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Friday, December 17, 2010

Kasey Michaels - Adorado Lobo – um intruso no eden p.02

CAPÍTULO 2
Joe Colton se inclinou sobre a cama de sua filha e lhe apertou carinhosamente a mão.
— Sophie? Sophie, querida, é o papai.
Sophie se estirou ligeiramente e abriu os olhos.
— Papai? — perguntou com voz débil.
Joe assentiu, incapaz de dizer algo. Fazia anos que Sophie não o chamava assim. Normalmente o chamava pai, ou senador quando brincava com ele. Mas continuava sendo sua pequena. E quando elevou os olhos para ele e viu que lhe tremia o lábio inferior, Joe se teria arrancado o coração se com isso tivesse podido mitigar sua dor.
— Oh, papai, foi horrível — lhe disse Sophie, apertando os olhos com força. — Mas lutei contra ele, papai. Não podia... não podia deixar que mamãe e você tivessem que voltar a sofrer.
— Cala, pequena, cala — respondeu Joe, lhe acariciando o cabelo com extremado cuidado. — Descansa, querida. A única coisa que queremos é que descanse.
Mary entrou no quarto e Joe retrocedeu para reunir-se com River enquanto a enfermeira revisava os sinais vitais de Sophie.
— Tornou a dormir? — perguntou-lhe River ao senador.
— Isso acredito — assentiu Joe. — Olhe, River, foi uma noite muito longa e sei que tem que voltar para rancho. O novo cavalo chega hoje, não é? Assim vai. Eu reservarei um quarto em um hotel e ficarei até que Sophie possa retornar ao rancho conosco, de acordo?
Um músculo se esticou na bochecha de River. Não o estavam expulsando, sabia. Joe só queria estar a sós com sua filha.
— E o que me diz de Meredith? Crê que quererá que a traga para ver Sophie?
Joe se levou os dedos aos olhos e sacudiu a cabeça.
— Ligarei para ela mais tarde. Agora a única coisa que quero é ficar aqui.
River assentiu e lhe deu um tapinha nas costas.
— Reservarei um quarto para você e voltarei para o rancho. Telefonará mais tarde para me manter... para nos manter informados?
Joe não respondeu. Assim que Mary abandonou o quarto, ele voltou a entrar para aproximar-se da cama de sua filha.
River os deixou sozinhos e se dirigiu para os elevadores. Ele formava parte da família, sim; formava parte da família desde que era adolescente. Ninguém o estava expulsando. Mas o sangue era o sangue e Sophie e Joe compartilhavam laços de sangue. River o compreendia, e também o respeitava.
As portas do elevador se abriram justo quando estava chegando até elas e viu aparecer Chet Wallace tão fresco e limpo como se acabasse de sair da ducha. Tinha o cabelo pulcramente penteado, o rosto barbeado e a gravata perfeitamente atada.
— Wallace — River o agarrou pelo cotovelo quando Chet se cruzou com ele. — Onde te tinha metido?
— Perdão? — respondeu Chet, tentando largar-se sem êxito da mão de River. — Nos conhecemos...? Ah, espera, você é um dos empregados da Fazenda da Alegria, o rancho dos pais de Sophie. Acredito que agora me lembro de ti. Já vieram o senador e sua esposa? Tive que ir em casa para tomar banho e trocar de roupa.
— Me alegro por ti — disse River, soltando-o. — O senador está agora com Sophie — fez um gesto a Wallace para indicar que o seguisse a um pequeno quarto situado ao lado da sala de visitas. — E agora quero falar contigo.
— Preferiria falar com o senador — respondeu Chet, mas River o fulminou com um olhar que lhe fez reconsiderar e o seguiu. — Agora olhe...
— Não, Wallace, olhe você — replicou River, sabendo que ia fazer falta um milagre para que não perdesse o controle. Aquele homem tinha sido capaz de voltar para sua casa para tomar uma ducha? Era um autêntico canalha. — Me chamo James, River James, sou o filho adotivo de Joe e de Meredith Foster, embora não te faz nenhuma falta sabê-lo. Mas o que eu preciso saber é por que deixaste que Sophie voltasse sozinha para casa esta noite.
Chet olhou River durante uns segundos e se estirou os punhos da camisa. Era um homem alto, tão alto como River, mas ali terminavam as semelhanças. Chet era um homem magro e atraente, o tipo de homem que usava agasalhos da moda quando ia a seu ginásio da moda. Ao estirar os punhos, estava lhe dizendo, sem necessidade de palavras, que era um homem de êxito que podia permitir o luxo de vestir um traje de seiscentos dólares. Era um gesto destinado a intimidar River.
Mas River continuou onde estava, fulminando Chet Wallace com o olhar.
Chet foi o primeiro em romper o contato visual. O rubor se impôs ao bronzeado artificial de suas bochechas enquanto retrocedia ligeiramente, como se por fim tivesse compreendido que River James era um animal selvagem em busca de uma presa.
Mas, para defender-se, continuou atacando.
— Olhe, James não é? Já falei com a polícia. Sim, Sophie e eu jantamos juntos e depois ela decidiu voltar andando para sua casa. Estava a quatro quadras, James, nada mais. De fato, eu acabava de sair do restaurante quando vi os carros de polícia e a ambulância. Fui a ver o que acontecia e descobri Sophie. Fui eu quem a identificou
— Vá, parabéns. E se pode saber por que decidiu Sophie retornar caminhando para casa? — perguntou River. Pôs o chapéu de vaqueiro e afundou os polegares no cinturão. — Tinham discutido?
Chet elevou o queixo enquanto ajustava nervoso o nó da gravata.
— Sim, tivemos uma pequena discussão — admitiu. — Mas isso não é teu assunto.
— Você não me importa em nada, Wallace — repôs River muito tenso. — Mas sim me importa que deixasse Sophie voltar só para casa.
Chet elevou uma mão.
— Oh, espera um minuto, amigo. Está tentando dizer que isto foi minha culpa? Como vai ser minha culpa? Foi Sophie quem decidiu partir, sabe? Foi Sophie a que... Ah, que problema tem?
River tinha inclinado a cabeça, estava-se esfregando a têmpora e estava começando a rir. Ele acreditava, sinceramente acreditava, que poderia tratar aquele assunto sem perder a calma. Mas aquele Wallace era muito estúpido para poder expressá-lo com palavras e River não pensava gastar mais saliva com aquele idiota. Quase se alegrou de que fosse tão tolo.
— Que problema tenho? — repetiu River, deixando cair a mão e olhando ao prometido de Sophie. E antes de que pudesse recordar-se que era um homem civilizado, plantou-lhe um murro em pleno rosto.
Chet caiu de costas.
— Problema? Eu não tenho nenhum problema — disse River. — Agora não.
Girou sobre seus calcanhares e se dirigiu para o elevador. Definitivamente, naquele momento não era um homem feliz. Mas tinha que reconhecer que se sentia muito melhor.

Durante a semana seguinte, Joe Colton não se separou nem um momento da cama de sua filha. Seus negócios não sofriam por isso, porque pouco a pouco havia cedendo as rédeas dos mesmos à sua família.
Tinha permitido que a vida voltasse a enganá-lo, e lhe tinha sido preciso estar a ponto de perder a sua filha para despertar, para obrigar-se a analisar novamente sua vida, e, possivelmente, para começar a endireitar seus passos.
Mas quando tinham começado a ir as coisas por mau caminho?
Michael. Joe suspirou; o coração lhe doía ao recordar as primeiras palavras de Sophie quando tinha ido vê-la no hospital. Qualquer um que a tivesse ouvido teria pensado que a contusão lhe tinha feito perder o julgamento.
Mas Joe era diferente. Ele sabia o que tinha querido dizer sua filha, e o destroçava que, enquanto estava resistindo a seu assaltante, tivesse estado pensando em Michael, em Meredith e nele mesmo. Enfrentou a seu atacante porque sabia que a família não poderia suportar outra tragédia.
Em qualquer caso, Michael tinha salvo Sophie e assim era como Joe tinha decidido interpretar o ocorrido. Era a única maneira de fazê-lo.
Tinha que olhar para o futuro e sabia. Enquanto permanecia sentado ao lado da cama de Sophie, lhe sustentando a mão, pensou no muito que se afastou a jovem de seu lado durante os últimos anos. Todos seus filhos tinham ido distanciando-se dele. Cada vez foram menos ao rancho, como se quisessem evitar uma família que já tinha deixado de sê-lo.
Ou, pelo menos, que tinha deixado de ser a família que antes era. A família que Meredith e ele tinham forjado, uma família que formava uma unidade indestrutível.
Mas quando tinham começado a mudar as coisas? Depois da morte de Michael? Provavelmente.
Joe e Meredith tinham tido cinco filhos. Rand, o maior, os gêmeos Drake e Michael, Sophie e Amber. Desfrutavam de uma feliz existência. Colton era um homem rico que se fez a si mesmo, com interesses na indústria petrolífera e no mundo das comunicações; anos atrás, Meredith lhe tinha convencido de que já era hora de que devolvesse à comunidade algo do que tinha recebido, de modo que se tinha apresentado como candidato ao senado dos Estados Unidos.
A vida era feliz, sim, muito feliz.
Até que um dia Michael e seu irmão gêmeo tinham saído para andar de bicicleta e Michael tinha sido atropelado por um condutor imprudente. Tinha morrido aos onze anos, enquanto seu pai estava em Washington.
Joe tirou um lenço do bolso e secou o rosto. Sentia o corpo ardendo, os músculos cansados e o cérebro saturado de lembranças, poucas delas boas.
Joe tinha renunciado ao cargo de senador, tinha voltado para casa e se converteu em um zumbi. Não tinha sido capaz de ver a tristeza de Meredith. Não tinha sido consciente do quão dolorosa que tinha sido aquela perda para Drake, do muito que tinham sofrido seus filhos. A única coisa que via era sua própria dor, sua própria culpa. E quando ao cabo de um tempo Meredith tinha sugerido que tivessem outro filho, não para substituir Michael, mas sim porque ter outro filho ao qual amar poderia ajudar a todos a sarar as feridas, uma nova bomba tinha sacudido a vida de Joe.
Estava estéril. Parecia impossível, mas era certo. Anos atrás, tinha-lhe contagiado com caxumba um menino que vivia no rancho Hopechest, era um órfão ao qual ele e Meredith visitavam freqüentemente. E por culpa dessa caxumba, ele não podia dar a Meredith outro filho.
Teria sido então quando Meredith tinha começado a distanciar-se dele?
Não, não tinha sido então e Joe sabia. Meredith tinha estado a seu lado dia a dia. E tinha sido ela a que ao final tinha terminado convencendo-o de que havia muitos meninos aos quais podiam ajudar e que podiam ajudar a eles, porque ainda tinham muito amor para dar.
Joe sorriu ao recordar como tinha aberto Meredith sua casa e seus amorosos braços aos meninos mais problemáticos do rancho Hopechest: Chance, Tripp, Rebecca, Wyatt, Blake, River e Emily. E, por último, a Joe, um menino que lhes tinham deixado literalmente na porta de casa.
Emily. Os pensamentos de Joe voltaram a encaminhar-se para o desespero. Porque a vida que ele e Meredith tinham perdido com a morte de Michael e que tinham começado a reconstruir juntos, havia tornado a suportar um novo golpe nove anos atrás, seis meses depois de que o pequeno Joe entrasse em suas vidas, o dia que Meredith tinha levado Emily, que por então tinha onze anos, a conhecer sua avó biológica.
Sim, desde aquele dia tinha desaparecido para sempre a luz na família Colton.
Tinham sofrido um acidente de carro que levou de seu lado a Meredith a que adorava. Meredith não tinha morrido, não, mas tinha tido uma lesão na cabeça que a tinha mudado para sempre.
Emily dizia que a mãe boa tinha sido substituída por uma mãe má. É obvio, as coisas não eram tão simples, mas o certo era que a personalidade de Meredith tinha sofrido uma mudança dramática depois do acidente. Sua doce e adorável esposa tinha sido substituída por uma mulher que somente se preocupava com o pequeno Joe, ignorava ao resto de seus filhos e rechaçava abertamente Emily. Transformou-se em uma mulher dura e egoísta que se atreveu a apresentar-se em casa grávida um ano depois do acidente e tinha insistido em que Joe era o pai da criança que levava no ventre.
Joe e Meredith tinham estado separados durante compridos meses, mas, ao final, Joe lhe tinha permitido retornar a casa e tinha reconhecido ao Teddy como filho dele.
Mas nada havia tornado a ser igual.
— Papai?
Joe se inclinou para Sophie, que o olhava com aqueles olhos tão formosos como os de Meredith.
— Sim, pequena?
— Ligou para a mamãe? Pensa vir?
Joe sentiu uma pontada no coração.
— Não, pequena, sua mãe não pode vir. Está em casa, ocupando-se de Joe e de Teddy.
— Oh, mas logo virá, não é, papai? Já estou aqui quase uma semana.
— Chss, não fale tanto — disse Joe, lhe acariciando o cabelo. — Agora precisa descansar e te pôr forte para que possa voltar para rancho, de acordo?
— Não vai vir, não é?
— Já sabe que não gosta de deixar Teddy...
— Teddy tem oito anos. Poderia deixá-lo durante um par de dias para vir me ver. No rancho há muitas pessoas que podem cuidar dele. Oh... Não importa. Sabe papai? Às vezes sinto umas vontades terríveis de chamar a minha mãe e lhe pedir ajuda porque lhe está ocorrendo algo terrível a minha mãe.
A entrada do doutor Hardy economizou a Joe ter que encontrar uma resposta.
— Bom dia, Sophie, senador — saudou o cirurgião plástico. — Por fim vamos tirar as ataduras, Sophie. Está preparada?
Sophie apertou com força a mão de seu pai.
— Suponho que sim.
— Estupendo — disse o doutor; fez-lhe um gesto à enfermeira que acabava de entrar atrás dele e esta lhe estendeu umas luvas esterilizadas. —Agora, procura recordar que este não será seu aspecto definitivo. Irá melhorando pouco aos poucos. Ainda tem a cara torcida e o corte não cicatrizou. Dentro de seis meses, voltará para sala de cirurgia para que eu ponha minha magia em funcionamento. Não é verdade que sou mago, Alice? — perguntou-lhe à enfermeira.
A enfermeira elevou os olhos ao céu e esboçou um sorriso.
— Não sei se é ou não mago, doutor, mas sei que a senhorita Colton não tem por que preocupar-se. A cicatriz está cada vez melhor.
— Obrigado, Alice. Este mês receberá um pagamento extra — brincou o doutor enquanto avançava até a cama. Sophie se encolheu assustada contra o travesseiro. — Não, não, Sophie. Vamos fazer isto o mais rapidamente possível, prometo-lhe isso. Alice te tirará as ataduras e depois eu me desfarei desses pontos. E depois, jovenzinha, poderá voltar para casa.
— Papai? — disse Sophie, apertando com tanta força a mão de seu pai que esteve a ponto de lhe cortar a circulação. — Me consiga um espelho, prometeu-me isso.
Joe tragou saliva; estava apavorado pelo impacto que podia causar a sua filha seu aspecto. Sophie só tinha permitido que Chet fosse a vê-la em uma ocasião e tinha evitado olhá-lo durante toda a visita. E depois lhe tinha feito prometer que não tentaria voltar a vê-la até que entrasse em contato com ele.
Joe não estava seguro se estava zangado com seu noivo, se o culpava de seu ataque, ou temia que Chet pudesse repugnar seu aspecto. Mas independentemente do que sentisse Sophie, ele já tinha chegado à conclusão de que um homem capaz de permanecer longe de sua prometida naquelas circunstâncias não era um homem para Sophie.
Joe pestanejou surpreso ao advertir que já lhe tinham tirado a atadura e que o doutor estava começando a lhe tirar os pontos. Quando o cirurgião terminou, Sophie pediu nervosa um espelho.
— Possivelmente mais tarde — disse Joe, mas foi interrompido pelo doutor Hardy, que tomou um espelho que levava Alice o estendeu a Sophie.
— Não se acostume a seu aspecto porque vai mudar, Sophie. Em qualquer caso, acredito que não está nada mal. É jovem, tem uma saúde excelente e espero que a cicatriz termine desaparecendo praticamente.
Sophie sustentou o espelho frente a ela, levantou lentamente a mão e tocou vacilante sua cicatriz.
— Foi um bom corte, não é? — perguntou por fim, baixando o espelho. — Parece que me marcou com o “S” de Sophie — murmurou, mordendo o lábio inferior.
Joe tentou alcançar a mão de sua filha, mas o doutor Hardy lhe adiantou.
— Me olhe, Sophie — lhe disse muito sério. — Me olhe e me escute, querida. É uma cicatriz, isso é tudo. E logo desaparecerá, se não por completo, pelo menos até o ponto de que se esquecerá de que a tem. Mas essa cicatriz, seja ou não visível, é parte de ti, compreende-o? E se crê que a cicatriz tem forma disso, pensa que seu significado também pode ser o de sobrevivente. Não o esqueça.
Sophie assentiu e o médico abandonou a quarto.
— Sophie? Sabe? O médico tem razão — disse Joe. — É uma subrevivente e vais ficar bem. Cinco semanas mais em seu apartamento com a enfermeira que contratei para que te cuide até que tenha a perna e o braço bem, e voltará para o rancho conosco. E dentro de seis meses, o doutor Hardy operará seu rosto e ficará como se nada tivesse ocorrido.
— Mas ocorreu algo, papai — lhe disse Sophie, enquanto uma enorme lagrima se deslizava por sua bochecha. — Cada noite, quando fecho os olhos, lembro-me do ocorrido. E agora que me tiraram a atadura, tampouco vou ser capaz de esquecê-lo durante o dia.
Separou a mão da de Joe e tirou o anel de compromisso.
— Toma — disse a seu pai. — Diga a Chet que o verei dentro de seis meses.
— Oh, querida, não faça isso — lhe suplicou Joe. — Estou seguro de que assim que Chet venha te ver mudará de opinião.
— Como veio para ver-me durante toda a semana? — perguntou Sophie com um sorriso irônico. — Não, papai. A única coisa que quero agora é voltar para meu apartamento, esperar que me cure a perna e depois voltar para rancho... se de verdade quiser que vá.
— Se quiser... Ah, pequena — disse Joe, envolvendo a sua filha em um abraço. — O que mais desejo neste momento é te ter em casa conosco outra vez.

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