Dois
Envergonhada, Liza disse:
- Muito.
- Mocinha, isso não foi suficiente para alimentar uma mosca - disse o médico, visivelmente irritado.
- Não - protestou Liza, com a garganta ainda mais debilitada. - Não como há... dias.
Ele a fitou ao checar-lhe o pulso e apertou o botão de chamada.
- Enfermeira, precisamos de sopa, gelatina. Coisas para náusea.
- Eu perguntei a você quando foi a última vez que comeu - balbuciou ele quando retornou depois de deixar o vasilhame num canto. - Quer que eu limpe seu rosto? - perguntou, já com uma expressão mais suave.
Ela concordou, sem se preocupar em falar. O médico desapareceu e em seguida retornou com uma toalha de rosto úmida nas mãos. A delicadeza dele em limpá-la fez com que os olhos de Liza se enchessem de lágrimas.
- Ei, pare de se preocupar. Vamos cuidar bem de você - assegurou ele.
- Tenho que ir - sussurrou ela.
- Querida, não acho que você tenha energia suficiente para caminhar. Por que não me diz o que está se passando? Poderei ajudá-la mais se você me disser.
Liza não podia contar a ele sobre Emily. Devia manter segredo.
O telefone tocou, assustando-a.
Nick Hathaway ergueu uma sobrancelha para ela e pegou o telefone. Quem quer que fosse podia falar com ele. Nick não queria que sua paciente forçasse a voz.
- Quem é? - gritou uma voz de mulher.
- Dr. Hathaway. Quem fala?
- Cynthia Turner Colton. Mãe e empresária de Liza. Onde está minha filha?
- Sua filha está de cama aqui, sra. Colton, descansando. Posso ajudá-la.
- Não! Ponha Liza na linha!
- Sinto muito, sra. Colton, mas não quero que sua filha fale neste momento. A garganta dela já foi avariada o suficiente.
- Avariada? Que droga! Você é médico. Conserte-a!
- Estou fazendo o que posso.
- Quero Liza naquele palco hoje à noite, está entendendo? Não permitirei que ela ponha a reputação a perder por não comparecer a um show. As pessoas começarão a falar sobre drogas.
- Ela não pode...
- Dê a ela o que for necessário pára que possa cantar! Lembre a ela que eu disse que ela não tem escolha!
- Você está errada. Ela é uma adulta. - Ao dizer aquelas palavras, fitou a paciente. Pelo menos ele achava que ela fosse adulta. Nick não se lembrava da idade dela na documentação e ela certamente parecia jovem. Ao ver que a mulher ao telefone não o contradissera, ele continuou: - Ela escolherá se irá cantar ou se permanecerá minha paciente.
- Você não está cooperando... Encontrarei outro médico. Saia do quarto dela!
A moça dos enormes olhos verdes o fitava e ele sorriu, tentando acalmá-la.
- Como eu disse, sra. Colton, essa decisão não é sua.
- Eu sou a empresária dela. Mas que droga! A carreira dela é assunto meu. Nenhum médico fajuto de interior vai me dizer o que fazer!
Nick fez algo que nunca havia feito. Desligou o telefone na cara de um membro da família de uma paciente. Por causa dela, teve muito mais simpatia por Liza Colton. Sua mãe/gerente nem ao menos perguntou como Liza estava se sentindo e se estava sendo bem cuidada, ou até mesmo se estava respirando. Tudo o que queria era que a filha cantasse, podendo ou não.
- Sua mãe - disse ele, olhando para Liza.
- Sinto muito - Liza sussurrou.
A enfermeira trouxe uma nova bandeja e pegou a outra. Nick a afastara da cama quando Liza demonstrou estar enjoada.
- Obrigado, Mary.
Ela saiu e ele sorriu para Liza.
- Vamos tentar de novo, com algo mais suave para o seu sistema. - Ele levantou a colher para mergulhá-la na canja de galinha quando o telefone tocou novamente.
Ele não tinha dúvidas sobre quem estava ligando. Ao atender o telefone, disse:
- Sim?
- Não desligue o telefone, senão farei uma denúncia contra você.
- Sinta-se livre. Quer um número para o qual ligar?
- Quero falar com minha filha!
- Sinto muito, mas isso não vai ser possível esta noite. Tente de novo amanhã. Talvez ela esteja disponível.
- Amanhã é tarde demais! Quero Liza naquele palco esta noite!
- Sra. Colton, eu já cancelei a performance dela para esta noite. Qualquer tentativa de cantar pode causar danos irreparáveis às cordas vocais dela. É isso o que você quer?
- Qual o seu nível de qualificação?
- Sou um otorrinolaringologista especializado e com graduação avançada. Tenho clinicado aqui em Saratoga Springs por oito anos. Faço parte da diretoria deste hospital e dou consultas por todo o estado.
- Então você vai me garantir que ela perderá apenas o show desta noite?
- De jeito nenhum. Ela terá de descansar por duas semanas. Aí então veremos. - Ele sabia que suas palavras a deixariam muito irritada, então afastou o fone do ouvido. Liza fechou os olhos, mas a voz de sua mãe ecoou através do aparelho. Ela olhou para ele com uma expressão triste.
- Preciso ir agora, sra. Colton. Obrigado por ligar. - Nick não esperou que ela respondesse, pois viu que ela não podia dizer que ele havia desligado o telefone de forma grosseira. Pelo menos o telefonema o ajudara a compreender melhor o estado emocional de Liza.
Ele levou a colher de sopa até a boca da paciente e ela provou da sopa, lentamente. E então tentou falar.
- Eu posso... - Esticou a mão para pegar a colher.
Nick permitiu que ela se alimentasse por conta própria, mas permaneceu sentado ao lado dela até que Liza tomasse pelo menos metade da sopa.
- Quer um pouco desta gelatina vermelha deliciosa? - perguntou.
Liza olhou de modo desconfiado para a gelatina, mas finalmente levou um cubo até a boca. Recostando-se, ela pareceu deixar que a gelatina derretesse na boca.
- Sua mãe tem lhe forçado a perder peso? - Nick não podia imaginar o porquê da mulher querer fazer isso. Ele achava Liza magra demais, mas esse tipo de mãe beirava à loucura.
Ela balançou a cabeça e fechou os olhos, como se escondesse algo.
- Você tem brincado de maneira perigosa não só com sua saúde, mas com sua voz também. As cordas vocais dependem da sua saúde.
Ela concordou, mas desviou o olhar.
- Tente comer um pouco mais. - Ao ver que ela havia segurado a colher de sopa, ficou aliviado. Nick sempre se preocupava com a recuperação dos pacientes, mas Liza Colton lhe cativara. Talvez tenha sido por causa da mãe abusiva. Ou pela tristeza nos olhos dela e por sua fragilidade.
Vários minutos depois, ela descansou a colher.
- Está bom - balbuciou Liza, sorrindo para ele.
- Muito bem, considerando que esta foi sua primeira refeição há tempos.
Liza pôde sentir que começava a depender do sorriso sexy do médico. E ficou fascinada pela covinha no queixo dele. Tinha uma vontade louca de contorná-la com os dedos.
Franziu a testa, tentando apagar esses pensamentos e convencer o médico que estava falando sério.
- Preciso ir.
Liza empurrou a bandeja e tentou descer da cama, mas ele a impedia.
- Nada disso. Dê-me 24 horas apenas. Nós podemos...
Ele parou de falar quando ela balançou a cabeça com força e ficou tonta.
- Pelo menos até amanhã cedo? Virei ao seu quarto antes do café-da-manhã. Assim você terá pelo menos uma noite de descanso.
Liza parou para pensar. A idéia não soava mal. Mas Emily...
- Ligue para o hotel - sussurrou. - Mensagens. Ele olhou para ela desconfiado.
- Eu ligo e peço pelas mensagens - disse o médico. - Eles não lhe entenderão.
Ela sabia que ninguém da família deixaria nenhuma mensagem inapropriada para estranhos, então ela balançou a cabeça e lhe deu o nome do hotel. Muito tensa, aguardou que ele reportasse de novo a ela depois de sua breve conversa.
- Sua mãe ligou há meia hora, pouco antes de você chegar aqui. E há poucos minutos uma sra. Tremble também ligou.
Liza franziu a testa. Não estava surpresa pelos telefonemas da mãe. Mas a sra. Tremble? De alguma maneira, aquele nome lhe soava familiar... de repente, ela se recostou na cama e agarrou o pulso do médico.
- O que é isso? Está com dor? - perguntou ele, inclinando-se para perto dela.
Perto demais. Ela respirou fundo e desabou no travesseiro.
- Mensagem da sra. Tremble? Ele olhou no papel onde anotara a mensagem.
- Ela disse que ligaria de novo em 24 horas.
Liza ficou feliz e aliviada.
- Número?
Ele balançou a cabeça. Ela não tinha como retornar a ligação, mas lembrou a si mesma de que Emily era inteligente. Foi esperta o suficiente para enganar o homem que tentara lhe matar. Esperta o suficiente para estar viva.
Liza queria ligar para tio Joe, mas não podia. Emily não usaria o nome sra. Tremble se tudo estivesse bem. Sra. Tremble era uma velha boneca de pano que fora companhia constante de Emily durante a infância. Ela sabia que Liza reconheceria o nome.
- O que há de tão importante com essa ligação? - perguntou o dr. Hathaway.
- Importante - respondeu ela, enfática.
- Então, vai passar a noite aqui? - perguntou ele. Que mal podia haver? Ela podia descansar e sentir-se melhor na manhã seguinte. E sua mãe, provavelmente, não telefonaria para o hospital. Não teria de lidar com ela até se sentir melhor.
Só de pensar nisso ficou aliviada. Mas, acima de tudo, foi o telefonema de Emily que a fez relaxar. Emily ainda estava em apuros, mas estava viva.
Liza tentou fazer um gesto positivo com a cabeça, mas não teve certeza se havia conseguido. Estava sonolenta demais.
Nick observou a paciente cair no sono. Quando Liza ouviu a mensagem, ele percebeu que era algo importante, a julgar pela reação dela. Agora, enquanto observava a tensão se dissipar do corpo da moça, ele sabia que o que quer que seja que a incomodava já tinha passado.
Ela deve melhorar bastante até a manhã, se conseguir dormir por 12 ou 14 horas, e depois comer algo. Ele estaria com ela para o café-da-manhã, para ter certeza de que comeria. Então, se ela insistisse em ir embora, ele não teria como evitar.
Mas ele pensou em passar pelo hotel e perguntar ao operador quem havia recebido a mensagem da misteriosa sra. Tremble.
Liza Colton caiu em seu interesse por várias razões, incluindo o mistério que a circundava.
Ele insistia em pensar que não tinha nada a ver com sua delicada beleza.
Era sábado e o hospital estava vazio às sete da manhã. A maioria dos médicos, se estivessem em serviço, chegava mais tarde nos fins-de-semana. Mas Nick não tinha família em casa. Apenas a empregada. E estava acostumado a acordar cedo.
Pelo menos foi assim que justificou para si mesmo a presença no hospital às 7h. Tinha certeza de não haver relação com o fato de ter-sonhado com Liza Colton a noite toda.
Ele passara no hotel no caminho de casa e falara com a mulher que havia anotado as mensagens para Liza. Ela lhe dissera que a sra. Tremble lhe pareceu uma mulher bastante jovem. Certamente, não era a sra. Colton. A recepcionista do hotel fez uma expressão de desdém, e quando Nick se lembrou da conversa que tivera com a mãe de Liza, entendeu muito bem a reação.
A visita, provavelmente, explicava a razão de Nick ter sonhado com a mais nova paciente. Era o mistério. Ele tinha o costume de ler histórias de mistérios para relaxar. Adorava tentar descobrir quem era o assassino.
Entrou no quarto onde estava Liza, depois de passar pela sala da enfermeira. Liza passara a noite sem fazer uma chamada sequer.
Não era à toa. Ela ainda estava dormindo. Devia ter estado à beira de um colapso quando entrou em seu consultório. Em silêncio, ele caminhou até o lado da cama e passou os dedos frios pelo braço dela para lhe tirar o pulso.
Ela abriu os olhos lentamente e o fitou, sem reconhecê-lo.
- Bom dia, Liza. É o dr. Hathaway. Pareço estar pegando o hábito de acordá-la. Como está se sentindo?
- B... bem - disse ela com dificuldade. Sua voz ainda estava grave e rouca, mas não tanto quanto na noite anterior.
- Ótimo. Creio que o café-da-manhã esteja a caminho. Quer ir ao banheiro antes de comer?
Liza fez que sim com a cabeça. Ele afastou os lençóis e a ajudou a descer da cama. Ela cambaleou e ele passou o braço em torno dela.
- Eu lhe ajudo a caminhar até a porta - disse ele, soando como se sua ajuda fosse certa e normal. Lentamente, cruzaram o pequeno quarto. Quando chegaram próximos à porta, ele perguntou: - Consegue ir sozinha? Posso chamar uma enfermeira.
- Não precisa - disse ela. Em seguida fechou a porta.
Ele ficou do lado de fora, apoiando um ombro contra a parede, ansioso para tê-la de volta na cama. Temia que ela caísse e se machucasse ainda mais.
A enfermeira entrou carregando as duas bandejas que ele havia pedido.
- Bom dia, doutor. Como está a paciente?
- Um pouco grogue.
A enfermeira olhou para a porta fechada.
- Quer que eu vá checar como ela está?
A porta se abriu, tornando a oferta desnecessária. Liza ficou de pé ali, segurando na maçaneta.
- Roupão? - perguntou ela, olhando para a enfermeira.
- Sinto muito mas não temos. Mas não se preocupe. Já vimos costas nuas antes - disse a enfermeira, animada, ao deixar as bandejas. - Se precisar é só chamar, doutor. -E saiu.
Liza permaneceu de pé, com as bochechas enrubecidas. Ele deduziu que ela não fosse deixar que ele caminhasse por trás dela até a cama, uma vez que a camisola do hospital era amarrada nas costas e tinha aberturas reveladoras. Sorrindo, ele a pegou no colo, segurando-a contra o peito.
- Desta maneira ninguém verá nada, inclusive eu - ele prometeu. A distância até a cama era incrivelmente curta. Nick a deixou sobre o colchão.
- Pronta para o café-da-manhã? - perguntou o médico, ocupando-se em colocar a bandeja em cima da cama e a posicioná-la no colo de Liza. Em seguida, elevou a cama. Qualquer coisa para dissipar a memória de tê-la nos braços.
Ele achou que os olhos dela pareciam mais claros nesta manhã. Liza aparentava estar mais forte, mesmo caminhando com dificuldade até o banheiro.
Nick removeu a tampa do prato que continha ovos mexidos, bacon, uma torrada e fatias de laranja.
- Ei, está parecendo uma delícia, não é mesmo? Ela apontou para a segunda bandeja.
- Você come também.
- Com prazer. Não acordei minha empregada hoje. Preciso de café.
A bandeja dela tinha leite em vez de café, mas Liza não reclamou.
Ele se acomodou na beirada da cama, algo que as enfermeiras abominam. Mas Nick queria estar perto dela. Para observá-la, é claro. Esta era a única razão.
Dessa vez, Liza não precisou que lhe dissessem para comer. Mas ficou satisfeita rápido demais. Nick percebeu que ela não havia comido o bacon quando ela se recostou nos travesseiros.
- Coma um pedacinho de bacon com fatias de laranja - sugeriu ele.
- Estou satisfeita.
- Só um pedacinho. A laranja está bem doce. Você não pode desperdiçar isso. - Ele ficou feliz ao perceber que ela acatara suas instruções.
Ele terminou o café-da-manhã quando Liza havia comido apenas metade do dela. Levantou-se e removeu a bandeja logo que ela terminou.
Em seguida, retornou à cama e pegou no pulso dela.
- E, então, como se sente?
- Muito melhor, obrigada - sussurrou ela.
Nick pegou uma espátula e examinou a garganta de Liza. Logo depois checou os ouvidos da moça.
- Sabe de uma coisa? Acho que seu diagnóstico estava correto. Você precisava de descanso, alimentação e nenhum estresse. Além de antibióticos. - Sorriu para ela.
Ela sorriu de volta.
- Infecção?
- Talvez apenas o início de uma, mas nada fora do comum quando o corpo está sob esse tipo de pressão. Descobrimos no início, e sendo assim, será mais fácil curá-la. Você é alérgica a algo?
Liza fez que não com a cabeça.
- Então volto em um instante. Não vá embora.
Liza observou o médico charmoso enquanto ele saía do quarto. Estava sendo muito bom com ela, ainda mais depois do confronto no consultório.
E por causa dele, ela se sentia muito melhor. Por causa dele e do telefonema de Emily. Liza pensava com mais clareza nesta manhã. Pensou até que poderia ter a força para descer e chamar um táxi. Certamente, não queria dar mais trabalho ao médico.
Além disso, tinha de estar no hotel para o telefonema de Emily. Emily Blair Colton era sua prima, mas a proximidade entre as duas era muito grande. E isso tinha muito a ver com a infância de Liza.
Cynthia e Graham Colton, sua mãe e seu pai, jamais demonstraram instinto paternal. Na verdade, desde muito tempo, Liza considerava tia Meredith como verdadeira mãe. Liza passava quase todo verão e a maioria dos feriados escolares na casa de tia Meredith e de tio Joe, na Califórnia. Sua mãe ficava feliz em poder se livrar de Liza e do irmão. Embora morassem relativamente perto de Joe e Meredith - pois o pai de Liza trabalhava para Joe -, Cynthia e Graham nunca faziam visitas durante o tempo que passavam na casa dos tios.
Sempre muito imaginativa, Liza construiu uma fantasia em que Meredith e Joe eram seus pais. O tempo que passava longe deles era como se estivesse em um colégio interno. Liza sempre voltava para eles.
Desde o momento em que Emily foi adotada por Meredith e Joe, Liza agiu como uma irmã mais velha para ela, cuidando dela, fazendo-a se sentir mais segura. Como sempre desejara uma irmã, Liza passou a gostar muito de Emily. Tornaram-se irmãs por amor.
Há nove anos, quando Liza estava na casa dos pais, sua adorada tia Meredith levou Emily de carro para encontrar a mãe biológica da menina. Aconteceu um acidente... e tia Meredith jamais voltou a ser a mesma.
O interesse dela por quaisquer de seus filhos desapareceu por completo. O jardim de que cuidava com tanto entusiasmo também foi negligenciado. O forte laço que tinha com o marido pareceu desaparecer e tio Joe passou a não ficar mais tanto tempo em casa.
Quando Liza voltou à casa dos tios depois do acidente, encontrou Emily pálida e assustada. Liza foi a única pessoa para quem a menina contou o segredo: ela vira duas Merediths no dia do acidente: uma Meredith boa e uma má.
A primeira reação de Liza foi a de rejeitar a história de Emily. Mas quanto mais tempo passava perto de tia Meredith, mais passou a concordar que algo horrível havia acontecido. A mulher que considerava como mãe parecia ter mudado da noite para o dia. Tanto Emily quanto Liza se sentiram abandonadas.
Embora tenham mantido contato, ela e Emily não passaram mais tanto tempo juntas depois do acidente, por que Cynthia lançou a carreira de Liza como cantora a todo vapor.
E, então, há poucos dias, Emily havia desaparecido.
Na manhã seguinte ao desaparecimento, Emily telefonou para Liza. Emily prometera telefonar de novo logo que pudesse. Liza ficara esperando pelo telefonema, com medo de ser perseguida pelo homem que Emily julgara tê-la tentado matar.
E ela acreditava na história de Emily. Acreditava que tia Meredith havia contratado alguém para matar Emily, apesar do bilhete pedindo resgate que o tio recebera na manhã seguinte.
A porta se abriu e ela ergueu a cabeça para olhar, esperando ver uma enfermeira ou o dr. Hathaway.
Em vez disso, um homem estranho entrou no quarto, vestido de jeans e uma camiseta azul suja, com um olhar ameaçador no rosto e uma faca longa e afiada na mão.
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