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Monday, December 20, 2010

Judy Christenberry THE DOCTOR Delivers p.06

Seis

O aeroporto de Saratoga Springs, mesmo pequeno, tinha todas as amenidades de um aeroporto de maior porte, in­clusive o tráfego. Nick estava a cinco carros da limusine quando entrou no aeroporto, mas acabou ficando ainda mais longe enquanto outros carros entravam e saíam apres­sados.
Quando finalmente chegou onde Liza deveria estar, a limusine estava partindo. Suspirando aliviado, ele estaci­onou e olhou para a calçada. Quando não a viu, seu cora­ção bateu em disparada e o pânico tomou conta.
Onde estava Liza? Era para estar esperando ali por ele. Será possível que tenha mudado de idéia e ido para Nova York? Não, ele protestou em silêncio. Ela não faria isso.
E se fizesse, ele a seguiria.
Essa idéia deixou claro para Nick que ele investira mais em Liza do que pretendia. Não, era apenas porque estava preocupado com ela como paciente, argumentou o médi­co dentro dele.
O mais importante agora era manter Liza fora de perigo.
O que deveria fazer? Se estacionasse o carro, teria de ir a um dos estacionamentos perto dali. Nick vira um dos carregadores sair do prédio. Deixou o carro em ponto morto e acenou para ele.
- Sim, senhor - disse o rapaz.
Nick pegou a carteira. Como não tinha bagagem a ser carregada, precisava compensar o rapaz por seu tempo.
- Preciso de informação - disse, dando ao rapaz uma nota de dez dólares. - Você viu uma mulher de cabelos curtos e escuros sair de uma limusine?
O rapaz ergueu as sobrancelhas e analisou Nick. Fi­nalmente, disse:
- Talvez.
- Ela entrou no prédio?
- Claro. Ela precisou correr para pegar o vôo.
Nick levou um choque. Ela não iria embora sem avisá-lo. Ele não podia acreditar...
Atrás do rapaz, Nick viu Liza, pálida, aparecer próxi­ma à porta, procurando por ele desesperada.
- Obrigado - disse Nick. Ele quis ir até Liza, mas de­duziu que o carregador o observaria. Quando o rapaz saiu para atender outro viajante, correu para o carro e abriu a porta traseira.
Naquele momento, Liza o viu e quase correu para o carro. Ele a colocou no banco traseiro.
- Deite-se! - sussurrou ele.
Nick contornou o carro e sentou atrás do volante bem a tempo. Um policial caminhava na direção deles. Nick saiu com o carro na direção do tráfego.
- Você está bem? - perguntou o médico, olhando pelo retrovisor.
- Sim, mas... mas ele estava aqui!
- Quem?
- O homem do hospital!
- O quê? - Nick quis pisar no freio e abraçar Liza. A voz da moça estava trêmula. Mas o melhor a ser feito era sair do aeroporto o mais rápido possível. - Onde?
- Ele era a segunda pessoa na fila atrás de mim. Esta­va de boné e vestia a mesma camisa azul. Tenho certeza que era ele.
- Ele viu você?
- Tenho certeza que sim. É por isso que estava na fila. Ele também estava comprando uma passagem para Nova York. Mas ele não me viu ir embora. Acho que deduziu que eu fui para o portão de embarque.
- Você comprou uma passagem para Nova York?
- O motorista me disse que o último vôo partiria em 45 minutos e que eu precisava me apressar. Não pude fi­car do lado de fora esperando por você, então decidi com­prar uma passagem para melhor disfarçar.
Nick respirou aliviado. Ela não planejara fugir dele, o que era ótimo, uma vez que o homem estava no encalço dela.
- Alguém está nos seguindo? - perguntou Liza.
Nick olhou pelo retrovisor. Havia uma minivan logo atrás e ele pôde ver um bando de crianças dentro. Em se­guida, uma limusine parecida com a que Liza usara empa­relhou e os ultrapassou.
- Não, não há ninguém por perto, exceto por uma fa­mília. Mas acho que você deveria permanecer deitada. Não queremos que ninguém a veja comigo. - Ao perceber que ela não respondera, olhou para trás. Liza estava de olhos fechados, respirando ritmadamente.
Adormecera.
Nick pegou o celular e ligou para casa.
- Bonnie? Pode preparar uma sobremesa ou algum petisco para nossa hóspede? Estou levando-a para casa agora.
- Tenho uma torta de chocolate que fiz hoje à tarde - disse a sra. Allen.
- Ótimo. E... Bonnie, você não pode falar para nin­guém que temos visita.
- Por quê?
- Explico quando chegarmos aí.
Quando Nick retirou Liza do carro, ela o agarrou bem forte, sem sequer acordar, aproveitando a segurança que sentia nos braços dele. Abriu os olhos lentamente.
- O quê... Oh! Dr. Hathaway!
- Achei que fosse me chamar de Nick - disse ele.
- Ela está doente? - alguém perguntou.
Liza levantou a cabeça, dando-se conta de que estava com os braços em volta do médico.
- Não, eu adormeci - disse Liza.
A empregada de Nick tinha cerca de 60 anos, com um sorriso caloroso que incendiava seus olhos azuis.
- Liza, esta é minha empregada, sra. Allen. Bonnie, esta é Liza. Ela ficará conosco por um tempo.
- Liza Colton, não acredito!
- Você a conhece? - perguntou Nick, pasmo.
- Claro que sim. Até fiquei sabendo que estava doente e cancelara o show. Você está bem, meu amor?
- Estou melhorando - disse Liza, percebendo que a voz voltara a ficar rouca. - Só um pouco cansada.
- Depois de comer algo vai direto para a cama - disse Nick.
- Comer? Mas já jantei.
- Isso foi há algumas horas. Bonnie fez sua famosa torta de chocolate. Você vai comer um pedaço.
Torta de chocolate foi o melhor remédio receitado a ela, então aceitou.
- Talvez seja melhor se trocar no quarto e eu levar a torta para você - ofereceu a sra. Allen, sorrindo.
Liza também sorriu, gostando da idéia, quando de re­pente se deu conta da situação.
- Eu não tenho nenhuma roupa! Nick e a sra. Allen olharam para ela.
- Mas sua mala... - disse Nick.
- Está a caminho de Nova York - disse Liza. - Fiquei com a bolsa de maquiagem, escova de dentes, pente e es­cova. Xampu e esse tipo de coisa, mas nenhuma roupa.
- Droga! Eu não pensei nisso.
A sra. Allen lançou um olhar estranho para Nick. Em seguida, tocou no ombro de Liza.
- Não se preocupe. Sente-se e coma um pedaço de tor­ta que encontraremos algo para você vestir. Amanhã cedo, Nick poderá comprar algumas roupas para você.
Liza se sentou. Ainda bem, pois suas pernas já esta­vam fracas.
Nick, com as mãos na cintura, olhou para a sra. Allen.
- Amanhã é domingo. Não haverá muitas lojas aber­tas antes do meio-dia.
- Algumas estarão. Você pode comprar algumas coi­sas e deixar que ela encontre outras mais tarde.
- Não! Não, ela não pode sair às compras.
- Mas, Nick - protestou Liza. Mas ele a impediu.
- Você não pode ser vista, Liza. Até Bonnie reconheceu você, e ela nem ao menos tem o hábito de se informar so­bre a vida de celebridades. Não podemos correr esse risco.
Fez uma pausa e continuou:
- E você precisa telefonar para a companhia aérea e pedir que recolham sua mala em Nova York.
Liza de repente se lembrou do que a assustara há pou­cos minutos. O homem no aeroporto. O homem que pro­curava por Emily em seu quarto, com uma faca.
Desejou nunca ter lembrado.
Nick a viu ter calafrios. O estresse e o cansaço toma­vam conta dela. Mas uma vez, ela precisava descansar.
- Pegarei um copo de leite para ela enquanto você corta a torta - disse à empregada.
- Você está sempre me dando leite para beber - disse Liza.
- Posso lhe preparar um...
- Não - disse Nick, interrompendo Bonnie. - Ela pre­cisa beber leite até ficar mais forte. Quero que ela beba leite a cada refeição.
As duas olharam para ele, mas ele não se importou. Era o médico de Liza e tinha a responsabilidade de fazê-la melhorar. E protegê-la.
A lembrança de tê-la nos braços o esquentara. Ela não pesava muito, mas o que havia dela trazia em si um forte apelo sensual. Não desejava uma mulher dessa forma des­de os primórdios do casamento com Daphne. Antes de descobrir quem ela era.
- Vou beber café - disse ele ao abrir o armário. - Quer um pouco, Bonnie?
Depois de olhar para a hóspede, a empregada dis­se:
- Vou beber um pouco de leite.
- Oh, não precisa! - protestou Liza. - Pode beber café. Eu gosto de leite.
- Tem certeza? - perguntou Bonnie. Liza abriu um sorriso que encantou Nick.
- Ele é um tirano, mas é para o meu bem.
Bonnie sorriu e trouxe três pedaços de torta à mesa. Os três conversaram amenidades enquanto comiam. Nick ficou grato por sua empregada não fazer nenhuma das per­guntas que ela com certeza tinha em mente. Ele não queria que nada incomodasse Liza quando ela fosse para a cama.
Quando Nick indicou que era hora de Liza ir para a cama, a moça olhou para os dois.
- Algum de vocês tem uma camiseta com a qual eu possa dormir?
- Claro - disse Nick, tentando não pensar em uma de suas camisetas deslizando pela pele suave dela.
Bonnie disse:
- Talvez eu até encontre algumas peças que a mulher de Nick deixou aqui. Tem uma caixa na despensa. - A empregada ignorou o olhar afiado de Nick.
Ele não sabia que ainda havia pertences de Daphne por lá. -Tem?
- Mulher do Nick? - repetiu Liza.
- Fui casado. Agora não sou mais. - Sua intenção não foi a de ser rude, mas não queria discutir os detalhes dos anos miseráveis que passara ao lado de Daphne.
Em vez de fazer mais perguntas, Liza olhou para Bon­nie.
- Não se importe com ele - disse ela sorrindo. - Ele é sensível, mas inofensivo.
Sentindo o complô das mulheres à sua volta, Nick se levantou.
- Vou pegar uma camiseta.
Quando voltou para a cozinha, não viu ninguém. Dedu­zindo que Bonnie havia conduzido Liza até o quarto de hós­pedes, voltou para o andar de cima e virou para a direita.
Bateu na única porta do corredor que estava fechada.
Bonnie a abriu.
- Oh, que bom. Ela está muito cansada.
- Eu sei. Depois que ela se trocar, quero vê-la. - Disse a si mesmo que checaria o pulso de Liza, mas sabia que no fundo apenas queria vê-la. Ficaria com ela até que a moça adormecesse. Como médico.
- Eu digo a ela - prometeu Bonnie, fechando a porta logo em seguida.
Cinco minutos depois, quando a abriu novamente, Nick estava encostado na parede, esperando pacientemente.
- Oh! Eu ia lhe chamar...
- Eu esperei aqui mesmo - disse ele, passando por ela. - Descerei em um minuto. - Esperava que Bonnie enten­desse que queria ficar sozinho com ela.
Entrou no quarto e encontrou Liza apoiada em diver­sos travesseiros, toda coberta. Ainda pôde ver o algodão de sua camiseta.
- Como está se sentindo?
- Cansada - disse ela, com um leve sorriso.
Ele se sentou na beirada da cama e checou-lhe o pulso.
- Você tomou os antibióticos, não tomou?
- Tomei. Ainda bem que não os guardei na mala...
- Já ligou para a companhia aérea?
- Sim, eles foram muito solícitos - disse ela.
Nick sentiu vontade de beijá-la, de abraçá-la e entrar debaixo daquelas cobertas para arrancá-la da camiseta. A força desses desejos o surpreendeu. Levantou-se e se sen­tou em uma cadeira ao lado.
- Durma. Ficarei esperando.
Ela ficou em silêncio, mas seu sorriso foi suficiente. Nick se deliciou com ele até mesmo depois de Liza fechar os olhos. Rapidamente ela dormiu.
Ele pensou se ela geralmente dormia rápido assim, o que era sinal de uma consciência limpa, ou se era por cau­sa de sua condição.
Nick tinha um milhão de perguntas sobre ela. E apesar de tudo, queria ouvi-la cantar. Mas não ainda. Quando se recuperasse. Por algum motivo, achava que a voz dela devia ser incrível.
O que significava que era talentosa e esse talento exi­giria que ela fosse embora.
Isso era algo em que Nick não queria pensar agora.
Liza acordou com os raios de sol entrando pelas frestas das persianas nas janelas. Ela se alongou, relutante em acordar. Checando o relógio, logo se sentou - era quase meio-dia.
A sra. Allen pensaria que era preguiçosa. Jogando as cobertas de lado, viu-se com as pernas nuas e o corpo ves­tido apenas com uma camiseta. Lembrou-se de que não tinha roupas.
Antes de se desencorajar, notou vários pacotes sobre a cadeira onde Nick se sentara. Ao investigá-los, descobriu calcinhas, vários sutiãs, uma calça jeans, uma calça caqui, duas blusas e um suéter.
Vestiu-se rapidamente, notando que as roupas eram do tamanho certo. Lembrou que a sra. Allen levara suas roupas para lavar. Deve ter dado a Nick os números.
Com o estômago roncando, Liza desceu as escadas apressada, torcendo para encontrar a empregada na cozi­nha.
- Bom dia querida - disse a sra. Allen com um sorriso enorme. - Como está você?
- Bem descansada, mas sentindo-me culpada por ter dormido tanto.
- Deixe disso. Nick disse que você não anda dormin­do bem. Está recuperando o tempo perdido. Sente-se que vou arrumar o café-da-manhã.
Deliciando-se com os cuidados da sra. Allen, Liza se sentou.
- Só uma torradinha, por favor. Nick me fará comer um almoço completo e já está quase na hora.
- É isso mesmo. Aquele menino vai ser um bom pai um dia, não acha?
Liza parou por um instante e fez um gesto positivo com a cabeça.
- Quer um suco de laranja em vez do leite, já que o tirano não está aqui? - perguntou a sra. Allen.
- Oh, adoraria.
Em segundos, Liza comia sua torrada com manteiga e geléia de morangos e bebia suco. Quis perguntar onde Nick estava, mas achou que não era de sua conta.
Entretanto, sua paciência foi recompensada. A sra. Al­len lhe passou a informação.
- Nick decidiu ir à missa, como sempre. Depois, disse que vai a algumas lojas lhe comprar mais roupas.
- Oh, não! Digo, já comprou o bastante. Posso me vi­rar com essas. E me servem perfeitamente.
- Aquele menino é teimoso, querida. Se ele decidir que você precisa de mais roupas, irá comprá-las, não importa o que você diz. Ele é muito protetor.
- Claro - disse Liza. - Ele fez muito por mim.
- Você chegou até ele por causa da garganta?
Liza se deu conta de que isso acontecera há apenas dois dias, mas parecia muito mais tempo.
- Sim. Eu... eu não comia e dormia como deveria e minha voz não agüentou... minha voz! - exclamou, per­cebendo que soava normalmente. - Minha voz voltou!
- Pode ser que não esteja tão forte ainda. Nick sempre diz que leva tempo para a recuperação.
- Sim, eu sei, mas é um alívio enorme soar normal.
- Estava preocupada em não poder mais cantar? Liza pensou na pergunta.
- Profissionalmente?
A sra. Allen fez que sim com a cabeça.
- Deve ser muito bom saber que sua voz é capaz de animar uma multidão.
- É. Mas francamente, já estou um pouco cansada dis­so. É preciso estar sempre viajando. Não vejo muito a fa­mília. Minha prima Emily e eu somos muito próximas e nos vemos apenas umas três vezes no ano.
- Uma prima?
- Sim, por quê?
- Imagino que uma moça bonita como você vive rode­ada de homens.
- Você ainda não conheceu minha mãe. O único ho­mem que pensei gostar, ela pagou para ele sumir da minha vida, temendo que fosse arruinar minha carreira. - Suspirando, completou: - Acho que ela não tinha com que se preocupar, pois ele se casaria comigo por dinheiro e me faria cantar tanto quanto minha mãe.
- Sua mãe pagou? - perguntou a sra. Allen, escandali­zada. - Meu Deus! Não se preocupe, querida, linda como é, encontrará um homem para lhe amar.
Antes que Liza pudesse responder, ambas ouviram a porta da garagem se abrir e Nick chamar:
- Estou em casa. Alguém aqui?

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