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Monday, December 20, 2010

Judy Christenberry THE DOCTOR Delivers p.10

Dez

Emily Blair Colton hesitou antes de falar.
- Liza está?
A voz grave do homem que atendeu não hesitou.
- Um momento.
E então, finalmente, ouviu a voz de Liza.
- Liza - disse, tentando conter as lágrimas ao ouvir a voz da prima adorada. - Você está bem?
- Eu? E com você que estamos preocupados. Diga-me o que está acontecendo? Recebeu o dinheiro?
- Oh, sim, obrigada. É mais do que o suficiente. Já consegui trabalho e não precisarei de mais.
- Se precisar de mais sabe que é só falar - disse Liza.
- Eu sei. Mas você não disse se está bem. Viu aquele homem?
- Não, mas ele invadiu meu apartamento. E ligou para casa perguntando sobre mim. Tive que falar com a polícia de novo.
- Por que... Você acha que ele está tentando lhe matar?
- Não, acho que ele ainda está atrás de você.
- Mas eles já têm o dinheiro do resgate. Você não acha que eles parariam de me perseguir?
- Torço que sim - disse Liza, duvidando de suas pró­prias palavras. - Pelo menos você sabe que tio Joe não vai se arrepender de ter gastado o dinheiro, contanto que você esteja bem.
- Eu sei. Descobriram algo sobre a pessoa que atentou contra a vida dele? Será que eles acham que há conexão entre os dois eventos? Pensei muito, mas não consegui achar um motivo para aquela mulher querer matar tio Joe...
- Não sei o que está acontecendo. Além disso, não entendo mais tia Meredith há anos. - Liza suspirou. - Que trabalho você conseguiu?
- De garçonete e cozinheira. As lições de culinária de mamãe estão valendo a pena. A mamãe verdadeira. - A mulher que se passava por Meredith fugia da cozinha.
- Mas, Emily... - Liza começou a protestar.
- Não tem problema, Liza, de verdade. Estou ficando amiga de Annie Summers. É uma mãe solteira que cuida de um antiquário aqui na cidade. - Rindo, ela disse: - Tenho até um pretendente.
- Um pretendente? Sobre o que está falando, Em?
- O vice-xerife. Ele vem ao restaurante todos os dias para o almoço. É tímido, mas acho que é uma boa pessoa para se conhecer caso... caso eu tenha problemas.
- Você disse algo a ele?
- Não, nada.
- Creio que isso seja o melhor a fazer. Gostaria de poder lhe dizer mais coisas. Acho que você deveria ligar para o Rand.
Emily quase engasgou.
- Não posso!
- Por que não? Ele não está em casa. Você sabe que ele está em Washington D.C. e talvez possa lhe ajudar como advogado.
- Liza, ele também é filho de Meredith. Jamais acre­ditaria em mim.
- Você sabe que nenhum dos filhos está próximo dela. Acho que ele ficaria feliz em ouvir notícias suas.
- Mas ele se sentiria obrigado a contar para tio Joe. E talvez queira contactar o FBI. Se não o fizesse, estaria encrencado. Não quero causar problemas para o Rand. - Apesar do comportamento de Meredith, seus filhos trata­vam Emily como uma irmã de verdade.
- Oh, Em, você não pode ficar escondida para sem­pre. Estou preocupada com você.
- Oh!
- Em? O que houve? Tem alguém aí lhe assustando? -disse Liza.
- Não! Não, estou bem, Liza, está nevando! - A bele­za da paisagem, comparada à sordidez de sua vida atual parecia um milagre. - Está lindo!
- Deus do céu, você me fez infartar.
- Desculpe - disse Emily. - Acho melhor desligar.
- Espere. Quando ligará de novo? Posso telefonar para você? Talvez fique sabendo de algo ou... ou precise falar com você.
- Acho que não seria seguro para nenhuma de nós, Liza. Ligo quando puder.
- Que tal sábado?
- Trabalho até tarde no sábado à noite. Posso ligar no domingo de manhã. É meu dia de folga.
- Tudo bem, no domingo então. Mas ligue antes caso precise. E pense em falar com o Rand.
- Pode deixar. E fique fora de perigo.
- Você também.
Relutante, Emily desligou o telefone. Gostaria de ver Liza, abraçá-la, sentir o amor que compartilhavam. Sen­tia-se muito sozinha, apesar da amizade com Annie ajudar um pouco a amenizar a solidão. Mas tinha que ter cuida­do, pois Annie já estava ficando curiosa com o conheci­mento de antigüidades de Emily.
E Toby, esse deveria ser mantido à distância. O que não era nada mal. Talvez ele tivesse uma queda por ela, mas ela o via como um irmão.
Suspirou e abriu a porta da cabine telefônica, levan­tando o colarinho da jaqueta barata que comprara em uma loja de artigos militares. Um floco de neve caiu na ponta do seu nariz e, apesar de todas as dificuldades, Emily não pôde deixar de sorrir.
Liza pôs o fone no gancho mas permaneceu olhando para a parede, de olhos fechados, tentando se apegar na conexão que sentira com Emily.
- Quem é Rand? - perguntou uma voz ríspida. Liza virou e olhou para Nick.
- Rand? É um dos meus primos, filho mais velho de Joe. Por quê?
- Ouvi você mencionar o nome. Não que eu estivesse ouvindo a conversa.
- Tudo bem. Eu trouxe todos esses problemas para a sua vida e acho que você tem o direito de saber. Ele é um advogado muito respeitado em Washington D.C. Achei que pudesse ajudar Emily. Não gosto de pensar que ela seja um alvo fácil para aquele homem.
- Você poderia trazê-la para cá.
- Eu já sugeri isso a ela, lembra? Se você não quisesse nós duas, eu procuraria por outro lugar. Mas ela recusou dizendo que se sentia mais segura onde estava.
- Ela recebeu o dinheiro?
- Sim, obrigada. Mas não vai precisar mais. - Com um ar triste, disse: - Ela está trabalhando em um restau­rante.
- Meu Deus, isso é melhor do que novela - exclamou Bonnie.
Liza havia se esquecido de que a empregada estava ali.
- Oh! Sra.Allen...
- Bonnie, tudo o que ouviu aqui deve ser esquecido - disse Nick com firmeza.
Bonnie pôs as mãos na cintura e olhou para Nick.
- Você sabe que eu não faria nada para prejudicar Liza, Nick Hathaway!
Liza deu a volta pela bancada e foi abraçar a mulher ofendida.
- Claro que ele sabe. Nós sabemos. É que estamos um pouco nervosos com tudo isso.
- Tudo bem, querida, eu entendo. Nick limpou a garganta.
- Bem, o jantar está pronto?
Bonnie fitou o patrão, como se ele houvesse questio­nado não só sua discrição como também suas habilidades.
- Estará pronto em meia hora. Por que não leva Liza para a sala onde podem terminar sua conversa particular. Quando terminarem, o jantar estará na mesa.
Liza não sabia bem se tinha algo mais a conversar nem se Nick queria estar a sós com ela. Mas ele a chamou as­sim mesmo.
Quando chegaram à sala, ele fechou a porta.
- Bonnie guardará segredo. Eu me esqueci que ela es­tava lá e falei sem pensar.
- Eu sei, eu também. Fiquei tão aliviada por ouvir a voz de Emily que me esqueci de tudo. Como ela conse­gue suportar? Sabendo que alguém está querendo matá-la...
- Você está na mesma situação, Liza - disse Nick.
- Eu sei, mas não estou sozinha. Tenho você e Bonnie. Não sei como lhe agradecer por tudo isso. Mas Emily não tem ninguém.
- Talvez encontre novos amigos.
- Já encontrou, mas isso também me preocupa. Nick chegou mais perto dela e pôs as mãos no ombro de Liza.
- Emily sabe bem como julgar o caráter de alguém? Conhece bem a pessoa que encontrou?
- Não sei muito sobre eles. Ela disse que uma é mãe solteira e cuida de um antiquário. Pareceu-me segura o suficiente. O outro é um vice-xerife com uma quedinha por ela.
- Acho que ela é uma moça esperta, se está fazendo amizades com a lei. Isso é bom.
Sem pensar, Liza descansou a cabeça no peito de Nick, onde pôde ouvir o coração dele.
- Espero que sim - sussurrou.
Ele a abraçou e apoiou o queixo no topo da cabeça da moça.
- Quando ela ligará novamente?
- No domingo. - Com a mente tomada por Emily e pelos seus problemas, Liza absorveu a força de Nick... até que a reação dela àquele homem se sobrepôs a sua preocupação por Emily. Tentou se afastar, mas Nick a se­gurou.
- Eu... eu preciso ficar até domingo, para esperar pelo telefonema de Emily, mas talvez fosse melhor ir embora. Já me intrometi demais em sua vida.
- Não! - retrucou Nick, apertando-a mais forte. - Não é seguro.
- Mas acho que você deve estar cansado de todos os problemas que lhe trouxe. - Prendeu a respiração espe­rando pela reação dele.
- Não, não é problema.
Liza não podia parar por ali. Se fosse ficar por mais um tempo, precisava saber o que se passava na cabeça de Nick.
- Algo não está certo. Você mudou, Nick, está muito quieto. Não quero ficar onde não sou desejada.
Nick não conseguia acreditar que ela o colocara na­quela posição. Tinha de ser honesto com ela, ou a perde­ria. E se ela fosse embora, ele ficaria louco de preocupação.
Afastou-se e segurou-a pelos braços.
- Caramba, Liza! Como você pode ser tão inocente? Ela olhou para ele com seus maravilhosos olhos ver­des.
- Sobre o que está falando?
Uma sensação de calma tomou conta de Nick. Seria um alívio dizer a razão de tê-la assim tão perto.
- Estou falando de atração sexual.
Ela olhou para ele e ele disse:
- Liza, eu quero você. Sei que sou velho demais e que não temos futuro. Já disse isso a mim mesmo muitas ve­zes. Mas não consigo deixar você de lado.
- Você me quer?
Desistindo das palavras, Nick a puxou para perto e a beijou desesperadamente. Fazia dias desde que ela o bei­jara e desde então ele não desejava outra coisa senão mais um beijo. Mas dessa vez foi ainda melhor.
Ela jogou os braços em volta do pescoço dele e abriu a boca, convidando-o, encorajando-o. A língua dele acarici­ava a dela fazendo-a reagir com carinho, trazendo-o ainda para mais perto. Os seus corações batiam num mesmo rit­mo e Nick achou que fosse explodir.
Ele estava divorciado há quatro anos, mas não experienciava tal atração e desejo há muito mais tempo. Mesmo quando conheceu Daphne, o mundo não pareceu que fos­se desaparecer como acontecia quando tinha Liza em seus braços.
Quando parou para respirar, interrompeu o beijo e murmurou o nome dela, temendo que ela fosse desapare­cer, dizendo a ele que não estava interessada naquilo. Em vez disso, Liza o cobriu de beijos pelo rosto até alcançar-lhe a boca novamente. Aqueles lábios suaves e tentadores eram mais do que ele podia resistir.
Ele a beijou e levantou-lhe o corpo contra o dele. Liza estava de calça jeans. Nick deslizou uma das mãos por baixo da cintura sexy dela, segurando-a, para poder tocá-la ao máximo:
A reação dela fez com que ele se esquecesse do tempo, de todos os seus problemas e diferenças. Tudo o que pen­sava estava bem ali em seus braços.
A batida na porta os avisou da presença de Bonnie, mas não houve tempo para nada...
- O jantar está... oh! - disse a empregada ao recuar. -Quando vocês estiverem prontos - disse com um sorriso nos lábios.
Liza enterrou o rosto no peito dele.
- Sinto muito - sussurrou Nick. - Fiquei empolgado. Mas pelo menos você entende o problema. Quero que fi­que a salvo aqui, mas se chegar perto demais, não posso prometer que isso não vai acontecer de novo.
Bem, ele foi honesto e agora esperava que ela o perdo­asse. Liza olhou para ele. Ele a analisou, mas não viu ter­ror, raiva ou repulsa. Nenhuma das emoções que ele te­mia. Mas não pôde ver mais nada naquele olhar.
Talvez ela estivesse em choque.
Ele certamente estava. Nick a desejava - isso era óbvio - mas não sabia quanto.
Ao se dar conta de que ainda a segurava, ele a soltou.
- Ah, eu... é melhor tomar um banho antes do jantar. - E retomar o controle do corpo.
Liza se afastou, ainda fitando-o. Olhava para os lábios dele e ele queria mais do sabor dela, mas um barulho o forçou a voltar a si. Será que Bonnie estava escutando atrás da porta? Ao pensar nisso afastou-se ainda mais dela. Era muito embaraçoso perder ô controle na sua idade.
Pior ainda era fazer o papel de um homem em crise de meia-idade perdendo a cabeça por uma esplendorosa Lolita. Não que ele fosse tão velho assim, ou que Liza tives­se armado uma trama para seduzi-lo.
- Preciso ir.
E saiu da sala rapidamente.
Liza mirou a porta.
Acabara de passar os momentos mais arrebatadores e devastadores nos braços de Nick. Ela achou que amasse o homem a quem sua mãe havia pago. Tinha certeza que ficara devastada quando ele tinha ido embora com o di­nheiro - sem ela.
Mas estava errada. Nunca havia experimentado algo tão forte quanto o que ocorrera hoje. Nick Hathaway lhe roubara o coração.
O que ela faria agora?
Ele dissera que não tinham futuro juntos. Deixou cla­ro que queria apenas sexo. Liza ficou com os olhos ma­rejados, pois queria muito mais dele. Mas e o que ela podia oferecer? Tudo o que trazia consigo eram proble­mas. Quando tudo estiver resolvido, será que ele ainda a desejará?
Será que deveria esperar até que todas as dificuldades estejam resolvidas para assim dizer a Nick o quanto espe­rava dele?
Talvez fosse capaz de fazer isso, mas não seria capaz de resistir à presença dele nem por uma fração de segun­do. Liza o desejava, de qualquer jeito.
Saiu da sala de cabeça erguida. Não ficaria envergo­nhada por se sentir atraída por um homem e não se des­culparia por reagir à aproximação dele.
Quando entrou na cozinha, Bonnie pediu que servisse as bebidas para o jantar, tornando fácil o ato de fingir que não havia interrompido uma cena tórrida de amor.
Quando Nick desceu, o jantar já estava na mesa e Liza e Bonnie conversavam sobre o tempo.
- Você sabia disso, Nick?
- O quê? - perguntou ele.
- Bonnie disse que talvez neve esta noite. A tempera­tura deve cair para perto de zero grau - disse Liza sorrindo.
Ele pareceu surpreso pelo comportamento dela. Tal­vez ele pense que seja velho demais para ela, mas ela cer­tamente não se achava jovem demais para ele.
- Não, não sabia. É um pouco cedo ainda para termos neve.
- Talvez nem aconteça, mas pelo menos todos ficarão empolgados esperando - disse Bonnie.
Uma olhadela para Nick deixou claro para Liza que ele entendia que aquelas palavras podiam ser usadas para o que acontecera na sala.
- Emily... digo, minha amiga disse que começou a nevar lá.
- Onde? - perguntou Bonnie.
Liza se tocou de que era melhor pensar bem no que ia falar. Ela não queria revelar o paradeiro de Emily.
- No Oeste - disse ela.
Bonnie fingiu aceitar a resposta.
- É, acho que neva bastante por lá.
- Sim. Vamos comer?
- Claro. Sentem. Hoje temos seu prato favorito, Nick. Meu famoso bolo de carne.
Quase não conversaram à mesa. Quando Bonnie fazia um comentário sobre o clima ou sobre o dia, os dois res­pondiam em poucas palavras e o tópico era logo abando­nado.
Liza estava ocupada debatendo o que devia fazer. Ob­viamente, eles não podiam continuar sob o mesmo teto com toda aquela tensão no ar. Será que ela podia ir embo­ra? Será que deveria?
- Mais pães, Liza?
- O quê? Oh, não, obrigada, Bonnie. Mas estão deli­ciosos.
- Feitos em casa - disse Bonnie cheia de orgulho. Liza fez um gesto positivo com a cabeça.
- Bonnie é famosa por seus pães - completou Nick, olhando rapidamente para Liza e de volta para o prato.
Que ótima conversa.
O estômago de Nick estava revirando. Quase não co­mera nada de seu prato favorito. Brincando com a comi­da, conseguiu dar algumas garfadas, mas o prato ainda estava cheio quando se afastou da mesa.
Bonnie fitou o prato e em seguida o patrão, mas para alívio de Nick não disse nada.
- Vai passar um programa muito bom na PBS esta noite sobre aquele famoso passeio de trem pelo Canadá. Alguém quer assistir comigo? - disse ele.
Nick prendeu a respiração aguardando pela resposta de Liza.
- Oh, sim, adoraria assisti-lo - respondeu a moça, olhando para a empregada.
Nick desejou aquele sorriso. Mas Liza nem ao menos olhou diretamente para ele.
- Parece uma boa idéia, Bonnie. Talvez pudéssemos comer pipoca.
- Claro, Nick. Boa idéia. Vão na frente que eu...
- Não! - Liza e Nick responderam ao mesmo tempo. Liza completou:
- Vou preparar umas bebidas, Bonnie. Para compensar o sal.
- Vou ligar a TV - disse Nick. Sabia que Liza não iria à sala sem Bonnie. O que era bom, pois não sabia se podia confiar em si mesmo estando sozinho com Liza.
Ainda achava o mesmo quando foi para o quarto vári­as horas depois. Esperou até que as duas se recolhessem e verificou se a casa estava trancada.
Ao voltar para o escritório, pegou o livro de mistério que tentava ler. Sabia que o sono não viria facilmente. Sua mente e seu corpo ainda estavam focados em Liza.
- Tome tenência, rapaz - balbuciou.
E então ouviu uma batida na porta.
Embora tenha dito a si mesmo que era Bonnie, seu coração bateu acelerado. Nem ao menos tinha certeza se Liza sabia onde ficava seu quarto. Vestiu o roupão e cru­zou o quarto.
Jogada errada, deduziu momentos depois quando abriu a porta e viu Liza. A moça vestia um dos trajes que ele comprara e sorria para ele.

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