CAPÍTULO 16
O dia da festa amanheceu tão brilhante e ensolarado que todo mundo relaxou e ninguém, exceto Ines, esteve realmente preocupado pela possibilidade de que chovesse.
A enorme casa estava transbordando de membros da família Colton. Ines tinha renunciado a fazer nada mais que servir um buffet três vezes ao dia e expulsava da cozinha com um firme movimento de colher a qualquer um que se atrevesse a invadir seu santuário entre comidas.
Tinham instalado três enormes toldos e a florista tinha feito o impossível: melhorar o aspecto do jardim com vasos de barro de plantas e montões de flores.
Tinham instalado um palco no jardim para as atuações da orquestra e outro no pátio para a outra orquestra e para todos aqueles que quisessem brindar pelo aniversariante.
A maravilhosa e excêntrica tia de Joe, a tia Sybil, que tinha chegado de Paris no dia anterior, tinha açoitado Sophie sem trégua até que tinha conseguido que desenterrasse alguns cinzeiros para colocá-los pelos arredores. A octogenária Sybil tinha declarado que, ou lhe permitiam desfrutar de seu vício, ou retornaria à Europa no seguinte avião.
— Ao final, se não fosse pelo sexo e pelo tabaco, já não teria nenhum motivo pelo que viver — lhe havia dito a anciã, lhe piscando os olhos, o olho com expressão travessa.
Sophie tinha localizado os cinzeiros. E também tinha falado com Marco para assegurar-se de que houvesse flores frescas em todos os dormitórios. E tinha organizado um buffet na cozinha para todos os fotógrafos e jornalistas que fossem cobrir a festa.
De modo que já estava tudo preparado. Ines se tinha superado elaborando um bolo do qual poderiam tirar-se mais de trezentos pedaços. Tinham chegado as caminhonetes do buffet e Joe começava a queixar-se da obrigação de ter que vestir smoking. Meredith, por sua parte, levava três horas trancada em seus aposentos com o cabeleireiro e a maquiadora.
Duas horas mais, e a festa estaria em pleno apogeu. Seis horas mais, e tudo teria terminado.
E então o quê? Rand retornaria a Washington, Drake logo iria a algum lugar que não podia sequer lhes dizer e Amber já tinha anunciado que sairia de viagem com umas amigas depois da festa.
Emily ficaria, é obvio. E Rebecca iria de vez em quando ao rancho. O resto dos filhos adotivos de Joe e Meredith também partiriam. E Sophie ficaria sozinha com River James.
River não ia a nenhuma parte. Logo se mudaria para sua própria casa, mas esta estava muito perto da casa de Sophie, que não pensava em ir a nenhuma parte.
A menos que aceitasse a oferta de sua tia e se fosse com ela para Paris durante uns meses. Paris seria um bom lugar para escrever o livro o qual pretendia falar a história de Hopechest.
O que faria River se partisse? Tentaria impedir-lhe. Até então, nunca o tinha feito.
— Trago flores, Sophie — disse Maia Ramírez, batendo na porta do dormitório de Sophie. Entrou escondendo atrás dela pelo menos três dúzias de rosas vermelhas.
— Meu deus, Maia — exclamou Sophie. — Seu pai cultivou essas rosas?
Os exóticos olhos de Maia brilharam com diversão.
— Meu pai é um bom jardineiro, Sophie, mas nem tanto. Além disso, se cultivasse rosas como estas, não nos deixaria as cortar. Olhe, trazem um cartão — disse, assinalando o envelopinho branco que se escondia entre os botões. — Vão, vai abri-lo. Minha mãe está agora mesmo com um ataque de nervos, e isso significa que tudo está perfeito, que não tem nada que fazer nem do que preocupar-se. E não se esqueça, Sophie, de que às seis haverá um jantar privado, com uma seleção de convidados. O senador Howard já chegou e seu pai e ele têm aberto a caixa de charutos que deu de presente a seu pai o representante Blakely. Minha mãe vai se pôr furiosa — comentou antes de partir.
— Mmm — respondeu Sophie com ar ausente. Colocou as rosas em um vaso, tirou o cartão do envelope e leu:
Queria saber o que havia no andar de acima. Vêem vê-lo.
— Agora? — perguntou Sophie, olhando o cartão.
Um lento sorriso apareceu em seu rosto. Sim, podia fazê-lo. Tinha tempo. Tinham-lhe dado permissão para dirigir. Já tinha tomado banho e só tinha que vestir-se.
— Maldito seja, River James — disse, enquanto colocava um vestido negro e sacudia a cabeça para arrumar seu penteado. Pintou os lábios e, depois de dirigir um fugaz olhar a sua cicatriz e pensar que deveria maquiar-lhe para tampá-la, exclamou: — Oh, a quem lhe importa? Se não gostarem, que não a olhem.
— Sophie, a tia Sybil diz que ainda não há cinzeiros lá fora. O que faço? — chamou-a Emily quando Sophie saía correndo pelo salão.
— Que masque tabaco e o cuspa nos vasos de barro — respondeu Sophie, enquanto agarrava as chaves da caminhonete na porta.
— Que masque...? Mas...
Não pôde dizer nada mais porque Sophie já tinha saído e corria para a caminhonete.
— Não chegamos a nenhuma parte, não é? — perguntou Louise, suspirando. — Sabemos que minha avó se chamava Sophie. E que acredito haver visto a mim mesma em outro jardim, ter visto duas Louises diferentes, de fato, embora não sei como é possível. E agora me diz que não vamos poder utilizar a hipnose durante um tempo? Mas por quê?
— Por que, Louise? Sabe perfeitamente a razão. Pelas dores de cabeça que está tendo.
— Tenho dores de cabeça desde que posso recordar.
— Sim, mas não todas as noites. Me alegro de que o médico te tenha dado medicação, mas é muito forte e não quero indagar em sua mente enquanto esteja tomando umas pílulas tão fortes. Emagreceste e você mesma me disse que os pesadelos pioraram. Não, não posso fazê-lo, Louise. Nem como psicóloga nem como amiga. De modo que vamos deixar até que tenhamos as enxaquecas sob controle.
— Tinha tanta vontade de voltar a ver essa menina... Mas Patsy a tirou de cena. É assim como o vejo, sabe? Como se fosse um filme. Eu apareço nele, mas também o estou vendo à distância — sacudiu a cabeça. — Passo tanto de menos a essa menina.
River viu aparecer a caminhonete da janela do quarto e desceu lentamente as escadas, tentando manter a calma, embora o coração batesse violentamente no peito, tinha as mãos empapadas em suor e um nó no estômago.
Levou a mão para a gravata de seda que levava no pescoço e tragou saliva. A última vez que tinha posto um smoking tinha sido para o baile de formatura de Sophie. Tinha alugado um smoking e uns sapatos de couro que soavam quando caminhava.
Naquele momento vestia seu próprio traje e, pelo preço que tinha pago pelos sapatos, teria que cortar a cabeça de alguém se rangessem.
Ele não era Chet Wallace. E tampouco queria sê-lo. Mas tampouco parecia um homem que tivesse passado a noite desejando se desfazer do smoking e voltar a colocar o jeans.
River ouviu que fechava a porta do carro, contou silenciosamente até dez e abriu a porta justo no momento em que Sophie se aproximava do alpendre.
—Está linda, Sophie — disse, enquanto esperava que ela subisse os degraus do alpendre.
— Tenho o aspecto de me haver vestido em cinco minutos, que é exatamente o que fiz — elevou o olhar para River. — Meu Deus, você... está... — sacudiu a cabeça. — Meu Deus.
— Tão terrível é?
— River, deveria ser ilegal pelo menos em três estados — respondeu Sophie, e sorriu. — O presente que mais gostei foi do cisne. E é o que mais gostei porque o esculpiste você mesmo, não é?
River assentiu e lhe estendeu a mão.
— Vamos, quero que suba comigo ao andar de acima.
— Pensei que nunca me fosse pedir isso.
Meredith voltou a cabeça para esquerda e para a direita e se olhou depois no espelho de mão que Frank sustentava detrás de sua cabeça para que pudesse apreciar os intrincados cachos de seu penteado.
— Perfeito, simplesmente perfeito, Frank — lhe disse com entusiasmo. — É um gênio.
— O mérito também é seu, senhora Colton — respondeu o cabeleireiro. — E agora, não se preocupe com a queda dos cachos, pus-lhe um laquê que impedirá que nada possa alterar seu penteado. Tome — deixou um pote de laquê sobre a cômoda. — Lhe deixarei isto. Lhe vai encantar.
— Obrigada Frank — respondeu Meredith, levantando-se.
Voltou-se para a cômoda e tirou uma gargantilha de ouro e diamantes que Joe tinha dado a sua esposa no dia que tinham completado vinte anos de casados. Pediu a Frank que a ajudasse a fechá-la e a seguir colocou diamantes nas orelhas.
— Parece-te excessivo?
Frank se inclinou para frente e atirou brandamente um dos cachos que emolduravam o rosto de Meredith.
— Está perfeita. Não trocaria absolutamente nada.
— Eu sim — respondeu ela com um sorriso travesso. — Me poria uns diamantes ainda maiores — soltou uma gargalhada, tirou umas centenas de dólares de uma gaveta da cômoda e se aproximou de Frank, esfregando-se contra ele enquanto colocava as notas em seu no bolso. — E agora vai. Vou ter que suportar uma refeição da mais aborrecida, e acredito que vou passar os próximos minutos tomando martinis para me preparar.
Frank se pôs a rir, como se supunha que tinha que fazer, e rapidamente recolheu suas coisas. Fez um gesto à maquiadora para que o seguisse e Meredith não demorou para ficar a sós. Queria estar sozinha. Precisava estar sozinha. Procurou de novo na gaveta superior da cômoda e tirou um pequeno tubo de cristal cheio de um líquido transparente.
— Maldito vestido — murmurou, apalpando os quadris. — Onde demônios vou esconder isto? — perguntou a si mesmo. Estava desejando tomar uma taça, mas precisava resolver aquele problema antes de poder permitir-lhe. — Não posso levar bolsa, como vai levar bolsa a anfitriã em sua própria festa? E não posso me arriscar a voltar até aqui antes do brinde. Maldito seja! Tem que haver algum lugar... — interrompeu-se de repente e olhou o pote de laquê.
Funcionaria? Seria possível que funcionasse? Frank havia dito que nada poderia alterar seu penteado... Meredith se sentou ante o espelho e pegou alguns dos grampos que lhe tinha deixado o cabeleireiro. Com muito cuidado, levantou um dos cachos e deslizou o pote no interior. Depois, com três grampos praticamente invisíveis, voltou a pô-lo em seu lugar.
Olhou seu reflexo no espelho, pegou o laquê e fixou novamente aquele cacho. Esperou e sacudiu várias vezes a cabeça.
— Sim, Frank. Tinha razão, eu adoro este laquê! — disse enquanto ia procurar uma taça.
— Ainda me custa acreditar que tenha feito algo assim — disse Sophie, olhando a seu redor da enorme cama da qual River e ela acabavam de fazer muito bom uso.
River se apoiou sobre um cotovelo e também olhou o quarto. Chão de madeira, papel verde claro nas paredes e cortinas brancas. Um par de mesinhas antigas de madeira de cerejeira, uma cômoda e uma penteadeira de bronze e cristal que sabia que ia encantar Sophie. E, o mais importante, uma enorme cama com uma colcha branca salpicada de flores silvestres.
— Você gosta?
— Não, é horrível — respondeu Sophie, fazendo uma careta. — Como não vou gostar? Não te ocorreu pensar que este quarto podia ser considerado suborno? Que o único motivo pelo qual estou nesta cama é que eu adoro este quarto?
— Você não se casaria com um homem que você não gostasse nem por todo seu peso em diamantes — respondeu River. — Além disso, não foi o quarto a que o conseguiu, recorda? Foi o cisne.
— Sim, não suporto os patinhos feios, só gosto dos cisnes — respondeu Sophie, aconchegando-se de novo na cama e procurando sua mão. — Me Diga o que quer de mim.
— Quer-me — brincou River, mas rapidamente a abraçou para que não pudesse atacá-lo — Me quer — repetiu. — E eu quero a ti. E te quererei durante os próximos milhões de séculos.
Sophie levou a mão à bochecha.
— Ainda não posso acreditar nisso. Tantas fugidas sem sentido, tantos enganos...
— Suponho que fala por ti, não? — interrompeu-a River, e lhe deu um beijo no nariz. — Porque eu sou perfeito. De fato, acredito que você mesma o disse faz uns minutos.
— Nunca acredite em nada do que digo em um arrebatamento de paixão — lhe advertiu Sophie sorrindo. — Mas sei o que está fazendo, Riv. Quer que nos esqueçamos do passado e comecemos a pensar no futuro, não é?
— Eu não esqueceria um só segundo de nossas vidas, Sophie — a corrigiu River. — Mas admito que prefiro recordar os bons momentos. Além disso, tudo o que dissemos ou deixamos de dizer nos trouxe até aqui. De modo que não pode haver nada mau nisso, não é?
— Está muito preparado — lhe disse Sophie, agarrando o seu queixo.
— Ah, sim? Está falando sob o calor da paixão?
— Idiota — disse Sophie, rindo, mas ficou repentinamente séria. — Não me vai perguntar isso alguma vez, Riv?
— Perguntar? Perguntar o que? — sussurrou River, lhe mordiscando o pescoço.
Sophie fechou os olhos, sentindo que se derretia de novo contra ele.
— Pelo teste de gravidez... Não quer saber o resultado?
— Não, e sabe por quê? Porque te quero e quero me casar contigo independentemente do resultado. Quero me casar contigo amanhã mesmo, esta noite se fosse possível. E não mudaria nada o fato de que tivéssemos um ou dez filhos, Soph, porque te quero.
— Oh, Riv, é tão especial — disse Sophie, pestanejando para conter as lágrimas. — E acredito em você. Acredito e te amo. Assim, pergunte-me isso ou não, posso te dizer o resultado. Fiz os testes e...
River a silenciou posando os dedos em sua boca e sacudiu lentamente a cabeça.
— Mais tarde — sussurrou e afastou os dedos para substituí-los por sua boca.
River e Sophie não chegaram à refeição familiar. Retornaram ao rancho depois de terem feito amor outra vez e de terem ficado agachados mais dez minutos, procurando as abotoaduras de River.
— Chegaram tarde — comentou Rand, aproximando-se de River, que permanecia diante de um dos bares de bebidas que se instalaram no jardim. — Apostei cinco dólares com Drake de que você e Sophie anunciariam seu noivado esta noite. Tenho razão?
— Deveria ter apostado dez — disse River, sorrindo. — Vamos esperar até o brinde e depois diremos a todo mundo que vamos nos casar.
— Ótimo — disse Rand, dando a River uma palmada nas costas. — Sabia que podia contar contigo, Riv, felicidades!
Sophie permanecia ao lado de Jackson Colton, o filho de Graham e seu primo, observando a crescente atividade que se desenvolvia ao redor do cenário. O céu estava salpicado de estrelas e o jardim transbordando de homens de etiqueta e mulheres cheias de jóias.
— Destaca-se de uma forma especial com esse vestido, não é? —perguntou Jackson, assinalando Meredith com a taça de vinho.
— Sim — respondeu Sophie. — Acredito que por isso o pôs.
Observou Meredith, que naquele momento estava levantando sua taça e aparando-se nervosa os cachos. Doeria-lhe a cabeça?
Sophie sentiu que deveria ir vê-la, assegurar-se de que estava bem, mas naquele momento Cheyenne James se aproximou e a conversa tomou outro rumo.
— Meu irmão está extraordinariamente bonito esta noite — disse Cheyenne, e piscou um olho para Jackson. — Resplandece de uma forma especial, não acha? Igual a Sophie.
Jackson olhou para Sophie e franziu o cenho.
— Estou perdendo algo? — perguntou, e ambas as mulheres puseram-se a rir.
River se aproximou naquele momento delas com um prato de coquetel de camarões-rosa que estendeu a Sophie.
— Olá, irmãzinha — disse, e deu a sua irmã um beijo na bochecha. — Do que te ri?
— De você — respondeu Cheyenne, lhe devolvendo o beijo. — E não ache que possa manter nenhum secreto comigo, Riv, porque já sabe que sou adivinha — se voltou então para Jackson. — Acha que poderia conseguir um par de taças? Estou morrendo de sede. Oh, aí está Rebecca. Preciso falar um momento com ela. Até já, Jackson, e me consiga alguma coisa bem gelada com montões de gelo. Agora mesmo volto.
— Por que tenho que deixar que as mulheres me dêem ordens? — disse Jackson, enquanto Cheyenne se afastava. — Tem uma irmã muito bonita, River — acrescentou. — Estivemos falando sem parar, por que não me terei fixado antes nela?
— Porque estava muito ocupado trabalhando vinte e seis horas ao dia, protegendo a Colton Enterprises — disse Sophie, rindo-se da expressão de perplexidade de Jackson. — E não estava de brincadeira, Cheyenne é adivinha, tem poderes, não é mesmo, Riv?
— Quando o permite a si mesmo, sim — disse River. Jackson procurou de novo com o olhar Cheyenne, mas tinha desaparecido entre as centenas de convidados que tinha reunidos no jardim.
— Bom, se for adivinha, saberá onde me encontrar quando conseguir esse drink, sobretudo agora que parece que começam os brindes. Acredito que utilizarei a entrada de serviço e irei procurar uma taça da reserva que tem Joe no estudo. Ali haverá menos gente. Veremo-nos mais tarde, de acordo?
Jackson se afastou e River tomou Sophie na mão para aproximar-se com ela do palco.
— Sua mãe está... “espetacular” te parece uma palavra adequada?
Sophie ficou nas pontas dos pés, tentando ver sua mãe, mas só pôde ver Emmett Fallon, que apareceu tão repentinamente na frente dela que esteve a ponto de derrubá-la.
— Oh, sinto muito, Sophie — disse Emmett. — Não te vi. Queria conseguir uma taça antes do brinde — e continuou correndo para a casa.
— Que animal, — murmurou River — está bem, mãezinha?
— Oh, claro que estou bem, a não ser que pense continuar me chamando de mãezinha durante os próximos oito meses, embora nesse caso, acredito que será você o que não acabará bem — terminou lhe dando um beijo na bochecha. — Que loucura. Mamãe convidou a todo mundo. Olhe, Riv, papai está subindo ao palco com mamãe. Acha que fará um discurso.
— Isso parece. Sua mãe tem duas taças de champanha, vem, se aproxime para que possa vê-lo.
River a arrumou para que pudessem aproximar-se ainda mais do palco e Sophie pôde ver sua mãe sob a luz dos focos. Estava linda enquanto estendia uma taça a seu marido. Parecia jovem, feliz e completamente despreocupada. Sophie a viu levar a mão à cabeça, acariciar os cachos e sorrir como se soubesse o quão bonita estava.
— Discurso, discurso! — gritou alguém de entre a multidão, e logo lhe seguiram outros, até que Joe levantou as mãos pedindo silêncio.
— Obrigado — disse.
Sophie pestanejou, tentando conter as lágrimas de felicidade enquanto observava e escutava a seu pai. Joe estava agradecendo a todo mundo sua assistência, e recordando que não era um cavalo velho que tivesse abandonado os pastos, a não ser um cavalo velho com um montão de amigos e muitas coisas que fazer.
— Claro que sim — gritou alguém. Sophie se voltou e olhou Rand, que lhe piscou um dos olhos. — E ainda tem que fazer sessenta anos mais!
Joe soltou uma gargalhada e apontou para o seu filho mais velho.
— Brindarei por isso! — exclamou, levando a taça aos lábios.
Sophie estava a ponto de levantar sua própria taça, olhando para River e pensando no maravilhoso pai que ia ser para seus filhos, quando um grito rasgou o ar. Voltou-se instintivamente, a tempo de ver seu pai desabando-se.
— Papai! — gritou, correndo para o palco. — Papai!
No Mississipi, em um pequeno quarto, Louise Smith se sentou bruscamente na cama, levando as mãos às bochechas e gritando desesperada.
Gritava, gritava... e gritava.
FIM
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