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Friday, December 17, 2010

The Colton Family - Ruth Langan - Nunca é Tarde para Amar p.15

Quinze

Heather ficou parada, observando o carro de Thad se afastar. Por um longo tempo ela simplesmente ficou lá, sem ver nada, com a mente num turbilhão.
O que havia acontecido?
Ele deu um abraço na filha. Aquilo era de se espe­rar. Mas ele a evitou propositalmente. Evitou tocá-la. Evitou até olhar para ela. E as palavras que ele disse pareciam sair da boca de outro homem. Na verdade, quando começou a refazer suas palavras na mente, elas pareciam intencionalmente cruéis.
Nós já lhe tomamos tempo demais.
Brittany e eu nos bastamos.
O lugar de Heather é aqui... linda e jovem e tem toda uma vida pela frente. A última coisa que você precisa é se amarrar com um tira casca-grossa como eu, com uma filha.
As palavras foram ensaiadas para deixar claro que ele estava pulando fora. Não havia como ignorar. Ela já havia feito a mesma coisa inúmeras vezes.
Ele estava dizendo adeus. Ela se tornara uma intrusa em sua vida bem organizada. Ele queria uma babá para a filha, não uma amante em sua cama.
Ela sentiu os lábios tremerem e empinou o queixo, determinada a não chorar. Não iria desperdiçar suas lágrimas com Thad Law.
Começou a caminhar de volta para casa, sentindo o peso da garrafa de bolhas no bolso. Sem pensar, pegou e ficou olhando para ela. Teve de se esforçar para conter as lágrimas.
Ela fora tola ao fantasiar uma vida maravilhosa com Thad e Brittany. Em sua mente, já se via ajudando a meni­na na escola, em excursões e demais atividades. Vendo Brittany no científico, na faculdade, formada, usando beca. Já imaginava até Brittany crescida, entrando na igreja para casar, dançando com o pai e agradecendo à madrasta que a ajudara em todos aqueles anos.
Que tola tinha sido.
Ainda com a garrafinha na mão, subiu as escadas correndo e se trancou no quarto. Lá, de braços cruza­dos, ficou andando de um lado para o outro. Sua triste­za começou a se transformar em algo mais palpável: raiva. Mais fácil para ela lidar.
Como Thad Law ousava tratá-la como se fosse uma babá? Ela podia gostar de sua filha, mas fora muito mais. E apesar de ser verdade que ela deu em cima dele, ele por sua vez não ficou atrás. Ela o queria tão desesperadamente quanto ele a queria. Nenhum homem podia fin­gir este tipo de coisa. E o amor nos olhos dele era real, também. Ela não o imaginara.
Ela parou de andar. O que teria acontecido de on­tem para hoje para que ele mudasse daquele jeito?
Tinha uma investigação de homicídio. Ele não ti­nha avisado a ela que havia lugares sombrios em sua alma? Será que aquele crime não tinha detonado algo nele? Mas o quê? Uma necessidade de ficar sozinho? Mas por que, se estava com raiva ou deprimido, tinha de parar de vê-la?
Começou a andar de novo. Talvez ele fosse sim­plesmente um homem refratário a compromisso. Ele não havia dito que seu casamento tinha sido um enga­no desde o início?
Seu casamento.
Heather pensou de novo no que ele lhe dissera. Muito pouco, aliás. Se ela não tivesse forçado o assunto, ele jamais teria mencionado a esposa. Tudo que contara é que ela era loura, linda e rica.
Heather parou outra vez e fechou os olhos de dor ao entender tudo.
Thad a vira como outra Vanessa. Como uma repeti­ção daquela situação em sua vida. Uma paixão furiosa e instantânea, e depois... desastre? Ele não. havia dado a entender que seu casamento fora infeliz? E obvio que, devido às semelhanças, resolveu acabar com tudo logo de uma vez e fugir, para evitar sofrimentos futuros.
Com uma urgência vinda do desespero, ela abriu a porta do quarto e correu em direção ao escritório do tio. Pediu as chaves de algum carro e, sem explicar nada, saiu correndo.
Ao virar a chave na ignição, pensou o que diria ao chegar ao apartamento de Thad. Não fazia a menor idéia. Não tinha plano, programa, mapa para guiá-la. Só sa­bia que tinha de pedir a ele para reconsiderar. Se não fizesse isto, teria o resto da vida para se arrepender.
- Estou com fome, papai.
As palavras de Brittany arrancaram a mente de Thad do domínio das sombras.
- O que você quer comer, meu bem? - Pensar em comida o deixou enjoado.
Ela observou os anúncios em néon pelos quais o carro passava na estrada.
- Eu gosto daqueles salgadinhos de galinha. - Ela apon­tou para um anúncio luminoso. - E do molho também.
Enquanto Thad entrava com o carro no drive-thru e fazia o pedido a um atendente, ocorreu-lhe que sua fi­lha tinha apenas quatro anos de idade e conhecia o menu de todas as cadeias de fast-food da cidade. Mais uma culpa para que ele engolisse. E ele já estava praticamente afogado em culpa.
Quando chegaram ao apartamento, ele estava estou­rando de dor de cabeça, mas começou a arrumar o prato de comida de Brittany, que se sentou à mesa sozinha.
- Heather também gosta deste molho. Mas ela diz que a receita dela é melhor.
- Que bom. - Ele encheu uma xícara plástica com suco e sentou-se em frente a ela. - Pensei que ela não gostava de cozinhar.
- Ela disse que cozinha bem. Mas não tem muita chance de cozinhar. Não se lembra?
Como ele não respondeu, Brittany ficou olhando para ele.
- Não vai comer, papai?
- Não. Não estou com muita fome hoje.
- Heather gosta de comer.
- É. Eu reparei.
- Eu gosto de ficar com Heather. Tudo com ela fica mais divertido. – A menininha fez uma pausa para lim­par a boca. - Por que hoje ela não veio para casa co­nosco, papai?
- Porque ela não mora aqui. Ela mora na fazenda dos Colton.
- Mas ela disse que aquela não é sua casa de verda­de. Você já foi na casa de verdade da Heather, papai?
- Não, meu bem. - Ele suspirou. A cada menção do nome dela, a adaga cravada em seu peito se aprofunda­va ainda mais. - Coma seu jantar antes que esfrie.
Alguém bateu na porta e ele ficou quase aliviado de poder interromper aquela conversa.
- Fique aqui que vou ver quem é.
Ele olhou pelo olho mágico e empalideceu visivel­mente. A última coisa que queria era mais um golpe no coração. Mas pelo jeito era o que teria de enfrentar.
Ele abriu a porta e forçou-se a encarar aqueles olhos azuis atormentados.
- Heather.
Vendo que ele não abria toda a porta para que ela entrasse, ela simplesmente perguntou:
- Posso entrar?
- Claro. - Ele deu passagem a ela.
- Onde está Brittany?
- Na cozinha. Você tem alguma razão para vir aqui? Esqueceu alguma coisa?
As palavras dele tinham a intenção evidente de cor­tar algo. Mas ela teve tempo suficiente para pensar no caminho. Já estava forte como aço e suportaria suas palavras duras, tentando ver o que se escondia por de­trás delas.
Ela deu um passo à frente e disse, tentando manter-se firme:
- Não sou Vanessa, Thad.
Ele piscou. Não esperava ouvir aquilo.
- Não sei o que você...
Ela levantou a mão num sinal de silêncio.
- Sei que você não gosta de falar sobre ela. Nem sobre seu casamento. Mas já me disse o suficiente para que eu preenchesse as lacunas vazias. Lamento que não tenham combinado como casal, mas isto não tem nada a ver com nós dois.
- Não? - Ele apertou os olhos. - Sabe quantas pes­soas passam de relacionamento a relacionamento, sem­pre repetindo a mesma situação?
- Não me venha com estatísticas, Thad. Isto tem a ver conosco. Ou melhor, comigo. Você concluiu que, sendo eu loura e jovem e rica, sou uma espécie de clone de sua primeira esposa. Mas não sou. Olhe para mim, Thad. Sou a mesma mulher que você mal pôde esperar para amar.
Ele recuou.
- E, como eu disse, já aconteceu antes.
- Mas não tem de acontecer novamente. Você é um homem diferente daquele que casou com Vanessa. Por exemplo, agora você é pai, Thad, o que lhe deu uma perspectiva diferente da vida. - Ela abaixou a voz. -Sei que você sofreu muito, o que lhe faz resguardar seu coração. Mas jamais brincaria com seus sentimentos, Thad.
- Talvez você não queira fazer isso, mas não pode­rá evitar. - Quando ela abriu a boca para replicar ele disse: - Ouça. - Ele procurou não tocar nela. Se o fizes­se, estaria perdido. Mesmo sabendo que tinha de se afas­tar dela, ainda a desejava. Muito. - Sou um tira, viven­do com o salário de um tira. Quanto tempo você pensa que agüentaria viver neste apartamento entulhado an­tes de correr para o papai para pedir que ele compre uma casa grande como aquela na qual foi criada?
- Você não pode estar falando sério. Você realmen­te pensa isso de mim, Thad?
Ele odiava a dor nos olhos dela. Mas era para seu próprio bem. Se pudesse ao menos se segurar mais uns minutos, faria a ela o maior favor de sua vida.
- Uma vez eu lhe disse que você não pode deixar de ser quem é, assim como não posso deixar de ser quem sou. E você é o resultado da vida rica e privilegiada que sempre teve. Como um homem pode pedir a uma princesa para morar numa cabana?
- Se ele a amar o suficiente, pedirá. E se ela o amar o bastante, ficará honrada em aceitar.
Ela esperou, dando a ele mais chance de dizer a pa­lavra que a manteria ali. Quando ele continuou em silên­cio, ela recuou até sentir a porta atrás de si. Ela virou e abriu a porta. Parou na soleira.
- Se você tivesse pedido, Thad, eu teria ficado para sempre. - Ela engoliu com dificuldade. - Quando você abriu a porta agora, perguntou se esqueci algo aqui. E eu
esqueci mesmo. Meu coração. Eu dei meu coração a você, Thad, a você e a Brittany, acreditando que você iria cuidar dele com o mesmo carinho que eu cuidei de vocês dois.
Então ela correu para o carro, rezando para segurar as lágrimas.
Thad voltou-se para a filha que estava parada na porta da cozinha. Estava de olhos arregalados, e não piscava.
- Por que Heather estava tão triste, papai?
Ele enfiou as mãos nos bolsos e achou que era hora de ser honesto com ela.
- Porque eu pedi para ela ir embora.
- Por quê?
- Porque achei que era melhor assim.
- Melhor para quem, papai?
- Para ela. - Ele se aproximou da menina e se ajoe­lhou para olhá-la nos olhos. - Heather é jovem e linda. Não temos direito de pedir que ela passe o resto da vida
conosco.
- Ah. - Ela olhou nos olhos dele com a objetivida­de típica das crianças. - Vamos casar com uma mulher velha e feia, papai?
A pergunta o pegou tão desprevenido que ele tre­meu. Ele pensou por um tempo e respondeu, afinal. -Talvez, no fundo, eu estivesse pensando isso mesmo. Porque seria, de certa forma, mais seguro.
- E na frente, papai? Ele quase sorriu.
- Na frente eu penso em Heather. Muito. - Limpou a garganta. - Você acha que Heather seria capaz de nos amar, Brittany?
Ele fez que sim.
- Hã-hã. E sabe de uma coisa, papai?
- O quê, meu bem?
- Eu acho que você ama Heather tanto quanto eu. Ele arqueou a sobrancelha.
- Por quê?
- Porque você parece tão triste... - Ela tocou o cenho franzido do pai com o dedo. - E Heather também parecia muito triste quando foi embora. E sabe de outra coisa, papai?
- O quê, meu bem?
- Quando Heather estava aqui com a gente, ficamos tão felizes. Parecia que eu tinha uma mãe de verdade.
Ele a segurou nos braços, afastando-a um pouqui­nho para olhar dentro de seus olhos. Então, balançou a cabeça, pensando.
- Como você foi ficar tão esperta? - Então ele a trouxe para perto de seu coração e pressionou seus lá­bios sobre a testa da menina. - Você está certa. Heather também está. Eu cometi um engano terrível. - Ele a pegou no colo e tirou as chaves do bolso. - Vamos lá.
- Onde estamos indo, papai?
- Endireitar as coisas.
Thad tentou ignorar o papo animado da filha en­quanto dirigia para a fazenda dos Colton. O que pode­ria dizer a Heather? A verdade, é claro. Mas as mulhe­res não queriam sempre mais? Não gostavam de pala­vras embaladas em papéis vistosos e amarradas com laços? Ele não era bom com essas coisas. Nunca fora. Era um homem curto e grosso. Mesmo assim, quis ensaiar algumas frases. Diria que estava errado de pen­sar que ela era como Vanessa, mas estava tentando não descarregar seus problemas sobre ela. Afinal, ele não era nenhuma maravilha.
Fez a curva para entrar na fazenda e xingou a si mesmo em seu pensamento. Tudo aquilo podia até ser verdade, mas havia diferentes níveis de verdade. E, fa­lando em linguagem simples, ele estava protegendo o próprio coração. Aquela fora a razão de tudo. Ele tinha medo de amar alguém especial como Heather McGrath. Com medo de que ela não o amasse como ele a amava.
Pronto. Ele admitira. Se ao menos pudesse admitir para ela. .
Desligou o carro já estacionado e olhou para a man­são por um momento antes de pegar a filha pela mão.
Foram recebidos na porta por Inez, que os levou ao escritório de Joe. Thad olhou ao redor, esperando ver Heather. Mas Joe estava sozinho.
Joe olhou para eles, sorrindo.
- Olá, Thad. Oi, Brittany.
- Olá, Joe. Estou... estamos aqui - ele corrigiu - para ver Heather.
Joe olhou de Thad para sua filha e viu a mesma ex­pressão séria nos olhos de ambos.
- Lamento. Ela foi embora.
- Embora para onde?
- De volta para San Diego. Nem fez as malas, só perguntou se podia levar um dos carros. Disse que po­dia ficar com o Corvette vermelho. Comprei de presen­te para ela, como agradecimento por toda a ajuda que me prestou.
- Ela... foi embora de vez?
- Sim. - Joe viu o olhar desolado do detetive e en­tendeu que suas suspeitas eram verdadeiras. Heather e Thad tinham brigado. Ele notou que Heather tinha a mesma expressão desolada ao voltar da cidade.
Joe olhou para o relógio.
- Ela já está na estrada a esta hora. Saiu daqui há uns dez minutos. Mas acho que um tira esperto deve conhecer alguns atalhos para alcançá-la na estrada. - Fez uma pausa. - Isto é, se realmente estiver disposto.
Thad assentiu e pegou a filha no colo.
- Vamos lá, Brittany. Temos de correr. Joe pôs a mão no braço de Thad.
- Por que não deixa Brittany aqui comigo? Ainda te­nho algumas bolhas para brincar com ela. - Pegou a garrafinha de bolhas e a menina começou a dar risadinhas de excitação. - E seria melhor se arriscar sozinho, Thad.
Thad olhou para a filha.
- O que você acha, Brittany? Quer vir comigo, ou ficar com tio Joe?
Vou ficar com tio Joe, papai. Mas você tem de pro­meter que vai trazer Heather de volta para nós.
- Prometo, meu bem. - Ele olhou para Joe com gratidão. - Obrigado, meu amigo. Fico devendo esta.
Heather mal olhava para a paisagem ao longo da estranha. Que diferença aquelas poucas semanas haviam feito cm sua vida. Havia chegado lá com tantas esperanças e agora estava indo embora com o coração tão massacrado c ferido que sabia que aquela ferida jamais cicatrizaria.
Ela tinha de odiar Thad pelo que fizera com ela. Só que não conseguia. Só conseguia odiar o passado que o li/.era ter tanto medo de se abrir e confiar. Talvez um dia ele pudesse superar e descobrir alguém a quem se dispusesse dar uma chance.
Aquele pensamento a cortou por dentro e ela pestanejou com força para conter as lágrimas antes de procu­rar por alguma estação de rádio. Ao primeiro sinal de rock pesado, resmungou e desligou.
No súbito silêncio que se fez, ela pensou ter ouvido uma sirene. Como parecia estar cada vez mais alta, olhou no retrovisor e viu um carro de polícia atrás dela, piscando os faróis. Ficou tão assustada que olhou ao redor para ver qual carro estaria sendo perseguido, mas só havia o dela. Atordoada, ela parou no acostamento e o carro parou logo atrás.
Um jovem policial foi até ela e disse, com firmeza:
- Por favor, saia do carro, senhora.
- Sair? Por quê? O que foi que eu fiz? Eu não estava acima do limite, policial.
- Sei disso, senhora. Mas foi-me passada uma des­crição de seu carro, e me pediram para fazê-la parar até que chegassem reforços.
- Reforços? - Heather estava claramente irritada ao abrir a porta do Corvette e sair, tentando ver através das lentes espelhadas dos óculos do policial.
Mas ele não disse nada. Apenas recuou e olhou para um carro que se aproximava.
- Ali está o reforço - ele disse, então. Thad bateu a porta do carro e caminhou em direção a eles.
A voz dele transbordava impaciência.
- Bom trabalho, Scott. Obrigado.
- Não foi nada, senhor. Imagino que seja um caso muito importante.
- E é, Scott. O mais importante da minha vida.
- Quer que eu fique para ajudá-lo, senhor?
- Não, obrigado. Agora é só comigo.
O jovem policial deu uma última olhada para Hea­ther, voltou para seu carro e se afastou.
Heather encarou Thad com as mãos na cintura.
- Como ousa me constranger desta...
- Chame isto ato de desesperado de um homem louco.
- Fazer com que eu seja detida por um...
- Eu sei. Lamento ter de lançar mão desse recurso. - Ele viu que ela parecia perplexa. - Pois é. Imagine só. Seu tira certinho se corrompeu totalmente. Quebrei
uma regra básica. Nunca deixe a vida pessoal interferir na conduta profissional. Mas, como disse, estava de­sesperado. Não podia deixá-la ir embora. - Qualquer coisa que ela fosse dizer acabou morrendo em seus lábios.
- Por que não?
- Porque eu estava errado. Errado sobre tudo. E você estava certa. Eu estava com medo. Com medo de en­xergar a verdade.
- E qual é a verdade, Thad?
Ele disse da forma mais simples. Da única maneira une sabia.
- Heather, eu amo você. Brittany ama você. E, ape­sar de não merecermos, você nos ama.
Ela sentiu que as lágrimas começavam a aflorar e pestanejou na tentativa de detê-las.
- Como pode dizer isso? Sou a mesma de uma hora atrás. Rica, mimada. E você estava certo. Veja só este presente do meu tio. Com certeza é muito mais do que
eu esperava, mas, como você observou, tenho sido tra­tada como uma princesa a vida toda.
A voz dele estava carregada de sentimento.
- Joe me falou do Corvette. Acho que terei de me acostumar com este luxo todo ao meu redor. E se sua família insistir em lhe dar presentes caros, terei de me acostumar também. - Ele ainda estava com medo de locá-la. Com medo que a dor que lhe causara fosse de­ mais, que ela ainda estivesse magoada. - Eu disse coi­sas horríveis. Será que você poderia me perdoar?
Ela olhou bem fundo nos olhos dele, tentando ler seus pensamentos. A dor e o remorso estavam lá. Tão profundamente quanto nela, quanto seus próprios sen­timentos.
- Preciso ser persuadida.
- Farei qualquer coisa, Heather. Qualquer coisa para consertar as coisas entre nós.
Ela sentiu o começo de um sorriso se formar em seus lábios.
- Qualquer coisa?
Ele assentiu.
- É só falar. Se estiver ao meu alcance, farei. Ape­nas diga que me perdoa.
Ela esperou mais um pouco para que seu coração batesse um pouco mais devagar. Então o tocou no braço.
- Não consigo ficar com raiva de você, Thad.
Ele fechou os olhos por um momento, sobrecarre­gado demais por seus sentimentos para poder falar. Quando abriu os olhos, ele se ajoelhou na terra.
- Não quero uma amante de fim de semana, Hea­ther. Quero uma esposa. Estou falando de casamento. Falando de algo para sempre. Se você me quiser.
Por um breve momento Heather sentiu seu coração literalmente disparar e depois dançar de felicidade. Ela olhou para aqueles olhos azuis profundos e imaginou como pudera uma vez tê-los achado frios. Havia tama­nho fogo neles! Um fogo que começou a incendiar seu coração. Ela pegou as mãos dele e o fez levantar-se.
- É o que quero também, Thad. Para sempre.
- Vai casar comigo?
- Sim, vou.
Ele olhou para suas mãos, unidas às dela, então a trou­xe para perto de si e a beijou, longa e lentamente, profun­damente, sentindo uma combustão tomar conta dela.
Quando levantou a cabeça ao acabar o beijo, ele estava sorrindo. Aquele sorriso rápido e ameaçador que ela havia aprendido a amar.
Brittany vai ficar feliz. Ela já acha que somos uma família.
- Família. - Heather pôs a mão sobre o coração. - Você não faz idéia do quanto gosto de ouvir esta pala­vra. Onde está Brittany?
- Com seu tio Joe. Ela o pegou pela mão.
- Vamos lá. Vamos dar a notícia a ela.
Ele a trouxe para si novamente, apertando-a num abraço firme, e cobriu sua boca com um beijo tão quente e faminto que deixou a ambos tremendo. Ela murmu­rou com os lábios nos dele:
- Vamos contar a ela sim, logo. Mas primeiro, pre­ciso abraçar você. - Então, ao beijá-lo ainda mais pro­fundamente, ele murmurou:
- Estou pensando se existe alguma lei contra um detetive de polícia fazer amor com sua mulher num Corvette novinho em folha.
Sua mulher. Ela adorou ouvi-lo.
- Admita, detetive. - Ela sorriu de modo ardente. - Não é tão ruim assim amar uma mulher rica, é?
- Tem lá suas vantagens.
- Falando nisto, você está me devendo cinco pra­tas. Lembra da aposta? Você achou que eu não agüen­taria ficar duas semanas em Prosperino. E agora esta­mos falando em ficar para sempre.
- Está vendo? Mais corrupção para o detetive de polícia. O que vou fazer com você?
Ambos riram.
- Acho que você vai ter de se conformar de estar amando uma mulher selvagem e mal-intencionada.
- Selvagem, talvez. Mas nunca mal-intencionada. - As risadas diminuíram e ele a encostou de encontro ao carro e a beijou.
Um carro passou por eles zunindo, e gritaram algo ininteligível.
- Thad. - Heather pôs a mão sobre o peito dele, sa­bendo que ele valorizava muito sua reputação. – Estamos em um lugar público. Alguém pode reconhecê-lo.
Ele a beijou novamente, rápida e fortemente, e mur­murou junto a seus lábios:
- Já perdi tempo demais me preocupando com as coisas erradas. No momento, nada mais importa senão estar com você. Estava com tanto medo que a afastei de mim. E agora que você está aqui em meus braços, não vou deixá-la ir embora, nunca mais.
Ela suspirou do fundo do coração.
- Eu amo você, Thad. Acho realmente que nosso destino é ficarmos juntos para sempre.
- Para sempre. - A palavra saiu com um gemido de prazer e ele acrescentou: -Não quero nada menos. Que­ro você comigo pela eternidade.
E então não houve mais necessidade de palavras, pois eles disseram um ao outro, do jeito que os amantes sempre fizeram, desde o início dos tempos, todas as emoções que estavam havia muito trancadas em seus corações.

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