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Friday, December 17, 2010

The Colton Family - Ruth Langan - Nunca é Tarde para Amar p.12

Doze

Heather saiu do quarto e encontrou Thad na cozinha, de jeans e camiseta, assando panquecas. A imagem dele sempre causava o mesmo efeito nela. Ele era, simples­mente, a presença mais arrebatadora que ela conhece­ra. Era impossível deixar de olhar para ele.
Brittany estava sentada à mesa, indiscutivelmente linda com seu macacão quadriculado e camiseta cor-de-rosa. O cabelo, ainda úmido após o banho, enroscava-se em caracóis que batiam nos ombros.
Heather foi até a mesa.
- Você me disse que cozinhava, mas só agora eu acredito.
Thad sorriu.
- A necessidade fez de mim um homem da Renas­cença.
- Heather. - Brittany abriu os braços para ela, que a pegou no colo.
- Hummm. Você está cheirosa. O papai lavou seu cabelo?
- Hã-hã. Ele usa xampu de criança para não arder meus olhos. Se quiser, pode usar do meu.
- Obrigada, meu bem. Eu usei o xampu do seu pai mesmo. Mas o cheiro não é tão bom quanto o do seu xampu.
- É porque ele é homem. - Brittany torceu o narizinho. - Papai diz que não gosta de usar xampu de menina no cabelo.
- É. - Heather torceu o nariz, imitando-a. - É coisa de homem. Ele acha que não vai ser tão macho e durão se ficar cheirosinho demais.
- Gostaria de lembrar às mulheres presentes que quem está cozinhando aqui é um homem. - Thad pôs várias panquecas em um prato. - Portanto, se quiserem ter café-da-manhã, é bom falar bem dos homens.
Heather levou o dedo aos lábios e as duas riram antes de sentar-se à mesa.
Quando Brittany pegou seu garfo, ela disse:
- Papai sempre faz panquecas no sábado de manhã.
- Sempre? - Heather cortou a panqueca da menina cm pedacinhos antes de se servir.
- Hã-hã. Mas quando ele tem de ir à delegacia a gente come em algum lugar no caminho. Mas nunca é tão bom quanto as panquecas do papai. - Brittany pôs tanto molho nas panquecas que elas ficaram nadando no prato. - Papai faz as melhores panquecas do mundo. Não é, papai?
- Isso mesmo. - Ele piscou para Heather. - Eu a ensinei a dizer isto.
Ele desligou o forno, levou um prato de salsichas para a mesa e enfiou o jornal de domingo debaixo do braço antes de encher duas xícaras de café.
- Preciso lembrar de ter sempre uma desculpa para aparecer aqui aos domingos - disse Heather enquan­to comia seu desjejum. - Porque adoro panquecas e salsicha.
Brittany observou o pai abrir o jornal ao lado do prato.
- Mas a gente não conversa muito no café-da-manhã de domingo.
- E por quê? - Heather perguntou.
- Porque o papai sempre fica lendo jornal.
- E você?
Brittany deu de ombros.
- O papai diz que eu ainda não tenho idade para ler. Mas quando eu tiver, ele vai me dar uma parte do jor­nal para ler. Queria já saber ler.
- Isso não iria detê-la. - Heather procurou a parte dos quadrinhos e abriu numa página colorida, colocan­do ao lado do prato da menina. - Por que você dá uma olhada nas figuras para ver se encontra algo que goste, então eu leio para você?
- Lê mesmo? - Animada com a nova brincadeira, Brittany observou as figuras até encontrar um cachorro e um gato engraçados. - Pode ler esta, Heather?
Minutos depois, Thad abaixou o jornal para ver Heather, sentada ao lado de sua filha, lendo os quadri­nhos e explicando as piadas.
Ele bebeu o café, apreciando o som das risadas que enchiam o ambiente. Como uma manhã comum ganhou aquele tom de celebração?
Então ele entendeu que era Heather. Sempre que ela estava por perto, tudo parecia maior e melhor. Mais divertido, com mais entusiasmo. As coisas mais sim­ples tinham outro sabor com ela por perto.
Ela o flagrou olhando para elas. Por um momento, ela corou. Então Brittany a puxou pela blusa e ela voltou a ler os quadrinhos. Quando olhou de novo, Thad pôs o jornal de lado.
Ela percebeu então a consciência que tinha da pre­sença dele, da sintonia que tinham. Estava até come­çando a achar que podia influenciar os pensamentos dele. A fim de provar sua teoria, ela continuou a olhar e ele abaixou o jornal para olhar para ela. Ela sorriu. Ele deu uma piscada.
E o coração dela pareceu flutuar no peito.
Foi bom que ele tivesse escondido seu charme por irás daquela cara de mau. Se todo mundo o visse do mesmo jeito que ela, ele perderia sua credibilidade como policial. E ela teria de botar trancas na porta para afastar as hordas de mulheres malucas por aquele sorriso mali­cioso.
Heather saiu com Thad e Brittany para ir ao parque. Thad perguntou:
- O que seu tio disse quando você falou para ele que ia ficar mais um dia?
Ela sorriu e enfiou o celular na bolsa.
- Que não estava surpreso.
Enquanto Thad começava a empurrar Brittany no carrinho em direção ao parque e levantava a sobran­celha em silêncio, ficou tentando imaginar o que Joe Colton realmente achava de sua sobrinha passar o fim de semana com o policial que cuidava de seu caso.
Não que Joe pudesse fazer alguma coisa, Thad per­cebeu. Heather era uma mulher crescida, dona do pró­prio nariz. Com aquela personalidade independente que ela tinha, Thad podia apostar que havia muito tempo que ela comandava a própria vida.
Mesmo assim, seria provavelmente bem mais fácil para a família dela aceitar que ela passasse o fim de semana no iate de algum milionário.
Só de pensar naquilo, ele fechou o semblante.
- Lá vem você de novo. - Heather disse ao olhar para ele.
- De novo o quê?
- De novo com essa cara. Em que estava pensando?
- Ele sorriu.
- Num iate.
Ela riu.
- E que tal?
Ele balançou a cabeça.
- Estava me deixando enjoado.
- Já esteve num iate?
- Uma vez. Estava cuidando de uma investigação. A vítima era um ricaço que caiu do iate e morreu afogado. Descobrimos depois que a mulher dele havia des­coberto que ele a traía.
- Então ela o empurrou?
- Isso, ou então ele era um péssimo marinheiro. O mar estava calmo. Não havia nenhuma outra embarca­ção na área. Quando resgatamos o corpo, ele tinha um calombo do tamanho de uma cidade na testa. Ela disse que ele devia ter batido com a cabeça na queda. Não preci­so nem dizer que a história dela extrapolava os limites
da credibilidade.
- Então a polícia não acreditou?
- Ninguém acreditou. O júri levou duas horas para dar o veredicto de culpada.
- Ela foi presa?
- Por uns dois anos. Tinha advogados caríssimos. Claro, podia pagar. E tenho certeza que ela pensou em todas as possibilidades antes de dar uma cacetada no camarada e jogá-lo no mar.
Heather estava balançando a cabeça, impressionada, quando Thad subitamente pensou.
- Você já esteve num iate?
- - Já.
- Ficou enjoada? Ela riu.
- Não. Na verdade, sou excelente marinheira. Mas achei chato demais.
- Chato? Estar no iate? Por quê?
- Acho que era a companhia. Ficamos bebendo champanhe enquanto a tripulação fazia todo o trabalho, o que parecia bem mais grifes das roupas dos outros do que no belo pôr-do-sol. E quando chegamos ao cais, meu anfitrião tentou bancar o engraçadinho comigo e acabou sendo empurrado ao mar que nem o cara que você investigou. Sorte dele, pois sabia nadar. Eu estava furiosa demais para sequer me importar de olhar para trás para ver se ele sairá da água sozinho ou se fora
resgatado pela tripulação.
Thad estava rindo tanto que as pessoas no parque começaram a olhar para eles, curiosas para saber qual a graça. Ele parou para dar um beijinho nos lábios de Heather.
- Mais claro, impossível. Jamais comprarei um iate. E se um dia eu bancar o engraçadinho com você, já sei do risco que corro.
- E isso mesmo, detetive. - Ele deu a mão a Brittany para que ela saísse do carrinho. - Vamos lá, meu bem. Vamos ver quem balança mais alto.
As duas correram até os balanços, deixando Thad para trás com o carrinho.
Acompanhou-as lentamente, sentindo uma felicida­de luminosa ao ver Heather pôr Brittany no balanço e ficar empurrando a menina gentilmente. O som de suas risadas era levado pela brisa, tocando seu coração de modo incomparável. O fim de semana todo foi uma dádiva inesperada. E ele estava feliz como uma criança no dia de seu aniversário.
Foi uma daquelas noites claras e sem nuvens. A lua era um gigantesco globo dourado no céu, cercada por milhões de estrelas cintilantes.
Brittany, vestindo pijamas de coelhinho, se ajoelhou perto da casinha de bonecas, brincando quieta.
Quando Heather saiu do quarto levando as roupas sujas da menina, Brittany olhou para ela.
- Você viu minha casinha de bonecas, Heather? Foi papai quem fez.
- Eu estava admirando sua casinha ontem, Brittany. Heather pôs as roupas em um cesto e se ajoelhou ao lado da menina. - Você está fazendo arrumação nos móveis?
- Hã-hã. Papai fez os móveis também. – A menininha transferiu o sofazinho para perto da janela, então pegou um boneco e o pôs lá.
- Ele está dormindo? - Heather perguntou.
- Não. Está de olhos fechados, mas diz que é assim que todos os homens assistem futebol na tevê.
- Claro. De olhos fechados. - Heather lançou um olhar a Thad e sorriu. - É assim que eles costumam assistir ao final dos filmes antigos na tevê, também. - apontou para o florido quarto de dormir, onde Brittany estava colocando uma bonequinha na cama, co­brindo-a com um cobertor minúsculo. - Ela também está assistindo tevê? Ou está cansada?
- Ela não está cansada. - Brittany prendeu um bo­cejo. - Está só descansando os olhos.
Heather tentou não rir.
- Tem certeza? Ela me parece terrivelmente cansada.
- Bem - disse a menininha, hesitante -, talvez um pouquinho.
- Quer que seu pai ponha você para dormir? Isto é, se ele conseguir abandonar o conforto de seu sofá.
- Acho que sim. - Brittany levantou e pegou Hea­ther pela mão. - Você vem comigo?
- Claro. - Heather olhou para a casinha de bonecas caprichosamente arrumada e reparou em algo. - Você só tem isso? Um boneco-papai e uma boneca-filhinha? Não está faltando ninguém?
- Hã-hã. Tinha uma boneca-mamãe no pacote tam­bém, mas papai disse que eu não precisava dela. Então eu a deixei guardada. - Ela então puxou Heather pela mão até seu quarto e mostrou a boneca guardada em uma gaveta. - Está vendo?
Ao ver a boneca-mamãe enfiada no canto da gave­ta, Heather sentiu tamanha tristeza que teve de conter o nó na garganta. Tentou imaginar como teria sido a pró­pria vida se não tivesse tido a mãe para lhe orientar.
Heather deu graças a Deus por Thad entrar, um mi­nuto depois, e começar com uma de suas historinhas de dormir.
Logo os três estavam rindo dos personagens cria­dos por Thad: uma zebra, um leopardo e um elefante que viviam no armário de Brittany e usavam as roupas dela. A menina não demorou a cair no sono.
Thad e Heather saíram do quarto, e ele perguntou, pegando sua mão.
- Posso persuadi-la a ficar mais uma noite?
Ela sorriu dissimuladamente.
- Não sei. Talvez seja melhor ir embora. Afinal, acho que já conheço todas as suas jogadas.
Ele olhou para seus dedos, entrelaçados aos dela, e segurou sua mão mais forte.
- Tenho mais algumas.
- É mesmo? - Ela sentiu seu corpo se esticando em direção ao dele e ficou maravilhada de ver que, mesmo Nem um beijo sequer, seu sexo estava se umedecendo.
- É. Acho que podíamos começar por aqui. - Ele a puxou para si e passou os dedos por seus cabelos. - E então podemos fazer assim. - Ele traçou o contorno dos lábios dela com a língua e a ouviu suspirar levemente. Mas em vez de beijá-la, continuou brincando, passando a língua em sua orelha, na curva da maçã do rosto, até ela achar que não conseguiria mais agüentar para sentir seus lábios nos dele novamente.
- Gosto de suas jogadas, detetive. Mas também te­nho as minhas. - Ela ficou na ponta dos pés e envolveu o rosto dele com as mãos, pressionando seus lábios aos dele.
Ela o ouviu sibilar de prazer e recuou, dando um sorriso de satisfação.
- Nada mau - ele murmurou.
- Como assim, nada mau?
- Quero dizer que foi prazeroso, mas longe de espe­tacular.
- Sei. - Ela o observou, apertando os olhos. - Você quer minha atuação ganhadora do Oscar, não é? – Ela passou os braços ao redor da cintura dele e murmurou, com a boca junto à dele: - Melhor apertar os cintos, detetive Law. Turbulência à vista.
Ela o pôs contra a parede e se enroscou nele antes de levar sua boca à dele. Ronronando de satisfação, sentiu a resposta do corpo dele. Mas ela ainda não havia terminado.
Ele queria uma jogada diferente, não queria?
Ela agiu lenta e deliberadamente, de modo que cada parte de seu corpo se esfregasse nele da forma mais deliciosa e sensual possível. Seus lábios esquentaram e suavizaram os dele, enquanto ela se derretia nele como cera quente no fogo.
- Certo, eu desisto - ele murmurou contra sua boca. - Você venceu. Na verdade, merece um prêmio.
- Mas ainda não acabei, detetive.
As mãos dele demonstravam sua impaciência. Seu corpo estava rígido e cada vez mais quente.
- Heather, assim você me mata. - Seu sangue pul­sava furiosamente enquanto ela continuava a atormen­tá-lo, produzindo sons dengosos enquanto ela quase engatinhava pela pele de Thad.
Mas ao invés de parar, ela continuou até Thad res­mungar e afastar um pouquinho, para retomar o fôlego.
- Certo. Chega. - Ele a tomou pelos braços e foram para o quarto dele.
- Mas ainda não mostrei tudo!
- Você vai mostrar o resto. - Suando, ele chutou a porta para abri-la e a levou para a cama. - Acredite, meu bem, você pode me mostrar o que quiser. - Ele a pôs sobre o colchão, sentindo o sangue subir-lhe à cabeça.
Ela pôs a mão no coração dele e sentiu as batidas Curiosas que combinavam com as suas.
Então, como fora ela quem começara com aquilo ludo, resolveu terminar. Com todo o seu amor, de todo o coração, do fundo de sua alma, ela rolou sobre ele e o levou para um passeio inesquecível.

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