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Friday, December 17, 2010

Kasey Michaels - Adorado Lobo – um intruso no eden p.03

CAPÍTULO 3
Em casa. Jamais aquela palavra lhe tinha parecido tão bonita.
Sophie ia sentada no assento de passageiros do carro de seu pai enquanto Joe conduzia para a Fazenda da Alegria.
A jovem riu dissimuladamente ao recordar o dia que River lhe tinha falado de outra Casa da Alegria que em outros tempos tinha sido uma casa de prazer. Sophie lhe tinha respondido muito ofendida que não era isso o que seus pais tinham em mente quando tinham posto o nome ao rancho e dez minutos depois tinha ido contar-lhe a mesma história a seu irmão mais velho, Rand, que se tinha escandalizado ante o tipo de coisas que sabia sua irmãzinha.
River tinha levado uma boa reprimenda por haver contado, algo que se merecia, posto que Sophie também tinha recebido seu correspondente sermão a respeito do que se supunha que uma dama devia reconhecer que sabia.
Sophie levantou a mão para se proteger do sol enquanto o carro entrava na estrada do rancho. Nada tinha mudado desde sua última visita. Nada tinha alterado a beleza da Fazenda da Alegria.
Ali continuava a parte central da casa, um edifício de cor areia de dois andares com um alpendre de pilares e telhado de terracota.
O sol continuava nascendo em frente à fachada principal e se pondo por detrás da casa, sobre o Pacífico que acariciava os escarpados.
A ambos os lados do edifício, havia caminhos que levavam à casa; cada um deles desfrutava de uma maravilhosa vista do mar e daqueles jardins que tão importante papel tinham na vida cotidiana da casa.
Eram muitas as pessoas que tinham vivido naquela fazenda durante anos. Os pais de Sophie ocupavam um enorme quarto situado na ala sul. Os dormitórios de Amber e Sophie também estavam ali, e na ala norte se encontravam os de seus irmãos.
Tinha sido uma casa transbordante de amor e felicidade.
Mas já não o era.
— Felizmente, não vai ter que subir muitas escadas — lhe disse Joe a sua filha enquanto parava o carro. — Embora me temo que vai ter que se acostumar a chamar para te ajudar durante uma temporada, pelo menos seus irmãos. Mas recorda, Sophie, que é uma medida de seu afeto. Todo mundo esteve terrivelmente preocupado por ti. E aos meninos custa expressar seus sentimentos.
Sophie sorriu e sacudiu a cabeça.
— Senador, será que alguma vez deixa de me surpreender? Como é possível que ainda continue nos dando lições? Não te ocorreu pensar que talvez crescemos?
— Jamais. Nem no mais louco de meus sonhos — respondeu Joe, alargando o dedo para o nariz de sua filha. Sophie retrocedeu ante aquele contato, voltou a cabeça e se levou a mão à cicatriz. — Pequena...
— Não, agora não — replicou Sophie muito tensa. Estava nervosa pelas possíveis reações de seus irmãos ao vê-la. — Entremos, de acordo?
Joe deixou a bagagem na caminhonete e saiu para abrir a porta para Sophie. Continuando, caminhou com ela até a porta principal, onde a estava esperando Ines Ramírez, a governanta, com um enorme sorriso no rosto.
— Bem-vinda a casa, senhorita Sophie — disse Ines, estreitando-a em seus braços.
Sophie agradeceu aquele abraço que tanto necessitava.
Depois chegou o momento de ir para a sala que era o centro nervoso da casa; uma enorme sala mobiliada de maneira informal.
Estava vazia.
— Papai? — perguntou Sophie, voltando-se para seu pai, que assinalou para as portas de cristal que davam ao jardim.
Seguindo o curso de seu olhar, Sophie pôde ver sua mãe descansando em uma cadeira de balanço, ao lado da piscina, com um Top, uma canga a jogo e uns óculos de sol.
— Vou procurá-la — se ofereceu Joe, mas Sophie negou com a cabeça e se encaminhou para o jardim. — Sophie, sua mãe não sabia a que horas íamos chegar — se desculpou atrás dela, mas quase imediatamente, soltou uma maldição e se voltou. Não tinha forças suficientes para ser testemunha daquela cena.
Sophie saiu mancando para o jardim e desceu lentamente os degraus da porta. Naquele momento, passava-lhe desapercebida a beleza do jardim; só era capaz de ver sua mãe, a mulher que só tinha falado com ela por telefone em uma ocasião durante as últimas seis semanas, a mulher que não tinha tido nem tempo nem vontade de ir vê-la em São Francisco.
Sophie permaneceu ao lado de sua mãe e baixou o olhar por volta daquela mulher com a qual tantas coisas tinha compartilhado durante os anos de infância.
“Quem é?”, perguntou-lhe mentalmente, “porque você não é minha mãe. É impossível que seja minha mãe”.
— Olá mamãe — a saudou, ao ver que Meredith não reagia ante sua presença. — Voltei para casa.
Meredith elevou a mão, tirou os óculos de sol, sentou-se e levantou o olhar para o Sophie.
— Ora, já retornou — comentou, e olhou para a bengala de metal de Sophie. — Vai ter que usar isso durante muito tempo? É que tem um aspecto tão... médico. Não poderia utilizar algo mais bonito?
— Eu também me alegro de te ver, mamãe — disse Sophie, deixando-se levar pela fadiga e sentando-se ao lado de sua mãe. Mantinha a cabeça inclinada para evitar que sua mãe visse a cicatriz.
— Não seja tão insidiosa, Sophie — respondeu Meredith. — É que ainda não te deste conta de que tem vinte e sete anos? Já é suficientemente adulta para viver sua própria vida. Queria ser independente e deixamos que fosse. Mas, evidentemente, apesar de toda sua independência, se fosse realmente adulta não faria que seu adorado pai tivesse que ir correndo te ver assim que quer que esteja a seu lado.
O impacto fez com que Sophie elevasse a cabeça. Imediatamente, viu o horror nos olhos de Meredith. Sophie levou a mão para o queixo, mas já era muito tarde, porque sua mãe tinha visto tudo o que tinha que ver.
Meredith torceu a boca com um gesto de desagrado.
— E seu pai dizia que a cicatriz não estava tão mal. Onde tem os olhos esse homem? Não sei como vai arrumar isso com esse aspecto tão horrível. E diz seu pai que você rompeu com Chet? Isso não foi muito inteligente, Sophie. Como espera conseguir outro homem com essa cara? De verdade acredito que deveria... Mas aonde vai? Assim é como lhe educamos? Como se atreve a partir quando sua mãe está falando?
Mas Sophie já estava afastando-se de sua mãe a toda velocidade, perguntando-se, enquanto o fazia, como demônios lhe teria ocorrido retornar a sua casa.

River retornou aos estábulos depois de ter visto chegar o carro de Joe e ter reconhecido Sophie no assento de passageiros.
Sim, tinha voltado para casa sem nenhum anel na mão.
Em qualquer caso, a volta só era temporário, uma espécie de descanso para reparar as seqüelas daquele horrível assalto. Joe tinha contado a River quão afetada estava Sophie pela cicatriz que cruzava seu rosto, tinha-lhe contado que a jovem se negava a reconhecer que a cicatriz ia desaparecendo pouco a pouco, que cada dia era menos visível para outros.
Se ninguém mencionava aquela cicatriz, se não lhe davam muita importância, Sophie logo seria capaz de enfrentar-se a ela e submeter-se à operação que poria fim ao trabalho que o médico tinha começado no hospital.
Sophie tinha estado fazendo reabilitação quase desde o começo e, uma vez recuperado o joelho, começariam a lhe reforçar os músculos que tinham ido se debilitando pela falta de uso.
Sophie estava bem. E ia ficar ainda melhor.
River se repetia aquele mantra todas as noites. Sophie estava recuperando-se. Voltaria com sua família e eles fariam tudo o que estivesse em suas mãos para ajudá-la a sarar. Logo seria a mesma jovem feliz e otimista de sempre.
Durante todo o dia, River se manteve ocupado nos estábulos, tentando encontrar uma desculpa para não ter que aproximar-se da casa. Para não ter que ver Sophie.
Em qualquer caso, ela estaria também muito ocupada, rodeada de toda a família que certamente estaria lhe dando as boas-vindas. Ele inclusive poderia jantar com os trabalhadores do rancho em vez de fazê-lo em casa; ao fim e ao cabo, era algo que fazia habitualmente.
— Covarde — murmurou para si enquanto pendurava a braçadeira que acabava de revisar. — O que crê que te vai fazer, estúpido? Te arrancar a cabeça? — baixou o olhar e suspirou. — Te ignorar?
De acordo, sim, podia ignorá-lo. Ou inclusive algo pior. Podia tratá-lo da mesma forma que tratava ao resto de seus irmãos. Podia alegrar-se de vê-lo, mostrar-se educada e adorável com ele. Mas não tratá-lo de uma forma especial, como fazia anos atrás.
River não teria podido sobreviver sem Sophie. Sabia, embora ela não fosse consciente disso.
Quando tinha chegado ao rancho, River era um adolescente rebelde, carregado de ódio, fúria e desespero. Atacava a todos aqueles que se aproximavam dele ou tentava ajudá-lo, embora não se deu conta até muitos anos depois de que mantinha a distância porque tinha muito medo de que alguém entrasse em seu mundo e depois o abandonasse.
River era filho de um rancheiro branco e uma nativa americana. Seu pai só se casou com ela porque a tinha deixado grávida e, ressentido contra ela e contra Rafe, filho de um primeiro matrimônio de sua mãe, submetia-a a um contínuo mau trato.
As primeiras lembranças de River eram de sua mãe e de seu pai zangados.
E depois sua mãe o tinha deixado. Tinha morrido quando ele só tinha seis anos. Sua irmã pequena, Cheyenne, tinha sido acolhida por sua avó materna para ser criada na reserva indígena. Rafe, o tutor de River, também se tinha instalado na reserva porque seu pai não o queria. Mas a River não tinha permitido. Não, ele queria River. Tinha já seis anos, idade suficiente para ajudá-lo no rancho.
Todo o amor tinha desaparecido da vida de River depois da morte de sua mãe, quando tinham afastado sua irmã e seu irmão de seu lado. E sua própria vida se viu reduzida, a evitar os golpes de um bêbado.
A escola era um lugar ao qual River ia quando seu pai estava tão bêbado que ficava dormindo no sofá e não podia impedi-lhe de ir atribuindo qualquer outra tarefa. E tinha sido na escola onde uma professora tinha visto as feridas de River quando este tinha nove anos.
Seu pai abandonou naquela época o rancho e River foi transferido para o rancho Hopechest, um lugar para meninos com problemas.
River odiava estar ali. Odiava a amabilidade, os cuidados e as promessas constantes de que estava a salvo, de que não tinha nada do que preocupar-se. O que sabiam aqueles supostos benfeitores? Estava sozinho, isso era a única coisa que tinha conseguido. Sua mãe tinha morrido, sua família materna não queria ou não podia se encarregar dele e seu pai era um bêbado que poderia aparecer a qualquer momento e arrastá-lo de novo até o rancho.
River encontrava algum consolo nos cavalos do rancho, um projeto iniciado por Joe Colton, um caridoso contribuinte que acreditava que cuidar dos cavalos poderia ajudar os meninos a assumir responsabilidades e a aprender a cuidar de outros.
Assim era como tinha começado sua relação. River James e Joe Colton; Joe era um homem rico e suficientemente cabeça dura para ignorar a animosidade do adolescente e seus constantes rechaços e ao final o tinha levado para viver em sua própria casa.
Joe e Meredith feito todo o possível por ele. E também o resto dos Colton. Mas River ignorava sua amabilidade e passava os dias indo para a escola e rondando pelos estábulos. A Fazenda da Alegria não era exatamente um rancho, mas Joe Colton criava cavalos e isso já era suficiente para River.
Entretanto, não tinha podido dar as costas a Sophie Colton pela simples razão de que ela se negava a afastar-se de seu lado, a deixá-lo sozinho. Ele a insultava, ignorava-a, o fazia saber que sua companhia não era bem-vinda.
Mas não lhe tinha servido de nada.
Durante a adolescência, Sophie era uma menina desengonçada e magra. Usava aparelho nos dentes e o cabelo preso em uns estúpidos rabos-de-cavalo. Com uma curiosidade que tinha estado a ponto de voltá-lo louco, perguntava-lhe constantemente por que fazia isso ou aquilo, que tal lhe tinha ido o dia ou se a próxima vez a deixaria sair a montar com ele.
River desejava estrangulá-la. Sua tenacidade o enfurecia... até que, ao cabo de um tempo, deu-se conta de que Sophie era especial. Todos os Colton eram especiais, mas Sophie era extraordinária. Tinha um coração tão grande que nele podia caber o mundo inteiro, a ele inclusive. Pouco a pouco, Sophie tinha ido minando suas defesas e tinham terminado convertendo-se em amigos inseparáveis.
E depois Sophie tinha jogado tudo a perder; tinha crescido e tinha começado a ver River como a seu namorado, seu primeiro amor. Deus, aquela tinha sido uma época muito difícil. Especialmente porque River também se sentia como seu namorado. Desejava ser ele o que despertasse Sophie ao amor, queria mantê-la entre seus braços para sempre.
Tinha sido um estúpido ao aceitar acompanhá-la ao baile da escola. E mais ainda ao beijá-la.
Depois daquilo, Sophie se tinha ido. E a última imagem que River tinha dela era a de uma Sophie com os olhos cheios de lágrimas, despedindo-se dele e deixando-o novamente sozinho.
River deveria haver-se ido então, ter deixado o rancho e aos Colton. Era suficientemente adulto para buscar uma nova vida. Mas então tinha tido lugar o acidente de Meredith, a separação matrimonial e a posterior infelicidade de Joe durante aqueles nove anos.
Como River ia abandonar a um homem que lhe tinha dado tanto?
De modo que tinha ficado com Joe e tinha esperado que Sophie retornasse para casa, sabendo no fundo que nunca o faria. Era impossível que abandonasse sua bem-sucedida carreira profissional em São Francisco. E, além disso, levava esse estúpido anel de compromisso...
— River? Está aqui?
River saiu do quarto dos arreios e caminhou para Joe Colton, que estava na porta do estábulo. Parecia cansado e derrotado.
— Senador? Vai tudo bem? Vi-o chegar faz um momento com o Sophie.
River tirou duas latas de refresco de um pequeno refrigerador e estendeu uma para Joe, lhe fazendo ao mesmo tempo um gesto para que saíssem. Uma vez fora, sentaram-se em um banco situado ao lado da porta do estábulo.
— Joe, vai tudo bem? Refiro-me a que você mesmo me disse que Sophie estava bem...
— Não, não é nada disso. Os médicos de Sophie estão muito satisfeitos com seus progressos. Todos. E também estão seguros de que indo a reabilitação três vezes por semana poderá recuperar-se fisicamente. É só que... que...
— Meredith? — perguntou River, apertando os dentes. — Conte-me, o que fez?
Joe, incapaz de continuar quieto, levantou-se e começou a caminhar.
— É mais o que não tem feito. Durante estas semanas não tem feito nada por Sophie e, quando ao final diz algo, a única coisa que consegue é fazê-la sofrer também. A pobre Sophie está chorando a lágrima viva em seu quarto.
— Sophie está chorando? Por quê? — River apertou a lata de refresco e a atirou ao cesto de papéis que havia ao lado do banco.
Joe voltou a sentar-se a seu lado.
— Meredith nem sequer saiu para nos receber quando chegamos. Estava na piscina, tomando sol, e depois disse a Sophie que sua bengala lhe parecia horrível e a cicatriz ainda mais. Lhe disse… lhe disse que não deveria ter deixado Chet porque com essa cicatriz não vai poder conseguir nenhum homem.
River murmurou algo ininteligível e se levantou. Essa era Meredith. Sempre dizendo o mais inapropriado, incapaz de preocupar-se com alguém que não fosse ela mesma, ou Joe e Teddy. Ninguém mais lhe importava. O resto dos membros da família só lhe servia para cravar neles suas odiosas garras.
— E agora o que vamos fazer?
Joe se encolheu de ombros.
— Não sei, filho. Sophie estava muito afetada por essa cicatriz, mas eu pensava que estando aqui conosco o superaria Não esperava que Meredith Oh, diabos, River, o que aconteceu? O que aconteceu a todos?

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