CAPÍTULO XII
Palm Springs
— A casa é maravilhosa — disse Faith admirada, enquanto Tibi lhe mostrava a propriedade dos El-Etra.
Era um edifício de dois pisos, de tijolo, rodeado de frondosos jardins e fontes.
Um discreto guardião protegia a casa dos olhares dos curiosos e de visitas inesperadas em um dos bairros mais exclusivos de Palm Springs.
Tibi, agarrando-a no braço, sorriu-lhe enquanto cruzava com ela os jardins para dirigir-se para a zona da piscina, em que Ornar e Ali estavam desfrutando de um aperitivo.
— Obrigada, querida Faith. Embora nossa principal residência esteja no Kuwait, queríamos ter uma propriedade nos Estados Unidos, para ter uma desculpa para visitar nosso filho —Tibi pôs-se a rir e deu uma batidinha no braço de Faith. — Quando tiver um filho, compreenderá que, por mais que cresça, para você continua sendo sempre um menino.
— Desfrutaste de do percurso pela casa? — perguntou Ornar, levantando-se para recebê-la. Faith sorriu.
— Sim, muito. Têm uma casa preciosa.
Ornar tomou a mão e a conduziu para uma das cadeiras do jardim.
— Uma casa que já pode considerar como sua, querida.
— Gosta de um refrigerante, Faith? — Tibi se sentou ao lado de seu marido — Ou prefere esperar que cheguem o resto de nossos convidados?
— Convidados?
Faith dirigiu um olhar nervoso a Ali, que tinha estado surpreendentemente calado desde que tinham chegado. Este se encolheu de ombros, evidentemente alheio ao curso dos acontecimentos.
Tibi sorriu.
— Sim, espero que não se importe. Mas convidamos uns amigos para jantar. Alegramo-nos tanto de que Ali por fim tenha encontrado a felicidade, que queríamos aproveitar esta oportunidade para te apresentar a nossos amigos — Tibi tomou a mão de Faith e franziu o cenho. — Espero que não se importe, só virão uns quantos amigos e prepararemos um churrasco — olhou o relógio. — De fato, o buffet deveria já estar chegando para preparar tudo.
Só uns quantos amigos? Um simples churrasco? E para que precisavam de um buffet?
Sentindo-se um pouco afligida, mas decidida a dissimulá-lo, Faith forçou um sorriso e pensou agradecida na manhã que tinha passado às compras.
— É obvio que não me importo — voltou a sorrir para dissimular seu nervosismo. — Será uma honra conhecer seus amigos.
— Não podíamos deixar de celebrar o noivado de nosso filho — disse Tibi, olhando para seu marido.
Pareciam tão contentes que Faith não teve coração para decepcioná-los. Mas pensar que ia se converter no centro das atenções de uma festa era mais que suficiente para fazê-la sentir-se a ponto de desmaiar.
— Nesse caso, acredito que irei descansar no meu quarto — Faith se levantou. Precisava passar algum tempo a sós.
— Ali, mostre a Faith qual é o seu quarto, querido. Ponha-a em um dos quartos de hóspedes, na ala oeste, ao lado de seu quarto.
Ali terminou o copo de água mineral e se levantou.
— Farei-o encantado — tomou a mão de Faith. — Acredito que eu também descansarei um momento. Estou cansado e ontem de noite me deitei muito tarde.
— Trabalha muito — disse Tibi, recostando-se contra a cadeira e sorrindo ao casal. — Faith, quando se casarem, deveria insistir em que chegue em casa a uma hora decente para que possa jantar contigo. Ser um viciado no trabalho está bem quando se é solteiro, mas agora que vai ter uma família, Ali, tem que mudar a sua lista de prioridades.
— Não o aborreça, querida — disse Ornar com carinho, acariciando a bochecha de sua esposa. — E deixa tranqüilos os meninos. Eles farão as coisas a sua maneira, como nos as fizemos.
— Tem razão, querido — disse Tibi entre risadas. — E agora vão descansar um momento antes do jantar.
— Meu deus, neste quarto caberia toda uma equipe de futebol — disse Faith quando Ali a conduziu por volta da enorme suíte em que se alojaria durante o fim de semana. Saber que o quarto de Ali estava ao lado, e que ambos estavam conectados por uma porta, só servia para aumentar seus nervos.
— Espero que se sinta cômoda — disse Ali, enquanto abria as portas da terraço para que entrasse o sol.
— Cômoda? Poderia me esconder aqui e demorariam meses em me encontrar.
O quarto, decorado em tons rosa e verde lima, era a viva imagem da elegância. A enorme cama com dossel parecia uma antigüidade autêntica, igual ao resto dos móveis.
Ao redor de todo o quarto, havia vasos cheios de rosas, sem dúvida alguma, procedentes dos magníficos jardins de Tibi.
— Tenho que desfazer a mala.
Estava tão nervosa que lhe tremiam os joelhos e o estômago lhe dava voltas. Precisava ficar a sós para poder tranqüilizar-se. Não queria que Ali soubesse até que ponto a tinha assustado o anúncio de sua mãe.
— Já lhe desfizeram — lhe disse Ali, apontando para o armário.
— Oh...
Faith não estava acostumada a que fizessem as coisas por ela e não estava segura de que gostasse. Mas enquanto estivesse em Roma, disse-se, devia atuar como os romanos.
Voltou-se e descobriu Ali olhando-a com curiosidade.
— O que? — perguntou-lhe, tentando não deixar-se inquietar por seu olhar.
— Está assustada, Faith.
— Assustada? Eu? Por que vou estar assustada? — tentou rir, mas tinha a garganta tão seca que só conseguiu emitir uma espécie de grasnido.
— Está nervosa por causa desta noite, pelos convidados — não era uma pergunta, a não ser uma declaração, e Faith se amaldiçoou por ser tão transparente.
— Ali... — disse ruborizada —, não sou uma pessoa muito sociável. Não tenho muita experiência neste tipo de coisas — admitiu.
Ver a sempre forte e independente Faith batalhando contra seus nervos por culpa de uma festa familiar o comoveu além do dizível.
Faith fazia muitas coisas sem que ninguém a ajudasse, sem que ninguém a protegesse. Mas por aquilo, prometeu-se Ali, não teria que passar sozinha. Não permitiria que nada a alterasse enquanto ele estivesse perto.
— Não se preocupe — lhe disse, lhe estendendo as mãos para tranqüilizá-la. Desejava abraçá-la, sustentá-la e protegê-la para que nunca tivesse que voltar a ter medo de nada. — Só virão alguns amigos de meus pais.
— Sim, mas... — teve que tragar saliva.
Já estava suficientemente nervosa sem para ainda ter que suportar que Ali estivesse a sua frente, tocando-a. Seus pensamentos se pulverizavam como folhas levadas pelo vento. Obrigou-se a concentrar-se.
— Pessoas me põe nervosa — confessou e desviou o olhar, como se temesse perder-se nos magníficos olhos de Ali. — Sempre me senti mais cômoda com as máquinas que com as pessoas.
— Isso já me disse — se perguntava se saberia quão irresistível estava naquele momento.
— E o que vou dizer a toda a essa gente? Suponho que quererão saber coisas sobre mim, e não tenho nada que contar — franziu o cenho. — Eu não gosto de falar de minha vida pessoal, e, é obvio, também quererão saber como nos comprometemos, quando vamos nos casar... meu Deus... — interrompeu-se. Cada vez estava mais nervosa. — Ali, não sei se saberei o que responder.
E pensar que ia ter que enfrentar-se a dezenas de perguntas para as quais não tinha respostas a aterrorizava.
Inclinou a cabeça para olhar para Ali nos olhos, e, imediatamente, compreendeu que tinha cometido um engano. Seu rosto, aquela gloriosa boca, estava a só uns centímetros da sua. Sua memória reviveu o impacto que tinha suposto para ela sentir aqueles lábios sobre os seu e seu corpo reagiu imediatamente.
Tragou saliva, sentindo que lhe secava a boca.
— Faith, por favor, não se preocupe — incapaz de vê-la tão incômoda, abraçou-a. — Não se preocupe, eu me encarregarei de tudo — lhe acariciou as costas com extrema delicadeza. — Te prometo que não me separarei de seu lado.
Posou o queixo sobre seu cabelo. Faith parecia encaixar perfeitamente contra ele, pensou, permitindo-se a si mesmo o prazer de concentrar-se unicamente na sensação de seu corpo contra o seu; em seu aroma, aquela maravilhosa e feminina fragrância que sempre embriagava seus sentidos; na suavidade das curvas de seus seios, de seus quadris... E naquelas largas pernas roçando as suas.
Ali retrocedeu para olhá-la aos olhos.
— Estarei a seu lado todo o momento, grudarei em você como um chiclete à sola de um sapato.
— Bom, não sei se foi uma imagem muito agradável — disse ela com um sorriso.
— Estamos juntos nisto, Faith.
Juntos. Aquela palavra pareceu vibrar em seu cérebro.
Juntos. Ela e Ali.
Mas só durante o fim de semana, recordou-se com firmeza. E além disso, aquilo era uma farsa.
— Não quero fazer nada que possa pôr seus pais em uma situação embaraçosa... — franziu o cenho e tentou pensar melhor o que ia dizer.
Entretanto, limitou-se a lhe rodear a cintura com os braços e a deixar que todas as tensões abandonassem seu corpo. Com um suspiro, permitiu-se relaxar-se contra ele. Deixou que seu calor e suas palavras a consolassem. Cansada, posou a cabeça em seu ombro.
Surpreso pelo que Faith acabava de lhe confessar, Ali retrocedeu e a olhou nos olhos com o coração transbordante de um sentimento que não se atrevia a nomear.
— Está preocupada porque não quer pôr meus pais em uma situação embaraçosa?
Como podia saber que não havia nada que pudesse havê-lo comovido mais?
Faith o olhou e assentiu em silêncio, incapaz de lhe dizer quão importante era aquilo para ela. Sabia que não era o tipo de mulher da qual ele podia apaixonar-se, sabia e o aceitava, mas era evidente que seus pais não pensavam o mesmo que ela.
E tinham sido tão amáveis, tinham aceito tão abertamente seu amor, que não queria fazê-los sofrer por nada do mundo.
— Oh, Faith, não sabe quanto me comove — com um suspiro, Ali beijou seu cabelo, sua frente, suas bochechas, saboreando lentamente sua doçura. — É a mulher mais incrível que conheci — deslizou sua boca sobre seus lábios, deixando-se excitar por seu suave contato. — É tão autêntica, tão real, que leva a meu coração uma alegria que acreditava para sempre esquecida.
— Ali — suas palavras faziam que seu receoso coração voltasse a cultivar esperanças. — Oh, Ali.
Faith se esqueceu de todas as advertências que se reiterou centenas de vezes desde que tinha aceito viajar aquele fim de semana com ele. Esqueceu-se de tudo, salvo do homem que a estava abraçando. Inclinou a cabeça e elevou os lábios para ele.
— Me beije — lhe pediu.
E Ali o fez. Seu beijo não foi suave nem delicado, a não ser um beijo ardente, demandante, apaixonado. Esticou os braços ao redor de Faith, deixando que seu corpo respondesse à proximidade da jovem, a sua suavidade e ao desejo que nele despertava.
Ao primeiro contato de sua língua com os lábios de Faith, esta já estava gemendo brandamente e arqueando-se contra ele, como se quisesse acabar com a distância que havia entre eles e fundir-se com ele.
Abriu os lábios, lhe dando as boas-vindas ao interior de sua boca e lhe devolvendo toda a paixão de seu beijo. Seu corpo tremia enquanto Ali deslizava as mãos por sua cintura e seu traseiro e a estreitava contra seu sexo. Foi então quando lhe tocou gemer a ele, de seus lábios escapou um gemido que avivou ainda mais a paixão de Faith.
Um desejo cru e voraz que formava redemoinhos em seu interior com uma intensidade quase dolorosa. A ponto de enlouquecer de desejo, retorcia-se contra ele, desejando sufocar o fogo que as carícias de Ali tinham aceso.
— Desejo-te — murmurou Ali calmamente, deslizando a boca para seu pescoço e mordiscando-o antes de descender até seu seio.
— Sim — ofegou Faith, afundando os dedos em seu cabelo e sustentando sua cabeça contra ela enquanto Ali sugava seu seio.
Ansiando sentir sua pele contra sua pele, Ali deslizou as mãos sob seu top, se livrou dele e conseguiu que caísse até o chão. Faith não levava nada mais debaixo da jaqueta e ficaram ao descoberto sua pele branca e uns seios pequenos e perfeitos, coroados por escuros mamilos.
— Faith — sussurrou apenas Ali. — É tão formosa.
Sem mais, levantou-a em seus braços e a conduziu para a cama, inclinando ao mesmo tempo a cabeça para poder acariciar seus mamilos enquanto a deixava sobre a colcha.
Com um gemido, Faith lhe tirou a camisa da cintura da calça, atirou dela e a abriu até fazer que os botões saíssem disparados pelo quarto. Queria acariciar, sentir sua pele cálida e nua sob suas mãos.
Ali continuou beijando-a, fazendo-a chegar a cotas cada vez mais altas de paixão, até que Faith arqueou seus quadris contra ele e o abraçou gemendo agonizante de desejo.
Meio enlouquecido pela vontade de possuí-la, Ali tentava absorver cada sensação. Queria vê-la completamente nua, sentir como respondia seu formoso corpo ante ele.
— Faith — sussurrou enquanto lhe tirava as meias de seda com tanto afã que esteve a ponto de rasgá-las.
Sentia-se como se estivesse possuído pelo diabo. O desejo era tão capitalista que o arrastava a um profundo abismo de sentimentos que até então nunca tinha experimentado. Queria marcar Faith como se fora dele, para que nenhum outro homem pudesse ter nunca o prazer de possuí-la.
— É tão bela — murmurou, sabendo nesse preciso momento que para ele não haveria nunca outra mulher que pudesse comparar-se a ela.
Faith sentia um constante e ardente palpitar entre as pernas e se arqueou para ele, lhe suplicando em silêncio que lhe tirasse as calcinhas. Quando sentiu a mão de Ali desfazendo-se daquele diminuto objeto, esteve a ponto de gritar, mas o grito apenas se converteu em um gemido quando a mão de Ali foi subindo lentamente até instalar-se no pulso constante que ardia entre suas coxas.
Sacudida por uma miríade de sensações, Faith deslizava as mãos freneticamente por suas costas, como se quisesse absorvê-lo. E quando Ali começou a cobrir seu corpo de beijos, cravou desesperada as unhas em sua pele.
Um gemido de surpresa e deleite escapou de sua boca quando sentiu o calor dos lábios de Ali sobre as coxas.
Ao primeiro contato de sua língua entre suas pernas, gritou, fechou os olhos e elevou os quadris, desfrutando-se no intenso prazer que lhe estava entregando.
— Ali...
Logo que podia dizer seu nome. Naqueles momentos vivia alheia a tudo o que não fora o prazer que estava recebendo enquanto Ali a beijava mais intimamente do que ninguém o tinha feito nunca.
Presa de um delírio próximo ao desespero, deixou que Ali fosse elevando-a até o mais alto pico do prazer. Seu corpo tremia e esteve a ponto de gritar outra vez quando a inteligente e ousada boca de Ali a levou até o borda de um orgasmo tão violento que esteve segura de que o coração ia sair de seu peito.
Ali não lhe deu oportunidade de descender. Continuou percorrendo seu corpo, subindo por seu ventre, lambendo-a e mordiscando-a.
Faith o abraçou, desejando senti-lo dentro dela. Ali se deteve durante um instante para terminar de despir-se, e, quase imediatamente, descendeu com seu magnífico e masculino corpo sobre ela.
Com uma delicadeza extremada, beijou seus olhos e saboreou sua boca, até que Faith o envolveu entre seus braços e o sustentou com força contra ela.
— Ali, por favor — sussurrou Faith suplicante. Já não podia seguir esperando.
Ali se ergueu sobre ela e foi afundando-se lentamente em seu interior, sem deixar de olhá-la em nenhum momento nos olhos.
Faith respirava com dificuldade enquanto se arqueava contra ele, sentindo como a enchia. Ali começou a mover-se e lhe rodeou a cintura com as pernas, querendo que se afundasse completamente nela.
A segunda chegada à cúpula do prazer a alcançou quase por surpresa e foi tão intensa que logo que podia respirar. Gritou o nome de Ali e se aferrou a ele enquanto Ali a lançava ao abismo, levando com ele seu coração.
Algo lhe estava roçando a cara. Faith viu Ali sorridente enquanto lhe afastava uma mecha de cabelo do rosto.
— Você dormiu — disse brandamente, inclinando-se para beijá-la.
Faith curvou os lábios em um preguiçoso sorriso.
— Isso parece — estava nua, relaxada e abraçada a ele. — Me deixou esgotada.
Ali soltou uma gargalhada e se inclinou de novo para ela.
— E não fiz nada mais que começar — disse brandamente, e a beijou até fazê-la arquear-se contra ele. — Desgraçadamente, não podemos continuar se não quizermos chegar tarde ao jantar.
— O jantar — Faith franziu o cenho. — Quase me tinha esquecido.
Sentindo seus nervos, Ali lhe deu um beijo na frente.
— Não se preocupe, querida — tomou sua mão e a beijou também. — Recorda que estarei grudado a ti...
— Como um chiclete à sola de um sapato — terminou ela por ele. Ali sorriu.
— Tenho um presente para você — disse brandamente e pôs-se a rir ao ver que o olhava com os olhos entrecerrados.
— Outro presente? Eu gostaria que deixasse de comprar presentes.
— Ah, mas o último você gostou muito — replicou ele, sentando-se na cama.
— Porque eram refrigerantes, batatas fritas e barrinhas de chocolate.
— Creio que este presente te parecerá um pouco melhor. Sem preocupar-se com sua nudez, Ali se levantou da cama e cruzou as portas que uniam os dois dormitórios. Quando retornou, levava na mão uma caixinha de veludo negro.
— O que é? — perguntou Faith com receio.
— Não saberá até que não a abra. Vamos, abre-a.
Faith obedeceu e ao ver o que havia em seu interior ficou quase sem fôlego.
— Meu deus, que demônios é isto?
— É um anel, Faith. Seu anel de noivado.
— Não. Isto parece uma pista de patinação sobre gelo em miniatura — o diamante resplandecia como uma estrela. — Meu Deus, não posso aceitá-lo — devolveu a caixa com dedos trêmulos.
— E por que não?
— Meu deus, Ali, o que aconteceria se o perdesse?
— Compraríamos outro.
— Comprar outro — repetiu Faith, incapaz de afastar os olhos daquele magnífico anel engastado em platina. Ali tirou o anel da caixa e tomou a mão.
— Supõe-se que é minha noiva — deslizou o anel em seu dedo e sorriu. — Não posso te dar de presente um anel de lata como anel de compromisso.
— Pois acredito que me sentiria mais cômoda — não podia deixar de olhar o anel. Nem de sofrer ao recordar que todo aquilo era fingido.
Ali lhe deu um beijo na frente e a abraçou. Ao sentir seus seios nus contra seu peito, gemeu, desejando fazer amor com ela outra vez.
— É uma pena, mas temos que nos arrumar. Ou corremos o risco de que venha minha mãe ver por que demoramos tanto.
— Sua mãe? — Faith se tampou imediatamente com o lençol. — Meu Deus, sua mãe não pode me ver assim.
Ali soltou uma gargalhada e voltou a beijá-la antes de dizer:
— Estamos comprometidos, Faith. Confia em mim, minha mãe não se assustaria ao saber que nos deitamos. Esta é só uma maneira de demonstrar e compartilhar nosso amor. E agora, tenho que ir me vestir em meu quarto. Estará bem?
— Sim, claro — sorriu ao advertir sua preocupação. — Estarei bem, Ali, de verdade. E agora vai, para que possa tomar banho e me vestir.
Fiel a sua palavra, Ali esteve a seu lado durante toda a noite. Apresentou-a a todos os convidados, respondeu todo tipo de perguntas e se ocupou de que em nenhum momento lhe faltasse comida ou bebida. Pouco a pouco, Faith foi esquecendo o nervosismo e inclusive terminou desfrutando da festa. Os amigos de Ornar e de Tibi eram pessoas muito agradáveis e se alegravam de que Ali por fim tivesse decidido sentar a cabeça. Foram absolutamente amáveis com ela.
Seus pais a tratavam como se fosse um membro da família. Apresentavam-na orgulhosos a todo mundo, deixando muito claro que não podiam estar mais contentes com a escolha feita por seu filho.
Com a festa a ponto de terminar, Faith achou-se esgotada, agradecida porque se foram já quase todos os convidados e também um pouco culpada. Sentia-se culpada por sua mentira, e temia também não conseguir sendo capaz de ocultar seus verdadeiros sentimentos por Ali.
O que tinha começado como um simples favor, converteu-se em algo muito mais complexo. Faith elevou o olhar para as estrelas e sentiu que lhe enchiam os olhos de lágrimas.
Não podia seguir negando o que sentia por Ali. Não podia negar o que havia em seu coração. E depois de ter feito amor, depois de ter sabido quão maravilhoso era estar com ele, a situação se fato era muito mais difícil.
Ali nunca a amaria, ele mesmo o tinha admitido.
Ela o aceitava, sim, mas lhe resultava impossível fazê-lo enquanto continuasse fazendo-se passar por sua noiva.
Faith sabia que não podia continuar com aquela farsa. Não podia suportar ver a alegria e o alívio no olhar de seus pais sabendo o iriam sofrer quando descobrissem a verdade. Não podia suportar saber que ele nunca a amaria por mais que ela o amasse.
Consciente de que não podia prolongar aquela farsa nem um minuto mais, Faith deu meia volta para dirigir-se ao interior da casa. Tinha que pôr fim aquela mentira.
A questão era como.
CAPÍTULO XIII
Foi-se.
Ali despertou em uma cama vazia. Tinha passado a noite no quarto de Faith. Faziam o amor uma e outra vez, e em algum momento, perto do amanhecer, ficaram dormindo abraçados.
Mas naquele momento a cama estava vazia. Ali esfregou os olhos, olhou a seu redor e viu que a mala de Faith, que estava antes frente ao armário, tinha desaparecido.
Preso do pânico, saiu da cama.
— Faith? — procurou em toda a suíte, mas não havia sinal de Faith por nenhuma parte. — Faith?
Foi a seu dormitório, colocou rapidamente uns jeans e uma camisa e correu escada abaixo.
— Mamãe?
— Estou na cozinha —Tibi estava servindo uma xícara de chá enquanto Ornar lia o jornal.
— Onde está Faith? — perguntou, olhando desesperado a seu redor.
— Foi embora, Ali — respondeu sua mãe com voz fraca.
— Foi-se? Aonde?
— Contou-nos a verdade, Ali — lhe explicou sua mãe brandamente.
A culpa o golpeou com tanta força que teve que sentar-se em uma cadeira.
— Mamãe, sinto muito. Não pretendia...
— Compreendo-te, filho. Estava preocupado por nós — Tibi dirigiu a Ornar um rápido olhar. — Compreendo que atuou impulsionado pelo amor. Possivelmente não compartilhe o que fez, mas o compreendo — lhe serviu uma xícara de café e a estendeu. — Entretanto, não posso compreender como pudeste magoar tanto a Faith.
— Magoar Faith? — o café estava tão quente que esteve a ponto de escaldar a língua. — Nunca quis lhe fazer mal.
— Ela te ama — disse Tibi, fazendo com que seu filho levantasse o olhar para ela.
— Não, mamãe — respondeu ele com uma risada amarga. — Nisso se engana. Odeia-me. Acredita que sou um imoral e um mentiroso.
Tibi assentiu.
— Compreendo o de mentiroso, Ali. Mas se engana ao acreditar que não te ama — se aproximou dele e lhe acariciou o cabelo. — Filho, seu pai e eu sabíamos desde o começo que seu compromisso era uma farsa.
— O que? — Ali olhou atônito para sua mãe.
— Não somos tolos, filho. Mas quando conhecemos Faith, demo-nos conta de que era a mulher perfeita para você. Eu sabia que estava mentindo para mim sobre seu compromisso — sorriu —, mas era consciente do quanto que a amava. E decidi organizar este fim de semana para que fosse consciente de seus sentimentos para com Faith.
— Mamãe — Ali sacudiu a cabeça. — Não penso voltar a me apaixonar outra vez.
— Ali, sei o muito que sofreu ao perder a Jalila, mas aconteceu muito tempo após e só era um menino. Agora é um homem e não deveria permitir que a dor do passado te negue a felicidade do futuro.
— Mamãe, o amor não é necessário para desfrutar de um casamento feliz — a olhou. — Olhe para você e papai.
Tibi olhou surpreendida para seu filho.
— E o que te faz pensar que nosso casamento não tem a ver com o amor?
— Você e papai não estão apaixonados. Oh, compartilhastes muitas outras coisas maravilhosas, fostes autênticos companheiros, mas são a prova de que o amor não é necessário para que um casamento funcione.
— Já entendo — disse Tibi, com um assentimento de cabeça. — Ornar?
— Sim, querida.
— Alguma vez deixou Ali cair no chão quando era menino e bateu com a cabeça?
— Não, querida.
Tibi se voltou de novo para o Ali.
— Então não há desculpa para essa estupidez, meu filho. Se acha que seu pai e eu não estamos apaixonados, é que está cego. Embora seja certo que o nosso é um casamento arranjado, seu pai e eu nos apaixonamos quase do momento que nos conhecemos.
Ali olhou para sua mãe surpreendida.
— Você e papai... apaixonados?
Enfadada,Tibi deu a Ali um soco no pescoço.
— É um homem muito sábio para estar tão cego, Ali. Como é possível que não seja consciente do quanto que seu pai e eu nos amamos? — compadecendo-se de seu filho, sentou-se a seu lado e posou a mão em seu braço. — Está apaixonado por Faith, não é verdade?
— Não — Ali sacudiu a cabeça, incapaz de admitir o que seu coração já sabia.
— Não minta para você mesmo. Um homem que não é capaz de admitir a verdade ante si mesmo é um estúpido.
Ali bebeu um gole de café. Estava muito triste para poder responder.
— Você a quer, filho? — insistiu Tibi. Ali soltou uma baforada de ar lentamente. sentia-se como se estivesse na borda de um precipício.
— Sim — sacudiu a cabeça, incapaz de acreditar que tivesse aquele sentimento que tanto tinha tentado evitar o alcançado. — Sim, quero-a. E... agora não sei o que fazer.
Para sua surpresa, Tibi se pôs a rir e lhe aplaudiu a mão.
— É um homem engenhoso e teimoso, filho, além de inteligente — lhe disse com imenso amor. — Estou segura de que saberá o que tem que fazer.
Tibi colocou a mão no bolso da bata e tirou uma caixinha negra que deixou junto a seu filho.
— Acredito que isto pertence a Faith. Possivelmente deveria devolver-lhe. E desta vez, te assegure de que o anel fique onde tem que estar.
Nervosa como um tigre enjaulado, Faith caminhava sem descanso frente à janela, sem saber o que fazer. Tinha passado uma semana desde que havia retornado da casa dos pais de Ali. Uma semana durante a qual tinha ignorado suas chamadas, suas flores, seus e-mails. Tinha o coração destroçado, mas sabia que não podia ceder. Ela o amava e merecia que o sentimento fosse recíproco.
Entretanto, Ali não podia amá-la. Tinha-o admitido.
Faith não queria vê-lo nem pensar nele, mas aquele dia ia reunir-se com o Abner Jossiyn. Este a tinha chamado e lhe tinha pedido que se reunissem no escritório de sua consultoria, posto que estava de caminho para o aeroporto e ele andava mal de tempo. Além disso, queria conhecer sua empresa, havia-lhe dito, e depois tinha mencionado que queria que Ali estivesse na reunião.
Faith não tinha podido negar-se. Não podia fazê-lo sem parecer pouco profissional, algo que não podia permitir-se em um momento no qual sua companhia, graças ao dinheiro obtido com o contrato da El-Etra, estava a ponto de um de seus maiores êxitos.
Assim ali estava, esperando nervosa sua chegada. Aproximou-se uma vez mais da janela e pressionou a frente contra o vidro, esperando a chegada de Ali. E quando se deu conta do que estava fazendo, sentiu nos olhos a ardência das lágrimas.
Como sua mãe.
Frente à janela e esperando por um homem que lhe tinha mentido, que a tinha enganado.
Faith tragou saliva para eliminar o nó que tinha na garganta e se levantou. Secou-se as lágrimas e afundou as mãos no bolso da calça.
— Faith.
Faith deu meia volta ao ouvir a voz de Ali. Ficou estupefata ao vê-lo na porta de seu escritório. Não lhe tinha ouvido entrar.
— Como entrou? — perguntou-lhe, levando-a mão a seu palpitante coração. — Como conseguiste que Martha te deixasse passar?
Ali sorriu lentamente, passou ao interior do escritório e fechou a porta atrás dele.
— Subornei-a — ao ver o gesto indignado de Faith, pôs-se a rir. — Era uma brincadeira, Faith.
Queria abraçá-la, beijá-la e afastar as sombras que as lágrimas tinham deixado em seus olhos.
— Não me teria surpreendido — replicou ela, nervosa e inquieta.
Começou a percorrer a sala, temendo permanecer quieta e que ele se aproximasse.
— Onde está o senhor Jossiyn?
— O senhor Jossiyn não vai vir.
Faith o fulminou com o olhar.
— O que quer dizer com que não vai vir?
Ali se encolheu de ombros.
— Cancelou a entrevista.
— Então o que está fazendo você aqui?
— Vim a falar contigo.
— E não te ocorreu pensar que ao melhor eu não quero falar contigo?
— Sim, Faith, me ocorreu, posto que se negou a responder as minhas chamadas, não respondeu a meus e-mails e esteve me ignorando quase uma semana.
— E pretendo continuar te ignorando.
— Estava equivocado, Faith.
Aquilo a obrigou a deter-se. Jamais lhe tinha ouvido reconhecer um engano.
— Equivocado? A respeito de que? — perguntou com tanto receio que Ali pôs-se a rir.
— A respeito de você. E a respeito... — se aproximou dela. — Estava equivocado sobre a possibilidade de me apaixonar por você.
Faith o olhou com o cenho franzido.
— A que se refere exatamente? Deixou muito claro que não podia te apaixonar por uma mulher como eu.
Ali continuou aproximando-se dela, encurralando-a contra a janela.
— Não, eu não disse que não podia me apaixonar por uma mulher como você, Faith — disse brandamente. — O que eu disse foi que não podia me apaixonar — suspirou, procurando desesperadamente as palavras adequadas. — Depois da morte de Jalila, senti-me como se eu também tivesse morrido. Tinha-a amado muito, Faith, e sabia que não podia voltar a sofrer tanto — sorriu com tristeza. — Não queria voltar a me sentir vulnerável frente a uma mulher. Não queria que uma mulher voltasse a significar tudo para mim, sabendo que podia perdê-la.
— Está me dizendo que decidiu não voltar a se apaixonar porque não queria voltar a sofrer?
— Algo assim — admitiu. — Mas isso foi até te conhecer. Antes de que irrompesse em meu escritório, em minha vida, e a pusesse todo do avesso.
A esperança começava a florescer em seu peito, mas Faith tentou contê-la.
— O que me está dizendo exatamente, Ali? — tomou a mão enquanto lhe acariciava a bochecha.
— Estou dizendo, querida Faith, que te amo — fechou os olhos e a enorme cadeia que tinha mantido presa a seu coração durante anos se rompeu, deixando-o de novo livre, esperançado e feliz. — Te quero mais que a nada no mundo. Para mim o é tudo.
— Oh,Ali — as lágrimas voltaram para seus olhos. Mas naquela ocasião, eram lágrimas de alegria.
— Não quero te fazer chorar outra vez — disse Ali, alarmado pelas lágrimas. Elevou sua mão livre e secou a umidade de suas bochechas. — Quero que se case comigo, Faith, que viva comigo, que me ame, que tenhamos filhos e envelheçamos juntos — procurou seus olhos e a olhou com um amor imenso. — Por favor, acredite em mim, Faith, sou um homem sincero e te honrarei todos os dias de nossa vida. Por favor, me diga que se casará comigo.
— Oh, Ali — se jogou em seus braços e se aferrou a ele como se isso fosse a vida. — Eu também te quero com todo meu coração. E sim, claro que sim, me casarei contigo.
— Faith — Ali a estreitou contra ele sentindo-se como se o mundo voltasse por fim a sua órbita. — É tudo o que sempre quis mas nunca acreditava poder ter. Tudo o que sempre necessitei — emoldurou seu rosto com as mãos e o cobriu de beijos. — Te amarei durante toda uma eternidade, Faith Martin.
— Eu também te amarei durante uma eternidade, Ali.
Ali se separou dela rindo.
— E agora, temos que telefonar para meus pais para lhes dar a boa notícia — meteu a mão no bolso e tirou uma caixinha de veludo. — Como certo, acredito que isto te pertence.
Com um suspiro, Faith colocou o anel no dedo. O lugar que sempre teria tido que estar.
— Quero um casamento rápido, Faith. Não quero esperar mais tempo do que o necessário.
Faith assentiu enquanto Ali a conduzia até a porta.
— Por mim está ótimo. Ali, aonde vamos?
— A celebrá-lo — respondeu ele com um sorriso. — E dizer-lhe a meus pais. Minha mãe ficará encantada. Por fim vai conseguir esses netos ruivos que tanto queria.
— Deixemos que se ocupe das bodas antes de começar a pensar em netos — Faith deslizou a mão na sua enquanto caminhavam juntos para o elevador. — Em qualquer caso, eu gostaria de começar o quanto antes.
As portas do elevador se abriram,
— Sim, Faith, o quanto antes. Oh, quase me esquecia — comentou Ali quando estavam no interior do elevador.
Colocou a mão no bolso e tirou uns documentos que lhe estendeu.
— O que é isto? — perguntou Faith com receio.
— É um contrato para que ponha em dia o sistema informático de todas as empresas do Abner Jossiyn.
— De todas?
— De todas — lhe tirou o contrato e voltou a meter-lhe no bolso. — Em qualquer caso, passará algum tempo até que possa se dedicar a esse trabalho — deu um profundo beijo. — Antes quero que cumpra com outro contrato. O contrato de casamento. Depois poderá fazer o que quiser — a beijou outra vez. — Te amo, Faith.
— Eu também te amo.
E saíram do elevador abraçados, caminhando juntos para o futuro, para uma nova vida.
FIM
Não perca o próximo livro da saga dos Colton, “Sempre contigo”, de Judy Christenberry
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