All content in this blog are under copyright and they are here for reference and information only. Administration of this blog does not receiveany material benefits and is not responsible for their content.

Friday, December 17, 2010

The Colton Family - Ruth Langan - Nunca é Tarde para Amar p.11



- Ah, adoro canela! - Ela encheu uma tigela e esta­va quase começando a devorar seu desjejum quando Brittany apareceu.
Quando a menininha viu Heather ela deu um gritinho de alegria e correu para seus braços.
- Você está aqui! - Ela virou-se para o pai. - Olha só quem está aqui, papai!
- É. Estou vendo. - Ele piscou para Heather. - Não é uma surpresa e tanto?
- Hã-hã. - Brittany subiu em uma cadeira. - Está comendo meus cereais de bichinhos?
- Estou, sim. Você está bem, Brittany?
A menina fez que sim, então foi até o pai e disse:
- Quero comer a mesma coisa que Heather, papai.
- Imaginei que fosse querer. - Pôs uma tigela em frente a ela e lhe deu sua colher. - Como está se sentindo, meu bem?
- Bem, papai. - Brittany voltou-se para Heather e começou a conversar animadamente.
- Eu lembro de você ontem à noite - Brittany disse, entre uma colherada e outra de cereais. -Você me con­tou histórias engraçadas e eu não fiquei com medo. E papai também não ficou mais com medo.
- Bem, às vezes, quando a gente tem medo, é me­lhor ter um amigo por perto, não é?
- Hã-hã. Papai é meu melhor amigo.
- Você nem sabe como tem sorte de ter um amigo como seu pai, meu bem.
A menina sorriu.
- Posso dividir com você, se quiser, Heather. Quer que papai seja seu melhor amigo também?
Heather ficou olhando para sua tigela de cereal, evi­tando os olhos de Thad.
- Gostaria, sim, querida.
Thad escutou em silêncio. Parecia tão normal ver sua filha tagarelando com aquela mulher que parecia tão à vontade em sua cozinha. E ainda por cima co­mendo cereais de bichinhos.
- Você tem de trabalhar hoje, papai? - Brittany per­guntou.
- Hoje não, meu bem. Hoje é sábado.
- Que bom! - Ela bateu palmas. - Então podemos fazer compras e depois vamos para o parque.
- É o que fazem aos sábados? - Heather perguntou, bebericando café preto bem forte.
- Hã-hã. Não é, papai?
- É. Quando não tenho emergência na delegacia.
- Heather pode vir com a gente?
- Se ela quiser...
Ambos olharam para ela, esperando por sua resposta. Ela pôs a xícara na mesa e sorriu para eles.
- Eu não perderia por nada.
Brittany tomou o restante do leite em sua tigela antes de agarrar a mão de Heather.
- Você me ajuda a mudar de roupa?
- Claro. - Deu uma última olhada em direção a Thad e se deixou levar por Brittany até seu quarto.
Durante a próxima meia hora o apartamento se en­cheu de risadinhas enquanto as duas decidiam qual rou­pa a menina iria usar.
Heather não pôde deixar de fantasiar que aquela era o primeiro passeio da recém-formada família.
- Ah, papai! - Brittany estava nos ombros de Thad enquanto caminhavam entre sombras para casa. Ela terminou o restante de seu sorvete e limpou as mãos e boca
no guardanapo que Heather lhe passou. - Hoje foi o melhor dia de todos!
Heather estava saboreando seu sorvete lentamente, lambendo aos poucos. Então percebeu que Thad estava observando e que a cada movimento de sua língua seus olhos ficam mais intensos e escuros.
Ela terminou seu sorvete e deu a mão a Thad. O ca­lor de seu toque era quente como o inferno. Ou era seu corpo que esquentava ao seu toque?
Heather olhou para Brittany.
- Do que você mais gostou?
- Do balanço no parque. Principalmente quando eu ia bem alto, como se estivesse voando.
Heather assentiu.
- Foi divertido.
- E o filme também.
- Qual seu personagem favorito do filme? – Thad perguntou.
- O Pateta. Todos riram.
- Para mim é o Mickey - disse Thad.
- Eu concordo com Brittany. - Heather viu que a menina estava bocejando. - Também gosto mais do Pateta.
- Também gostei da espaguezza que a gente comeu depois.
- Sim. E a pizza, a salada e os litros de refrigerante que bebemos.
Thad olhou para Heather, admirado.
- Nunca vi uma mulher comer tanto antes.
- Estava tentando acompanhar você.
- É mesmo? Achei que estávamos competindo e que você estava determinada a se tornar uma maratonista alimentar.
Ela pôs a mão na cintura.
- Você vai pagar pelo que disse, detetive Law.
Ele olhou para ela de modo diabólico.
- Espero que esteja querendo dizer que vai me castigar.
Ela sorriu.
- Em seus sonhos. - Ele se aproximou. - Você ficaria muito chocada com o conteúdo de meus sonhos desde que a conheci, srta. McGrath.
- Acha mesmo? - Ela abaixou o tom de voz. - Tal­vez não ficasse tão chocada quanto pensa.
- E por quê?
- Porque venho tendo meus sonhos também desde que o conheci, detetive. Mas devo dizer que a realida­de é bem mais doce.
- Ah, isso é mesmo... - Ele a viu olhar para Brittany e levou o dedo aos lábios. - Acho que a deixamos exaus­ta. Ela está morrendo de sono. Que bom que aquela fe­bre passou - ele completou. - Acho que você e o médi­co estavam certos.
Quando chegaram em frente ao apartamento dele, Thad deu a chave a Heather enquanto tirava a filha dos ombros para levá-la no colo. Após entrarem, ele levou a menina para seu quarto, então ele e Heather a despi­ram e a puseram na cama, adormecida.
Thad e Heather, um de cada lado da cabeceira, fica­ram olhando para ela.
- Parece um anjo - Heather disse, suavemente.
- Eu sei. Sempre fico bobo de ver que alguém bruto como eu possa dar vida a algo tão perfeito quanto ela.
- Ela é perfeita mesmo. - Heather entrelaçou seus dedos aos dele. - E o pai dela, também.
Ao saírem do quarto e fecharem a porta, Thad to­mou Heather nos braços e a beijou de modo tão quente e faminto que ela pôde sentir o calor se espalhar por sua carne e dissolver-lhe os ossos.
- Quero você, Heather. - Ele grunhiu as palavras contra sua boca. - Aqui. Agora.
Ela mal podia falar.
- E eu quero você também.
Seu olhar estava tão inflamado que ela sentia a ca­beça vacilar. Mas manteve os olhos fixos nos dele en­quanto ele tirava as roupas dela com a urgência de uma tempestade de verão.
- Como era sua vida antes, quando sua esposa estava viva?
- Meu trabalho era basicamente o mesmo de agora.
Já passava bastante da meia-noite. Assim como na noite anterior, Thad e Heather fizeram amor, conversa­ram e conseguiram dormir um tempinho antes de acor­dar novamente.
Agora estavam deitados no escuro, confortavelmente aninhados um no outro.
Ao ver que ele não continuou o assunto, Heather comentou:
- Vi a fotografia na sala. Tentei ver se Brittany tinha algo dela, mas ela puxou mais você mesmo.
Ele soltou um suspiro de impaciência.
- Desculpe. Não devia ter mencionado o assunto. Se é difícil para você...
- Eu não... não estou acostumado a falar sobre Vanessa.
Era a primeira vez que Heather ouvia o nome dela.
- Vanessa tinha familiares? Brittany tem avós, tias, tios, primos?
- Não. Vanessa era filha única. Ela e os pais esta­vam viajando num avião fretado que caiu.
- Nossa, Thad. - Ela tocou-lhe o rosto. Sua voz soou distante e desinteressada.
- Eles tomavam esses vôos com freqüência. Palm Beach. Puerto Vallarta. Palm Springs. O pai de Vanessa cuidava de diversas obras de caridade, e achavam necessário fiscalizar de perto. Assim que Brittany nas­ceu, Vanessa voltou a trabalhar com ele. Passava meta­de do tempo em casa, metade fora. Brittany ficava mais
à vontade com a babá do que com a mãe.
Apesar de estar escuro para ver o rosto dele, Hea­ther sabia pelo tem de sua voz que ele estava franzindo o cenho.
- O que aconteceu com a babá?
- Era presente dos pais de Vanessa. Eu não podia bancar com meu salário.
- Sendo única neta, Brittany deve ter herdado uma herança.
- Está guardada num fundo fiduciário que ela vai começar a receber aos vinte e um anos.
- E você? Como se adaptou ao estilo de vida de Vanessa?
- Não me adaptei. Várias vezes pensei por que Vanessa casou comigo. O que ela viu em mim? Não só eu não fazia parte do círculo de amigos dela como deixei claro que não pretendia mudar meu jeito de ser.
- Mas casou-se com ela. Deve ter visto algo nela que o deixou admirado.
- É. - Ele suspirou. - Que homem não ficaria lisonjeado de receber as atenções dela? Ela era deslumbran­te. Linda. Elegante. Eu estava tão encantado que mal conseguia pensar. Voamos até Las Vegas poucos dias depois de nos conhecermos e voltamos para casa para receber uma boa dose de realidade. Quando ela desco­briu que estava esperando um bebê, eu fiquei feliz. Mas ela só conseguia pensar que estava engordando. A partir daí passou mais tempo com a família dela do que comi­go. - Ele abaixou o tom de voz. - Fiquei sabendo do acidente quando estava investigando um homicídio. Nem consegui ir para casa ficar com minha filha a não ser um dia depois.
- Ah, Thad. - Heather encostou sua boca à testa dele. - Lamento muito.
Como sempre, ele sentiu-se abalado e maravilhado com aquele toque.
- Por quê?
- Por você. Por Brittany. Por Vanessa. E lamento tê-lo perguntado. Você fica triste de falar. Dá para per­ceber.
Ele a tomou nos braços.
- Agora é tudo passado. E não estou triste. Como posso ficar triste ao seu lado? - Ele cobriu sua boca com a dele e se deixou levar pelo encantamento daquela mulher.
E ele falava sério. Cada momento passado com Heather parecia dissolver o amargor do passado, como o calor do sol dissolvendo a neblina matinal. O muro que tinha construído ao redor de seu coração estava se desmoronando. Sentia-se renovado e livre com aquela mu­lher. Como poderia haver algo errado se tudo se encai­xava tão bem?
- O que está fazendo? - Heather acordou e viu Thad se apoiando sobre o cotovelo e olhando para ela da­quele jeito intenso que ela sempre achava tão intimidante.
- Só olhando para você.
- Por quê? - Ela sentou-se e afastou os cabelos que lhe caíam sobre a testa, sem se dar contar de que não estava vestindo nada.
- Porque não dá para esquecer que tenho uma prin­cesa em minha cama.
Aquilo a fez rir.
- Realeza? Hummm. Acho que vou gostar. Será que posso contar com você para realizar meus desejos?
- Sem pestanejar. Basta um olhar severo com esses olhos azuis para fazer de mim seu escravo.
- Ah, disso eu gosto. Beije-me logo, escravo. Ele roçou seus lábios contra os dela.
Ela suspirou.
- Mais. Quero mais.
Ele a beijou novamente, permaneceu em seus lábios, sorvendo o sabor, a doçura e o frescor de Heather até ambos começarem a suspirar.
- Nossa, detetive Law, como eu gosto dos seus beijos.
- Nada mau para um tira, é o que quer dizer?
- Estava pensando: nada mau para um príncipe.
- Ninguém jamais acharia que eu fosse um príncipe. Ela traçou com o dedo o contorno de seus lábios.
- Não mesmo. Dá para ver que você é um tira.
- Por causa das minhas cicatrizes?
Ela balançou a cabeça, olhando nos olhos dele.
- Não, por causa do jeito que você anda. Por causa do jeito como você fala, escuta, sonda e analisa as coisas. Você é um bom homem, Thad. Talvez não re­pare, mas os homens são respeitosos na sua presença. Sabem que estão na companhia de alguém bom e ho­nesto. A influência do seu pai é marcante em você.
Ele recuou, profundamente tocado por suas palavras.
- Agora, se me der licença. - Ela saiu da cama, caminhou nua pelo apartamento e voltou com um cesto de roupas limpas.
- O que está fazendo?
Ela sorriu.
- Tive de lavar minhas roupas ontem à noite, então lavei as suas e de Brittany também.
Ele soou um tanto brusco ao dizer:
- Você não tinha de lavar nossas roupas!
Ela vestiu o sutiã de seda e a lingerie rendada.
- Não ligo. Nunca entendi qual o problema de lavar roupa. Você aperta uns botões, dobra outras. - Ela viu que ele estava com uma expressão estranha no rosto. - O que houve?
Ele pôs as mãos detrás da cabeça e sorriu perigosa­mente para ela.
- Nada. Só estou fantasiando. Você se incomoda de vestir o resto de suas roupas? Não que seja por muito tempo. Assim que você acabar de se vestir eu quero tirar sua roupa todinha e trazer você de volta para a cama.
Heather pensou que jamais fizera algo assim antes. Mas enquanto vestia as calças e a blusa, a expressão no rosto de Thad fez o coração dela dar cambalhotas. Ela se sentia perigosa, ousada e bastante maliciosa.
Quando, fazendo valer sua palavra, ele a despiu, Heather já estava tão acesa quanto ele. E quando che­garam juntos ao ápice da paixão, ela sentiu seu coração derramando-se de amores por aquele homem durão e bastante sensual.

No comments: