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Monday, December 20, 2010

Judy Christenberry THE DOCTOR Delivers p.16

Dezesseis

A indecisão de Liza logo desapareceu. Iria a Saratoga Springs para contar a Nick que estava grávida. Não pedi­ria por algo além do que ele podia dar, mas ele precisava saber sobre o bebê.
Passou a mão na barriga, acalentando seu segredo. Andara fazendo planos em sua mente, sonhando no lugar perfeito para criar o filho. Uma casa no interior, ou numa cidade pequena. Algum lugar tranqüilo, mas com bastante cultura. Um lugar tal qual Saratoga Springs.
Mas, é claro, não podia ir para lá se Nick tivesse ou­tros planos.
Fingiu não perceber a tristeza que crescia nela. Havia outras cidades pequenas, e encontraria uma.
Pulou da cama e logo em seguida parou. Não era bom se mexer com tanta rapidez assim com um bebê na barri­ga. Balançando a cabeça, levantou-se com mais cuidado dessa vez.
Então, se decidira mesmo ir, por que não agora?
Procurou o número e telefonou para a companhia aérea. Para sua sorte, encontrou um assento na primeira classe.
Liza vestiu uma calça jeans e moletom, juntou algu­mas roupas numa mochila e desceu para chamar um táxi. Em poucos minutos estava a caminho do aeroporto.
Assim que chegou no saguão ouviu a chamada para o embarque.
- Última chamada para o vôo 48 para Albany, Sarato­ga Springs e Burlington. Todos os passageiros devem embarcar agora.
Liza correu para o portão passando por entre as pesso­as. Quando finalmente se acomodou, descobriu que a cal­ça jeans que vestia não estava mais tão confortável.
Será que Nick seria capaz de notar? Será que desco­briria o segredo antes de ela contar? Riu de seus medos. Nem ela podia notar ao se olhar no espelho.
Quando o avião aterrissou, entrou ansiosa no aeropor­to. Não tirava Nick da cabeça. A empolgação que sentia era quase mais do que podia suportar.
Sem bagagem para retirar, apressou-se pelo corredor na direção da entrada principal do aeroporto, onde encon­traria um táxi. Embora estivesse com pressa, percebia as pessoas que passavam. Isso havia se tornado um hábito. De repente, parou ao ver um homem charmoso com uma cova no queixo.
- Nick! - gritou, sem poder se segurar.
Lá estava ele, a poucos metros de distância, segurando uma mala. Uma mala? E caminhava na direção do guichê de embarque. Estava indo viajar! Não, não, ele não po­dia...
Ele continuou a caminhar e deu uma olhadela para trás, quando a viu.
Parou de vez, olhando para ela como se fosse uma miragem. Em seguida olhou à sua volta para ver se ti­nham atraído a atenção de mais alguém.
Liza ficou decepcionada. Ele estava preocupado com sua reputação. Aquelas histórias horríveis nos jornais de­vem tê-lo afetado.
Enquanto ela se preocupava com a reação dele, Nick foi até ela, mas em vez de tomá-la em seus braços, ficou de frente para ela, fitando-a.
- O que está fazendo aqui?
Ela desejara um beijo dele e seu toque a cada minu­to dos seus dias. Aparentemente, não era o caso para ele. Será que já a esquecera? Será que não a queria mais?
- Eu... eu vim ver Bonnie. Você se importa? - disse ela com a voz trêmula. Ficou muito decepcionada por ele simplesmente fitá-la daquela maneira, como se não a co­nhecesse depois de tudo que tinham vivido juntos.
A expressão no rosto dele era de raiva.
- Não, não me importo - resmungou. - Vamos, levo você até lá.
- Não, você estava prestes a embarcar num avião. Não quero que o perca. Posso me virar sozinha - disse ela com o coração partido.
Em vez de responder, ele a pegou pelo braço e a con­duziu à saída.
- Nick! Eu disse que me viro. Não há necessidade de...
Ele a puxou pela porta até a calçada e acenou para um táxi, ainda sem dizer nada. Bem, ela também não queria falar com ele. Não se essas fossem as boas-vindas dele.
Nick não podia acreditar que encontrara Liza sem ao menos sair da cidade. Tudo isso para ouvi-la dizer que viera apenas para ver Bonnie. Diabos, ele quase ficou louco sem saber onde encontrá-la, querendo falar com ela... tocá-la.
Se tivesse seguido sua vontade, teria jogado Liza con­tra a parede e feito amor ali mesmo com ela, na frente de Deus e de todos. A necessidade que tinha dela era maior que qualquer senso comum. Mas essa necessidade era algo bem maior do que sexo.
Ele entendia que as coisas eram um pouco diferentes para Liza, sendo ela uma figura pública. Prometera a si mesmo aceitar a vida dela como era. Liza era seu sonho, nada mais.
Ela se sentou ao lado dele no táxi, de braços cruzados, olhando para as costas do motorista.
- Fez uma boa viagem? - perguntou ele sem muita emoção.
Ela se mexeu para olhar para ele.
- Fiz, obrigada.
Nick tentava conter o desejo que sentia. A viagem até sua casa nunca pareceu tão longa.
- Para onde estava indo? - perguntou Liza, olhando para a frente.
Ele não conseguia pensar no que dizer. Não estava pron­to para confessar que necessitava dela. Não na frente do motorista do táxi.
- Hã, eu tinha uma consulta.
- Com um paciente? Diga ao motorista para virar o carro. Você ainda pode embarcar.
O motorista automaticamente desacelerou o carro para fazer o retorno e Nick disse para que seguisse em frente.
- Mas, Nick, você é um médico. Não pode...
- Encontro alguém para cobrir para mim. - Droga, tudo o que queria era tê-la para si e ela tentava escapar. Será que ele interpretou tudo errado? Será que ela não se im­portava com ele?
- Eu deveria ter ligado para Bonnie - balbuciou Liza. Tinha certeza de que Bonnie a receberia de braços aber­tos. Como pôde ter estado tão errada em relação a ele? Chegou a acreditar que ele a amava.
Sem dizer nada, ele pegou o celular e ligou para um número.
- Bonnie? Estou voltando para casa. - Depois de uma pausa, disse: - Ela está comigo.
Liza o observou, achando que ao falar no telefone não seria capaz de ler as emoções no rosto dela.
- Não, não precisei. Mas encontrei-a no aeroporto.
E deu o telefone para Liza. Quando disse alô suave­mente, Bonnie gritou.
- Sinto muito por não ter avisado que vinha lhe visitar — disse Liza.
- Você sabe que não precisa avisar, querida. Você é sempre bem-vinda aqui. Já está chegando?
- Já - disse Liza. - Vejo você em um minuto. Entregou o telefone para Nick e murmurou um obrigada.
- Talvez você consiga pegar um vôo depois de me dei­xar lá.
Ele não pareceu gostar daquelas palavras. Na verdade, pareceu ainda mais irritado com a preocupação dela. Bem, que seja. Ele, obviamente, não a queria em sua casa. Ela faria de tudo para ir embora antes que ele voltasse.
O táxi parou em frente à adorável casa dele. Antes que um dos dois descesse, Bonnie abriu a porta da frente e correu na direção deles. Feliz por alguém estar feliz em vê-la, Liza desceu do carro e abriu os braços para Bonnie.
Bonnie não parou de falar no quanto estava feliz em vê-la e que esperava que ela ficasse por muito tempo. Dis­se que sentira sua falta. Tudo o que esperava ouvir de Nick.
E ele continuava sem dizer nada.
Ela o ouviu entrar na casa logo atrás, mas o ignorou. Podia ir embora agora. Depois Liza choraria nos ombros de Bonnie por ele não a querer.
- Venha até a cozinha, querida. Fiz um biscoitinhos para o Nick levar e sobraram vários. Você não comeu, comeu?
Liza balançou a cabeça.
- Eu... eu decidi no último minuto que não tinha tem­po... Tenho comido bem ultimamente. Mas estava com pressa...
- Agora, Nick, não fique aí se preocupando com a nossa Liza. Ela voltou para casa, não voltou? Vou preparar uma sopa e salada, que tal, querida? Não vai demorar.
- Adoraria, Bonnie. - Sorriu. - Senti muita falta sua. Bonnie abraçou-a novamente.
- Eu também, querida.
Para surpresa de Liza, Nick a pegou pelo braço.
- Arrume o jantar dela, Bonnie, mas enquanto isso Liza e eu vamos conversar.
A expressão severa no rosto dele não a encorajou.
- Mas você precisa voltar ao aeroporto para pegar o vôo - insistiu Liza.
- O que... - Bonnie começou a falar, mas Nick a in­terrompeu.
- Eu explico mais tarde. Prepare a comida - ordenou e puxou Liza consigo.
Ela achou que fossem conversar na sala, mas ele foi direto para o andar de cima.
- Por que estamos subindo?
Sem resposta.
- Quer que eu apanhe as coisas que deixei para trás? - perguntou Liza. - Quer apagar qualquer rastro da minha estada aqui? Sinto muito se causei alguma inconveniência - disse ela com um toque de irritação na voz. O que era culpa dele.
Ele a levou até o quarto e bateu a porta. Então, para surpresa dela, ele a abraçou forte e a beijou como se qui­sesse consumi-la.
Ela não o impediu. Na verdade, por um instante, es­queceu-se por completo do mau comportamento dele, ta­manha era a vontade de senti-lo. Mas quando ele levantou a cabeça, a revolta dela tomou corpo novamente.
- E, então, não vai pegar o seu vôo?
- Não, droga, não vou! - Ele enfiou a mão no bolso do paletó e pegou a passagem. - Aqui está a porcaria da pas­sagem na qual você está tão interessada.
Ela franziu a testa, sem entender nada.
- Tome. Leia o destino.
Finalmente, ela o fez, ainda sem entender o que ele tentava lhe dizer.
- Sua consulta é em Nova York?
- Não - disse ele, puxando-a para mais perto de si. - Não tem nenhuma consulta. Eu estava indo encontrar você.
- Estava? - murmurou Liza, temendo acreditar naque­las palavras.
- Você não se importa, não é mesmo?
Com os olhos arregalados, devorando a expressão sua­ve no rosto de Nick, ela disse:
- Não, mas você disse...
- Mas que droga! O que você queria que eu dissesse? Você disse que estava aqui para ver Bonnie e não a mim!
- Mas você estava indo embora! - protestou.
- Para encontrar você! - repetiu ele.
Ao perceber que estavam andando em círculos, Liza deitou a cabeça no peito dele e perguntou:
- Quer falar... sobre o futuro?
Apoiando a cabeça sobre a dela, ele sussurrou:
- Você é o meu futuro.
- Oh, Nick! - exclamou, com os olhos marejados. - Tem certeza? Você não me conhece há muito tempo e...
Ele a beijou de novo até que ela quase perdesse o ar e a vontade de mudar as coisas enquanto ele a tivesse nos braços.
- Liza, não me deixe de novo. Não vou sobreviver se você for embora mais uma vez.
- Oh, Nick, quero ficar para sempre, mas e... e o seu filho?
- Você leu aquelas mentiras?
- Ele não é seu filho?
- Não. Daphne apenas não queria me ver feliz. Mes­mo se fosse meu filho, eu não me casaria com Daphne. Só com você, querida. É de você que preciso.
O beijo dessa vez incluiu uma aproximação da cama e a remoção de peças de roupa para que pudesse tocar a pele dela. Como ela começara a mexer nas roupas dele, Nick achou que tivesse interpretado corretamente sua reação. E graças a Deus.
E então caíram na cama em ardor, como dois famintos diante de um banquete, prontos para tocar e saborear cada centímetro do outro.
- Oh, Nick, venha! - pediu Liza ao puxá-lo ainda para mais perto.
Ele não resistia a um pedido de sua amada Liza. Tor­naram-se um e o desejo parecia consumi-los. Quando fi­nalmente caíram um sobre o outro, ele a segurou nos bra­ços, tentando recuperar o fôlego. A felicidade de tê-la em seus braços, de senti-la, acreditando que ficariam juntos, aumentava ainda mais a satisfação.
Mas ele precisava exprimir aquilo em palavras.
- Liza, eu amo você. Prometa que não vai mais me deixar.
O silêncio dela acabou com toda a satisfação que ele sentia.
- Liza?
- Nick, eu... eu preciso lhe dizer umas coisas.
Ele se ergueu com o cotovelo.
- Prometa que não vai me deixar - repetiu. Ela não olhava para ele, o que o preocupava ainda mais. - Prometa!
- Se você quiser que eu fique, ficarei.
- Você sabe que é isso o que quero! Por que soa como se não quisesse?
- Eu quero! - gritou, olhando nos olhos dele. - Quero ficar. Preciso ficar - disse. - Eu amo você, Nick. Sempre amarei. Mas... mas tenho que lhe dizer algo.
- Você pode continuar com sua carreira, querida. Não vou lhe impedir de nada. Farei o que for preciso para lhe ajudar.
- Você quer que eu cante? - perguntou com a voz trê­mula.
- Você tem um dom, Liza. Eu não posso insistir que desista disso. Não tenho o direito. Se eu pudesse escolher, não ia querer que você fosse a lugar nenhum, mas a esco­lha sobre sua carreira é sua.
Para surpresa dele, ela pareceu aliviada.
- Achei que você pudesse querer... Muitas pessoas gostam da fama que...
Ele a puxou para perto e a beijou com força.
- Eu não me importo pela fama, querida. Só me im­porto com você.
- Oh, Nick, como amo você.
- Eu também. Então é isso? Já acabamos de conver­sar? Porque prefiro estar fazendo outras coisas... tenho que compensar pelo tempo perdido.
- Não. Tem mais uma coisa.
- O quê?
- Você se lembra da primeira noite que fizemos amor?
- Oh, claro.
- Eu disse que estava protegida.
- Sim. - Ele quase parou de respirar. Será que ela já car­regava em si o seu filho? Será que sua bênção seria dupla?
- Eu disse isso porque me disseram que eu provavel­mente não poderia ter filhos. Tecido cicatrizado de uma operação anterior.
Nick a trouxe para mais perto.
- Sinto muito, querida. Sinto muito mesmo.
Liza percebeu a dor na voz dele. Forçou-se a continuar.
- Disseram-me quando tinha 18 anos. Mas... estou grá­vida, Nick. Eles estavam errados. - Ela prendeu a respira­ção, torcendo para que ele ficasse feliz.
Ele simplesmente a fitou.
- Você está grávida? Com um filho meu?
- De quem mais seria?
Em vez de responder, beijou-a. E então as perguntas foram surgindo.
- Como você está se sentindo? Já falou com um médi­co? Há algo errado? Temos um ótimo médico aqui. Ama­nhã cedo telefono para marcar uma consulta para...
- Nick! Nick! Já falei com um médico e está tudo bem. Mas... mas não sei se poderei ter outros filhos. Você tem que pensar sobre isso. Você queria uma família grande e não sei se...
Ele se sentou na cama e a levantou.
- Então é esse o problema? Está preocupada em eu não lhe querer, pois não pode me dar uma dúzia de filhos? Meu Deus, Liza. Quero você. Quero viver a vida com você. Se formos abençoados com filhos, ficarei feliz. Mas é você a pessoa com quem quero estar.
E beijou-a mais uma vez.
- Oh, Nick, era isso o que eu queria ouvir. Mas tem certeza? Eu entenderia se...
- Ei, eu não entenderia! Vamos nos casar logo que conseguirmos uma licença.
- Quero contar para Emily. Sei que ela não poderá vir, mas quero que saiba.
- Claro. E minha família, meus irmãos e minha irmã. E os seus pais?
Liza se aconchegou nele, sem acreditar que estava fa­lando sobre o casamento.
- Humm, vamos esperar até depois do casamento. Quero aproveitar bastante o casamento.
Ele sorriu.
- Fechado. Eu também quero. E o resto de nossas vidas. Nós e o Juninho aqui - disse ele, tocando na barriga dela.
- Você não vai se importar se for menina?
- Claro que não, contanto que você não se importe que eu a ensine a pescar - brincou.
Ouviram uma batida na porta. Liza puxou o lençol até o queixo. Nick também se cobriu.
- Sim?
- Nick, a sopa da Liza já está pronta.
- Você a trouxe?
- Sim.
- Então entre. - Ele sabia o quanto Bonnie estava an­siosa para saber o que se passava.
Quando viu os dois na cama, Bonnie sorriu.
- Acho que não preciso perguntar se ela vai ficar...
Nick sorriu.
- Muito melhor. Vamos nos casar.
- Aleluia! - Bonnie deixou a bandeja sobre a mesa ao lado da porta e correu para abraçá-los.
- Bonnie? - disse Nick depois do abraço. - Mais uma coisa.
- O que foi? - perguntou a empregada sorrindo.
- Vamos ter um bebê.
Bonnie gritou de alegria e os abraçou novamente.
- Oh, querida, como rezei para isso. Que maravilha. Vou ser vovó! - E afastou-se da cama. - Digo, ah, uma vovó emprestada.
Liza sorriu.
- Acho que será a melhor vovó de todas, Bonnie. Pre­cisarei muito da sua ajuda. Sou novata no assunto.
- Oh, querida, terei orgulho em lhe ajudar. Agora, a primeira coisa a fazer é jantar e descansar. Nick, não fique aí a incomodá-la, deixe-a dormir - ordenou, recuando na direção da porta. - Tenho leite fresco para a manhã, querida. Vamos cuidar bem do nosso bebê. - Sorriu para ambos e saiu do quarto.
- Ah, acho que vamos nos arrepender de ter contado a ela tão cedo - disse Nick. - Ela vai ficar na sua cola.
- Não, não me arrependerei - disse ela. - Vou amar cada minuto. Será como ter tia Meredith de volta. Como ter uma família. - Ela o beijou. - Só tem um problema.
- O que é? - perguntou Nick, ansioso.
- Não estou com um pingo de sono. Pode me ajudar com isso?
- Tem certeza? E o jantar?
- Nick, faz muito tempo que não nos vemos. Comerei mais tarde. Bonnie não ficará sabendo.
Ele a puxou para perto de si, deliciando-se na pele su­ave de Liza.
- Oh, sim, acho que posso ajudar.
Os sonhos de ambos estavam prestes a serem realiza­dos.

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