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Friday, December 17, 2010

Kasey Michaels - Adorado Lobo – um intruso no eden p.10

CAPÍTULO 10
Sophie deslizou as mãos sob o colete de couro negro e percorreu com elas o peito nu de River, sentindo o calor e a tensão estremecida de seus músculos ante aquele contato.
Acariciou sua pele com os lábios e desenhou com a língua a linha do mamilo ao tempo que se deixava cair contra River e ia descendendo até tropeçar com a fivela de prata do cinturão
Barreiras, sempre barreiras.
Gemeu brandamente enquanto lutava com estupidez contra o cinturão. A frustração se fundia com a paixão, esquentando seu corpo...
Rrrrinnggg!
Sophie arregalou os olhos e se sentou na cama como uma mola, com o coração palpitante e a garganta seca; tão seca que lhe custava tragar saliva
Olhou a seu redor, deu um tapa no despertador para sossegar seu insistente assobio e se deixou cair contra o travesseiro.
— Oh, maldito seja — sussurrou. A mão lhe tremia enquanto a passava pelo cabelo e fixava o olhar no teto, onde se refletiam os raios do sol da manhã que conseguiam atravessar as ranhuras das venezianas. — Maldito seja, maldito seja, maldito seja.

Sophie se encontrou com Chet na mesa do café da manhã. Chet acabava de terminar de encher o prato com o buffet que Ines preparava nos fins de semana. Normalmente, os sábados e os domingos, Ines andava com poucos empregados; Nora Hickman, a ajudante de cozinha, tinha os dois dias livres. Chet se tinha servido melão, morangos e estava a ponto de encher de iogurte o prato. Uma rosquinha completava todo seu café da manhã.
— Bom dia, querida — disse, mostrando-se tão pouco perspicaz como a noite anterior.
— Bom dia, Chet — respondeu Sophie, concentrando-se em encher seu prato com uma fatia de queijo, outra de presunto, duas colheradas de ovo mexido, outra de batatas fritas e uma rodela de melão, como se servindo-se da fruta pretendesse dizer a Chet que ela também sabia comer saudável. — Espero que tenha dormido bem.
Chet deixou o prato na mesa e tirou a cadeira que havia ao lado da que tinha eleito para ele, esperando que Sophie se sentasse.
— Se quiser que te diga a verdade, não. Há muito silêncio neste lugar. A próxima vez terei que trazer uma fita em que tenha gravado ruídos de carros para me sentir como em casa.
Sophie sorriu, como se supunha que tinha que fazer, e estendeu a mão para a jarra do café.
— Pensei que poderíamos ir dar uma volta esta manhã. Temos que falar.
Chet tomou a sua mão e a apertou.
— Sim, claro que temos que falar. Além disso, tenho algo para ti. Algo que te pertence.
Sophie se voltou para ele, tentando procurar as palavras mais adequadas para lhe responder, mas seu pai escolheu aquele momento para entrar na sala, assim que se limitou a sorrir e elevou o rosto para receber um beijo de seu pai na bochecha.
— Bonita manhã, não? — perguntou Joe, e sacudiu a cabeça enquanto Ines fazia outra de suas aparições mágicas e começava a encher um prato para o patriarca da família. — De verdade, Ines, não pensava em comer algo.
A governanta levantou a tampa de uma pequena terrina de prata e serviu uma colherada de ovos de baixo colesterol, três fatias de um embutido que pretendia imitar bacon e duas torradas com margarina de baixas em calorias.
— Cale-se e coma isto. Seu leite com aveia está ainda na cozinha. E a jarra amarela tem café descafeinado.
Joe baixou o olhar para seu prato e depois olhou o prato de Sophie com tristeza.
— Esta mulher está me matando com tantos cuidados — disse e começou a revolver os ovos com o garfo. — Agora vivo para os domingos, sabe? E só porque é o único dia da semana que me permite comer de verdade.
— Deveria provar o iogurte, senhor — lhe recomendou Chet em um tom tão condescendente que pôs Sophie a carne de galinha. — É são, nutritivo e magnífico para manter a linha. Além disso, permite-me ter perfeitamente compensados os níveis de colesterol.
— Parabéns — murmurou Joe Colton.
Chet se levantou, aproximou-se da mesa do buffet procurando algo mais de fruta e depois se dirigiu à cozinha. Sophie supôs que tinha terminado o melão e queria comer algo mais.
Joe se inclinou sobre a mesa e lhe sussurrou:
— Não posso acreditar que o tenha convidado a vir.
Sophie se inclinou também para ele.
— Não fui eu. Foi mamãe quem o convidou, mas não me disse isso até ontem pela tarde, quando já não podia lhe dizer que não viesse.
— Meredith? — perguntou Joe com uma dura expressão. — E por que demônios lhe ocorreu fazer algo assim?
— Terá que perguntar a ela, papai — disse Sophie, enquanto distribuía os ovos mexidos ao redor do prato com o garfo. — Não sei o que vou fazer.
Seu pai a olhou durante longos segundos.
— O que quer dizer? Quer que volte contigo?
Sophie negou com a cabeça e voltou a concentrar-se no café da manhã, enquanto Chet se aproximava de novo da mesa, naquela ocasião com o prato cheio de rodelas de melão.
— Sua governanta é um tesouro, senhor Colton — comentou enquanto se sentava. — E certamente, preocupa-se muito por seu bem-estar. Sophie, querida, deveria pensar em sua dieta. Nunca é muito tarde, nem muito cedo, para começar a comer de forma saudável.
Sophie teve que morder a língua para não replicar que estava pensando em começar a fumar, só para ver como reagia. Perguntava-se se Chet sempre teria sido tão aborrecido, ou se era que o quê a incomodasse tanto que estivesse ali que nada do que fizesse ou dissesse podia lhe parecer bem.
Olhou para Chet enquanto este cortava o melão com faca e garfo. Chet ia vestido com o traje informal dos fins de semana: umas calças largas, camisa de seda, e pulôver de gola alta preso à cintura, mas sem impedir que se visse a marca Gucci do cinturão. Seus mocassins sempre brilhavam como se acabasse de escová-los e nunca tinha um só cabelo fora do lugar. Levava um relógio de ouro no pulso, com correia de couro negro, e um diamante assinalando as doze em ponto. As unhas estavam perfeitamente polidas, a cara recém barbeada, e emanava a intensa fragrância da colônia Aramis.
Sophie tentou imaginar-lhe com umas botas velhas, uns jeans gastos, cinturão de couro e fivela metálica e um colete de couro negro sobre seu peito nu.
Não, não funcionou. Chet não era feito para vestir coletes de couro negro... A não ser que fosse para participar de uma festa de Halloween. Porque, no caso de Chet, esse traje só podia ser um disfarce. River, entretanto, vestia aquela roupa como se fosse uma segunda pele.
Sophie fechou os olhos e viu River em frente a ela. O colete, os jeans, as botas de couro. A juba negra aparecendo sob a aba do chapéu. Isso era tudo o que tinha sentido falta na noite anterior: o chapéu de vaqueiro, os polegares apoiados com indolência no cinturão e um sorriso preguiçoso no rosto.
— Sophie? Sophie, está me escutando?
— Humm? — respondeu Sophie, e levantou a cabeça bruscamente ao dar-se conta de que sua mente estava a milhares de quilômetros dali, indo a lugares aos quais não tinha nenhum direito de ir e pensando coisas nas quais não tinha que pensar. — Oh, sinto muito, Chet. Suponho que ainda não estou totalmente acordada.
O qual era certo; parte dela continuava ainda em seus sonhos, e tinha muito poucas vontades de abandoná-los.
— Desculpas aceitas, querida — disse Chet.
Sophie se mordeu o lábio para reprimir um sorriso enquanto seu pai pigarreava ruidosamente, levantava-se e levava o prato vazio à cozinha para trocá-lo por uma terrina de papa de aveia.
— Pensei que poderíamos ir hoje a Prosperino. Podemos fazer algumas compra e ficar por lá e almoçar, o que te parece?
Parecia-lhe tão emocionante como ir a um campeonato de xadrez, mas Sophie se limitou a sorrir, assentiu e disse algo que provavelmente a fazia parecer muito mais contente do que realmente estava. Pelo menos, não estariam sozinhos durante todo o dia, exceto durante o trajeto de carro. E estava segura de que quando durante o almoço lhe dissesse que não queria vê-lo nunca mais, Chet seria incapaz de armar uma cena em público.

Louise Smith se voltou sobre os calcanhares e sorriu ante sua última aquisição, uma pequena hortênsia coroada por um imenso casulo azul.
Louise adorava seu jardim; o pátio traseiro de sua casa estava praticamente cheio de flores. Tinha tido que consultar livros, posto que não conhecia as plantas nativas do Mississipi, e, guiando-se por catálogos e consultando livros de jardinagem na biblioteca local, por fim tinha reunido valor suficiente para filiar-se ao clube de jardinagem da localidade.
Louise se levantou e afastou uma mecha de cabelo dos olhos, sem ser consciente da mancha de terra que deixava em sua bochecha. Voltou-se e olhou a enorme caixa de cartão que descansava sobre a zona que ela mesma havia coberto de tijolo no verão anterior.
— Por que me terei metido nesta confusão? — perguntou-se, examinando a enorme caixa. — Acredito que desta vez assumi mais do que posso ter, Pardal — lhe disse à gata listrada que desfrutava do sol sobre uma das cadeiras de ferro do jardim.
A gata inclinou a cabeça e começou a lavar-se com a patinha. Às vezes, Pardal tinha conversas completas com Louise, mas em vez dos miados próprios de outros gatos, ela respondia com pequenos gorjeios, como os de um pássaro. A isso devia seu nome, Pardal. Pelo menos, essa era a explicação que Louise dava a todos os que lhe perguntavam por aquele nome tão estranho para um gato. Na realidade, o nome lhe tinha ocorrido durante um de seus sonhos, mas aquela era uma explicação muito ridícula.
Toda sua vida era ridícula na realidade. Por isso a sua memória concernia, tinha começado nove anos atrás, mas pelo que diziam os documentos oficiais da prisão e as notas que os médicos tinham deixado escritas em seu histórico, tinha um passado que era preferível esquecer.
— Bom, já basta de pensar nisso — disse Louise para si, tomou uma chave de fenda e foi abrindo a caixa pouco a pouco, sentindo os efeitos do calor e do exercício. Ao final, incorporou-se para ver a fonte que tinha encarregado ao viveiro da localidade.
A única coisa que tinha que fazer era montá-la seguindo as instruções e encher a de água.
— Há alguém em casa?
Louise sorriu ao voltar-se para a porta do jardim e ver a doutora Martha Wilkes esperando frente a ela com uma cesta de picnic entre as mãos.
— Que surpresa mais agradável. Entre. Preciso de ajuda.
— Olá, Louise — a saudou a doutora. Abriu a porta e deixou a cesta na mesa do jardim. Ia vestida de maneira informal, com calças curtas de cor bege, uma camiseta decotada e o cabelo preso com um laço de algodão laranja. — Uau! Essa é a fonte? — perguntou, rodeando a caixa e sacudindo a cabeça ao ver toda as peças soltas. — Como me disse que lhe iam enviar isso hoje, me ocorreu vir te dar uma mão. Mas temo que vai fazer falta mais de uma. Espero que se dê bem com quebra-cabeças.
— Deveria ter pago algo mais em troca de que me entregassem isso montado, não é? — disse Louise, sacudindo a cabeça. — Mas sempre gostei dos desafios.
— De verdade? — perguntou a doutora Wilkes, inclinou a cabeça e observou com atenção a sua paciente e amiga. — Pois a mim também. Por onde acha que deveríamos começar?

River observava Erik Tapler enquanto este guiava o alazão pelo curral. De vez em quando, Erik se voltava para River e lhe dirigia um sorriso radiante. Depois das três horas que tinham empregado em conhecer-se, dono e cavalo estavam começando a acoplar-se e River não podia sentir menos que satisfação de saber que ele tinha muito a ver com aquele vínculo.
Além disso, dessa forma tinha algo que fazer, além de vagabundear pelos estábulos murmurando todos os impropérios que lhe ocorriam enquanto esperava ver aparecer o BMW de Chet Wallace pela estrada do rancho.
— Não posso acreditar — disse Erik, enquanto desmontava o cavalo e lhe aplaudia carinhosamente o pescoço. — Parece outro cavalo. Fez um milagre com ele. Quanto te devo?
River saltou da cerca, aproximou-se do cavalo e lhe acariciou o focinho.
— Com uma subida gratuita nesse cavalo me dou por satisfeito.
— Para ti ou para a Colton Enterprises? — perguntou Erik enquanto lhe tirava a sela do animal e a entregava a uma dos assistentes de River.
— Para mim — respondeu River, seguindo seu amigo, que se dirigia já para o reboque que esperava depois da porta do curral. — Mas como te inteiraste que vou ter meus próprios estábulos?
— Bom, ouvi algo sobre isso em alguma parte. Comenta-se que Joe Colton te cedeu algumas terras e quer levantar seu próprio estábulo. Estou certo?
— Quase — lhe respondeu River, surpreso da rapidez com que voavam as notícias. — Na realidade comprei as terras de Joe e agora estou hipotecado até o pescoço, mas quero montar nelas um estábulo de tamanho considerável e construir minha própria casa. Joe me avalizou o empréstimo, algo que foi idéia dele, mas sabe que pagarei até o último centavo.
— Qualquer que te conheça sabe, Riv — se mostrou de acordo Erik. —Vá, assim quer montar um estábulo e te construir uma casa. Vai estar muito ocupado.
— Às vezes é o melhor — disse River, com o olhar cravado na estrada deserta. — Além disso, já é hora de começar a pensar em construir minha própria fortuna. Não se pode estar durante muito tempo perto dos Colton sem pensar em fazer seu próprio dinheiro.
O cavalo montou no trailer sem nenhum problema. Ao vê-lo, Erik sacudiu a cabeça com incredulidade.
— Fizeram falta cinco homens para montá-lo quando lhe trouxemos aqui. Asseguro-lhe isso, River, com o talento que tem para os cavalos, fará-te milionário em menos de uma semana — lhe estendeu a mão e River a apertou com força. — Bom, boa sorte, embora não acredito que a necessite.
— Obrigado, contarei com ela.
River permaneceu no meio do caminho de cascalho, observando afastar-se a caminhonete e o trailer. Quando desapareceram de sua vista, suspirou e se voltou para os estábulos, convencido de que o BMW não retornaria até muitas horas depois do anoitecer.
Sorte? Ia necessitar de toda a que fosse capaz de reunir.

Chet ainda podia ser um acompanhante divertido, algo que surpreendeu grandemente ao Sophie. Estiveram vendo algumas vitrines, compraram sorvete e passearam pelo parque enquanto anoitecia.
Chet era brilhante, às vezes divertido, e tinha um repertório inesgotável de anedotas sobre seus clientes e sobre o mundo em geral.
Afinal, Chet era um publicitário, um vendedor de produtos. E aquele dia parecia estar vendendo a si mesmo. Mas tudo era espuma, pura fachada, e Sophie acabava de dar-se conta. Chet era completamente superficial. Tinha um físico atraente, um guarda-roupa impecável e maneiras amáveis. Tinha sua coleção de histórias, seus sorrisos de “confia em mim”, e alguns movimentos inteligentes.
Se Sophie queria vender pasta de dente, utilizaria Chet Wallace em sua campanha publicitária sem duvidar. Mas isso não queria dizer que queria casar-se com ele. Deveria havê-lo compreendido antes, muito antes. Mas Chet tinha decidido vender a si mesmo e tinha feito um grande trabalho. Vendeu a si mesmo e suas idéias para o futuro, seu futuro, antes que ela pudesse conhecê-lo em suficiente profundidade para dar-se conta de que não havia nada profundo nele.
E naquele momento, sentados um de frente para o outro em um restaurante, Chet estava fazendo-o outra vez: tentava vender-se.
— Não posso te dizer o muito que sinto ter deixado que retornasse sozinha a sua casa aquela noite, Sophie — lhe dizia com muito sentimento, enquanto tomava a sua mão. — Queria me bater por havê-lo permitido.
— Não foi tua culpa, Chet — lhe disse Sophie, agradecendo que chegasse o garçom a lhes servir, o que lhe deu oportunidade de afastar a mão. — Estava zangada e não prestei atenção aos lugares por onde andava, assim também foi minha culpa. Mas nos esqueçamos do ocorrido, de acordo?
— Mas eu quero reparar o que fiz — insistiu. Colocou a mão no bolso da calça e tirou uma folha de papel dobrada em quatro partes. — Toma, inventei um novo logotipo.
Sophie o olhou pela extremidade do olho,
— Você fez o quê?
— Um logotipo novo para nossa empresa — lhe explicou Chet, desdobrando o papel. — Sabe?, decidi que o mais inteligente seria conservar seu sobrenome de solteira, Colton. Afinal, Colton é um referente inigualável quanto a solvência, eficácia, e todo esse tipo de coisas. Assim, em vez do Wallace & Wallace, seria melhor chamá-la Colton & Wallace. C&W Olhe — lhe tendeu o papel. — Você gosta de como uni as duas letras?
Sophie sentiu que lhe fechava o estômago, lhe roubando o apetite e fazendo-a sentir-se como se acabassem de lhe dar um murro nas vísceras.
— Chet — começou a dizer, procurando a melhor maneira de explicar o que tinha que lhe dizer. — Chet, eu... bom, isto não vai funcionar.
Chet baixou o olhar para o papel e franziu o cenho.
— De verdade? Sim, suponho que as letras podiam ser menos modernas. Já sei que você gosta de uns moldes mais tradicionais.
— Não, Chet, não me refiro a isso — disse Sophie, afastando o prato de sopa a um lado. — Eu... eu já não estou no negócio. Isso é o que queria te dizer. Faz um tempo não estava de todo segura, mas agora, depois do que aconteceu durante todas estas semanas fora da agência, estou convencida. Sei que não é isso o que quero, não quero dedicar minha vida à publicidade. E não acredito que pudesse voltar para esse mundo outra vez.
— De acordo, agora o compreendo — Chet a olhava em parte surpreso e em parte como se se estivesse compadecendo dela. Tomou ar e suspirou. — É pela cicatriz, não é? Nota-se muito, é verdade. Mas você não teria por que ver os clientes, Sophie. Eu me poderia ocupar dessa parte. Na realidade, até que lhe operem ou possa utilizar algum tipo de maquiagem que lhe cubra isso por completo, provavelmente isso será o melhor.
Sophie se recostou na cadeira, incapaz de dizer nada. Mas isso não deteve Chet, que apenas se interrompeu para respirar antes de voltar a colocar a mão no bolso e tirar uma caixinha de veludo negro que Sophie reconheceu com o coração destroçado. Por fim, Chet se deu conta de que Sophie não estava saltando de alegria ante a possibilidade de poder retomar sua relação.
— Chet, não — disse Sophie, e suspirou.
— Sophie? O que te passa? — perguntou-lhe Chet, com o cenho franzido. — Sua mãe me disse...
— Ah, sim, minha mãe — respondeu Sophie com tristeza. — Me Diga, Chet, o que é o que te disse minha mãe?

A doutora Wilkes se sentou em uma das cadeiras do jardim e sorriu enquanto Louise conectava a fonte.
— Perfeito! — levantou o braço e olhou o relógio. — Só demoramos seis meses.
Louise se incorporou, levou as mãos aos rins e se estirou.
— Muito graciosa. Mas é bonita, não é?
A doutora Wilkes assentiu sorridente.
— Ficou linda, Louise. E eu adoro como soa. A ti não? Louise, você não gosta do som da água?
Louise tinha ficado estranhamente quieta. Seu rosto tinha empalidecido de repente e o lábio inferior lhe tremia enquanto olhava a fonte de marco em marco
— Louise, o que te passa? — perguntou-lhe a psicóloga. Levantou-se e passou o braço pelos ombros de sua amiga. — O que aconteceu?
— Eu... Eu — Louise sacudiu a cabeça, como se estivesse tentando sair daquele transe.
Levou a mão à boca durante alguns segundos, tomou ar e pestanejou várias vezes para afastar as lágrimas.
— Não sei. É um som completamente novo nesta casa e tenho a sensação de que o ouvi sempre — levou as mãos à cabeça para tampar os ouvidos. — Desconecte-a, doutora Wilkes! Por favor, desconecte-a!
A doutora Wilkes fez o que Louise lhe pedia. Imediatamente, retornou para o lado de sua paciente e, com muita delicadeza, afastou-lhe as mãos dos ouvidos e sustentou seus dedos gelados entre suas fortes mãos.
— Louise, me olhe. Me diga o que recorda. Me diga o que sente.
Louise umedeceu os lábios ressecados e sacudiu lentamente a cabeça, com o olhar fixo na psicóloga, embora fosse evidente que não a estivesse vendo.
— Há flores. Flores por toda parte. E sinto o aroma do mel. E o céu. É um céu azul, um céu enorme com nuvens que parecem de algodão-doce. Vê-me? Estou ali, posso me ver. Estou de joelhos, colocando algo no chão. Uma placa. Sim, é uma espécie de placa metálica com algumas letras gravadas.
Pestanejou e olhou para Martha Wilkes.
— Adelfa. É adelfa. Nerium Oleander. Que folhas tão bonitas, que verde tão intenso. É de folha perene, sabe? E tem umas flores maravilhosas. Vermelhas, brancas. Mas as que mais gosto são as rosas. Tenho que manter os meninos afastados porque, embora sejam lindas, também são muito venenosas — sorriu, e seu rosto se encheu de amor e júbilo. — Embora, como já disse a ele, supõe-se que aos meninos não vai ocorrer mordiscar os ramos.
A doutora Wilkes pestanejou para dominar suas próprias lágrimas enquanto o olhar de Louise começava a esclarecer-se para encher-se quase imediatamente de um medo atroz que fez desaparecer o sangue de seu rosto
— Louise, está bem?
— Não, não estou bem — sussurrou Louise, fechando os olhos e balançando-se para frente e para trás. — Oh, doutora Wilkes, estou louca, não é?
— Não, Louise, te prometo que não está louca.
— Então o que me passa? O que está ocorrendo no interior de minha cabeça?
A doutora Wilkes conduziu Louise até uma cadeira. Sua paciente respondia deixando-se levar como se fosse uma boneca.
— Não estou segura, mas vamos averiguar. Prometo-lhe isso, Louise. O vamos averiguar.

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