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Monday, December 20, 2010

Judy Christenberry THE DOCTOR DELIVERS p.01

A GLÓRIA DO AMOR
THE DOCTOR DELIVERS
Judy Christenberry




Quando a dinastia mais famosa da Califórnia é ameaçada, apenas o amor, o prestígio e o poder são capazes de protegê-los!

Algo muito importante faltava na vida de Liza Colton. Sobrecarregada pela fama e por segredos de família catastróficos, ela procurou refúgio em Saratoga Springs para se tratar. Então, o dr. Nick Hathaway apareceu ao lado da cama dela e naquele momento, Liza soube que havia encontrado a pessoa que completaria a sua vida. Amargurado por eventos do passado, o médico não a via como ela realmente era. Até que uma noite de paixão mudou tudo...

Digitalização: Rita C.
Revisão: Crysty
PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES II B.V.

Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução, o armazena­mento ou a transmissão, no todo ou em parte, através de quaisquer meios.
Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.

Copyright © 2001 by Harlequin Books S.A.
Originalmente publicado em 2001 por Harlequin Books S.A.
Título original: THE DOCTOR DELIVERS

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Aos cuidados de Virgínia Rivera
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O DIÁRIO DE JOE COLTON

Sempre amei minha sobrinha Liza com a uma filha.
Uma cantora bonita e talentosa, Liza foi lapidada desde a infância pela minha cunhada para ser uma estrela. Bem, nunca entendi por que meu irmão mais novo, Graham, se casou com uma princesa tão fria como Cynthia... Durante muitos anos, Liza fez o possível para conquistar o amor da mãe sem sucesso. Mesmo assim, ela sempre soube que tinha um porto seguro com Meredith e eu em Prosperino. Infelizmente, parece que o desgaste com o desaparecimento de Emily, sua adorada prima adotiva, e o estresse de sua turnê nacional finalmente deixaram Liza abatida. Engraçado como ela está muito menos preocupada em perder a voz do que a mãe. Parece aliviada por estar fora dos palcos. Humm... talvez a sua nova maneira de encarar a vida tenha algo a ver com aquele simpático especialista, dr. Nick Hathaway, que cuidou do caso dela. Pelo que ouço, o doutor galã está fazendo milagres com o coração machucado da minha sobrinha!


Conheça a Família Colton:
uma dinastia californiana com um legado de privilégios e poder.

Liza Colton: A diva da dinastia. Durante uma turnê nacional que saciava as ambições de seus pais, essa estrela em ascensão muda de idéia de repente. Será que isso tem a ver com os cuidados de seu charmoso médico?

Nick Hathaway: Um homem de família. O casamento com uma mulher de sangue azul e cheia de si foi algo amargo demais para esse médico engolir. E embora tenha se sentido fortemente atraído pela célebre paciente, não tinha dúvidas de que sua ex e Liza eram muito parecidas. Ainda que a doçura de Liza provasse o contrário!

Meredith "Patsy" Colton: Uma companheira perigosa. Frustrada com as tentativas de encontrar a sobrinha e de matar aquela "incômoda" Emily Blair, a impostora mulher de Joe Colton acaba de amplificar a sua campanha...
Um

- Doutor, você não vai imaginar quem está aqui para vê-lo!
Liza levantou a cabeça. Ao olhar à sua volta, viu que ainda estava sozinha na sala de exames, aguardando pela atenção do médico. Focou o olhar na porta e percebeu que não estava completamente fechada.
- Missy, não tenho tempo para joguinhos de adivinha­ção.
Aquela voz grave deixou Liza fascinada. Imaginou se a figura dele fazia jus à voz. Não que isso fosse importan­te, de verdade.
- Mas é a diva do momento! - disse a enfermeira invi­sível e muito animada.
Liza se enrijeceu.
- Diva?
- É como chamam a Streissand, a Celine Dion a Mariah Carey...
- Eu sei o que diva significa, Missy - afirmou a voz masculina. - Só estou surpreso. Que diva estaria aqui em Saratoga Springs? - Não havia uma pitada sequer de inte­resse em sua voz.
- Liza Colton! Eu a vi há duas noites. Ela é a diva do momento. Bem, ela será. Ainda não chegou lá. Mas é fa­bulosa! Foi aplaudida de pé no final. As pessoas não para­vam de aplaudi-la.
Liza sorriu. Foi um momento muito gratificante. E, ultimamente, momentos como aquele, eram raros.
- As vendas de cerveja devem ter sido muito boas - disse ele secamente. - Por que ela está aqui?
- Uma tragédia! Ela quase não consegue falar.
- Depois de cantar há duas noites?
- E na noite passada também. E tem outra performan­ce esta noite. - Depois de uma breve pausa, Liza pensou que eles tinham ido para outro lugar. O que para ela estava ótimo. O médico, obviamente, não gostava de música e não apreciava os talentos dela.
- Oh, doutor - implorou a enfermeira que a trouxera para a sala de exame, o que fez Liza rolar os olhos -, você precisa salvá-la!
- Não se deixe levar, Missy. Sou um especialista em ouvidos, narizes e gargantas, não cirurgião cardíaco.
Bem, ao contrário da maioria dos médicos, pelo menos ele não tinha uma visão inflada de si mesmo. Liza achou que talvez o perdoasse pelos comentários que ele fizera.
E então a porta se abriu.
Liza era muito habilidosa quando o assunto era ocul­tar suas emoções - o que era bom, mas jamais tinha ficado impressionada pela aparência de um homem an­tes.
Ele era lindo. Não era perfeito como os modelos e atores que tentavam impressioná-la. Ela não estava muito certa do porquê disso, mas ele tinha... substância. Esta era a palavra. Bela substância. Seus cabelos castanho-escuros eram corta­dos de forma tradicional, mas estavam bagunçados, como se ele tivesse o hábito de passar as mãos pela cabeça... e a levasse a querer fazer o mesmo. Seu corpo era o de um atle­ta: forte, musculoso. Seus olhos azuis quase a faziam des­maiar. Ou será que esse era o problema de saúde dela?
- Srta. Colton? - perguntou ele ao entrar na sala e es­tender a mão.
Ela foi relutante em aceitar aquelas boas-vindas. Mas finalmente apertou as mãos quentes dele. E tremeu.
- Com frio? Oh, perdão, esqueci de me apresentar. Sou o dr. Hathaway.
Ela abriu um sorriso amarelo para ele e balançou a cabeça.
- Soube que você anda animando as multidões com sua música. Meus parabéns.
Liza quis saber se ele pagava um bônus para as enfer­meiras para que elas lhe falassem de seus pacientes, para assim parecer interessado. Mas não valia a pena forçar ainda mais sua voz por ele.
Com um gesto positivo de cabeça, ela aguardou que ele começasse o trabalho.
- Você pode me dizer qual é o problema?
Liza respirou fundo. Vários homens já haviam dito quão quente e sexy sua voz era. Mas agora estava crua, rouca e doendo muito. Com cuidado, ela disse:
- Perdi a voz.
Como ela não dissesse mais nada, ele pegou uma espá­tula.
- Abra a boca.
Depois de vários minutos estudando a garganta dela e checando os ouvidos, ele franziu o rosto bem delineado - que incluía uma covinha no queixo - e se afastou.
- Quando foi a primeira vez que você sentiu o descon­forto?
- Na noite passada - sussurrou ela.
- Depois da performance?
Ela concordou.
- Veio de repente?
Liza fez um gesto negativo.
- Você já teve esse problema antes?
Fez outro gesto negativo. E disse, com cuidado:
- Estresse. Antibióticos. Descanso.
Nick Hathaway prendeu o riso cínico que lhe subiu pela garganta. Típico dessas mulheres ricas e mimadas. Nunca antes tivera o problema, mas já se havia diagnosti­cado e determinado a cura.
- E você veio me ver para poder demonstrar suas habi­lidades brilhantes de diagnose? - Ele sabia que não devia ser sarcástico com pacientes, mas ela era o tipo de mulher que ele evitava a todo custo.
Além de bonita, ela era rica e cheia de si. Nick já sabia por experiência própria como as mulheres ricas agiam. E com beleza adicionada na mistura...
Ela falou novamente, com a voz carregada de dor:
- Antibióticos.
Ele ergueu uma sobrancelha.
- Eu não distribuo antibióticos sob encomenda, srta. Colton. - Ela simplesmente olhou para ele com os olhos verdes mais gloriosos que ele já vira. - Preciso fazer um exame na sua garganta, além de outros testes.
Ela teve a petulância de balançar a cabeça. Nick olhou para ela, mas Liza levantou o pulso esquerdo e apontou para o relógio. Um Rolex, é claro.
- Teatro - sussurrou ela.
Ele não podia acreditar naquilo.
- Você certamente não acha que vai cantar hoje à noi­te. - Caramba, a mulher mal podia falar!
Ela deu de ombros.
- Veja bem, srta. Colton, se você estiver sob os meus cuidados, não haverá performance esta noite. Nada por duas semanas, no mínimo, quando então reavaliarei sua situação, mas sem promessas. - Ele parecia zangado de­mais. Respirando fundo, concluiu em tom frio: - Se você achar estes termos inaceitáveis, ficarei feliz em indicá-la a outro médico. Ou você pode ir para Nova York se tratar com um médico muito caro que vai confirmar o que eu lhe disse.
Para surpresa dele, depois de olhar fixamente para ele com várias emoções tornando aqueles olhos verdes mais escuros, Liza fez um gesto positivo com a cabeça. E então sussurrou:
- Antibióticos.
Ele ficou surpreso com o alívio que o fato de ela ter concordado lhe trouxe, mas sua última palavra o irritou de novo.
- Nada de antibióticos até que façamos os testes.
Os olhos de Liza encheram-se de pânico e ela balan­çou a cabeça com força.
- Sim - reafirmou ele. - Eu insisto.
Para desagrado dele, ela desceu da cama de exames, pegou a bolsa e partiu em direção à porta.
Nick pensou em deixá-la ir. Não precisava de uma pa­ciente que não o ouvia, que queria fazer tudo do jeito dela e estar no controle o tempo todo.
E então ela desmaiou.
Liza não acordou até ser colocada em uma ambulância. O barulho das portas a despertara. Havia um homem ao lado da maça e ela esticou a mão para puxá-lo pela camisa.
- Fique imóvel, madame. Chegaremos ao hospital den­tro de poucos minutos.
Ela não precisava saber do óbvio. Tentou mais uma vez.
- Doutor - sussurrou Liza, sem ver o homem charmo­so que a examinara.
- Não, não sou o médico. Sou um paramédico. - Ele sorriu para ela, que se mostrava impressionada com o char­me dele.
Ela não ficou impressionada com a inteligência dele.
- Hathaway! - disse ela, com muita dor na garganta.
- Oh! - exclamou o jovem rapaz, como se uma lâm­pada se acendesse sobre sua cabeça. - Você quer dizer onde está o dr. Hathaway? - Quando ela fez um gesto positivo com a cabeça, ele respondeu: - Ele nos encontra­rá no hospital.
Franzindo a testa, Liza pensou no que havia aconteci­do. O médico queria que ela passasse por exames. E se ela fosse ao hospital, sem dúvida ele esperaria que ela ficasse por lá. Mas ela não podia.
Agarrando a camisa do paramédico novamente, quan­do ele se esticou para a frente a fim de dizer algo ao seu parceiro, ela disse:
- Hospital não.
- Ei, mocinha, temos um ótimo hospital. A equipe de plantão cuidará bem de você.
Liza fez um gesto severo com a cabeça. Ignorando a resposta dela, o rapaz disse:
- Aqui estamos nós.
Quando eles levaram Liza até a emergência, ela se sen­tiu no meio de um vendaval, parada enquanto todos se agitavam em torno dela.
O paramédico entregara ao médico um relatório com termos que não faziam sentido para Liza. Ela tentou in­terromper, mas sem voz foi difícil conseguir alguma aten­ção.
Ela então usou a mesma técnica de antes, agarrando o jaleco branco do homem e puxando-o.
- Olá, srta. Colton. Não se preocupe. Vamos cuidar de você. Já a ouvi cantar. Devo lhe dizer que é um prazer tê-la em nosso hospital.
Ela balançou a cabeça.
- Hospital não - insistiu com a voz rouca e ainda mais estressada.
- O dr. Hathaway estará aqui a qualquer momento. Tenho certeza de que ele...
- Não! - protestou ela o mais alto que pôde. E então soltou o corpo no travesseiro, com a mão agarrada ao pes­coço.
Pela primeira vez, o médico pareceu incerto.
- Ah, vamos apenas tirar seus sinais vitais e aguardar pelo dr. Hathaway. - Afastou-se e deu as instruções à en­fermeira.
Liza fechou os olhos. Ser incapaz de usar uma parte tão vital de si como a voz era frustrante. Ela sabia que colocava a voz em risco com o comportamento tolo, mas comer e dormir não haviam lhe parecido importantes nos últimos três dias.
Se ela não tivesse desmaiado!
- Ah, dr. Hathaway, que bom lhe ver - ela ouviu o médico da emergência exclamar.
Ela se pôs sentada enquanto a enfermeira lhe tomava o pulso.
- Agora relaxe, querida. O dr. Hathaway é um dos nossos melhores médicos. Ele cuidará bem de você.
Liza balançou a cabeça, mas seus olhos procuravam pelo médico charmoso. Quando o viu no meio daquela agitada multidão, acenou para ele.
Antes que pudesse falar, entretanto, o médico come­çou a dar ordens para a enfermeira.
- E prepare uma intravenosa. Ela está desidratada. -Olhou para Liza e perguntou: - Quando foi a última vez que você comeu?
Liza deu de ombros. Ela não queria admitir sua tolice. Mas estava tão assustada por Emily que era impossível pensar em qualquer outra coisa.
Enquanto a enfermeira preparava a intravenosa, o mé­dico da emergência chamou o dr. Hathaway reservada-mente e começou a sussurrar no ouvido dele. Lançou um olhar agudo para ela, fazendo Liza imaginar o que ele fa­lava.
Ela teve a resposta quando o dr. Hathaway se aproxi­mou.
- Meu parceiro ali disse que você se recusou a ser ad­mitida.
Ela fez um gesto positivo com a cabeça, aliviada por alguém finalmente ouvi-la.
- Veja bem, srta. Colton, sei que não quer ficar aqui, mas pelo menos deixe-nos lhe dar alguns fluidos e exami­ná-la. Apenas por uma ou duas horas.
Quando o dr. Hathaway terminou de falar, a enfermei­ra voltou com uma embalagem de soro.
- Se pelo menos nos deixar fazer isso, se sentirá muito melhor - ele assegurou. Sua voz grave era um calmante.
- Tenho que... telefonar... cancelar esta noite - balbuciou ela, como se cada palavra doesse muito.
- Não se preocupe. Cuidarei disso. Em que teatro será sua performance?
Ela finalmente conseguiu dizer o nome do famoso tea­tro.
Embora ele tivesse ouvido, fez um gesto para a enfer­meira. Ela pôs algo na mão dele. O dr. Hathaway deu a volta na cama, indo na direção do suporte da bolsa de soro.
- Apenas descanse por um tempinho. Voltarei logo - ele propôs.
Liza o viu injetar uma seringa em uma junção no tubo. Tentou perguntar o que ele estava lhe dando, mas de re­pente até mesmo seu sussurro rouco ficou impossível. Sua língua não se movia e suas pálpebras se fecharam. O sono que lhe escapava por tanto tempo parecia querer recupe­rar o tempo perdido.
- Quero ela admitida - disse Nick ao seu colega.
- Mas ela disse que não queria ficar aqui - retrucou o médico da emergência. - Não podemos prendê-la contra a vontade.
- Quer perguntar a ela agora?
- Bem, não, digo, você a sedou, mas...
- Ela concordou em ficar por algumas horas para que pudéssemos checá-la. Suspeito que esteja em alguma die­ta radical ou, quem sabe, até tenha se tornado bulímica recentemente. Você sabe como são esses profissionais do entretenimento. - Virou-se para a enfermeira. - Leve-a para o andar de cima e faça a admissão dela. Diga à enfer­meira encarregada para me chamar ao primeiro sinal dela acordar.
- Sim, doutor.
Com um gesto de agradecimento, o dr. Hathaway saiu da emergência em direção ao seu consultório. Ele deixara pacientes esperando enquanto atendia à misteriosa, srta. Colton. À bela srta. Colton.
Não que ele estivesse interessado, assegurou a si mes­mo. Em primeiro lugar, ele nunca fora íntimo de seus pa­cientes. Em segundo lugar, fora casado com uma mulher bela e rica. Jamais cometeria esse erro novamente.
Não que Liza Colton se parecesse com sua ex-mulher, Daphne, exceto pela riqueza. Daphne era um sinal de neon e Liza Colton era a luz da lua. Daphne era uma loura de belas curvas, que fazia de tudo para chamar a atenção de um ho­mem. Liza Colton era uma morena magra, quase magra de­mais. Seus cabelos escuros bem curtinhos faziam seus olhos verdes parecerem enormes. Tinha a aparência frágil de Winona Ryder ou, talvez até mais, de Audrey Hepburn.
Ele expulsou esses pensamentos. Não era de perder muito tempo pensando na aparência de pacientes. Seu tra­balho se limitava a tratar a pessoa e enviá-la de volta para casa.
Pelo restante da tarde, ele cuidou de seus pacientes, de maneira calma e eficiente. Mas não conseguia deixar de pensar em Liza Colton. Ele pediu à secretária que telefo­nasse para o hospital no meio da tarde para checar com a enfermeira encarregada.
A srta. Colton ainda dormia.
Ele não dera a ela um sedativo forte. Esperava que acordasse em umas duas horas.
Logo depois de atender o último paciente, tirou o jaleco e pegou o paletó.
- Vou ao hospital, Missy. Você poderá me encontrar lá se algo acontecer antes de ir para casa.
- Você vai ver Liza Colton? Eu adoraria um autógrafo dela!
- Ela está doente, Missy. Não posso incomodá-la com esse tipo de pedido - disse ele sorrindo.
Missy fez uma expressão de decepção.
- É, acho que não.
Nick abriu um sorriso pela metade.
- Verei como ela está se sentindo. Talvez eu peça, mas não estou lhe prometendo nada. - Missy era uma boa en­fermeira e trabalhava duro. Certamente, um autógrafo não era muito o que pedir da diva.
A recompensa foi o sorriso brilhante de Missy e seu muito obrigado. Acenando, ele correu para o carro.
Ao chegar no hospital, foi direto para o segundo an­dar, onde Liza Colton estava.
- Alguma mudança? - perguntou à enfermeira.
- Em relação à srta. Colton? Não, ela permanece dor­mindo.
Nick franziu a testa e foi até o quarto. Como a enfer­meira tinha dito, ela dormia profundamente há quatro ho­ras. Ao menos que tivesse tido uma reação adversa ao se­dativo, ou que não houvesse dormido há um bom tempo, já deveria ter acordado.
Ele pegou no pulso delicado de Liza. Tudo normal.
Ouviu o coração dela. Nada de errado. Relutante, decidiu acordá-la.
- Srta. Colton? Pode me ouvir, sita. Colton? - Ele deu tapinhas na mão dela enquanto a chamava, mas ela nem se mexeu. Então, ele pegou-a pelos ombros e a sacudiu. -Liza? Liza, abra os olhos.
Lentamente, os cílios escuros dela se mexeram e ela o mirou com um olhar vazio.
- Você se lembra de mim? Sou o dr. Hathaway. Você veio me ver por causa da garganta.
Momentos depois de encará-lo com um olhar confuso, Liza fez um gesto positivo e em seguida fechou os olhos novamente.
- Não volte a dormir. Preciso lhe fazer umas per­guntas.
Nick pegou um travesseiro da cama ao lado e puxou Liza em sua direção, para acomodar o travesseiro extra em suas costas. Ele não ficou feliz de saber que gostava de tê-la nos braços.
Afastou-se e ajustou a parte de cima da cama, elevando-a um pouco.
- Srta. Colton? Abra os olhos.
- Muito cansada - sussurrou ela piscando os olhos.
- Você não tem dormido bem?
- Não - disse Liza, com a voz rouca. - Não pude.
- Por que não?
- Em... - Antes de terminar a frase, ela despertou e olhou para ele com uma expressão de pânico.
- O que é isso? O que houve? - perguntou ele, mais e mais intrigado com ela. Foi até o lado da cama.
- Tenho que ir embora - balbuciou ela.
- Você não está bem, srta. Colton. Quando foi a última vez que comeu?
Olhando para os lados, como se procurasse por uma forma de escapar, ela deu de ombros.
- Mocinha, preciso de uma resposta melhor. Se você estiver fazendo alguma dieta ridícula e desnecessária, pre­cisa me dizer. Isso poderia estar afetando sua voz.
- Não - respondeu, embora ele não soubesse a que ela se referia.
- Você não está de dieta?
Liza fez um gesto negativo.
Ele se inclinou e apertou o botão de chamada.
- Enfermeira? Quero duas bandejas de jantar no quar­to 226 o mais rápido possível.
- Sim, doutor.
Ele se sentou na beirada da cama. Quando ela olhou para ele confusa, Nick disse:
- Estou faminto. Vou lhe fazer companhia para o jan­tar, embora ainda seja um pouco cedo.
Ele queria vê-la comer e segurar a comida no estôma­go. Se fosse bulímica, ele teria de ficar por várias horas. Mas Liza não apresentava sinais de bulimia.
- Preciso ir - disse ela com a voz rouca e carregando em si um certo terror.
- Telefonei para o teatro e disse que você estava doente e não iria cantar. Eles prometeram cuidar de tudo e manter sigilo sobre o hospital. - Nick não sabia se isso era necessá­rio, ou mesmo se era o que ela queria. Talvez ela até preferis­se a notoriedade que uma doença poderia lhe trazer.
Pois assim eram as divas.
A enfermeira entrou no quarto com duas bandejas.
- Você está com sorte esta noite, doutor. Temos bolo de carne no menu, além de torta de maçã - disse a enfer­meira, sorrindo.
- Que bom. Não é mesmo, srta. Colton? - respondeu ele também sorrindo.
Liza parecia tão perdida que ele teve compaixão. Se ela era mesmo uma diva, como ficou tão perdida assim? Será que alguém a pressionara para perder peso? Será que a carreira não estava indo bem? O pessoal do teatro disse que entraria em contato com o empresário dela e Nick sentiu a necessidade de dar a eles o endereço de onde Liza estava, para que pudessem passar para o homem. Mas agora estava em dúvida se isso tinha sido a coisa certa a fazer.
Ele suspendeu um pouco mais a cama antes de colocar a bandeja na frente dela. Em seguida, tirou a tampa de metal.
- Não lhe parece ótimo? - perguntou a Liza.
Ela não se moveu. Ao contrário, olhou para a refeição com desprazer.
Nick ignorou sua refeição e ergueu o garfo de Liza para cortar um pedaço do bolo de carne.
- Vamos comer um pedaço. Acho que você vai gostar.
Levou a comida até a boca da moça e esperou até que ela a abrisse.
Manteve os olhos nela ao dizer:
- Mastigue, Liza. Você precisa das calorias.
Liza engoliu, e quando ele estava prestes a dar a ela um pouco de milho, ela começou a emitir alguns sons. Ele pegou o vasilhame para vômitos bem a tempo.

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