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Monday, December 20, 2010

Judy Christenberry THE DOCTOR Delivers p.05

Cinco

Emily Blair Colton quase chorou de alívio ao ouvir a voz da prima.
- Liza! Sou eu!
- Em, onde você está? O que está havendo? Você está bem?
Emily segurou as lágrimas. Era muito bom sentir o amor na voz de Liza.
- Estou bem. Tem sido... estou em Keyhole, mas não conte a ninguém.
- Estou tão aliviada! - disse Liza.
- Não creio que tenha sido seguida - disse Emily. - Eu não pude voltar.
Suspirando, Liza disse:
- Eu sei, mas fiquei preocupada.
- E melhor estar aqui do que voltar e não saber de nada. Eu não conseguiria dormir. Meredith me assusta. Você sabe que só pode ter sido ela. - Emily falou sobre os eventos novamente. Eles não faziam sentido - ao menos que uma pessoa estivesse por trás disso - sua mãe. Meredith Colton.
- Você está certa - disse Liza suspirando.
- Quero que tenha cuidado. - Emily respirou fundo. - Não fale para ninguém sobre minhas suspeitas. Não quero eles atrás de você.
- Isso não aconteceria... Em, você pode descrever o homem?
Emily tremeu. Claro que podia. Ela o via em pesade­los pelas últimas três noites.
- Sim. Ele tinha uns 40 anos, magro, mas com uma barriga. Usa um rabo-de-cavalo ridículo e está ficando ca­reca. Tem barba e um bigode grande nos lados.
- Não era ele.
- Sobre o que está falando?
- Um homem veio à sua procura... com uma faca.
- Oh, Liza, você tem que se esconder! Você não deve­ria...
- É o que vou fazer. Só estava esperando sua ligação. Mas ele não sabia onde você estava. Quis saber se eu a tinha visto. A polícia está atrás dele.
- Eu achava que uma vez que o resgate fosse pago, estaria tudo terminado, mas não foi o que aconteceu. E agora esse homem aparece. Acho que você deve se escon­der, pelo menos por um tempo.
- Eu sei. Tenho um número em que você pode me en­contrar.
Emily tinha consigo o papel onde escrevera o número do hotel. Liza sempre deixava o calendário dos shows com Emily. Graças as habilidades organizacionais de tia Cyn­thia, não foi difícil encontrar a prima.
- Vamos lá, pode falar.
Depois de falar o número, Liza disse:
- O que você precisa? Pode vir aqui?
- Não seria bom se o homem soubesse que estamos perto - balbuciou Emily. Ela já havia pensado em ir ao encontro de Liza, mas tinha certeza de que Cynthia ficaria uma fera se interferisse na carreira da prima. Mas sabia que Liza não a deixaria desamparada. Se fosse preciso, ela lutaria com todas as forças contra a própria mãe.
Mas Cynthia alertaria toda a família.
- Quero lhe enviar algum dinheiro - disse Liza. - Como você está passando?
Emily não queria se lembrar daquela noite horrível. Mas graças a Deus que Charley Roberts, o motorista de caminhão, deu a ela uma carona, alimentou-a e lhe deixou com algum dinheiro.
- Ficarei bem - disse Emily.
- Dê-me um endereço e eu lhe mando um monte de dinheiro.
- Posso arrumar um emprego.
- Não seja ridícula. Só um minuto. - Emily ouviu a voz da prima abafada ao pedir por papel e caneta.
- Liza, quem está aí? Você não deveria...
- Não se preocupe. É o meu médico. Ele não falará nada.
- Seu médico? Você está doente? - Emily não supor­taria perder Liza.
- Só um problema de garganta. Estou quase bem. Ago­ra, para onde posso enviar o dinheiro?
Um pouco incerta, Emily deu à prima o endereço de uma agência postal da cidadezinha de Keyhole, em Wyoming, onde ela estava escondida.
- Enviarei o dinheiro amanhã, Em. Tem certeza que não quer vir para cá?
- Não. Estou com medo de sair daqui. Vou arrumar um emprego e me misturar à população local. Ficarei bem.
- Você vai me telefonar? Por favor?
- Claro. Hoje é sábado. Ligo de novo na quarta, nesta mesma hora, está bem?
- Tanto tempo assim? Você não pode... perdão, sei que é difícil. Esperarei pelo seu telefonema. Cuide-se, Emily. Amo você.
- Também amo você, Liza. Até logo.
Emily se encostou na parede da cabine telefônica e chorou. Liza era a única pessoa no mundo com quem po­dia contar. Liza sabia da verdade. Não podia contar para o pai. Como ela diria que a mulher que acolhera, que a ama­ra, não era a mesma mulher? Ninguém acreditaria.
E ela não podia voltar para sua casa tão adorada. A mulher a quem era forçada a chamar de Meredith apenas tentaria mais uma vez se livrar dela.
Então permaneceria escondida. Com a ajuda de Liza.
Nick observara as fortes emoções no rosto de Liza en­quanto falava com a prima. Ele pegou o telefone da mão dela e acenou para o garçom. Depois de vários minutos, perguntou:
- Ela está bem?
Ela fez um gesto positivo com a cabeça, mas não olhou para ele.
- Liza?
- Ela está escondida. É perigoso.
- Ela acha que os seqüestradores ainda estão atrás dela? Mesmo depois do resgate ter sido pago?
- Hã... sim.
- Acho que você deveria...
- Boa noite, srta. Colton - disse o detetive Ramsey ao parar ao lado da mesa. - Dr. Hathaway - completou com um gesto da cabeça. - Posso me sentar por um instante?
Nick teve medo de que Liza se entregasse. O rosto dela estava coberto de pânico.
- É claro, detetive. Posso pedir algo para você? A pergunta desviou a atenção do detetive.
- Uma xícara de café - concordou sorrindo.
Nick acenou para o garçom enquanto o policial se sen­tava.
Depois de fazer o pedido, Nick olhou para Liza disfarçadamente para ver se havia se recomposto e perguntou ao detetive:
- Descobriu algo sobre o homem?
- Ele pagou a operadora do hotel. Espero que tenha sido um bom dinheiro, pois ela perdeu o emprego.
- Oh, Deus! - exclamou Liza.
Nick suspeitava que sua paciente tinha o coração mole.
- Não se preocupe com ela, srta. Colton. Ela sabia que não podia passar informações - disse Ramsey. - Mas não encontramos ninguém mais que o tenha visto, exceto por vocês dois. Não viram nem um sinal dele por aqui?
- Não, não vimos - respondeu Nick. - Mas passamos a tarde na suíte de Liza. Ela dormiu.
- Você está com uma aparência melhor - disse o dete­tive olhando para Liza.
- Sim, obrigada. O cochilo ajudou.
- Sei que recebeu umas ligações - Ramsey continuou, num tom amigável.
Nick tentou não ficar tenso, torcendo para que Liza estivesse preparada para as perguntas. Ao mesmo tempo que pensava que Liza devesse contar tudo à polícia, en­tendia suas razões.
- Sim. Minha mãe ligou novamente e finalmente falei com a sra. Tremble.
- A empregada?
- Isso mesmo. Ela queria saber se estava bem.
- E sua mãe?
Nick observava Liza, admirando seu controle. Mas a pergunta sobre a mãe pareceu deixá-la sem palavras.
- Sua mãe quis saber quando Liza retornaria a Nova York. Estávamos discutindo as possibilidades. - Nick pa­rou e olhou para Liza, antes de continuar: - Ela está ten­tando me convencer a deixá-la partir hoje à noite.
Liza foi em frente.
- Posso estar em minha cama às 21h. Sempre durmo melhor lá. E disse a minha mãe que vou descansar por duas semanas. Não atenderei o telefone ou a porta.
- Mas como saberá se descobrimos algo sobre sua pri­ma? - perguntou Ramsey.
- Qualquer um com informações pode deixar mensa­gem. Talvez eu atenda. Mas recebo muitas ligações relaci­onadas a minha carreira de cantora. Não quero me preo­cupar com isso agora. Preciso descansar.
- O que você diz, doutor? - perguntou Ramsey, olhan­do para Liza.
- Estou pensando no assunto. O repouso é o mais im­portante na recuperação. Se ela fizer como está dizendo, talvez seja melhor que esteja em Nova York.
- Sabe, tem algo mais que não entendo - disse Ramsey.
- O quê? - perguntou Liza.
A chegada do garçom com a xícara de café atrasou a resposta de Ramsey.
Depois de provar o café, o detetive olhou para Liza.
- Como o homem sabia onde lhe encontrar?
- Minha agenda não é secreta. O escritório da minha mãe tem a informação. Toda a família, ou a maioria dela, também tem. Na verdade, ele poderia até mesmo ter en­contrado a informação na Internet.
Nick completou:
- Sabendo a cidade, tudo o que precisaria era de al­guns telefonemas para encontrar o hotel certo. Ele saberia que Liza ficaria em um dos melhores.
O detetive concordou.
- Tudo bem. Quer que notifiquemos a polícia de Nova York para que fiquem de olho em você?
Liza piscou os olhos e sorriu.
- Obrigada, detetive, mas acho que não é necessário. O FBI vai cuidar do caso. Direi a tio Joe o quanto você tem sido solícito.
- Sim, madame. Boa sorte para você. - O detetive olhou para Nick ao se levantar. - Obrigado pelo café.
- Não há de quê - balbuciou Nick ao observar o ho­mem partindo.
- Você se saiu muito bem - disse o médico.
- Obrigada. E obrigada também por dizer a história de voltar para Nova York hoje. Acha que ele vai acreditar?
- Acho. Logo que terminar de comer, vamos avisar à recepção que você vai embora e pedir que transfiram as ligações para o seu apartamento. Como você vai no meu carro, supostamente para o aeroporto, eles não poderão rastrear seus movimentos através do táxi.
Liza franziu a testa.
- Talvez eu devesse mesmo pegar um táxi. Ante que ele pudesse dizer algo, ela completou:
- Isso evitaria que você fosse envolvido quando eles descobrirem que não embarquei no avião. E você poderia me apanhar depois.
Ele não gostou da idéia. Não queria que ela ficasse longe de sua vista, mas reconhecia o valor do plano.
- Você é muito boa na arte de se esconder.
- Obrigada, eu acho - disse ela sorrindo. - Mas não sei como fazer outra coisa.
- O quê?
- Preciso enviar dinheiro para Emily sem que ninguém saiba.
- Isso é fácil. Peço ao meu contador que envie o di­nheiro e você me dá um cheque que manterei em meu poder até que seja seguro depositar.
Ansiosa, ela se inclinou para a frente.
- Mas eu queria enviar a ela 5 mil dólares. Você con­segue...
Em geral, as mulheres olhavam para ele como uma solução financeira para os seus futuros. Liza duvidou da capacidade dele de financiar sua prima temporariamente. Ele sorriu.
- Sim, posso cuidar disso.
- Amanhã bem cedo?
- Logo que acordar - prometeu. Ela sorriu para ele.
- Nick, muito obrigada. Não sei o que faria sem sua assistência.
Ele sorriu de volta, mas também a analisava.
- De algum modo, acho que você saberia o que fa­zer.
- Obrigada - respondeu Liza, com um sorriso ainda mais amplo.
- Mas o que não entendo é a razão de você tolerar sua mãe. - Bem, isso não era da conta dele. Mas ele achava que sua paciente estava intimidada. Com alimentação e descanso, ela revelava um outro lado. Um lado forte. Nick não entendia a situação.
Se ela dissesse que sua intromissão era rude, ou que ele não tinha o direito de fazer tal pergunta, Nick não fica­ria surpreso. Mas ela não fez isso.
Ao contrário, abaixou a cabeça e murmurou:
- É minha culpa.
- Sua culpa? Não seja ridícula. Você... Ela olhou para ele e o interrompeu.
- Minha mãe não é uma pessoa fácil de se lidar, mas eu encorajei sua atitude ditatorial.
Nick piscou os olhos várias vezes.
- Não entendi...
- Depois que perdi o relacionamento com Meredith, naturalmente procurei a atenção de minha mãe. Foi um erro. Mas naquele tempo, achei que pudéssemos ter um relacionamento bom. Eu estava errada, mas demorou alguns anos até que eu me desse conta. Quando isso acon­teceu, soube que a Meredith, que eu tanto amava, havia desaparecido, seja por alguma farsa, como acreditava Emi­ly, seja por loucura. - Ela deu de ombros. - Fiquei tão desesperada para substituir aquele sentimento que pensei poder tê-lo com minha mãe. Decidi que qualquer tipo de relacionamento com minha mãe era melhor do que nada. Então deixei que ela fizesse tudo a seu modo.
- E isso faz de você a culpada? - Ele não aceitava essa teoria.
- É no mínimo um pecado de omissão. Ultimamente, tenho tentado mudar o relacionamento, mas minha mãe tem resistido.
Eles foram interrompidos por mais uma fã e Nick ran­geu os dentes. Quando a mulher finalmente foi embora, ele disse:
- Termine a salada e vamos dar o fora. Suspirando aliviada, ela abaixou o garfo.
- Já estou pronta. Não quis sugerir que fôssemos em­bora temendo que você pedisse que eu comesse mais - disse ela com um olhar que o fez perder o fôlego.
- E pediria mesmo, mas você não vai conseguir comer com todas essas pessoas aqui. - Acenou para o garçom e pediu a conta.
- Posso pôr na conta do meu quarto - disse ela.
- Não. Eu pago. - Ele sabia que isso era uma atitude machista, mas pagou assim mesmo.
Quando chegaram no quarto, ele se ofereceu para fa­zer as malas dela, mas Liza se recusou.
- Sou muito boa nisso. Não vai demorar.
- Por que está viajando sozinha? A maioria dos canto­res não tem assistentes ou algo parecido?
- Eu tive uma assistente. Mas ela e minha mãe não combinavam. Além do quê, não tenho frescuras. É mais fácil assim. - Enquanto falava, abriu o closet e começou a pegar as roupas.
Nick pegou a mala dela e a pôs sobre a cama.
- Obrigada. - Ela juntou as roupas e os pertences e anunciou que estava pronta.
- Você é mesmo rápida - comentou ele sorrindo.
- Vamos dar o fora.
Ele ficou impressionado por ela só ter uma mala gran­de e uma de mão. Sua ex-mulher nunca viajava com me­nos de três malas, até mesmo durante um fim de semana.
Na recepção do hotel, Liza foi cuidar da conta e acei­tou os cumprimentos do gerente. Ela não se esqueceu de dizer a ele que estava a caminho de seu apartamento em Nova York, caso alguém perguntasse.
- E o doutor vai levá-la ao aeroporto? - perguntou o gerente.
Nick viu a utilidade do plano quando Liza explicou que tomaria um táxi.
O gerente imediatamente ofereceu a limusine do ho­tel, insistindo quando Liza disse que não era necessário. Quando olhou para Nick, ele fez um gesto positivo, encorajando-a.
- Obrigada. Muito obrigada.
O gerente pegou o telefone. Quando Liza pagou a con­ta, o motorista chegou e pegou sua mala.
Nick a conduziu até a porta da limusine. Chegando lá, beijou-lhe o rosto e murmurou:
- Estarei bem atrás de você.
- Obrigada pelo excelente tratamento, dr. Hathaway. Falarei a minha mãe o quanto você tem ajudado. - Sorriu e entrou no carro.
Nick ficou ali parado, assistindo a limusine ir embora.
- Uma mulher e tanto, não é? - disse um dos carrega­dores ao lado de Nick.
Ele ficou irritado pelo comentário do rapaz, mas não pôde discordar.
- Com certeza.
Liza sentiu a falta da presença confortante de Nick logo que partiu. O enorme espaço da limusine enfatizava ainda mais sua solidão.
O motorista abaixou o vidro escuro que dividia o carro.
- Está retornando para Nova York, madame?
- Sim, estou.
- Vou me apressar. O último vôo sai em 45 minutos.
- Obrigada. - As palavras dele a fizeram alterar um pouco os planos. Em vez de esperar por Nick do lado de fora, teria de entrar no aeroporto e fingir que estava com pressa. Talvez até comprasse uma passagem. Isso faria com que a polícia levasse um tempo maior para descobrir que ela não havia voltado para Nova York.
O motorista logo suspeitaria de algo se ela não fizesse isso.
Liza torcia para que Nick esperasse.
Quando chegaram ao aeroporto, ela deu uma boa gor­jeta para o motorista e acenou para um carregador.
- Você pode despachar suas malas aqui - sugeriu o motorista.
- Obrigado, mas quero ver se há lugares antes de fazer isso - ela improvisou. - Muito obrigada, você me ajudou muito.
- Foi um prazer - disse o motorista.
Liza olhou atrás dele, procurando pelo Mercedes preto de Nick, mas não o viu. Como planejara, correu até o guichê. O atendente lhe assegurou que havia muitos lugares no avião. Pegou um cartão de banco e comprou uma pas­sagem. Infelizmente, isso significava que ela precisava despachar a mala.
- Devo identificar essa mala também? - perguntou o atendente, apontando para a mala menor.
- Não, esta eu levo comigo - disse ela, olhando para a mala maior, já na esteira rolante. Suspirando, ela disse a si mesma adeus aos seus pertences.
- É melhor correr para o portão de embarque - avisou o atendente. - Eles começarão o embarque a qualquer instante.
- Obrigada - disse ela sorrindo.
Havia uma fila de pessoas atrás dela aguardando para ser atendida. Liza olhou-as sem se dar conta. Estava posi­cionada na direção dos portões, imaginando quando sairia do campo de visão do atendente, quando uma impressão a forçou a olhar para trás.
A segunda pessoa na fila era um homem grande, com o rosto cheio de cicatrizes. E vestia camisa azul. Apavora­da, Liza se virou para não ser vista.
Ela sabia que ele era o homem que fora até o hospital.
O homem com a faca.

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