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Friday, December 17, 2010

Kasey Michaels - Adorado Lobo – um intruso no eden p.11

CAPÍTULO 11
Sophie permanecia em frente da casa, observando as luzes traseiras do carro desaparecendo na escuridão.
Tinha sido um dia muito comprido e, provavelmente Chet deveria ter ficado para passar a noite no rancho. Mas Sophie se alegrava de que tivesse decidido voltar para a cidade e parar em algum hotel de estrada para dormir no caso de que se encontrasse muito cansado. E certamente o faria. Chet era um homem muito preocupado pela segurança. Pelo menos no que se referia a ele.
— E, além disso, tem o colesterol perfeitamente controlado — se recordou Sophie e, pelo menos, foi capaz de esboçar um sorriso ao recordar o intercâmbio que se produziu entre seu pai e Chet aquela manhã.
Entretanto, seu sorriso desapareceu quando se voltou para casa. Sua mãe ainda estava acordada? Deveria esperar até o dia seguinte antes de ir procurá-la? Mas seria capaz de conciliar o sono daquela noite se não esclarecesse antes algumas coisas com ela?
Não, provavelmente não.
Sophie levantou os ombros e se dirigiu para a quarto de sua mãe sem estar muito segura de se se alegrava ou não de ver luz sob a fresta da porta.
Chamou vacilante, empurrou a porta e entrou no enorme quarto. A cama estava aberta, mas vazia. Sophie olhou para a área do quarto que fazia de sala do dormitório principal.
— Mamãe? Está aí?
Era estranho. Onde podia estar sua mãe, se as luzes de seu dormitório estavam acesas e não estava nem na cama nem na sala? Aproximou-se do banheiro, mas a porta estava aberta e o interior completamente às escuras.
Sophie se aproximou da sala.
— Mamãe? Ei, mamãe? Sou eu, Sophie.
Ouviu um som atrás dela, no interior da sala. Um som patético que só podia proceder de uma garganta humana. Sophie só se apareceu através das portas de cristal que separavam o dormitório da sala, mas não as tinha aberto.
Para ouvir aquele gemido, decidiu olhar mais de perto.
— Mamãe? — repetiu.
Abriu a porta e entrou nas pontas dos pés naquele quarto digno de aparecer em uma revista de decoração. Girou para a esquerda e acendeu o abajur mais próximo.
— Mamãe! — exclamou ao ver Meredith.
Esta permanecia agachada ao lado da porta, com os joelhos pegos ao peito, o rosto fundo entre as mãos e soluçando. Sophie correu a ajoelhar-se a seu lado.
— Oh, mamãe, Meu deus, o que te passa? Está doente? Está cansada?
— Eu sei, eu sei — lhe implorou Meredith enterrando o rosto entre as mãos. — Me odeia, sei que me odeia. Eu sei.
Sophie não sabia o que fazer. Não sabia o que dizer. O que estava fazendo sua mãe ali, encolhida em meio da escuridão como uma menina assustada? Não tinha nenhum sentido.
— Te odiar? Mamãe, não seja ridícula. Olhe, fique aqui e irei procurar o papai — disse, e tentou levantar-se, mas Meredith a agarrou pela mão, obrigando-a a ficar onde estava.
— Não! Não vá Sophie, não me deixe! Oh, por que não posso fazer nada bem? Trouxe Chet aqui, para que voltasse contigo, e você o jogaste. Oh, sim, Sophie. Vi-o, falei com ele. E me disse que deveria me ocupar de meus assuntos. Ele também me odeia. Todo mundo me odeia. Porque tudo o que faço é errado. Só quero estar aqui, sozinha, e poder chorar a gosto. Estou tão desolada.
O cérebro de Sophie corria a toda velocidade. Como era possível que sua mãe reagisse de maneira tão exagerada?
— Mamãe, não aconteceu nada, de verdade. Chet e eu já sabíamos faz tempo que nosso compromisso não ia funcionar. Mas seguimos sendo amigos, de verdade, e eu vou ser sua sócia na sombra na agência que quer montar, porque Chet é muito bom em seu trabalho. E Chet também está satisfeito. De fato, agora que penso nisso, está completamente feliz.
Meredith entrecerrou os olhos, parecendo de repente completamente furiosa.
— Levou seu dinheiro? Meu Deus, claro que levou seu dinheiro. Todos são iguais. Tiram-lhe tudo, tudo. Me tiraram o que mais queria. Levaram minha pequena Jóia. Arrebataram-me a vida. Tudo...
Meredith ficou sem voz. Levantou-se de repente, e esteve a ponto de tropeçar com sua túnica de seda enquanto passava por diante de Sophie e se dirigia para o banheiro.
Sophie a seguiu e, do batente da porta do banheiro, viu que sua mãe abria uma gaveta do móvel do lavabo e tirava um potinho de plástico. Meredith tirou dele duas pastilhas e as meteu na boca, tragou-as em seco e, depois, apoiou as mãos no lavabo e, sorriu ao reflexo que lhe devolvia o espelho.
Sophie entrou no banheiro com a mão estendida.
— Me deixe ver isso, mamãe. O que está tomando? Quem lhe receitou isso?
Meredith sorriu, parecia ter trocado novamente de humor.
— Estou vendo um médico em Prosperino, e ele me disse que me porei bem se tomar estas pastilhas. Só tenho um pequeno problema nervoso, uma seqüela do acidente. E da separação de seu pai, e de ter tido outro bebê, e, além disso, estes anos tive que superar a menopausa. Foi difícil, Sophie, muito difícil. Difícil para mim, difícil para seu pai, difícil para todos nós. E o sinto, Sophie. Sinto-o tanto...
— Sei, mamãe, sei — a consolou Sophie.
Sofria por sua mãe, mas, ao mesmo tempo, no fundo se regozijava de que por fim estivesse abrindo-se, falando com ela.
— Estava melhorando muito, até que tive o acidente. Então tive um retrocesso. Por isso não fui te ver, Sophie, porque estava doente. Você o compreende, não é? Mas não podemos dizer-lhe a seu pai, sobretudo agora, porque desde que voltou para casa, seu pai e você, estou muito melhor. Não, não podemos dizer nada a seu pai. E menos estando ele tão mal como está. Já sabe o quão depressivo é, Sophie. Assim me prometa isso, me prometa que este será nosso segredo. Porque, além disso, agora me encontro muito melhor, de verdade.
— Mamãe...
— Não, não, de verdade — insistiu Meredith. Pouco a pouco, parecia ir recuperando o controle sobre si mesmo. — Vamos celebrar essa festa. Organizaremos uma grande festa para celebrar os sessenta anos de seu pai. E depois iremos ele e eu a um cruzeiro. Oh, ainda não o disse. Esse é meu presente de aniversário. Meu médico diz que nos virá muito bem aos dois. Vê? — terminou, tomou ar e o soltou lentamente. — Te dá conta de que poderia jogá-lo tudo a perder se falasse com seu pai? Eu cada dia estou um pouco melhor, de verdade. O de esta noite... o de esta noite só foi uma pequena recaída, isso é tudo.
Inclinou-se para Sophie e lhe deu um beijo na bochecha e a abraçou.
— Vê-o? Agora estou bem. Já tudo vai sair bem. E o sinto tanto... Minha querida Sophie, sinto tanto ter gritado contigo. Por favor, me perdoe.
Quanto tempo tinha passado da última vez que havia sentido os braços de sua mãe a seu redor? Muito tempo, muito. Sophie lhe devolveu o abraço tentando esquecer de tudo, tentando esquecer as palavras mais duras de sua mãe, seus comentários estranhos. Bastava-lhe com que sua mãe a abraçasse, acariciasse-lhe o cabelo, quisesse-a. Abraçou a Meredith com força e esta soluçou.
— De acordo, mamãe. Será nosso segredo — disse Sophie. — Será nosso segredo. Pelo menos de momento, será nosso segredo.

River se levantou precipitadamente ao ver uma silhueta escura que se recortava contra as sombras da noite.
Estava sentado no banco do exterior do estábulo, sentindo-se completamente satisfeito desde que tinha visto desaparecer o esportivo de Chet uma hora antes.
Teria sido divertido brincar sobre a prematura partida de Chet, mas tinha preferido guardar as brincadeiras para ele.
Mas naquele momento se perguntava, quando já era muito tarde, por que não tinha pensado praticamente nada em como poderia afetar a Sophie a partida de Chet. Sentiria-se aliviada? Culpada?
River observou aproximar-se de Sophie. Reconheceu seu levemente manco no meio da escuridão.
— Estou aqui — lhe disse, saindo de entre as sombras e colocando-se sob a tênue luz do farol. — O que te passa, Sophie? Não tinha por que ter vindo andando até aqui no meio da noite. Podia ter me chamado e teria ido te buscar... E, que demônios...?
Sophie tinha percorrido correndo os últimos metros e naquele momento acabava de derrubar-se soluçando contra ele e o abraçava como se isso fosse a vida.
— Sophie, se acalme, querida — lhe pediu River, lhe devolvendo o abraço e lhe acariciando as costas enquanto a sentia tremer contra ele. — O que aconteceu? Chet te fez Chet algum mal? — ao pensar nisso, agarrou Sophie pelos ombros e a separou ligeiramente dele, para poder olhar seu rosto. — Sophie, pelo amor de Deus, me responda. Te fez algo?
Sophie sacudiu a cabeça quase violentamente, e voltou a aferrar-se a ele.
— Me abrace, Riv, só me abrace.
Assim River a abraçou. Entre outras coisas porque não podia fazer nada mais. Esperou a que remetesse a tormenta e, ao final, meteu a mão no bolso, tirou um lenço de cor branca e azul, o estendeu e esperou que ela secasse os olhos e soasse o nariz.
— Pode ficar — o disse por fim, tentando pôr um pouco de humor para mitigar a tensão. — De fato, se continuar assim, terei que te dar de presente uma dúzia de lenços de Natal.
Sophie deixou escapar uma risada e acariciou River na bochecha.
— Sinto muito, Riv. Tenho que deixar de fazer isto. De vir a me desafogar sempre contigo. Mas é que hoje foi um dia muito duro.
— Por Wallace?
Sophie o olhou estupefata, como se se tivesse esquecido de que Wallace existia.
— Por Chet? Oh, não, Chet não me tem fez nada. Está encantado de poder ficar com meu dinheiro.
River jogou o chapéu de vaqueiro e a olhou zombador.
— Seu dinheiro? O que tiveste que fazer, Sophie? Pagar-lhe para que se fosse?
Um novo sorriso escapou dos lábios de Sophie.
— Não, claro que não, idiota. Mas por fim compreendeu que lhe resulta mais benéfico ser meu sócio em um negócio que converter-se em meu noivo. Eu serei sua sócia, uma relação que, por certo, convém aos dois. A estas horas já deve estar a meio caminho da cidade, fazendo contas mentalmente e planejando um novo logotipo para sua agência.
— Um novo logotipo? Agência? Sabe, Sophie, se te desse uma bofetada acreditando que está histérica, ninguém poderia me culpar.
Ao ouvi-lo, o sorriso de Sophie desapareceu; a jovem se estremeceu como se acabasse de açoitá-la uma rajada de vento gelado.
— Podemos falar? — perguntou ao final de um momento, posando seus enormes olhos castanhos sobre os de River. — Preciso falar contigo.
River a conduziu para o banco, mas depois, trocou de direção, pegou-a pela mão e a levou até a escada exterior que subia até suas habitações, situadas sobre os estábulos. River preferia viver ali, perto de seus cavalos, em vez de na casa familiar.
Uma vez sentada Sophie na sala, River tirou uma cerveja do refrigerador para ele e serviu a Sophie uma taça de vinho branco, o vinho que tinha comprado no dia anterior à volta de Sophie ao rancho com a esperança de poder oferecer-lhe algum dia.
Sophie tomou a taça, bebeu um gole e a deixou na mesinha de café.
— Obrigada. Suponho que o necessitava.
— Sim, eu também acredito que o necessitava. Mas continuo me perguntando por que lhe fazia falta uma taça.
Sophie o contou. River a escutava sem mover-se, observando-a com atenção enquanto lhe explicava o ocorrido.
— Deveria ter ido procurar Joe — disse por fim, enquanto Sophie secava os olhos, que voltavam a estar umedecidos pelas lágrimas. — Tem que saber o que passou, Sophie.
Sophie negou com a cabeça.
— O prometi, Riv. Prometi-lhe que seria nosso segredo.
— E depois vieste a me contar isso — assinalou Riv, bebendo o último gole de cerveja.
— Sim, isso é precisamente o que tenho feito, não é? E agora você compartilha a mesma promessa, o mesmo segredo que eu. Porque não o dirá a meu pai, não é?
River estava desejando dizer-lhe:
— Não, Soph, não o direi. Além disso, estou convencido de que já sabe, você não?
Sophie mordeu os lábios e assentiu.
— Sim, suponho que sim. Meredith... tem problemas. Problemas sérios. Troca muito repentinamente de humor. Da alegria à tristeza, e da tristeza à fúria. Quando estava falando com ela, era como ter um camaleão ante meus olhos. Ela quer a meu pai, disso estou segura. E às vezes, às vezes acredito que o odeia, que odeia a todo mundo. E que o teme, que tem medo de todos nós. De algum modo, somos uma moléstia em sua vida, estamos lhe fazendo demandas que não pode cumprir. A única coisa que ela quer é estar sozinha, com o pequeno Joe e com Teddy. É como se nada mais lhe importasse. Oh, sim, está organizando uma enorme festa de aniversário para papai, mas isso só o faz porque acredita que tem que fazê-lo. Não acredito que o sinta de verdade.
River a olhou arqueando uma sobrancelha.
— Você acha? Parece-me que nisso te equivoca. Meredith adora suas festas, para ela, quanto maiores e espetaculares, melhor. Isso não o pode negar.
Sophie bebeu outro gole de vinho.
— Suponho que tem razão. Deve ter celebrado muitas festas no rancho durante estes últimos anos, não é? E nenhuma delas divertida.
— Não para ti, possivelmente, mas Meredith tem todo um álbum cheio de fotografias e artigos que se publicaram sobre suas festas. Eu o vi em uma ocasião. Guarda-o tudo ali e assinala as fotografias nas quais aparece ou que fazem qualquer menção sobre ela.
— Não sabia — disse Sophie com voz firme. — Maldita seja, River, por que estará atuando assim? Quando se abriu para mim, quando me abraçou... Oh, Riv, foi tão maravilhoso que haja me tornado a abraçar como quando era menina. Mas agora, agora que já não estou com ela, resulta-me mais fácil ser consciente de suas mudanças de expressão: do desagarro, ao assombro e do assombro à felicidade. E se eu vi tudo isso, que não terá estado vendo papai? É tão protetor com ela... Suponho que sabe que não está bem, não é? Certamente sabe muito melhor que todos nós.
River tirou de Sophie a taça das mãos, colocou-a sobre a mesa e se voltou para ela.
— Será melhor que deixemos o tema de momento. Só servirá para preocupar-se.
Sophie se levantou bruscamente, contornou a mesinha de café e começou a passear sobre o tapete que River tinha comprado durante sua última viagem à reserva.
— Claro que me preocupa, River — disse zangada; sacudia os braços enquanto caminhava de um extremo a outro do tapete. — Não afetaria a ti? Minha mãe se está tornando louca. Meu pai tem o aspecto de um homem que acabou de perder a seu último amigo e quase abandonou os negócios. Rand comentou mais de uma vez que Peter McGrath e meu primo Jackson praticamente estão dirigindo a corporação e que conviria vigiar de perto tio Graham e Emmett Fallon, porque ambos roubariam a meu pai se pudessem. Seu irmão e seu melhor amigo, que canalhas ingratos. Revoam a seu redor dispostos a devorá-lo até os ossos.
— Todos estamos pendentes deles, Sophie. A Joe não vai ocorrer nada nesse sentido, prometo-lhe isso.
— Mas não deveríamos ter que nos preocupar por isso! Nada disto deveria estar acontecendo. Amber procura estar longe de casa tanto como pode. Emily ainda se culpa pelo acidente que parece ter desencadeado tudo isto, e Drake diz que se sente menos tenso desativando explosivos debaixo de um navio que durante nossos jantares. Já nem me lembro da última vez que nos reunimos simplesmente porque queríamos estar juntos. Rand, Drake, Amber, Chance, Tripp, Rebecca, Emily, Wyatt e Blake. Antes não saíamos daqui e agora estamos todos fora, nos escondendo. E não só porque sejamos adultos e cada um de nós tenha começado sua própria vida. É que aqui já não há nada do que fomos, pelo que todos conhecíamos. Toda esta maldita família se vai para o inferno, Riv, e não sei o que fazer para evitá-lo.
— E essa é precisamente a essência da questão: que não pode fazer nada, Soph. Nenhum de nós pode. Joe sempre diz que terá que aceitar o bom e o mau, e isso é a única coisa que podemos fazer, ao menos até que Joe averigüe que sua esposa desapareceu e que todos nós estamos vivendo com uma que só se parece fisicamente à mulher que conhecíamos e amávamos.
Sophie deixou de caminhar e abraçou a si mesmo.
— Tudo isso que diz é tão frio, Riv. É como se tivéssemos renunciado, como se só estivéssemos fingindo que lutamos, que mantemos a esperança. Mamãe me disse que lhe roubamos sua jóia. Sabe acredito que significa isso? Acredito que se referia a sua vida. À jóia resplandecente que era sua vida. Pouco a pouco, fomos desgastando-a. Nós, todas as crianças que crescemos aqui. Meu pai com suas constantes viagem a Washington. A morte de Michael, o acidente de Emily. A separação prévia ao nascimento de Teddy. Tanta carga foi muito para ela, pedimos-lhe muito.
— Então pensa guardar silêncio sobre o que ocorreu esta noite? —perguntou River. Rodeou a mesa, aproximou-se dela e posou as mãos em seus ombros. — De verdade acha que lhe está fazendo algum favor mantendo esse tipo de segredos?
— Não sei, Riv. Não sei nada — disse Sophie, pressionando a bochecha contra o peito de River. — A única coisa que sei é que esta noite não quero dormir nessa casa tão triste.
River inclinou a cabeça e lhe mordiscou brandamente o pescoço.
— Então fique aqui. Fique aqui comigo

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