conhecemos pessoalmente, mas garanto-lhe que nunca mais cometi esse erro...
— Não fique tão preocupada, Betthy. — Jackson continuava sorrindo. — Pois, se depender de mim, você realmente perderá o emprego...
— Como?
— ... De arrumadeira — ele completou. — E assim terá todo o tempo para ser babá das crianças, uma função que você por sinal desempenha muito bem.
— Oh, sr. Tyler! — a garota sorriu, emocionada. — Eu sempre quis ser apenas babá, mas o senhor sabe que Hellen não tem tempo de cuidar da casa. Por isso, eu acabava fazendo o serviço de arrumadeira, copeira, lavadeira... Essas coisas que por sinal eu detesto. Meu negócio é cuidar das crianças.
— Puxa! — Cody estava triunfante. —Você ouviu isso, Priscilla? Agora a Betthy vai poder brincar com a gente o tempo todo, graças ao sr. Tyler.
— Mas o senhor vai deixar papai nos visitar quando ele quiser, não é mesmo? — Priscilla indagou, com uma expressão ansiosa no rostinho de boneca.
— Minha querida, quem sou eu para proibi-los de ver o seu pai?
— Você entendeu, Priscilla? — disse Cody. — O sr. Tyler não vai mais brigar com o papai!
— Um momento! — Hellen ergueu a voz, num tom peremptório. — Ninguém ainda perguntou o que eu acho de tudo isso.
— Eu lhe perguntei, Hellen, antes de as crianças chegarem. Mas como você estava muito indecisa...
— Você resolveu seduzir meus filhos e minha ajudante para conseguir o que queria... Certo?
— Certo! — Jackson repetiu, prontamente, com um sorriso ma­roto nos lábios. Num tom mais sério, acrescentou: — Por favor, Hellen... Estou lhe pedindo pela última vez: dê a si mesma e a nós todos a chance de sermos felizes.
Um silêncio de expectativa caiu no ambiente.
— Se você disser não, compreenderei e irei embora. Mas se você disser...
— Sim — ela respondeu, com os olhos cheios de lágrimas da mais pura felicidade. — Sim, Jackson! Não há nada que eu deseje mais no mundo do que me casar com você...
— Sim! — Cody e Priscilla gritaram, exultantes.
Betthy chorava de emoção:
— Puxa, isso aqui está parecendo uma cena de romance...
— Mas vou lhe avisando desde já que você está entrando numa terrível enrascada — Hellen afirmou, com os olhos fixos nos de Jackson.
— Estou é me tornando o mais feliz dos homens, sra. Hellen Moore Tyler.
Ela fechou os olhos por um instante:
— Diga isso de novo, por favor...
— Hellen Moore Tyler... Não acha que soa bem?
Ela ia responder, mas Jackson calou-a com um beijo longo e apaixonado.
— Vamos voltar para a casa da vovó? — Betthy sugeriu, to­mando as crianças pela mão.
— Mas mamãe não ia jantar lá? — Priscilla perguntou.
— E ela pode levar o sr. Tyler, também — disse Cody.
— Tenho a impressão, querido, de que Hellen e o sr. Tyler nem sequer se lembrarão de que já está quase na hora do jantar. Quando a gente está assim, apaixonada, esquece até de respirar...

Fim...






ARLENE JAMES cresceu em Oklahoma e morou no sul dos Estados Unidos a vida toda.
Em 1976 ela desposou o homem mais romântico do mundo.
Arlene James adora viajar com o marido. Mas es­crever continua sendo seu passatempo preferido.

LINDA LEWIS nasceu e cresceu no Texas, mas mo­rou em Nova York, Filadélfia e Chicago, antes de estabelecer-se em Nova Orleans. É advogada e vive com sua família e uma quantidade enorme de cães e gatos.

No comments: