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Monday, December 20, 2010

Judy Christenberry THE DOCTOR Delivers p.14

Quinze

Embora Liza tivesse partido há duas semanas, Nick ain­da se lembrava dela em seus braços como se estivesse em outro mundo. Lembrava-se de como tinha vontade de vol­tar para casa a cada tarde, de como estivera perto de viver a vida com a qual sempre sonhara.
Agora, quase não ria mais. De vez em quando Liza telefo­nava, embora tenha se tornado imprevisível. Nick não podia mais ficar em casa o dia todo apenas para ouvir a voz dela. De acordo com Bonnie, ela não falava mais por muito tempo. É difícil se ter uma conversa longa sem revelar algo de si.
Não que os dias de Nick tenham sido tediosos desde a partida de Liza. Ele foi atrás do repórter que entrevistara Daphne e lhe dissera que a informação que ela lhe dera era falsa. Então, telefonou para o editor do jornal e avisou que se publicasse mais uma das mentiras de Daphne, ele o processaria.
Seu advogado, certamente, andava bastante ocupado... além de estar enriquecendo também.
Nick enviou uma amostra de DNA, mas, como suspei­tara, Daphne desapareceu sem deixar que a criança fosse testada. Nick nem ao menos chegou a ver o menino.
Então, contratou um detetive particular para encon­trá-los.
Também quis contratar alguém para encontrar Liza, mas achou que isso poderia colocá-la em perigo. Além do mais, ela sabia onde ele estava, e não queria vê-lo. Ele achou que quando dissesse a ela que o homem que a per­seguia estava morto, Liza voltaria. Mas, em vez disso, ela desligou o telefone na cara dele.
- Doutor?
Ele levantou a cabeça.
- Sim, Missy?
- Terminamos tudo por aqui. Não vai para casa?
- Sim, claro. Vá em frente e tranque tudo. Vejo você amanhã.
Missy se virou para ir embora, mas não antes de notar a preocupação nos olhos dele. O telefone tocou e ele atendeu.
- Nick, você vem para casa?
- Bonnie, claro que sim.
- Ótimo, pois Liza vai aparecer na TV!
- O quê? O que houve? - O coração dele bateu acelera­do, temendo que algo pudesse ter acontecido com ela.
- Eu estava checando a programação da TV para essa noite e vi um programa beneficente para o Carnegie Hall. Ela vai ser uma das atrações.
- Ao vivo? - perguntou o médico, já pensando em quanto tempo levaria para chegar a Nova York.
- Não, diz aqui que é gravado.
- Tudo bem, estarei aí em alguns minutos.
Bonnie o esperava com o jantar pronto, mas ele não estava interessado. Pôs uma fita nova no aparelho de vídeo-cassete e andou de um lado para o outro, aguardando pelo início do programa.
Ele só se aquietou quando Liza, do alto de sua singela beleza, subiu ao palco. Seu coração derretia ao vê-la. Liza cantou uma das canções do primeiro álbum. Bonnie o ha­via comprado depois que Liza havia partido.
- É tão bom vê-la - disse a empregada.
Quando a moça terminou de cantar, entraram os co­merciais depois do anúncio de que Liza cantaria de novo.
- Será o que ela vai cantar agora? - perguntou Bonnie.
Nick não respondeu. Não se importava com o que ela cantaria, tão logo pudesse vê-la. A única coisa melhor do que isso seria tê-la nos braços... para jamais largá-la.
Meredith assistia à produção na presença do marido. Ele geralmente não dividia o mesmo quarto com ela e ja­mais a cama. Não depois que ela anunciou a gravidez, sem se dar conta de que ele era estéril.
Quando Liza deixou o palco, ela sugeriu:
- Devíamos ligar para Liza e dar-lhe os parabéns. -Ela ainda não acreditava que Joe não sabia como encon­trar a sobrinha.
- Eu não sei onde ela está - resmungou ele. - Ela telefo­nou de Nova York, mas não sei exatamente de onde. Aparen­temente, não está mais vivendo em seu apartamento.
- Por que não?
- Por que a preocupação repentina, Meredith?
Ele a fitou, mas Meredith fingiu que estava tudo bem. Suas habilidades de interpretar eram ainda melhores do que as de Liza. Achava que a morte da sobrinha era uma necessidade, mas Liza não estava no topo das prioridades. Emily era a chave. Disse ao idiota que contratara para se concentrar em Emily.
- Vocês duas não se dão mais muito bem, não é mes­mo? - a pergunta de Joe invadiu os pensamentos dela.
Meredith virou a cabeça. Sempre fique o mais próxi­mo da verdade.
- Não, não muito. Isso acontece quando as crianças crescem. Elas se envolvem em suas próprias vidas.
E irmãs, também. Ela foi abandonada pela própria irmã. A verdadeira Meredith se casara com Joe e enriquecera, mas jamais se preocupou com a irmã gêmea. O que acon­teceu com ela foi bem merecido.
O único problema era que estava perdida por aí. Será que ainda tinha amnésia depois de nove anos? Meredith queria muito saber onde a verdadeira Meredith se encon­trava. Ela jamais perderia a posição, não importava o que precisasse de ser feito.
Fora até a cidade nesta manhã de novo para conversar com o homem que contratara para localizar Meredith. Não descobriu nada. Incapaz de suportar a tensão, despediu-o sem o menor tato.
Em seguida marcou uma visita com a melhor firma no país. Deveria tê-los contratado para encontrar Emily. Mas haveria muita investigação policial quando Emily fosse... eliminada. Quando sua própria irmã desaparecesse, nin­guém notaria. Ninguém se importaria com uma velha mentalmente debilitada.
Recostou-se no sofá. Sim, logo teria tudo sob contro­le. E Liza não era nenhuma boba. Quando Emily aparecer morta, saberá que não deve dizer nada.
Mesmo se dissesse, ninguém acreditaria nela. Com um sorriso de satisfação no rosto, acomodou-se para assistir ao fim do show.
Liza assistiu ao programa na TV sozinha, enrolada nas cobertas em seu novo quarto de hotel. Estava ali desde o dia anterior, antes que alguém fosse lembrado da aparição dela no show que gravara há alguns meses. Embora o ho­mem que a perseguia estivesse morto, ela não queria se arriscar a voltar para o apartamento, ainda.
Será que Nick estava assistindo? Será que sentia falta dela? O tempo que passaram juntos parecia tão real, pare­cia que duraria para sempre. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto. Se esforçava para não chorar.
Ela pensou na notícia da morte do homem. E pensou em retornar a Saratoga Springs. Mas não conseguia se decidir. Precisava se recuperar. Ultimamente, andava muito cansada e vomitava logo ao acordar pela manhã. Podia ouvir a voz de Nick avisando para que tomasse cuidado.
Motivada por esse pensamento, telefonou para uma clínica próxima e marcou uma consulta para a manhã se­guinte.
Era perigoso demais fazer isso logo depois de apare­cer na TV, mas com a peruca e os óculos escuros, não achou que fosse ser reconhecida. Certamente, não volta­ria doente para Nick de novo. Se voltasse.
Liza se sentou em uma cadeira no consultório médico. Haviam feito vários testes com ela e tinha que esperar duas horas pelo resultado.

- Preciso de mais ferro, não é mesmo? - perguntou, tentando parecer animada, quando o que queria mesmo era ficar na cama e dormir por dias a fio.
O médico a fitou.
- Isso certamente estará incluído nas minhas prescri­ções. Entretanto, não é o... diagnóstico principal.
Algo na expressão dele a encheu de temor.
- Você quer dizer que... eu tenho câncer?
Ele pareceu surpreso.
- Oh, não, de jeito nenhum, sra.... - Parou para olhar na documentação. - Sra. Bonney, não é nada disso. Espe­ro que a notícia lhe agrade. A senhora está grávida.
Liza não hesitou por um segundo sequer.
- Não, doutor, sinto muito. Você deve ter errado o di­agnóstico. Eu não posso estar grávida.
- E por que diz isso?
Ela contou para ele sobre o diagnóstico que recebera dos dois médicos, anos atrás.
Em vez de sugerir mais testes, como ela esperava, ele balançou a cabeça.
- Sra. Bonney, eles nunca disseram que seria impossí­vel. Nesse caso, milagres acontecem.
Liza olhou fixamente para ele enquanto digeria aque­las palavras.
- Você quer dizer que estou mesmo grávida? - A voz dela se levantou, a histeria tomava conta.
- Acalme-se. É importante que você permaneça cal­ma e feliz. Queremos que esse bebê nasça saudável.
- Há algo de errado com o bebê? - perguntou, inclinando-se para a frente. Ela já achava o diagnóstico impro­vável, quanto mais um resultado feliz.
- Você é muito preocupada, não é mesmo? - pergun­tou ele. -Não vejo nenhuma dificuldade se você seguir as instruções.
- Claro que seguirei. Diga-me o que fazer. Faço o que for preciso. Eu... quando ele nasce?
- Você só está grávida há três semanas. Foi bom ter vindo logo. Tenho uns livretos que quero que leia. Além disso, receitarei umas vitaminas. Pode comprá-las na nossa farmácia. Precisa de ajuda para pagar?
- Não, posso pagar - disse ela, com a mente distante.
- Também temos uma loja ligada ao hospital com rou­pas doadas para mulheres grávidas. Você ainda não preci­sa disso, mas quero que saiba sobre a assistência que po­demos lhe dar.
Liza o fitou. Roupas de grávida! Jamais achou que pre­cisaria disso. Uma felicidade imensa a invadiu. Ela e Nick... Nick vai ter um filho.
E então se lembrou: ele já tinha um filho... e a essa altura uma esposa. Ultimamente não havia ligado muito, pois não tinha nada a dizer e também porque não queria ouvir sobre o casamento dele com Daphne.
Seu filho, seu precioso filho não terá um pai. Não um pai que vivesse com ele, que estivesse à sua disposição... que lhe ensinasse a pescar.
Seus olhos se encheram de lágrimas. Não importava, ela disse a si mesma. Amaria o filho mais do que qualquer mãe já amou. Ela...
- Sra. Bonney, está bem? - perguntou o médico. - Não tive a intenção de lhe aborrecer.
- Não, não, doutor, estou bem - disse, tentando conter as lágrimas.
- Que bom. Agora, aqui estão o livreto e a receita das vitaminas. Gostaria de revê-la em quatro semanas. Mar­que uma consulta com a enfermeira ao sair.
- Sim, obrigada, doutor. - Liza pegou os papéis com ele e tentou ficar calma enquanto escapava do olhar do médico.
Tantas emoções conflitantes dentro dela tornavam di­fícil estar sob controle. Estava muito feliz com o bebê. E devastada pelo fato de Nick não estar envolvido.
Sem pensar, acenou para um táxi logo que saiu do hos­pital. Precisa ficar sozinha o mais rápido possível.
- Para onde, moça?
Ela indicou uma esquina próxima ao hotel e se acomo­dou, mas sua mente girava com as possibilidades.
- Ei, você parece com uma cantora! - exclamou o motorista, chamando a atenção dela.
Ela tentou parecer calma.
- É mesmo? Já ouvi isso antes. Quem me dera.
- Você canta? - perguntou o rapaz.
- Não, nem um pouco. Se eu cantasse, acha que viria a este lugar? - disse ela apontando para o hospital.
Ele riu.
- Acho que não. Essas estrelas sempre têm quartos especiais, vários serviços. Nós, pobres mortais, temos que nos virar nas filas. Ah, que vida!
- É - concordou ela, olhando pela janela do carro.

Toby Atkins passou pelo antiquário de Annie Summers. Às vezes Emma trabalhava lá nos dias de folga do restau­rante. Ele sempre lhe dizia que devia fazer algo divertido durante a folga. Mas ela disse que adorava antigüidades.
Ele franziu a testa. Essa era a única coisa incomum em Emma. Para uma mulher supostamente cheia de mágoas, ela era muito agitada.
Sempre que ele mencionava alguém estranho na cida­de, ela fingia não ouvir, mas ficava paralisada até que ele identificasse a pessoa.
Ele deduziu que ela fosse uma fugitiva. Isso seria o menor dos males, ele pensou. Porque ele também suspei­tava que ela fosse a mocinha meiga envolvida em roubos de carros em cidades vizinhas.
Mas não conseguia acreditar nisso... não quando esta­va perto de Emma.
Ele entrou e sorriu para Annie. Era uma mãe solteira, bonita, doce, mas não lhe enchia os olhos como Emma.
- Emma trabalha hoje?
- Oi, Toby. Sim, trabalha, mas saiu para olhar as por­celanas do sr. Yardley. Ele quer vendê-las e Emma sabe mais sobre porcelanas do que eu.
- Isso não é estranho? - perguntou ele sutilmente. Annie desviou o olhar. Deu de ombros e disse:
- Até que não. Muita gente sabe de coisas que você nem imagina.
- Quando ela volta?
- Já deve estar voltando. Saiu faz umas duas horas.
Naquele momento, a porta se abriu e Emma entrou, com as mãos repletas de caixas. Toby foi de encontro a ela para ajudá-la. Parará de se preocupar com o passa­do de Emma. Estava mesmo era aproveitando-a no pre­sente.
Não foi nada fácil, mas Nick tirou um mês de férias. Normalmente, tirava uma semana quando se sentia muito cansado e logo voltava ao trabalho.
Entretanto, dessa vez, as férias não tinham a ver com cansaço. Tinha a ver com o desejo de encontrar Liza e de colocar a vida nos trilhos, junto da mulher que amava e com quem queria passar o resto da vida.

Resolvera a confusão com Daphne. O detetive parti­cular que contratara a encontrou junto do menino e os fo­tografou. Também fotografou junto deles um homem que Nick não conhecia. O menino, Timmy, parecia com o ho­mem.
Mas Nick não dependeu do que lhe disse os olhos. Contatou um advogado e exigiu um teste de paternidade. Ela concordou com o teste, mas implorou que Nick não a processasse.
- Tudo bem, nada de processo. Mas prossiga com os testes.
- Por quê? Você já sabe que ele não é seu - disse ela. - Não quero mais amolação.
- Prefere ir a julgamento? Para revelar o que você fez?
- Nick, você está sendo malvado!
- Isso mesmo. Então você vai mandar o DNA do me­nino?
- Ah, tudo bem!
Ele pegou o resultado na terça. Deu negativo, como esperava. Pediu a amigos que cuidassem de seus pacien­tes no mês seguinte e embarcou para Nova York naquela mesma noite.
Falou com o detetive Ramsey, mas ele não sabia de muita coisa. Rastrearam os telefonemas e descobriram que eram provenientes de telefones públicos ao redor da cidade. O detetive sugeriu que deixasse uma mensagem na secretária eletrônica de Liza dizendo para encontrá-lo.
Nick torcia para que desse certo.
Mas também pensava em contratar um detetive parti­cular em Nova York que Ramsey recomendara.
Correu para casa depois do último paciente, muito empolgado. Disse a si mesmo que levaria tempo e que precisaria de muita paciência, mas pelo menos estava fa­zendo algo para trazer Liza de volta a sua vida.
O amor que sentia por ela continuava tão forte quanto da última vez que a vira. Acreditava que a mulher de sua vida era Liza Colton. Pensaria novamente sobre sua idéia de um futuro perfeito. Se ela quisesse continuar a carreira de cantora, ele estaria de acordo.
Contanto que ela sempre retornasse para ele quando terminasse a turnê.
Isso era o mais importante.

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