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Friday, December 17, 2010

The Colton Family - Ruth Langan - Nunca é Tarde para Amar p.13

Treze

Heather saiu do chuveiro e se enrolou em uma toalha. Do outro lado do quarto, Thad estava se barbeando, com uma toalha sobre as pernas. Era algo bastante co­mum, mas ainda assim estranha e intensamente íntimo. Talvez fosse isso que ela mais adorava de estar ali. A completa simplicidade de tudo. Um homem e uma mu­lher fazendo suas coisas do dia-a-dia, com tanto prazer. E sabendo que quando o dia terminasse, iriam comer algo juntos, dar uma caminhada e contar histórias para aquela menininha adorável.
Para não mencionar o amor que sentiam. Ela perce­beu que era algo extraordinário. Jamais conhecera um homem como Thad Law. Ele sabia ser gentil e pacien­te, fazendo-a sentir-se a mulher mais amada do mundo enquanto a levava a um verdadeiro jardim de delícias. Em outras circunstâncias, ele podia ser rude e impaciente, levando-a às profundezas negras da paixão, de um jeito que ela jamais imaginara.
Ele era uma constante surpresa. Risonho ou sério. Abrupto ou atencioso. E sempre adorável e paciente com sua filha. Ela percebeu que era sua característica mais adorável.
Heather se abaixou para enrolar a toalha nos cabelos. Viu então que ele a observara do espelho.
Não dava para negar o que via nos olhos dele. Até ali, se preparando para o trabalho, ele a desejava. Para ela, aquilo era muito mais sedutor que fortuna, prestígio ou posses.
Ela foi até ele, que limpou o resto de creme de barbear no rosto antes de voltar-se para ela.
- Acaba de me ocorrer que eu era para ter procura do uma babá para Brittany neste fim de semana. - Ele a beijou no nariz. - Mas fui desvirtuado por uma criatura
linda e encantadora que roubou meu cérebro.
Ela riu.
- E atacou seu corpo.
- É. Isso, também. Era para eu estar exausto. Mas, estranhamente, estou em ponto de bala.
- Que pensamento perigoso para um tira. Não vá tentar resolver todos os crimes do mundo num só dia, Super-homem!
- Com alguém como você acreditando em mim, quase acho que consigo. - Ele deu um suspiro. - Bem, no final das contas hoje é segunda, e tudo que fiz foi me divertir. O que significa que ainda não achei uma babá para Brittany.
- Achou sim. - Ela o beijou nos lábios. - Está olhan­do para ela.
- Você não pode continuar com isto, Heather. Está aqui para ajudar a Joe, não a mim.
- Se você pode sair e solucionar crimes, acho que posso dar conta de responder e-mails e tomar conta dela ao mesmo tempo. - Ela dirigiu-se então ao quarto, sem dar tempo para ele argumentar.
Meia hora depois, após o café-da-manhã, o telefone tocou. Enquanto Heather ajudava Brittany com seus ce­reais, Thad atendeu. Heather o ouviu falando.
- Sim, posso chegar lá em quinze minutos. Ele desligou o telefone e explicou:
- Desculpe apressá-la, mas estão precisando de mim na delegacia. Houve uma emergência. Acho que isso re­solve a questão por hoje. Importa-se de levar Brittany com você?
- Nem um pouco. - Heather serviu suco à menininha. - Meu bem, você vai para a fazenda com Heather enquanto resolvo umas coisas, Está bem? Depois eu pego você.
- Está bom, papai. Vou ganhar beijinho?
- Com certeza. - Ele a pegou nos braços, adorando o modo como aqueles braços gordinhos envolviam seu pescoço.
Quando ele a pôs de volta na cadeira ela retomou seus cereais. Heather o acompanhou até a porta.
- Vou ganhar beijinho também?
- Vai. - E sorriu para ela daquele jeito meio sinistro que ela aprendera a amar.
Ele a trouxe para si e a beijou rápida e fortemente.
- Obrigada. - Ela levou a mão ao coração. - Preci­sava disso.
- Pois eu precisava do dobro. - Ele começou a se afastar, então voltou e a beijou novamente, desta vez longamente, até ela que suspirasse.
Então, antes que perdesse o rumo, Thad deu as cos­tas e foi embora caminhando rápido.
- Vamos, Brittany. - Heather pegou a menina no colo, saiu do carro e foi em direção às lojas do shopping. Apesar de nunca ter ido àquele, sempre vira os anúncios de calos especiais. Faria uma surpresa para Thad naquela noite.
- Onde estamos indo? - Brittany perguntou.
- Àquela cafeteria. Ainda temos tempo antes de eu começar a trabalhar.
Quando ela passou pela cabine telefônica, ficou impressionada de ver sua tia Meredith lá dentro, fazen­do gestos enquanto falava ao telefone. Por um momen­to Heather parou, imaginando por que sua tia estaria lá, a milhas de quilômetros, usando um telefone público, quan­do tinha o celular para usar à vontade.
Mesmo com a porta fechada dava para ouvir a tia irritadíssima.
Sem dizer nada, Heather pegou Brittany pela mão e apertou o passo. Ao chegarem na cafeteria, ela fez seu pedido e virou-se para ver a tia pela janela, ainda gesti­culando muito ao telefone.
Meredith Colton mudara tanto nos últimos anos que mal dava para reconhecê-la. Tão diferente da pessoa dócil e atenciosa que já fora um dia. Houve um tempo em que era a tia favorita de Heather. Agora Heather tinha pavor de ficar perto dela. Vinha observando que até o marido e os filhos de Meredith a evitavam.
Heather olhou para Brittany, que esperava inocente­mente que ela pagasse para irem embora. Ela já pensara que não ter mãe devia ser a coisa mais triste do mundo. Mas também pensara algo pior: ser uma mãe que nem os próprios filhos agüentam.
A voz de Patsy era cortante como gelo.
- Apenas me responda. Você achou Emily ou não? - A voz de Silas "Olhos de Cobra" Pike estava quase inaudível por causa da estática, fazendo Patsy soltar vários palavrões. - Seu imbecil! Será que você não ser­ve nem para comprar um telefone decente?
- Talvez. - Veio mais barulho e ele disse: - Se você me pagasse direito.
Ao ouvir aquilo, ela deu um chute na quina da cabine e começou a bater o pé impacientemente.
- Agora, respondendo sua pergunta... - A voz de Pike ia e vinha. - Fiz uma busca profunda em Wyoming.
- Por que lá?
- Digamos apenas que tenho muitos contatos no submundo. Nestes anos todos, conheci dezenas de pi­lantras. E eles dizem que o objeto de minha busca está no Wyoming.
Patsy parou de bater o pé.
- Só isso? É esta a grande novidade? Que Emily está em algum ponto do Wyoming?
- Foi o que eu disse. - O tom de voz dele era de orgulho.
- Não sei se você reparou, imbecil, mas Wyoming é um estado enorme! Onde exatamente em Wyoming ela está?
- Ei, pare de gritar! Já cheguei até aqui, não che­guei? Não vá começar a dar ataque histérico. Eu vou encontrá-la. Só preciso de tempo.
- Não tenho muito tempo. Tem um maldito imbecil que andou desperdiçando todo meu tempo com uma historinha atrás de outra.
- Sabe de uma coisa? Estou cansado de ouvir você me chamar de imbecil. Se não gosta do meu trabalho, talvez seja melhor procurar outro.
- Talvez eu procure. - Seu tom de voz ficou mais virulento. - Talvez procure mesmo, seu ordinário. Alguém que não me perturbe com telefonemas dizendo que tem o estado inteiro do Wyoming para procurar! Quem sabe desta vez eu contrate alguém que cumpra o que promete?
Com isto ela conseguiu que ele mudasse de atitude.
- Espere aí. Não disse que não posso fazer o trabalho. Eu posso. Vou fazer. Mas você vai ter de pagar.
- Já regateei o preço?
Ele riu.
- Todas as vezes que conversamos. Bem, me arru­me algum dinheiro e, enquanto espero, vou levantar toda informação possível sobre a querida Emily.
Patsy escreveu afobadamente o endereço de onde Pike estava na cidade antes de desligar.
Franziu o cenho. Ele sempre queria mais dinheiro. Mas ela nunca tinha retorno. Era o que dava se envolver com um infeliz como ele. O que poderia esperar de um ex-presidiário que passou metade da vida num orfanato, após o pai matar a mãe de tanto bater, e depois na prisão por roubo de carro e assalto à mão armada? Sabia falar muito, mas até o momento nada de concreto. Talvez ela tivesse mesmo de arrumar outro para dar fim naquele sujeito, e depois pagar um extra para fazer o mesmo com a pequena Emily.
Pela primeira vez em mais de uma hora um sorriso lhe veio aos lábios. Ah, como ela gostou de se entregar a esse devaneio. Mas a coisa toda era simplesmente ridícula, absurda. Com a sorte que ela tinha, o matador de aluguel acabaria se revelando agente disfarçado do FBI. E aí o que seria dela?
Não. Ela parou e cruzou os braços, olhando pelo vidro, tamborilando o dedo no braço. Por mais que qui­sesse desistir e ficar sozinha, por enquanto tinha de se­gurar firme e torcer para que Pike achasse Emily de uma vez.
Do contrário, simplesmente arrumaria um pistoleiro. Ou, se Pike a tirasse de si, talvez ela resolvesse o as­sunto pessoalmente.

Joe Colton viu a sobrinha entrar em seu escritório trazendo Brittany pela mão.
- Nossa, vocês parecem radiantes hoje. Heather corou.
- Espero que não se importe de ter trazido Brittany comigo. Thad teve de ir à delegacia. Mais tarde vem pegar a filha.
- Por que eu me importaria de dividir meu escritó­rio com duas lindas mulheres? - Joe piscou para a menininha. - Estava mesmo esperando que você viesse me visitar outra vez. Arrumei outra garrafa de bolhas para brincarmos.
- Bolhas! - Brittany bateu palmas. - Podemos brin­car agora?
- Que tal esperarmos até o almoço? O dia está tão bonito que vamos comer no pátio e você poderá correr atrás das bolhas à vontade.
- Oba!
Heather soltou a mão de Brittany, pegou um fax que havia chegado e colocou na escrivaninha de Joe. Então deu a Brittany um pouco de papel e várias canetas co­loridas para desenhar enquanto ela e Joe cuidavam da correspondência.
Joe disse:
- Vou precisar de uns dois relatórios financeiros, meu bem. Ainda bem que são sua especialidade. Você faz em meia hora o que levo um dia para fazer.
Heather sorriu.
- Sem problema. Precisa deles imediatamente? Ele assentiu.
- Tão logo seja possível.
- Vou fazer agora mesmo, no computador.
- Boa menina. - Ele deu uma piscadela, olhou para Brittany e anunciou em voz alta:
- Estava pensando em dar um pulo na cozinha e pe­gar uma tigela de morangos. Mas odeio ir sozinho. Será que haveria alguém interessado em me acompanhar?
Uma vozinha trinou.
- Vou com você, tio Joe!
- Como é? - Ele pôs a mão em concha na orelha. - Será que alguém disse que quer me acompanhar?
Ele sentiu um puxão na manga da camisa, olhou para baixo e viu Brittany sorrindo para ele.
- Vou com você, tio Joe! - Ela pegou a mão dele e disse, solenemente: - não tem problema se não quer ir sozinho. Às vezes, quando é tarde da noite e bem escu­ro, eu também não gosto. Às vezes até de dia. Papai diz que todo mundo sente isto de vez em quando. Até ele. E que não tem problema pedir ajuda.
Joe caminhou com ela pelo escritório, parando na soleira da porta.
- Seu pai é um homem esperto, Brittany. Sorte sua.
Enquanto suas vozes sumiam no corredor, Heather pensou no que Brittany acabara de revelar sobre o pai. Que modo impressionante de lidar com os medos da filha, abordando de maneira tão franca e direta.
Brittany podia não ter mãe, mas o pai que tinha era realmente especial, mais que qualificado para criar uma menina luminosa, adorável e absolutamente encantadora.
Heather e Brittany estavam começando a jantar quan­do o celular de Heather tocou. Ela deixou a menina com Teddy e Joe Júnior enquanto atendia.
- Thad? - Ela sentiu que seu coração deu uma ligei­ra disparada ao ouvir sua voz. - Senti sua falta.
- Eu também. - Sua voz ficou mais grave. - Como vai minha menina?
Ótima. Está com os meninos na sala de jantar. Ele riu.
Estava perguntando de você.
- Ah. - O sorriso dela ficou ainda mais luminoso. - Eu não estava esperando.
- Que bom que ainda consigo pegá-la de surpresa. E Brittany? Dando muito trabalho?
- Não seja bobo. Ela está se divertindo muito. Você não acreditaria. Meu tio comprou uma garrafa de espu­ma de sabão no fim de semana só para ver a alegria dela correndo atrás das bolhas no pátio.
- Que ótimo. - Ele estava genuinamente tocado pelo modo que a família de Heather aceitara sua filha. Ele parou, relutando em pedir um favor. Finalmente, falou.
- Seria pedir demais se ela ficasse com você um pou­quinho mais?
- Claro que não!
- Não sei a que horas poderei chegar.
Ela sentiu a tensão em sua voz.
- Dia difícil?
- É. Um homicídio na cidade. Escute, talvez só consiga chegar aí antes da madrugada.
- Então por que não deixa Brittany dormir aqui?
- Ele parou e pensou.
- Você não se importaria?
- Claro que não. Ela dorme comigo. Vou contar umas histórias malucas para ela e vamos rir muito. - Ela diminuiu o volume da voz para não ser ouvida. – E ambas sentiremos muito sua falta.
- Nem metade da que sentirei de vocês. Odeio en­contrar o apartamento vazio.
- Você pode escalar minha janela e passar a noite aqui.
- Isso. E ser filmado por todas as câmeras de se­gurança. Realmente criaria um frisson na cidade. Posso até ouvir as gozações. "Segurança de primeira linha flagra­do invadindo a propriedade dos Colton. Detalhes esca­brosos do escândalo na edição das seis."
- Acho que sua vocação real era para repórter, de­tetive Law.
- Sim. Ou talvez escritor de ficção. - Ela percebeu que a tensão se dissipou de sua voz. - Fique bem, srta. McGrath.
- Você também, detetive.
- Se tudo der certo, até amanhã. Ela sorriu.
- Boa noite, Thad.
Ela pôs o celular no bolso e observou enquanto Brittany encantava a todos na sala de jantar. A menina fica­ria decepcionada ao saber que o pai não viria mais bus­cá-la. Mas ela era forte. Heather não tinha dúvida de que ambas passariam a noite bem e de manhã estariam bem-dispostas para dar bom dia ao homem que ambas ama­vam.
O homem que ambas amavam.
Que sensação impressionante. Era chocante perceber como amava Thad Law.
Mas amava.
Já pensara um dia ter amado. Mas agora percebia que estar apaixonada e amar eram coisas distintas. Estava feliz de não ter se amarrado a ninguém, pois permanecera livre para descobrir Thad.
Tudo que acontecera antes em sua vida foi um mero prelúdio para aquele amor. Ela mal podia esperar para ver Thad outra vez e dizer a ele como ele era especial pura ela.

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