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Friday, December 17, 2010

Kasey Michaels - Adorado Lobo – um intruso no eden p.08

CAPÍTULO 8
River utilizava um marca-texto grosso para ir marcando os dias do calendário que tinha pendurado na parede do escritório do estábulo.
Dez dias. Os dez dias mais longos e as dez noites mais longas de toda sua vida.
Tinha visto Sophie durante o jantar todas as noites. Mas tentar manter uma conversa privada naquela casa era quase impossível. Sophie nunca aparecia até o momento do jantar e desaparecia em seu quarto assim que terminava de jantar. E não podia dizer-se que passasse o dia trancada em seu quarto, convertida em uma reclusa. Ao contrário. Sempre estava fora. Rebecca ia a procura de vez em quando e se foram juntas ao rancho Hopechest. E Amber e Emily a levavam freqüentemente a Prosperino, de compras, à biblioteca, e inclusive às sessões de reabilitação. River tinha sido eliminado de cena com uma sutileza impressionante.
Sabia o que Sophie estava fazendo. Mas a pergunta que realmente o inquietava era por que lhe estava permitindo que o fizesse.

Sophie saiu ao jardim e se deteve ao ver sua mãe vestida com a roupa que utilizava anos atrás para trabalhar no jardim, agachada e cortando as más ervas.
Aquela imagem despertou nela lembranças de Meredith de anos atrás. Uma mulher que adorava sentir a terra entre seus dedos, que freqüentemente colocava alguma mecha errante para trás enquanto estava trabalhando no jardim e sujava descuidadamente a bochecha. Uma mulher que falava com as flores, que cantava para elas e cuidava delas como cuidava de seus filhos. Que as amava como amava a seus filhos.
Quanto tempo tinha passado da última vez que Sophie tinha visto Meredith plantando novas variedades de flores? As encomendava por dúzias naqueles catálogos que chegavam ao rancho com tanta regularidade que em uma ocasião Joe Colton tinha perguntado a sua esposa que se pretendia enterrá-los em catálogos.
Anos. Tinham passado anos.
Em vez de incomodar sua mãe, Sophie ficou muito quieta, observando-a inclinar-se para uma das placas de cobre que havia diante de cada espécie do jardim.
As placas tinham sido idéia de Meredith; esperava que seus filhos as lessem e aprendessem tantos nomes como pudessem. Algumas variedades de rosas. As begônias, as petúnias, as bromélias. Nas placas incluíam os nomes em latim e o nome comum, como se Meredith sempre tivesse cultivado a esperança de que ao menos algum de seus filhos mostrasse algum interesse na jardinagem que fora mais à frente da cor maravilhosa das flores.
O abandono do jardim tinha sido uma das coisas que mais tinha decepcionado à família depois do acidente de Meredith. Era como se de repente a sua mãe tivessem deixado de lhe importar as flores, ou os seres vivos.
Seres vivos como seu marido ou seus filhos, aqueles filhos que tinha acolhido sob seu teto e aos que até então levava sempre no coração.
Mas, para Meredith, já só existiam dois filhos: Joe, um bebê que tinham deixado na porta do rancho quando era um recém-nascido, seis meses antes do acidente, e Teddy, que tinha nascido um ano depois.
Todo mundo parecia ter desaparecido da linha de visão de Meredith. Exceto Emily, é obvio. Emily era ativamente rechaçada, detestada, possivelmente porque Meredith não teria sofrido aquele acidente se não tivesse levado Emily a visitar sua avó biológica.
Não era algo racional. Nada era racional. Os passados nove anos não tinham sido absolutamente racionais. Assim Sophie tinha ido à universidade, aproveitava as férias para visitar suas amigas e só muito de vez em quando retornava ao rancho. Não queria ver River, que a tinha rechaçado, nem queria encontrar-se com os desprezos de sua mãe, que havia tornado a mostrar sua falta de interesse nela ao não ir a São Francisco depois do assalto.
E mesmo assim...
Mesmo assim, Sophie continuava querendo sua mãe. Como não ia querê-la? E vê-la ali, vestida com aquele agradável desalinho, sem preocupar-se com a manicure, a fazia sentir-se bem, muito bem...
— Olá mamãe — a saudou por fim, aproximou-se do lugar no qual Meredith estava ajoelhada e olhou com curiosidade uma das placas que havia no chão, diante de uma adelfa. Meredith acabava de aproximar-se de uma ameixeira para começar a lhe podar os ramos.
— O que... o que! — exclamou Meredith, saltando para trás e deixando cair a ameixeira. Voltou-se e fulminou Sophie com o olhar. — É você! Como te ocorre vir tão sigilosamente? Queria me assustar?
— Eu... não queria te assustar, mamãe — respondeu Sophie. Toda sua alegria desapareceu como por encanto. — Sinto muito.
— Deveria continuar utilizando a bengala — murmurou Meredith, esfregando as mãos enquanto se levantava. — Pelo menos assim te teria ouvido chegar. Bom, o que quer? Suponho que não vieste até aqui só para me assustar. Ou sim?
— Não, mamãe. Não vim para te assustar. Mas se quer posso te ajudar; você mesma me ensinou faz anos a distinguir entre uma má erva e uma flor.
Meredith baixou o olhar para o monte de plantas recém arrancadas que descansavam sobre as pedras do jardim.
— Oh, as plantas. Isso eu já fiz — se agachou, tomou alguns ramos de adelfa que acabava de cortar e as guardou no bolso da calça. — Que trabalho mais sujo. Necessito de um banho.
E sem dizer uma só palavra mais, encaminhou-se para as portas do terraço que conduziam a seu dormitório, deixando detrás de si Sophie e às más ervas.
Sophie se agachou para completar a tarefa, mas ficou de parada quando viu de perto as plantas murchas. Duas petúnias, uma begônia e outras duas plantas que não eram absolutamente más ervas. Meredith não tinha estado limpando o jardim: tinha estado arrancando plantas que ainda não tinham florescido.
Mas por quê? Por que ia fazer algo assim? Era como se não soubesse o que estava fazendo, como se não tivesse reconhecido aquelas plantas, como se se tivesse posto a trabalhar no jardim para aparentar que estava ocupada. Não, era ridículo, e Sophie enterrou imediatamente aquele pensamento.
Olhou para a adelfa e deslizou os dedos por um dos ramos. Meredith a tinha arrancado e levou um de seus ramos. Aquilo não tinha sentido. Não tinha nenhum sentido absolutamente.
— Sophie?
Sophie se levantou e olhou para sua mãe, que acabava de retornar ao jardim.
— Sim? Só estava, limpando as más ervas.
Meredith fez um gesto de desprezo com a mão.
— Oh, isso. Não se incomode. Eu em dez minutos fazendo isso já me aborreci. Afinal, para isso pagamos a um jardineiro, sabe? Deixemos que ele se ocupe de seu trabalho.
Sua mãe falava de Marco como se fosse só “um jardineiro”? Um simples empregado? Ines e Marco estavam no rancho desde sempre, praticamente, formavam parte da família, e anos atrás, Meredith e Marco trabalhavam cotovelo a cotovelo naquele jardim que consideravam como seu feudo. Sophie ficou olhando fixamente a sua mãe, sentindo-se incapaz de dizer algo, de encontrar uma resposta para a insensível declaração de sua mãe. Limitou-se a assentir.
— Sim, bom — disse Meredith, baixando o olhar para suas mãos. — Me destrocei as unhas, não é? Suponho que terei que ir à cidade para que me arrumem isso. Oh, mas antes de ir, queria te dizer algo, querida. Algo que vai voltar a pôr um sorriso nesse gesto azedo que luziste diante de todos nós desde que retornou.
Sophie se umedeceu os lábios.
— Ah, sim? De verdade? E o que é o que tem a me dizer, mamãe?
Meredith lhe dirigiu um sorriso absolutamente radiante.
— Fiz algo que deveria ter feito faz muito, muito tempo. Chamei Chet Wallace para passar conosco o fim de semana, ou mais tempo se ele quiser. Chegará hoje antes da hora do jantar, assim, sugiro-te que faça algo para melhorar seu aspecto. Troque de roupa e, pelo amor de Deus, tente esconder de algum jeito essa cicatriz. Se vê muito para que me sinta incomodada te olhando.
Sophie se deu conta de que ficou boquiaberta e fechou rapidamente a boca. Mas quando pôde começar a pensar em responder a sua mãe, Meredith havia tornado a girar sobre seus calcanhares e se dirigia de novo para o interior da casa.
— Meu deus — sussurrou Sophie por fim, aproximou-se da cadeira mais próxima e se deixou cair sobre ela.
Chet? Chet ia ao rancho? Ela não queria vê-lo. E, certamente, não queria que River o visse.
River!
Sophie se levantou de um salto e, esquecendo-se das flores e as más ervas, encaminhou-se para os estábulos.

River acabava de aterrissar no chão do curral e estava fulminando o cavalo com o qual estava trabalhando com o olhar. Aquele maldito cavalo permanecia quieto, arrastando as rédeas e com um olhar tão inocente como a de um gatinho de seis semanas. Quando River o olhou, o cavalo mostrou os dentes, jogou a cabeça para trás e soltou o que parecia uma gargalhada.
— Ah, assim te parece divertido — o desafiou River enquanto se levantava, utilizando seu estragado chapéu de vaqueiro para sacudir o pó da parte traseira de seu jeans. Isso é porque ainda não sabe quem é o chefe.
— Sim, claro que sabe! — gritou Drake Colton de perto. — E tenho algo para dizer, River, temo que não seja você.
River dissimulou um sorriso enquanto olhava para Drake, que acabava de chegar de licença, e replicou:
— Que demônios está fazendo aqui? Quer que te recompense com uma sardinha, ou aprendeste a fazer equilíbrios com uma bola no nariz?
Drake, com um sorriso idêntico ao de Sophie, esticou os braços e começou a aplaudir, imitando a uma foca.
— Alguma vez te disse que sei dezesseis maneiras diferentes de matar um homem só com minhas mãos?
River sorriu de orelha a orelha.
— Sim, mas pode andar e mascar chiclete ao mesmo tempo?
— Não — protestou Drake. — Isso é muito complicado. Para mim me deixam as coisas fáceis, como abrir caminho em meio a selva, ou desativar um explosivo debaixo da água.
— Muito bem — disse River, avançando para o cavalo, que fingia não vê-lo apesar de que estava começando a retroceder lentamente. — Agora, fecha o bico e te prepare para ver trabalhar um mestre.
— Ajoelho a seus pés, Oh, mestre, por me permitir presenciar o milagre — respondeu Drake. — Quer que vá pegar a pomada?
Sorrindo com ironia, River se aproximou lentamente do cavalo. Falou-lhe com suavidade; na mesma língua que tinha aprendido de sua avó materna, disse-lhe que era um exemplar magnífico, um animal esplêndido. Confessou-lhe o honrado que se sentiria um homem como ele se lhe permitisse subir a sua garupa e montá-lo, se lhe deixasse cavalgar como o vento, sentindo todo o poder de sua força pura e selvagem, seu espírito valente e indomável.
Não foram as palavras, porque o cavalo não tinha capacidade para as compreender. Foi o tom em que River as pronunciava, seu olhar, o toque delicado e ao mesmo tempo firme de sua mão enquanto acariciava o pescoço do cavalo. Foi o vínculo, um vínculo secreto, que River sentia com as criaturas da natureza e que o cavalo reconheceu. O cavalo soube que não tinha que temer nada daquele homem.
River continuou lhe falando enquanto ia lhe tirando lentamente a sela e as rédeas.
— Não necessitamos nada disto, não é? Basta-nos contigo e comigo.
Ouviu algo perto de onde Drake estava sentado. River desviou o olhar um instante e viu Sophie, apoiando os antebraços na cerca. A jovem não disse nada porque sabia que aquele era o momento de permanecer calada, mas River sabia que se não deixasse de olhá-la nos olhos, não ia demorar para perder sua concentração e com ela a compenetração que tinha conseguido com o cavalo.
— Não preste atenção a essa mulher tão bonita. Ninguém vai te incomodar, lhe prometo — disse River, tentando tranqüilizar o animal com suas carícias. — O vê? Nada de selas, nem de rédeas. Só você e eu. E agora, se me deixar, vamos montar. Só um pouco, ao redor do curral, se me permitir isso, claro. Permite-me isso? Vai honrar-me com sua confiança?
River tomou ar, soltou-o lentamente, então, aferrou-se às crinas do animal e com um grácil e fluido movimento conseguiu elevar-se até o lombo do cavalo.
Sem bridas, sem rédeas e sem cadeira. Se o cavalo corcoasse, como tinha feito anteriormente, River voltaria a aterrissar no chão.
River permaneceu muito quieto, esperando que o cavalo tomasse uma decisão: ou aceitá-lo ou desfazer-se dele. Segundos depois, inclinou-se para frente para que sua boca ficasse à altura das orelhas do cavalo e começou a sussurrar palavras tranqüilizadoras enquanto pressionava os joelhos contra os flancos, urgindo-o a caminhar.
O cavalo selvagem que minutos antes se corcoveava e dava coices grosseiramente, caminhou ao redor do curral como se levasse em cima uma carga linda.
River lhe fez dar três voltas, desmontou-o e entregou o cavalo a um de seus ajudantes que, sem nenhuma dificuldade, pôde selá-lo e conduzi-lo para o estábulo.
— Bom trabalho. Sempre está rendendo desta maneira? — perguntou Drake, enquanto River se aproximava da cerca.
River o ignorava e olhava diretamente para Sophie. E Drake, que não poderia ter chegado a fazer parte do corpo de elite da marinha se não tivesse sido um bom observador, desculpou-se dizendo que tinha trabalho a fazer e se dirigiu para a casa.
— Não perdeste seu toque mestre — disse Sophie, enquanto River saltava a cerca. — Foi impressionante.
— Na realidade fui muito estúpido. Deveria ter sabido desde o começo que não ia aceitar-me até que confiasse em mim. Mas bom, acredito que já o consegui. Suponho que seu proprietário estará contente quando voltarem a encontrar-se.
— Mas esse cavalo não é nosso? — perguntou Sophie, com o cenho franzido.
— Não. É de um rancheiro que vive ao outro lado de Prosperino. Estou lhe fazendo um favor. Algo me diz que o último dono deste cavalo o tratou com mão dura e também com vara. Supunha-se que estava acostumado à sela, mas quando Erik o comprou, não havia maneira de montá-lo. Agora que confia em mim, suponho que seja só questão de tempo até que comece a confiar em Erik.
— É surpreendente. É muito bom com os cavalos. Sempre o foste — disse Sophie, afastando-se da cerca. River a seguiu.
— O que aconteceu, Sophie? Não é que não me sinta honrado com sua visita, mas o que está fazendo aqui? Esteve me evitando como se fosse a peste. Estive me comportando como um autêntico cavalheiro, se por acaso não o notaste. O que houve? Tiveste já...?
Sophie inclinou a cabeça.
— Ainda não sei nada, de acordo? — disse cortante, e depois se estremeceu. — E te estranha que me mantenha afastada de ti? Meu deus, River, está me deixando louca! Estou grávida? Não estou grávida? Mas, aconteça o que acontecer, não é seu assunto, maldito seja.
— Já estamos com o maldito outra vez, e me perdoe por lhe assinalar isso. Quanto ao resto das tolices que acaba de dizer... Está segura de que isso não é meu assunto? De que é algo que fez completamente sozinha? Pois não me parece isso, Soph. Mas sabe de uma coisa? Não me importa. Eu te desejo e você me deseja. É algo óbvio, e foi óbvio durante muito tempo.
Sophie se deteve e elevou o olhar para ele.
— Vá, não pode dizer-se que não tenha um ego bem nutrido, Riv. Desejo-te? E isso quem o diz? Você?
River levantou o chapéu um milímetro e voltou a baixar-lhe sobre a frente.
— Diz-me isso você, Sophie. Se agora mesmo te abraçasse, se te desse um beijo longo e profundo e deslizasse as mãos por seu corpo, me esbofetearia? Ou me devolveria o beijo, me abraçaria com força e gemeria como quando...?
A palma da mão de Sophie conectou com a bochecha esquerda de River em menos de um segundo. River retrocedeu, levou a mão à cara e sorriu.
— Vê, isso foi gracioso — disse, olhando para Sophie com os olhos entrecerrados. — E agora me diga, por que vieste a minha procura? Ou só queria me esbofetear?
A cor que tinha invadido as bochechas de Sophie desapareceu tão rapidamente que River esteve a ponto de abraçá-la pensando que ia deprimir-se. Mas então Sophie disse algo que o deixou completamente paralisado.
— É Chet. Mamãe o convidou para passar o fim de semana no rancho. Provavelmente chegue antes do jantar.
River voltou a cabeça, disse algo ininteligível e voltou a olhá-la.
— Meredith o convidou sem te consultar? Mas por quê?
Sophie se encolheu de ombros.
— Por que faz tudo o que faz? Se soubéssemos, teríamos as respostas que levamos tanto tempo procurando.

Meredith se inclinou sobre o balcão do banheiro e continuou socando as folhas de adelfa no morteiro, tentando as reduzir a fragmentos infinitesimais para as liquidificar depois com umas gotas de água quente.
Tinha-o tentado tudo para conseguir aquele veneno: empapar as flores em água quente, cortar as folhas de maneira muito fina para poder as mesclar com a salada ou com qualquer outro prato... Inclusive tinha pensado em secar as folhas, para que não tivessem nenhum sabor quando as dissolvesse no líquido.
Olhou a mescla esverdeada que tinha no morteiro e os olhos lhe encheram de lágrimas. Não ia funcionar, não ia funcionar. Era impossível mesclar aquilo com a comida.
Amaldiçoando a si, Meredith levantou o morteiro e o lançou contra a parede. A terrina de mármore se partiu em duas e a parede ficou salpicada do verde intenso da mescla.
— Bom, ainda há tempo — se disse, atribuindo mentalmente a limpeza daquele desastre a suas empregadas. Parasitas que faziam o que lhes dizia sem perguntar nada.
Tirou o livro que tinha comprado em Prosperino e que tinha escondido em seu quarto e folheou suas páginas enquanto saía do banho.
Era um livro precioso, muito manuseado e com centenas de venenos diferentes colocados em ordem alfabética. Sentou-se na poltrona de seu quarto, levantou a taça de Martini, a levou a boca e sorriu ao ver todas as cartas com as que tinham respondido ao convite do aniversário de Joe
— Humm — disse, concentrando-se uma vez mais no livro. — Deveria provar com os cogumelos

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